quarta-feira, 26 de março de 2014

O Top Em Análise

TV TOP - tabelas semanais
«Flashdance...What a Feeling», de Irene Cara, está de novo, pela terceira vez, no comando do quadro de «singles» do «Top Música & Som».

Apenas por quatro vezes na vida deste top, um disco de 45 rotações conseguiu retomar o comando depois de o ter perdido por duas vezes. Aconteceu com «Ma Baker», dos Boney M., «Da Ya Think I'm Sexy», de Rod Stewart, «Enola Gay», dos Orchestral Manoeuvres In The Dark, e »Another Brick In The Wall», dos Pink Floyd. Este último disco detém o recorde de recuperações, pois perdeu o comando por três vezes e por três vezes o recuperou, no total de quatro  estadias em «top one».

O anterior líder, «Karma Chameleon» dos Culture Club, caiu para terceiro posto, sendo igualmente ultrapassado por «Amar Como Jesus Amou» de José Cíd.

Em álbuns, destaque para a estreia de «Can't Slow Down», segundo álbum a solo de Lionel Richie, que entra directamente para o quarto posto, numa altura em que «O Amor é a Moda», de Roberto Carlos, mantém a liderança.

PORTUGUESES NO TOP

Apenas sete «singles» conseguiram colocar-se no quadro exclusivamente reservado à produção nacional.

E o destaque vai, naturalmente, para o primeiro classificado, «Amar Como Jesus Amou», de José Cid, não só porque conseguiu manter essa posição, como também porque logrou chegar ao segundo posto do quadro geral, a sua melhor posição de sempre.

«Carlitos, Carlitos», de Fernando, é segundo entre os portugueses, mas perdeu terreno no quadro geral, passando de décimo segundo para décimo sexto, ao cabo de cinco semanas de permanência.

O decano da tabela é «Paixão», dos Heróis do Mar, actualmente com vinte semanas de estadia.

Uma única estreia: a de «A Nossa Música», de António. «Guardador de Margens», de Rui Veloso, é primeiro em álbuns e manteve o seu nono lugar no quadro geral.

O grande destaque contínua a recair sobre «Fado Bailado», de Rão Kyao, agora com 38 semanas de permanência, quinta melhor marca de sempre até hoje obtida no «Top Música & Som».

TV Top, 1984

http://queimador-recortesretalhos.blogspot.pt/2014/03/musica-n-81-capa-e-top-musica-1983.html
Música & Som
Em Abril, o quadro de singles do «Top Música & Som» ficou marcado pela espectacular entrada directa de «Quando o Coração Chora», da dupla Romeu & Julieta, que se colocou na primeira posiçáo sem passar por quaisquer postos intermédios.

O anterior comandante, «Words», de F.R. David, é agora o segundo classificado e, depois da boa carreira que já fez, e tendo em conta o tempo de permanência (nada que se compare aos 25 meses que, por lapso, saiu mencionado na revista anterior, mas de qualquer forma, seis), é muito natural que prolongue ainda mais a sua descida no próximo mês.

Logo a seguir, vem «It's Raining Again» tema de ponta do mais recente álbum dos Supertramp, que, pelo impacte que tem tido, e ainda pela regularidade que tem demonstrado, diz-nos que é capaz de se manter muito bem classificado, pelo menos durante um mês. De qualquer forma, a subida, de agora em diante, passados três meses da estreia, é pouco provável.

«Abracadabra», da Steve Miller Band, realizou também boa movimentação, pois deu um salto de oito lugares. fixando-se na quarta posição.

Ainda na primeira metade do quadro, realce para uma outra entrada directa cheia de gás. Trata-se de «Do You Really Want to Hurt Me», o disco de estreia dos Culture Club, que chegou, de uma penada, ao sétimo lugar. Tendo em conta a divulgação dada ao tema nos últimos tempos, não é difícil prever que vai subir nos próximos tempos.

http://queimador-recortesretalhos.blogspot.pt/2014/03/musica-n-81-capa-e-top-musica-1983.html
Tabela Mensal - Abril/1983
Um pouco mais abaixo, em nono lugar, situa-se o single «Save a Prayer». dos Duran Duran. No seu segundo mês de top subiu cinco lugares e, sabendo nós de antemão que esta troupe neo-romântica é campeã de vendas por cá, natural se torna dizer que a subida também não é um risco de previsão.

O decano do quadro é, neste momento, «Classic», de Adrian Gurvitz, tema que já conta com oito meses de permanência. No entanto, o disco está em regime de descida lenta e tudo indica que fez desta feita a sua despedida do quadro. Caso tal aconteça, o titulo mudará de mãos, muito provavelmente para «Words».

Uma nota final, no que respeita a singles, para o grupo Talk Talk que comete a proeza de ter dois discos classificados, sendo que um deles na metade de cima, «Talk Talk» em oitavo lugar. O outro é «Today» e acaba de se estrear no vigésimo posto.

No que concerne a álbuns, «The Concert In Central Park» de Simon & Garfunkel, comanda pelo segundo mês consecutivo. E, apesar das boas estreias de «Hooked On Classics» e de «The Kids From Fame», respectivamente em terceiro e quarto lugares, estamos em crer que, entre todos os discos actualmente classificados no quadro, continua a ser «Famous Last Words» dos Supertramp, aquele que melhores possibilidades terá de fazer frente a «The Concert...». De qualquer modo, é natural que no próximo mês entre nova matéria e nela poderá surgir «outsider» mais «perigoso» para o álbum de Simon & Garfunkel que, recorde-se, já cumpre o seu sexto mês de top, uma proeza notável, tanto mais se atendermos a que o disco é duplo.

No quadro nacional de singles «Quando o Coração Chora» é, logicamente, o comandante. Na sua beira está agora «Hiroxima (Meu Amor)» dos Da Vinci, que trocou de posição com «For The Love of Conchita» das Doce.

Para além do pulo do «Coração», igualmente digna de nota a entrada directa para o quarto lugar de «Anita», de Marco Paulo.

Em álbuns, o primeiro e segundo classificados do mês anterior, «Fado» e «O Disco do Ano da Música Portuguesa» já não aparecem entre os «cinco mais», pertencendo agora o comando a «Persona Non Grata» dos UHF. Destaque também para as estreias de «Por Este Rio Acima» de Fausto, «Aguas de Todo o Ano», de Eugénia Melo e Castro, e «Contos da Europa Tropical», de Fernando Girão, por esta ordem classificados.

Música & Som, Maio de 1983


O blog Recortes & Retalhos tem publicado várias tabelas mensais publicadas na revista Música & Som.

A edição aqui reproduzida - Abril de 1983 - corresponde à entrada do single «Quando O Coração Chora» da dupla Romeu & Julieta que viria a obter o primeiro disco de platina.  http://queimador-recortesretalhos.blogspot.pt/search/label/Critica%20de%20Discos-Musica%20e%20Som_Capa%20%26%20Top%60s


Além das tabelas de singles e álbuns eram também publicadas as tabelas nacionais com 10 singles e 5 álbuns e uma análise às principais movimentações nas tabelas. Curiosa a referência aos discos com mais semanas de permanência e aos discos que mais vezes recuperaram o primeiro lugar.

As tabelas continuaram a ser publicadas após Outubro de 1984 quando apareçeram as primeiras tabelas oficiais. Eram feitas com base em várias lojas do país.

terça-feira, 25 de março de 2014

Compilações

http://viva80.pt/DiscosIndex.aspx?tab=1&type=4
No tempo em que havia editoras discográficas em Portugal, era costume a publicação de colectâneas com os "maiores êxitos" nacionais e internacionais.

As editoras degladiavam-se com os seus catálogos e era uma profusão de títulos: Jackpot, Hit Parade, Genius, Super Disco, Hot Stars, Holiday Stars, Disco Stars, Fido, Os 22, Os Super 20, Vinte Super Bombas, Maxi Disco, Tutti Frutti, Disco Joker, Abana O Capacete...

Um fartote!

LPA, 21/06/2013
http://guedelhudos.blogspot.pt/2013/06/jackpot-e-outros.html

A Polygram foi a primeira Editora discográfica em Portugal a investir em televisão em compilações com a famosa etiqueta POLYSTAR.

Com as compilações "Nº 1" passaram a englobar temas de várias editoras no mesmo lançamento:

À excepção da Polygram as outras companhias, para combater a queda do single, associaram-se e semestralmente lançam compilações das canções mais comerciais sob o título «Nº1». O projecto, que inicialmente não teve grande impacto, tornou-se, em 1993, o maior fenómeno de vendas da AFP. O volume lançado pela Sony portuguesa foi o único fonograma que em 1992 alcançou tripla platina. (LM, Público, 1994)

"Dois casos noticiados pelo PÚBLICO (edições de 2 e 5 de Fevereiro 1992) lançaram a confusão no meio fonográfico português. Primeiro foi a colectânea "Top Star 91" lançada pela Vidisco, com cantores como Kris Isac, e não Chris Isaak, PM Down, em vez de PM Dawn. Este caso motivou uma queixa da Associação Fonográfica Portuguesa junto do Instituto de Defesa do Consumidor. Depois foi o caso da "Guerra da Cassetes" , relativo a uma edição de "covers" de Bryan Adams, que quase decalcava o grafismo da capa do último álbum do cantor. A Polygram, editora que representa legalmente o artista canadiano reagiu e pôs o caso na Polícia Judiciária. " (Público)

"Primeiro a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) levou "Top Star 91" ao Instituto da Defesa do Consumidor, queixando-se de que a capa desta compilação de versões se prestava a equívoco com os originais. A editora Vidisco, que a lançou, aceitou fazer as modificações necessárias na capa, mas entretanto o programa televisivo Top + veio reforçar a denúncia da AFP.  Resultado: a Vidisco passa agora ao contra-ataque e ameaça processar Top + e AFP.

A guerra tinha começado antes. Pela mesma ordem de razões expostas no Top +, programa licenciado a explorar televisivamente os "tops" da Associação Fonográfica Portuguesa, esta apresentara queixa ao Instituto de Defesa do Consumidor, nos inícios de Dezembro último. A Vidisco levou a sério a solicitação e prestou-se a fazer uma nova edição de "Top Star 91", disco que compila material procedente do selo italiano DiscoMagic. " (Público)

As compilações da editora Vidisco dominaram as tabelas (Electricidade, Dance Power, Dance Mania, 16 Top World Charts, Supermix, etc) durante vários anos.

Em 1995 ocorreu a separação das tabelas de vendas para as compilações num período em que proliferavam as compilações de música de dança:

O top nacional de vendas de registos fonográficos passou a ser desde a semana passada dividido em dois: um de álbuns e um de compilações -- a definição de «compilação» corresponde ao álbum que tenha a participação de mais que um intérprete ou grupo.

A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) assim decidiu por ter achado por bem «abrir um espaço que se quer mais amplo para repertório mais novo que, de outra forma, talvez não pudesse vir a dispor da possibilidade de entrada no top». Em simultâneo pretende-se proporcionar um tratamento separado para as compilações, «tendo em conta as suas características muito próprias». O top nacional passará assim a ter 30 entradas no caso dos álbuns «normais» e dez no caso das compilações. (Público, 10/10/1995)

NOW - compilação atinge 1 milhão de unidades vendidas em Portugal!

As compilações "NOW" - uma joint-venture entre as três maiores editoras internacionais presentes em Portugal, a EMI (detentora original da marca “Now! That’s What I Call Music”), a Sony e a Universal - atingiram a fabulosa marca de um milhão de exemplares vendidos em Portugal, sem contar com as edições extra. Reconhecidos por incluírem nos seus alinhamentos os maiores êxitos, ao longo de dez anos de edições, os vários volumes "NOW" incluíram 414 artistas nacionais e estrangeiros, num total de 787 temas diferentes, tendo arrecadado o impressionante número de 4 discos de ouro e 19 de platina.

O primeiro "NOW" editado em Portugal chamou-se "NOW 99" e foi lançado pela EMI a 2 de Dezembro de 1999. Desde essa data, e sem nenhuma excepção, todos os anos seguintes viram a edição de dois volumes "NOW", em Junho e Novembro, com a particularidade das suas capas reflectirem a estação do ano em que foram editados. Desde o "NOW 2" até ao recente "NOW 21" - com que se atingiu a barreira do milhão de unidades vendidas - a edição foi sempre feita em sistema de rotatividade entre as três editoras. Para além destes volumes, a série inclui ainda as edições extra de seis "NOW Dance", um "NOW DVD" e a edição comemorativa do décimo aniversário “NOW 10 Anos”, editado pela EMI em Dezembro de 2009.

www.nowmusica.com (Sony, 26.04.2010)

Compilações lançadas entre 1979 e 1990 - http://viva80.pt/DiscosIndex.aspx?tab=1&type=4

1979 | Jackpot - 32 Super Tops  (EMI-VC)
1979 | Explode Coração  (Polygram)
1979 | Disco Stars  (Polygram)
1979 | Os 22  (Polygram)
1979 | 17 Super Êxitos  (Imavox)
1980 | Machines  (Vadeca)
1980 | TuttHITFrutti  (EMI-VC)
1980 | Hot Stars  (Polygram)
1980 | Os Super 20  (Polygram)
1980 | Êxitos da Música Portuguesa  (Rossil)
1980 | Radio Disco & Rock  (Rossil)
1980 | Super 30 - Êxitos da Musica Portuguesa  (Rádio Triunfo)
1981 | 2x7=14  (Vadeca)
1981 | Jackpot - Os Superêxitos 81  (EMI-VC)
1981 | Vamos Rir e Saltar  (Vadeca)
1981 | Música Para Sonhar  (Polygram)
1981 | Polystar '81  (Polygram)
1981 | Top Stars '81  (Polygram)
1981 | Eurovision Gala - 29 Winners  (Polygram)
1981 | Super Tops Portugueses  (Rossil)
1981 | O Disco do Ano '81  (Rádio Triunfo)
1981 | 24 Quilates  (Imavox)
1981 | Happy Rock - O Máximo da New Wave  (Nova)
1981 | O Pacotão  (Nova)
1982 | Vinte Super Bombas  (EMI-VC)
1982 | Summer Stars '82  (Polygram)
1982 | Polystar '82  (Polygram)
1982 | Polystar dos Pequeninos  (Polygram)
1982 | Super Disco '82  (Edisom)
1982 | Supertops  (Edisom)
1982 | Funkin' Rebels  (Gira)
1983 | Jackpot '83  (EMI-VC)
1983 | Podium  (CBS)
1983 | Genius '83  (CBS)
1983 | Love Play  (Polygram)
1983 | Polystar '83  (Polygram)
1983 | Summer Stars '83  (Polygram)
1983 | Super Disco '83  (Edisom)
1983 | O Discão de Verão '83  (Rádio Triunfo)
1983 | O Disco do Ano da Musica Portuguesa  (Rádio Triunfo)
1984 | Jackpot '84  (EMI-VC)
1984 | Genius Super Sonic  (CBS)
1984 | Holiday Stars  (Polygram)
1984 | Polystar '84  (Polygram)
1984 | Super Disco '84  (Edisom)
1984 | Dance Machine (Gira)
1985 | Jackpot '85  (EMI-VC)
1985 | Megamix  (EMI-VC)
1985 | Top Jackpot '85  (EMI-VC)
1985 | Top Genius '85  (CBS)
1985 | Polystar '85  (Polygram)
1985 | Summer Stars '85  (Polygram)
1985 | Only You  (Edisom)
1985 | Summer Party '85  (Edisom)
1985 | O Disco do Ano '85  (Rádio Triunfo)
1986 | Jackpot '86  (EMI-VC)
1986 | Top Jackpot '86  (EMI-VC)
1986 | Disco Joker (Transmédia)
1986 | Top Genius - 16 Super Genius  (CBS)
1986 | Hits3  (CBS)
1986 | San Francisco - 16 Êxitos Mágicos  (CBS)
1986 | Polystar '86  (Polygram)
1986 | Super Disco '86  (Edisom)
1987 | Jackpot '87  (EMI-VC)
1987 | WaterProof  (CBS)
1987 | Top Genius '87  (CBS)
1987 | Lusitânia Expresso  (Polygram)
1987 | Hit Parade '87  (Polygram)
1987 | Super Disco '87  (Edisom)
1987 | Super Mix 1  (Vidisco)
1987 | Super Mix 2  (Vidisco)
1988 | Jackpot '88  (EMI-VC)
1988 | Hit Parade '88  (Polygram)
1988 | Anos d'Ouro da Canção Italiana  (Edisom)
1988 | Super Disco '88  (Edisom)
1988 | Super Mix 3  (Vidisco)
1989 | Anos 80  (EMI-VC)
1989 | Genius '89  (CBS)
1989 | Hit Parade '89  (Polygram)
1989 | Super Disco '89  (Edisom)
1989 | Super Disco '89  (Edisom/BMG)
1989 | Super Mix 4  (Vidisco)
1990 | Hit Parade '90  (Polygram)
1990 | Super Disco '90  (Edisom)
1990 | Super Mix 5  (Vidisco)
1990 | Top Star '90  (Vidisco)

http://viva80.pt/DiscosIndex.aspx?tab=1&type=4

terça-feira, 18 de março de 2014

Tony Carreira, Mariza e Ana Moura entre os que mais vendem

Em Portugal os artistas nacionais representam 90% das vendas de CD's, que totalizaram 37 milhões de euros em 2009. A indústria musical, a nível mundial, factura 120 mil milhões e dá trabalho a dois milhões de pessoas.

Tony Carreira, Mariza e Ana Moura entre os que mais vendem

O mercado português, queixam-se todas as editoras a operar em território nacional, é demasiado pequeno. A limitação que esta dimensão implica torna-se tanto maior quanto menor é o catálogo da editora. Se para as multinacionais (Universal, EMI, Sony e Warner) o equilíbrio financeiro se pode valer de dois ou três artistas de renome capazes de sustentar muitas outras apostas menos rentáveis, para as editoras nacionais o cenário só se desdramatiza quando conseguem que um tema dos seus artistas faça parte da banda sonora de uma novela.

Este é o discurso protagonizado pelos responsáveis das editoras. Mas os números mostram que a sua sobrevivência não está ameaçada. E o seu melhor sinal de vida chama-se música portuguesa. Os artistas nacionais são actualmente aqueles que mais discos vendem. Mais de 90% das vendas no mercado físico, ou seja em suporte CD, é dominado por eles, embora não tenham praticamente expressão nas vendas em suporte digital, essas completamente lideradas pela música anglo-saxónica.

São também os artistas nacionais aqueles que constituem as apostas mais fortes das editoras. Os reis da música chamam-se Tony Carreira (Farol), Mariza (EMI), Pedro Abrunhosa (Universal), Ana Moura (Universal), e, mais recentemente Deolinda (iPlay até 2009, actualmente EMI). As razões dos seus êxitos de vendas, associada obviamente ao gosto do público português, prende-se também com a "fidelidade" pelo que é nacional. Luís Freire, responsável máximo da Farol, não tem dúvidas de que os portugueses têm mais respeito pelos músicos nacionais do que pelos estrangeiros, optando muito mais facilmente por comprar um CD de um artista português do que de um músico estrangeiro. João Teixeira, da EMI, diz mesmo que "a proximidade com o artista torna sempre mais difícil ao consumidor pirateá-lo". Já Tiago Palma, da Universal, avança com outra razão para explicar o crescimento do mercado da música em português: "Com a aprovação da Lei da Rádio, que prevê a passagem de 25% a 40% de música portuguesa nas rádios, tem-se notado um aumento do consumo de música local", diz, frisando que o investimento em música portuguesa tem sido positivo nos últimos anos.

Em média cada major lança por ano quatro novos artistas nacionais. Os custos com cada um deles têm sempre por base a expectativa de vendas de discos mas oscilam entre os €8 e os €20 mil aos quais acresce um investimento em marketing a rondar os 30% das receitas esperadas. Em números mais precisos, uma editora como a EMI Music Portugal investe € 1,2 milhões em música por ano (dados de 2009). Feitas as contas, a edição discográfica em Portugal valeu no ano passado €37 milhões (valor da facturação das editoras), representado uma quebra de 16% face a 2008.

O reflexo das alterações de estratégia das antigas gravadoras de discos também se faz sentir no nosso país. Paulo Ferreira, director-geral da Sony, já fala em indústria de entretenimento para descrever o trabalho de uma editora. A Sony talvez seja a major que adoptou uma postura mais radical em termos de transformação. O seu relacionamento com os artistas tanto pode cingir-se a uma mera prestação de serviços - a editora grava o CD que lhe é confiado e o artista paga - como estabelecer-se através de um contrato de full-rights, que inclui até todos os direitos de exploração de imagem do artista.

De resto, são estes contratos, que garantem à editora uma percentagem de todas as receitas geradas pelo músico, os mais comuns no universo das novas contratações. João Teixeira, responsável da EMI, defende-os. São eles que lhe permitem dizer que "a edição discográfica é rentável". E são também eles que fazem com que os conteúdos vendidos actualmente pelas editoras possam alargar-se a formatos que não tenham obrigatoriamente que incluir música, como é o caso do merchandising.

(...)

Alexandra Carita / Expresso, 29 de Maio de 2010

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/tony-carreira-mariza-e-ana-moura-entre-os-que-mais-vendem=f585927#ixzz2wL4JYhQY


Discos mais vendidos - 2000/2010

FLORIBELLA - FLOR (2006 / 2007) 10P - 200000
ACÚSTICO - ANDRÉ SARDET (2006 / 2009) 8P - 160000
LAUNDRY SERVICE - SHAKIRA (2001 / 2003) 4P - 160000 (ou 3P?)
TRIBALISTAS - TRIBALISTAS (2003 / 2003) 4P - 160000
A VIDA QUE EU ESCOLHI - TONY CARREIRA (2006 / 2007) 7P - 140000 (ou 8P?)
LARA FABIAN - LARA FABIAN (2001 / 2001) 3P - 140000
O HOMEM QUE SOU - TONY CARREIRA (2008 / 2010) 7P - 140000 (ou 8P?)
THE BEST OF 1990-2000 - U2 (2002 / 2003) 6P - 240000 (ou 120000?)
1 - BEATLES (2000 / 2000) 3P - 120000
AO VIVO NO OLYMPIA - TONY CARREIRA (2000 / 2000) 3P - 120000
AO VIVO NO PAVILHÃO ATLÂNTICO - TONY CARREIRA (2003 / 2004) 3P - 120000
D’ZRT - D’ZRT (2005 / 2005) 6P - 120000
ECHOES - PINK FLOYD (2001 / 2001) 3P - 120000
FADO CURVO - MARIZA (2002 / 2010) 6P - 120000
FADO EM MIM - MARIZA (2001 / 2010) 6P - 120000
HOW TO DISMANTLE AN ATOMIC BOMB - U2 (2004 / 2005) 3P - 120000
MORANGO DO NORDESTE - CANTA BAHIA (2001 / 2001) 3P - 120000
O MELHOR DE RUI VELOSO 20 ANOS DEPOIS - RUI VELOSO (2000 / 2000) 3P - 120000
VOAR - SANTAMARIA (1999 / 2000) 3P - 120000
O CONCERTO ACÚSTICO - RUI VELOSO (2003 / 2005) 8P - 160000 (ou 80000?)


CARIBE MIX 2000 - VÁRIOS ARTISTAS (2000 / 2000) 4P - 160000
NOW 7 - VÁRIOS ARTISTAS (/ 2003) 4P - 160000
NOW 10 - VÁRIOS ARTISTAS (2004 / 2004) 3P - 120000
NOW 11 - VÁRIOS ARTISTAS (2004 / 2004) 3P - 120000
NOW 8 - VÁRIOS ARTISTAS (/ 2003) 3P - 120000
NOW 9 - VÁRIOS ARTISTAS (2003 / 2004) 3P - 120000


As colectâneas das várias séries da novela "Morangos Com Açucar" venderam mais de  500.000 unidades.

Vendas Discos 2019

DISCOS EM DESTAQUE ATÉ À SEMANA 40/2019 AS CANÇÕES DAS NOSSAS VIDAS - ACÚSTICO - 30 ANOS - TONY CARREIRA - 1#1  [3 EM 2018] DO AVESSO ...

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