VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Vendas de discos 1993

imagem programa Top+

Discos mais vendidos - 1993

1 - The Bodyguard - Whitney Houston / Banda Sonora
2 - Tutte Storie - Eros Ramazzotti
3 - Bigger, Better, Faster, More! - 4 Non Blondes
4 - On The Night - Dire Straits
5 - Timeless - Michael Bolton
6 - Ten Summoner's Tales - Sting
7 - Love Classics - Vários
8 - 16 Top World Charts 93 - Vários (Vidisco)
9 - Super Mix 8 - Vários
10 - Five Live - George Michael + Queen e Lisa Stansfield

Fonte: AFP

(Billboard-16/04/1994)

Álbuns em destaque:

Nº1 - Vários (EMI) (3#1)
Hitparade - Vários (Polygram) - #2
Mano a Mano - Resistência - #2
ABBA Gold - ABBA (2#1)
Timeless - Michael Bolton - #2
The Way We Walk vol.2 - Genesis (1#1)
The Bodyguard - Whitney Houston / Banda Sonora (16#1)
Pure Cult - The Cult - #2
Right Here Right Now - Val Halen - #3
Automatic For The People - REM - #4
Off The Ground - Paul McCartney - #2
Unplugged - Eric Clapton - #2
All The Best - Leo Sayer - #2
Dance Mania - Vários (Vidisco) - #2
Ten Summoner's Tales - Sting - #2
MTV Unplugged - Bruce Sringsteen (2#1)
Five Live - George Michael + Queen (2#1)
On The Night - Dire Straits (4#1)
What's Love Got To Do… - Tina Turner - #3
Nº 1 - Vários (BMG) - #2
Love Classics - Vários (5#1)
Zooropa - U2 - #2
Tutte Storie - Eros Ramazzotti (1#1)
Bigger, Better, Faster, More! - 4 Non Blondes (5#1)
La Kabra [Farmlopez & A-O] - Vários (Vidisco) (5#1)
VS - Pearl Jam - #4
Super Mix 8 - Vários (Vidisco) (5#1)
Duets - Frank Sinatra - #2
So Far So Good - Bryan Adams (2#1)
As Mais Bonitas - Vitorino - #3
Represas - Luís Represas - #4
Sol da Minha Vida - Roberta Miranda - #0
Temporal de Amor - Leandro e Leonardo - #0
Voltei - Dino Meira - #0
Nº1 - Vários (Sony) - #0
++

Singles em destaque:

Easy Come And Go - Joker (3#1)
Keep The Faith - Bon Jovi (4#1)
The One - Elton John  (1#1)
Sweat - Inner Circle (3#1)
What A Wonderful World - Nick Cave (2#1)
Ellegibo - Ellegibo - #2
Maubere - Rui Veloso (1#1)
End Of The Road - Boys II Men - #2
No Limit - 2 Unlimited (2#1)
Sad But True - Mettalica - #2
Sleeping Sattelite - Jody G (1#1)
Forever Young - DJ Space C - #2
I Will Allways Love You - Whitney Houston (1#1)
Amante, Irmão, Amigo - Marco Paulo (3#1)
Encores EP - Dire Straits (5#1)
Ruby Tuesday - Rubey S - #2
Somebody Dance With Me - DJ Bobo (1#1)
I Know There's … - Lorraine?Jasmine - #2
Tribal Dance - 2 Unlimited (1#1)
Only With You - Captain Hollywood - #2
A Noite - Resistência (2#1)
Tchumbalala - Salsicha - #2
All I Want - Captain Hollywood - #2
La Kabra - Farmlopez & A-O - #2
Quem É Que Nunca Amou - Toy (1#1)
Condemnation Love - Depeche Mode (1#1)
Mary Jane's Last Dance - Tom Petty - #2
Maximum Overdrive - 2 Unlimited - #3

(O top de singles deixou de ser publicado no Natal de 1993)

Rui Veloso - Maubere - 2#1
Bon Jovi - Keep The Faith - 4#1
Elton John - The One - 1#1
Joker - Easy Come And Go - 2#1
Inner Circle - Sweat - 3#1
Cave & MacGowan - What A Wonderful World - 2#1
2 Unlimited - No Limit - 2#1
Jody "G" - Sleeping Satellite  - 1#1
Whitney Houston - I Will Always Love You - 1#1
Marco Paulo - Amante, Irmão, Amigo - 4#1
Dire Straits - Encores EP - 5#1
D.J. BoBo - Somebody Dance With Me - 1#1
2 Unlimited - Tribal Dance - 1#1
Resistência - A Noite - 2#1
Toy - Quem É Que Nunca Amou - 4#1
Marco Paulo - Perco A Cabeça - 2#1
Kris Kross - Alright  - 1#1
Farmlopez - La Kabra - 1#1
Haddaway - What Is Love - 1#1
Bernie Lyon - The Love Of A Woman - 2#1
Big Beto & Los Kabrones - La Vaca - 3#1
Minnesota - What's Up - 1#1
Bryan Adams - Please Forgive Me - 1#1
Depeche Mode - Condemnation E.P. - 2#1
UHF - 4 Rave Songs - 1#1

++


A cassete analógica regressa em força ao top dos formatos fonográficos mais vendidos em Portugal, no primeiro semestre de 1993.

par=ext726288-clt-93a-2: Depois podemos falar num dos paradoxos da nossa riquíssima indústria discográfica, que, ao contrário dos outros países, não aproveitou o boom do CD.

Público, 1993

Whitney Houston, com a banda sonora de Bodyguard, foi a rainha do top AFP, cuja primeira posição ocupou ao longo de 16 semanas, vindo muito abaixo o álbum de estreia das 4 Non Blondes, Kabra, dos Falmlopez, e as colectâneas "Love Classics" e "Supermix 8", todos com cinco semanas de permanência no primeiro lugar (nenhum disco português, em contrapartida, esteve em primeiro lugar, o que é mais uma achega à interrogação do parágrafo anterior).

Público, 1994

Sabia que...

 Cerca de nove milhões de contos, de acordo com os dados oficiais da Associação Fonográfica Portuguesa. Esta quantia representa um aumento de cerca de 12,50 por cento em relação ao que os portugueses gastaram no ano anterior. Quanto aos formatos, a preferência maioritária vai para o CD, que ocupou quase 53 por cento do mercado, contra 43 por cento das cassetes e apenas quatro por cento do antigo formato em vinil. As novas tecnologias de som, como o «mini-disc» e o DCC, representam ainda uma ínfima percentagem do mercado, tendo o «mini-disc» (da Sony) uma ligeira vantagem sobre o DCC (da Philips). No ano passado venderam-se em Portugal apenas 1528 «mini-discs» (0,019 por cento do mercado) e 1372 DCC (0,017 por cento).

E quais são as maiores editoras discográficas do mercado?

· A EMI-VC e a Polygram continuam a ser as duas maiores editoras discográficas implantadas em Portugal, com uma vantagem de 0,41 pontos percentuais para a primeira. A EMI-VC facturou 20,82 por cento do total e a Polygram 20,41 por cento. Segue-se a BMG (15,60 por cento), a Sony Music (15,36 por cento), a Warner Music (11,57 por cento) e a Vidisco (11,26 por cento). No mercado da música clássica, a Polygram, devido à Deutsche Grammophone, é a líder incontestada, com 57,21 por cento, seguida da EMI-VC, com 12,01 por cento. Quanto à música portuguesa, à frente está a EMI-VC, com 39,51 por cento, surgindo em segundo lugar a Vidisco, com 24 por cento, e depois a BMG, que detém 15,57 por cento das vendas, pertencendo 11,12 por cento à Sony Music e 9,67 por cento à Polygram.

Público, 13/02/1994

Associação Fonográfica Portuguesa divulga dados do mercado discográfico em 1993

Nem sombra de crise

Os dados relativos à facturação das maiores empresas ligadas à música em Portugal confirmam que o mercado continua a crescer. Embora em 1993 a oferta de produção nacional tenha sido menos significativa do que no ano anterior, o "bolo" final é compensado pela música "pop" estrangeira. O disco compacto, esse, permanece rei e senhor da situação.

A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) divulgou apenas na passada sexta-feira os números de mercado respeitantes ao ano de 1993. A conclusão mais clara que se pode tirar deles é que, apesar da tão falada crise, o mercado da música em Portugal continua em crescimento.

Um dado importante para a compreensão dos valores e quotas relativas a 1993 é a adesão à AFP da independente Vidisco -- empresa sem participação das grandes multinacionais no seu capital --, que tem registado um crescimento acelerado nos últimos anos. Este facto veio, de alguma forma, introduzir novos elementos de importância no mercado global, no que diz respeito à distribuição de proveitos. Assim houve que actualizar os dados da AFP relativos a 1992 -- aumentá-los com os números de vendas da Vidisco relativos ao mesmo ano -- de modo a que pudessem ser feitas comparações mais precisas.

A facturação total dos associados da AFP, em 1993, foi assim de 8,732 milhões de contos, o que representa um crescimento de 12,43 por cento em relação ao ano anterior. Em 1993 venderam-se pouco mais de mil "singles" (1136), 200 mil "LP Top" (193 466, com preço de topo), perto de cem mil "LP Mid" (97 124, com preço médio) e 460 "LP Bud" (preço de fundo de catálogo). No formato "MC" (cassete), venderam-se mais de meio milhão de unidades (567 118 ) a preço de topo, mais de cem mil (130379) a preço médio e cerca de um quarto de milhão (2603735) em preço "budget".

Ao disco compacto (CD) coube a maior fatia de unidades vendidas: quase três milhões (2848683) em "Top", um pouco menos de um milhão (865 494), em preço "Mid", e cerca de 250 mil (250 917), em "Bud". Quando a "CD-singles", o mercado absorveu três milhares (3 735).

Os vídeos-musicais vendidos foram um pouco mais de 25 mil (26 912) e os "CD-Vídeo" elevaram-se aos 5194. Os novos formatos DCC e MD -- a anunciada revolução digital -- continuam, no entanto, fracamente implantados no nosso país, em paralelo com o que se tem passado no resto do mundo. Venderam-se apenas cerca de mil (1372) DCC e quase outros tantos (1528) MD durante todo o ano.

O CD continua a fortalecer a sua posição no mercado, tendo as vendas correspondentes a este formato subido para 52,47 por cento da facturação global, enquanto em 1992 (números acrescentados dos valores da Vidisco), o CD ocupava apenas uma parcela de 41,27 por cento. O vinil, por seu lado, continua em queda livre, tendo passado de 12,64 por cento para a reduzidíssima quota de 3,85 por cento. À subida do CD correspondeu uma ligeira queda da quota das cassetes: de 46,10 por cento, para os 43, 68.

A nível geral há um acréscimo de 6,37 por cento na venda de álbuns (em todos os formatos, embora a maior parte corresponda ao CD) e nas vendas de "MC Bud", 4,13 por cento. A venda dos vídeos musicais decresceu de forma significativa (36,27 por cento) de 1992 para 1993, bem como a dos CDV (34,15 por cento). Os singles quase desapareceram da lista dos produtos a consumir, registando um decréscimo de 68, 27 por cento.

O "bolo" das editoras

Em termos de quotas de mercado, a divisão por editoras regista ainda a supremacia da EMI-VC com 20, 82 por cento, logo seguida da Polygram com 20,41. Depois destas duas habituais líderes vem a BMG com 15,60 por cento, praticamente a par da Sony Music que tem 15, 36 por cento, a Warner Music com 11, 57, e a "novata" Vidisco que salta logo para a sexta posição com 11,26 por cento do "bolo" final. A registar há ainda a MVM com 3,53 por cento, a Edisom com 1,35 e a entretanto desaparecida Sanni com 0,10 por cento.

Destas editoras quem factura mais na área da música nacional é a EMI-VC, com 39,51 por cento do mercado, seguida agora pela Vidisco com 24. A BMG fica em terceiro lugar com 15,57 por cento. É nesta área, aliás, que maior contraste se sente em relação ao ano anterior. A facturação deste sector contrariou a subida geral do mercado descendo de quase milhão e meio de contos (1 480 608 924 escudos) para pouco mais de 1,3 milhões (1 353 105 818 escudos), depois de ter crescido substancialmente, de 1991 para 1992, de um milhão para o tal milhão e meio de contos. Recorde-se que 1992 foi também o ano em que GNR, Resistência e Madredeus registaram grandes sucessos. Em 1993 nada de paralelo aconteceu.

A área da música clássica, no entanto, mantém-se estável desde 1991, representando um mercado de 600 mil contos. Lidera-o a Polygram, com 57, 21 por cento de quota, seguida pela EMI-VC (12,01 por cento) e pela Sony (8,72 por cento). Como era de esperar a área da música "pop" internacional é a que representa o grosso da facturação total, tendo vindo a crescer a ritmo regular desde 1990 -- cerca de um milhão de contos por ano.

Os resultados do quarto trimestre demonstram como este período tem a maior importância para a indústria. Apenas neste período movimentaram-se cerca de 3,2 milhões de contos (3 265 800 650 escudos), o que representa uma parcela de 37,4 por cento -- mais de um terço -- do total anual. Neste período a EMI-VC liderou o mercado com a fatia de 22,30 por cento, seguida da Sony (20,99), da Polygram (19,87), da BMG (13,77), da Vidisco (10,85), da Warner Music (8,70) e da MVM (3,52 por cento).

Jorge Dias / Público, 07/02/1994

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1993

PUBLICO-1994/01/23-002

Vendas de Natal

A companhia discográfica «Sony Music» foi a vencedora da «Guerra do Natal» na conquista do mercado de disco durante o mês de Dezembro, com uma percentagem de 26,68 por cento. Dados oficiais, a que a agência Lusa teve ontem acesso, indicam que a EMI-VC se situou em segundo lugar com 22,38 por cento e a Polygram em terceiro com 19,97. Nos lugares seguintes classificaram-se a BMG (13,13 por cento), Vidisco (9,07 por cento), Warner Music (5,19 por cento) e a MVM (3, 58 por cento). Para a vitória da Sony Music contribuíram decisivamente as vendas da colectânea «Número Um» que vai a caminho das 150 mil unidades vendidas.

Associação Fonográfica Portuguesa revela lista de galardões de 1993

Colectâneas em vez de singles

Em 1993, as colectâneas de canções venderam-se em Portugal mais do que os singles. Antes não era assim. De resto, a música portuguesa não foi tão galardoada, enquanto o produto brasileiro popular regressou em força.

A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), que junta as mais importantes companhias portuguesas com ramificações internacionais no negócio da música, acaba de publicar a lista dos seus galardões de 1993.

Sempre reveladores, os números deste ano são particularmente interessantes: não houve um único single que tenha vendido entre nós 40 mil exemplares e arrecadado o galardão maior de platina. À excepção da Polygram as outras companhias, para combater a queda do single, associaram-se e semestralmente lançam compilações das canções mais comerciais sob o título «Nº1» -- a última inclui os nomes de Tina Turner, Pet Shop Boys, 4 Non Blondes, UB40 ou Sitiados. O projecto, que inicialmente não teve grande impacto, tornou-se, em 1993, o maior fenómeno de vendas da AFP. O volume lançado pela Sony portuguesa foi o único fonograma que em 1992 alcançou tripla platina. Isto significa, provavelmente, que os portugueses ainda preferem canções, só que não as compram individualmente, mas por atacado.

1993 foi também o ano em que a AFP, que antes apenas se centrava em divisões locais das multinacionais, abriu as portas a independentes, nomeadamente à Vidisco, que acabou o ano com um total de 43 galardões, mais doze que as segundas classificadas: EMI-VC e Polygram. Há outras conclusões importantes a tirar: os fonogramas premiados que a Vidisco comercializou foram rubricados por artistas brasileiros, os quais não são propriamente os pontífices da alta cultura do país irmão, mas o equivalente musical das telenovelas, como a cantora Roberta Miranda e a dupla Leandro e Leonardo.

A Vidisco poderá ter feito perder terreno às divisões portuguesas das multinacionais, mas também é verdade que a companhia já existia antes de estar na AFP. A diferença é que agora os seus números são, também, contabilizados. Tenha ou não tenha influência, a verdade é que as outras empresas fonográficas tiveram globalmente menos galardões que em anos anteriores. Resta saber se isso significa que os portugueses compraram menos música ou se diversificaram os seus gostos.

É evidente que, por outro lado, em 1993 houve poucos discos portugueses, em particular da área pop/rock, a atingir o galardão máximo. Esse foi o privilégio de GNR, com «Rock In Rio Douro», Madredeus, com «Lisboa», e Resistência, com «Mano a Mano» -- três discos lançados há mais de um ano e, de resto, já antes distinguidos com o troféu de platina. Em contrapartida, não se pode esquecer que os novos trabalhos dos Resistência, Luís Represas e Vitorino foram lançados a menos de dois meses do fim do ano e já são ouro (20 mil exemplares), o que leva a prever que também cheguem a platina -- embora Sitiados e Delfins, que saíram com álbuns de inéditos em Setembro passado, já tivessem tempo para chegar a essa marca. 1993 foi um ano em que finalmente as reedições de registos clássicos da música portuguesa passaram a ter um ritmo regular. Mas apenas retrospectivas do Trio Odemira e dos Resistência chegaram a ouro. Será que os portugueses gostam do seu passado musical, mas não tanto quanto seria desejável?

Uma análise não menos crucial para a indústria discográfica é a da comparação dos galardões agora divulgados com os primeiros postos do top da AFP 1993. Whitney Houston com a banda sonora de "Bodyguard" foi a rainha, ocupando a primeira posição durante 16 semanas. Nenhum disco português, em contrapartida, esteve em primeiro lugar.

Whitney não teve mais que uma platina, enquanto a compilação «Nº1», da Sony, só esteve no top durante uma semana. O outro fonograma mais galardoado -- o «Greatest Hits», dos Abba -- esteve em primeiro lugar durante apenas duas semanas. Em termos de vendas, portanto, chegar ao topo da tabela de vendas portuguesas significa alguma coisa. Mas não muito. E, a longo prazo, são outros discos que mais facturam

Luís Maio / Público, 27/01/1994

As colectâneas de canções sempre tiveram grande adesão. Basta lembrar as colectâneas "Polystar" ou "Jackpot". O top de singles deixou de ser publicado no Natal de 1993.

domingo, 4 de abril de 2010

Iran Costa

E que, em matéria de música, a produção nacional deverá, neste ano, bater recordes vários. Em 1994, o LP «Número Um» da Sony, um conjunto de êxitos musicais por vários artistas, foi aparentemente o disco com maior sucesso entre nós. Pelo menos, foi o único a ser galardoado com cinco discos de platina, atribuídos por cada 40 mil unidades vendidas.

Mas, neste ano, há um espécie de novo nacional-cançonetismo que anda a causar furor: Iran Costa, com «O Álbum Dance», que inclui «O Bicho», e Emanuel, com «Pimba, Pimba» terão já garantido vários discos de platina. Só no que respeita ao mercado de cassetes áudio, Iran Costa conseguiu que a Vidisco editasse, desde Maio, 465 mil cópias.

Há já quem garanta que os dois serão os protagonistas dos maiores êxitos musicais dos últimos anos, muito à frente de Pedro Abrunhosa, Madredeus ou Vitorino, também eles galardoados em 1994 com a platina. Por bater continua o recorde estabelecido pelos Pink Floyd no ano passado: dois dias consecutivos de lotação esgotada no estádio de Alvalade ou seja, 120 mil espectadores no total.

Clara Viana / Público, 20/09/1995

Cadé o astral bonito de vocês?» Iran Costa, «o bicho» para os fãs, não se poupa a esforços em palco. E nem uma inconveniente falha do microfone, como aconteceu domingo no «show» de encerramento do comício do PP, no Porto, arrefece a garra do artista. Boné de pala puxada para trás, óculos escuros espelhados, calças de padrão camuflado e botas militares cobrem o ídolo do momento. Em palco, faz-se acompanhar de duas morenas «partners», de medidas generosas e genica para dar e vender. O protagonista do «hit» do momento é avesso a entrevistas, mas o empresário do artista, Pedro Augusto, tem uma explicação, também biológica, para o facto: «O Iran, sabe, ele dá dois `shows' por dia e transpira muito. Tem de descansar.» Enquanto o guerreiro descansa, o «povão» vai comprando discos que ajudam a engrossar a já longa lista de 160 mil cópias do «bicho» vendidas em Portugal, o que significa um quádruplo disco de platina e honras de destaque no também único Big Show SIC.

O empresário Pedro Augusto acompanha Iran Costa desde a primeira hora e nunca larga o artista. Esta espécie de sombra da vedeta é o primeiro a abandonar os lugares de espectáculo e o primeiro a chegar para conferir a operacionalidade dos «shows». Iran opta pelo «som directo» apenas para a voz, porque, como explica Pedro Augusto, «dance music não dá para carregar músico todos os dias». Aparentemente, é o país que dita as regras do espectáculo: «Ficaria muito caro trazer músicos de fora, especialmente de Itália, porque Portugal não suporta `cachets' assim.»Mesmo sem músicos, Iran está transformado em ídolo do cançonetismo partidário, e tem agendados oito espectáculos para esta campanha eleitoral. Mas sem preferências por este ou aquele. Se no domingo tocou para o PP no Porto, anteontem fê-lo para o PSD em Gondomar e ontem para os mesmos sociais-democratas em Gaia. Mais do que as ideias dos líderes, os militantes repetiam milimetricamente a letra da moda: «Aquele grito que era preso na garganta/ Se transformou e a nossa vibração é tanta/ Cante comigo prá todo o mundo que esse nosso amor/ É o bicho, é o bicho/ Vou te devorar, crocodilo eu sou/ É o bicho, é o bicho/ Vou te devorar, crocodilo eu sou!»

Alfredo Leite / Público, 20/09/1995

«O Bicho» em grande

A canção «O Bicho», do brasileiro Iran Costa, a «coqueluche» da campanha eleitoral, mantém-se há seis semanas consecutivas no primeiro lugar dos discos mais vendidos em Portugal. «O Bicho» tem sido utilizado como animação em diversas Acções de campanha do PSD e do CDS-PP, tendo a sua coreografia especial sido já ensaiada por líderes, dirigentes e militantes dos dois partidos. No entanto, têm sido os Populares que mais se renderam aos encantos da cantiga, tendo praticamente sido eleita como segundo hino do partido na campanha. O autor e intérprete, Iran Costa, participa activamente na campanha, como artista, a cantar em comícios dos partidos de Fernando Nogueira e Manuel Monteiro. Segundo a agência Lusa, «O Bicho», quádruplo disco de platina, vendeu até ao momento 470 mil mini-cassetes em feiras, 35 mil Cd's e oito mil cassetes top. «É o bicho, é o Bicho, vou-te devorar, crocodilo eu sou.»

Público, 21/09/1995

 "O Bicho", do brasileiro Iran Costa, foi este ano o disco mais vendido em Portugal, sendo presumivelmente o disco mais vendido de sempre no País. Uma fonte da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), entidade que controla as vendas da indústria discográfica, disse hoje à Agência Lusa que o álbum com o título "Album Dance", de Iran Costa, onde se inclui "O Bicho", vendeu mais de 200 mil cópias. Em mini-cassettes, "O Bicho", que teve honras de campanha eleitoral durante as  legislativas, especialmente no CDS-PP, terá vendido mais de meio milhão de exemplares. O segundo disco mais vendido este ano em Portugal, com 120 mil cópias, foi o álbum "Laura", da italiana Laura Pausini, datado ainda de 1994. Com mais de 80 mil exemplares vendidos situaram-se a seguir "Pimba Pimba", de Emanuel, "Made In Heaven", dos Queen, e a colectânea "Número Um", editada pela Sony no Verão passado. Além de Iran Costa, os discos mais vendidos de sempre em Portugal pertencem a Rui Veloso ("Mingos e os Samurais", 140 mil cópias), Pedro Abrunhosa ("Viagens", 120 mil), Bryan Adams ("Waking Up The Neighbourhood", 120 mil) e Guns And Roses ("Use Your Illusion II", 120 mil).

Lusa, 26/12/1995
 

"O Bicho", de Iran Costa, que foi uma das coqueluches da campanha eleitoral, permanece esta semana, pela oitava consecutiva, no primeiro lugar do top português de álbuns. "The Conquest", de Vangelis, que foi o hino vitorioso do PS, subiu esta semana do sexto para o terceiro lugar. "O Bicho", que é o disco mais vendido de sempre em Portugal, atingiu esta semana as 509.730 mini-cassetes e os 45.631 CD s e cassetes normais vendidas.

Lusa, 04/10/1995

"O Bicho" já vendeu 470 mil mini-cassetes

"O Bicho", de Iran Costa, a +coqueluche+ da campanha eleitoral, mantém-se há seis semanas consecutivas no primeiro lugar dos discos mais vendidos em Portugal.

"O Bicho" tem sido utilizado como animação em diversas acções de campanha tanto do CDS-PP como do PSD, tendo a sua coreografia especial sido já ensaiada por líderes, dirigentes e militantes dos dois partidos.

O autor e intérprete, Iran Costa, participa também activamente na campanha, como artista, a cantar em comícios dos partidos de Fernando Nogueira e Manuel Monteiro.

Segundo apurou a Agência Lusa, "O Bicho", quádruplo disco de platina, vendeu até ao momento 470 mil mini-cassetes (em feiras), 35 mil CD s e oito mil cassetes top.

Lusa, 20/09/1995

sábado, 3 de abril de 2010

Vendas de discos 1986

Discos que ocuparam as primeiras posições entre Janeiro e Dezembro de 1986

Álbuns em destaque:

Top Jackpot 85 - Vários (EMI) (7#1) [tinha estado 3#1 em 1985]
The Complete - Mike Oldfield - #2
O Melhor de Amália 2 (Tudo Isto é Fado) - Amália Rodrigues - #2
Verde e Amarelo - Roberto Carlos - #2
Ice On Fire - Elton John (10#1)
This Is The Sea - The Waterboys - #2
Promise - Sade - #2
Steve McQueen - Prefab Sprout - #3
Cristal - Simone - #3
Rock A Little - Stevie Nicks (2#1)
Hits 3 - Vários (WEA/CBS) (3#1)
The Power Of Love - Jennifer Rush - #2
Hunting High & Low - A-ha - #4
Bem Bom - Gal Costa (21#1)
Sepes - Trovante - #2
San Francisco - Vários (2#1)
Street Life - Bryan Ferry / Roxy Music - #3
So - Peter Gabriel - #2
A Kind Of Magic - Queen - #3
O Melhor de - Frei Hermano da Câmara - #2
Top Jackpot 86 - Vários (EMI) (4#1)
True Blue - Madonna - #2
Dancing On The Ceilling - Lionel Richie - #3
Break Every Rule - Tina Turner - #2
Saudades Vol. II - José Calvário - #4
Top Gun - Banda Sonora - #2
Graceland - Paul Simon - #3
Top Genius 1986 - Vários (CBS) (1#1)
The Frank Sinatra Collection - Frank Sinatra - #2
Jackpot 86 - Vários (EMI) (2#1)
Polystar - Vários (Polystar) - #3
+

Singles em destaque:

Nikita - Elton John (14#1) [mais 1#1 em 1985]
Say You, Say Me - Lionel Richie - #2
Christmas Time - Bryan Adams - #3
The Power Of Love - Jennifer Rush (13#1)
Cheri Cheri Lady - Modern Talking - #4
A Good Heart - Feargal Sharkey - #3
Loving You Is A Dirty Job - Bonnie Tyler - #3
Touch By Touch - Joy - #2
Take On Me - A~ha - #2
The Captain Of Her Heart - Double - #2
A Different Corner - George Michael (3#1)
J'aime La Vie - Sandra Kim - #2
Touch Me - Samantha Fox (8#1)
Bolero (Hold Me In Your Arms Tonight) - Fancy - #2
Papa Don't Preach - Madonna (1#1)
Um Dia de Domingo - Gal Costa (8#1)
Lessons In Love - Level 42 - #4
Midnight Lady - Chris Norman - #4
Lady In Red - Chris de Burgh - #2
Glory Of Love - Peter Cetera - #2
I Wanna Wake Up With You - Boris Gardiner - #3
Final Countdown - Europe (5#1)
Take My Breath Away - Berlin - #2
In The Army Now - Status Quo - #3
+

As vendas de discos - 1986

O aumento de vendas dos CD e uma queda generalizada na venda de outros suportes de registo de som são as principais características da evolução do mercado discográfico em Portugal no ano passado, segundo um inquérito às vendas de cada editora agora divulgado pela UNEVA.

Os CD aumentaram seis vezes a venda em relação a 1985, enquanto os singles sofreram uma quebra de 23 por cento, os LP desceram 17 por cento e as cassettes 11 por cento.

Segundo a UNEVA uma das razões para estas quedas de vendas reside na proliferação da pirataria de cassettes ilegais.

Ao todo em 1986 venderam-se 1 943 435 singles, 231 130 maxis, 3 025 782 LP, 1 145 436 cassettes e 76 687 CD. A editora que maiores vendas alcançou foi a EMI-VC, com 30,64 por cento do mercado, seguida da Polygram com 29.50 por cento, da CBS com 20.27 por cento, Edisom com 8,95 por cento, Selecções com 6.49. Transmedia com 1,92, Edisco com 1,73 e Ovação com 0,46.

No reportório nacional a editora que mais vendeu foi mais uma vez a EMI-VC com 55,68 por cento do mercado, seguida da Polygram com 17,25 por cento e da CBS com 14,35.

Blitz,  24/03/1987

quarta-feira, 24 de março de 2010

Pirataria


Numa altura em que tanto se fala de pirataria de música online é curioso reviver outros tempos e outras formas de fazer cópias ilegais, tratando-se neste caso de cassetes, um suporte sonoro já quase extinto. Numa conferência de imprensa promovida pelo GPPFV (Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas) que antecedeu a AFP (Associação Fonográfica Portuguesa) é revelado que a pirataria de cassetes representa quatro quintos do total de cassetes vendidas em Portugal. É um artigo publicado no antigo semanário musical Musicalissimo em Julho de 1981.

http://rocknosotao.blogspot.com/2009/09/pirataria-de-cassetes.html

4 MILHÕES DE CASSETES VENDIDAS A MARGEM DA LEI, EM 1980

A pirataria é um mal que assola a indústria fonográfica, de há uns anos a esta parte. No estrangeiro ela é talvez mais intensa, mas também mais combatida, mas nem sempre com os resultados que seriam desejados.
Em portugal, neste momento, «apenas» se verifica pirataria em cassetes, e de tal modo, que atingiu valores, ou melhor números que oscilam entre os 3 e os 4 milhões de cópias vendidas, só no ano passado.

Em 1977, foi criado em Portugal, o GPPFV (Grupo português de produtores de fonogramas e videogramas), cujo objectivo é lutar contra esse que combatesse a pirataria, lei essa aprovada em Agosto do ano passado na Assembleia da República.

O GPPFV, esteve reunido há dias num hotel da capital, para estudar a actual situação da pirataria em Portugal, formas de a combater.

No final dos trabalhos, o GPPFV, convocou urna conferência de imprensa, dirigida pelo Dr. Jorge Abreu (advogado do grupo) e pelo Sr. Carlos Faria da Rossil.

O Musicalíssimo esteve presente na referida conferência de imprensa e aqui ficam algumas passagens da mesma.

A pirataria em Portugal, está praticamente limitada às cassetes, e representa quatro quintos do total de cassetes, vendidas em Portugal.

Se analisarmos o facto de no ano passado, terem sido vendidos cerca de três a quatro milhões de cassetes piratas, e esse número for pontificado a cerca de 100$00, diremos que o negócio, deu cerca de 300 a 400 mil contos. Este número não significa que, se não houvesse pirataria. os compradores se virassem na totalidade para as cassetes legais.

Com a pirataria, são lesados os autores, artistas, músicos, Estado (que não recebe o Imposto de Transacção) e as editoras, que segundo o Dr. Jorge Abreu, são as mais lesadas.

Para nos referirmos é incrível actualidade da pirataria, basta dizer que no dia seguinte ao último Festival RTP da canção, havia à venda cassetes piratas, do referido festival, e uma semana após o Festival da Eurovisão, também já circulavam no nosso mercado cassetes piratas com gravações de Dublin.
No que se refere a discos, a actividade pirata, apenas existiu em dois casos: foram duas pequenas edições, uma de 200, e outra de 500 discos.

FALTA DE EFECTIVOS NAS AUTORIDADES E DESCONHECIMENTO DA LEI; ESTÃO NA ORIGEM DO NÃO CUMPRIMENTO DA MESMA.

A lei que se propõe combater a pirataria, prevê penas que vão até um ano de prisão e multa de cinco mil a cinquenta mil escudos, para os infractores, agravada para o dobro em caso de reincidência.

Mas desde a sua publicação, apenas cerca de vinte casos foram detectados e entregues às autoridades competentes. Este reduzido número, reflecte por um lado, o desejo de tentar descobrir a pirataria na sua origem, e por outro — ainda segundo o Dr. Jorge Abreu — o facto de algumas autoridades não terem conhecimento da lei, e a falta de efectivos, que permitam um maior controlo da situação.

REDUÇAO DOS IMPOSTOS SOBRE DISCOS

Mas a actividade do GPPFV, não está limitada à pirataria, também tem como objectivo, defender os autores fonográficos e lutar contra a injustiça dos altos impostos sobre os discos. E essa luta já deu os seus frutos, pois o imposto baixou sucessivamente de 45 para 30 e ultimamente para 15%.

Neste momento há uma comissão encarregada de estudar o Depósito Legal de fonogramas.

A terminar, refira-se que o Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas é constituído pelas seguintes editoras: Rossil, Valentim de Carvalho, Polygram, Vadeca e Edisco.

ANTÓNIO RAMOS / MUSICALÍSSIMO, JULHO 1981