VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



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terça-feira, 11 de maio de 2010

Silence 4


(imagem: Revista Billboard, 21/11/1998)

Concorremos a um concurso, o Festival Termómetro Unplugged, no Porto, foi o segundo concerto que demos. Ganhámos e recebemos quinhentos contos. Gastámos o dinheiro em maquetas, aliás só passado um ano é que recebemos o dinheiro, demos entrevistas e resolvemos tentar gravar um disco. Fomos a todas as editoras e todas diziam o mesmo: cantar em inglês, nem pensar. Houve algumas que até disseram que, se gravássemos em português, produziam o disco. Caprichos do mercado. Portanto, borrifei-me. Entretanto, o Luís Couradinho convidou-os para gravarmos uma música numa compilação contra o racismo, «Sons de todas as cores». Fizemos uma versão do «Respect» dos Erasure. Gravámos numa tarde, fizemos aquilo às três pancadas e, depois, fomos para casa.

Foi à Universal, na altura ainda Polygram, uma das que nos tinham recusado, eles lá se mostraram interessado, assinámos, mas avisaram: «Atenção, vocês são uma banda de risco, cantam em inglês, não vão vender nada, vamos só gravar e ver o que dá». Gravámos com um orçamento mínimo, cinco mil contos. Não é nada... Não receberíamos «royalties» até chegar aos dez mil discos. Como não perdíamos dinheiro, pensei: Bem eles estão malucos, mas embora lá. Achava impossível vender dez mil discos.

Dez, doze por cento. Numa grande editora é assim para todas as bandas. Fazer discos em Portugal não dá dinheiro a ninguém.

- São uma banda completamente desconhecida, lançam o «Silence Becomes It» e vendem 240 mil cópias.

É verdade, foi o maior negócio da Polygram nos últimos anos.

- Então, e não ganharam dinheiro nenhum com isso?

Ganhámos - doze por cento em cada disco a dividir pelos quatro. Deve dar a cada elemento da banda perto de trinta escudos por disco vendido. Não é lá muito! Eu achava muita piada quando alguém vinha ter comigo e dizia: «Comprei o teu CD, fui um dos que ajudaram a comprar o teu carro!». E eu dizia: «Se quiseres eu dou-te os trinta escudos e fico de consciência tranquila» (risos). As pessoas não têm a noção.

Foi em 1998. Nesse ano quantos concertos fizeram?

Fazíamos todo o tipo de concertos, em todo o lado. Por ninharias. Não ganhámos praticamente nada. Foi um investimento em nós. Fizemos noventa concertos em seis meses. Tocávamos pelo país inteiro. Passado um mês de ter sido lançado, «Silence Becomes It» é disco de ouro.

- Este segundo disco, «Only Pain Is Real», vendeu muito menos. Isso afectou-o?

Não. É-me indiferente. Mesmo assim, vendeu cento e tal mil exemplares. Vender um número de discos como vendemos o primeiro acontece uma vez na vida. Já sabia que ia acontecer. Se chegasse a uma platina era uma sorte do caraças. De qualquer modo, não é isto que quero fazer para o resto da minha vida.

(Expresso, 2000)

O duplo disco platina - 80 mil unidades - que receberam das mãos de Nuno Faria, o A&R nacional da Polygram, nem sequer corresponde à verdadeira dimensão dos números. À hora em que recebiam os galardões, os Silence 4 contavam já cerca de 97 mil unidades vendidas. E a par de Pedro Abrunhosa, dos Excesso e de Maria João Pires, passarão em breve, tudo indica, a constar dos anais da editora como quarta banda do seu catálogo nacional a ultrapassar a emblemática fasquia das 100 mil cópias vendidas. E se se atender ao facto de os dados corresponderem unicamente à realidade portuguesa, a exportação da banda, cujas negociações apontam como certa, parece garantir nova extrapolação dos números.

29/09/1998

Música: Silence 4 alcançam disco de platina

Os Silence 4 vão receber na próxima quinta-feira o disco de platina por vendas superiores a 40 mil cópias do novo álbum "Only Pain Is Real".

O galardão vai ser entregue no Clube de Natação da Amadora, onde treina o Grupo de Natação Sincronizada que "dançou" debaixo de água para as filmagens do vídeo de "To Give", o mais recente single do quarteto de Leiria.

A elaboração do top de vendas nacional pela Associação Fonográfica Portuguesa e a consequente atribuição dos galardões de prata, ouro ou platina refere-se, contudo, a vendas de CD das editoras para as lojas e discotecas. Não existe, por enquanto, em Portugal, um sistema que possibilite saber quais os números reais de vendas de discos ao público.
Os Silence 4 vão, entretanto, iniciar uma mini-digressão de 14 espectáculos pelo país, como noticia hoje a Lusa.

"Only Pain Is Real" é um disco com uma produção mais cuidada ao nível das orquestrações e arranjos do que o álbum de estreia, "Silence Becomes It". Destaque para o single "To give", uma canção que depressa ganhou força no "airplay" das rádios e para "Ceilings", a estreia de Sofia Lisboa na interpretação de metade de um tema sem ser acompanhada pelo vocalista, David Fonseca.

31/10/2000

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Marco Paulo


João Simão da Silva assinala os seus 25 anos de carreira de cantor na próxima quinta-feira num espectáculo no Pateo Alfacinha, em Lisboa. O facto poderia passar despercebido se João Simão da Silva não fosse o nome de nascimento de Marco Paulo, recordista absoluto nas vendas de discos em Portugal e um dos canconetistas mais populares e polémicos do meio artistico. "Piroso" e "popularucho" são adjectivos utilizados pelos seus críticos, mas o mesmo não deverão pensar os milhares de pessoas que enchem as dezenas de espectáculo que o artista dá todos os anos em cidades, vilas, aldeias e lugares da "província". Orgulha-se de dizer que "um milhão e quinhentas mil pessoas já ouviram a minha voz", o número aproximado de discos que já vendeu e é um dos artistas portugueses que mais discos de prata, ouro e platina recebeu nas últimas décadas.

Só o single "Eu Tenho Dois Amores" vendeu mais de 180 mil cópias e a sua editora dificilmente consegue contabilizar quantos discos de prata, ouro e platina já recebeu.

Vinte e cinco anos depois de ter cantado na televisão num programa de Cidália Meireles, o interprete de "Eu Tenho Dois Amores" ou "Morena, Morenita" promete continuar a pisar os palcos das muitas festas e romarias em todo o país a actuar para as comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo.

E para assinalar o ano 25 da sua carreira, vai ser lançada uma colectânea dos seus grandes êxitos, "Maravilhoso Coração", e que inclui quatro temas originais, outros previsiveis "êxitos" que habitualmente povoam os "tops" portugueses.

O seu primeiro disco foi "Eu Não Sei", uma versão de Alain Barriere, mas só em 1978 receberia o primeiro dos muitos discos de ouro da sua carreira, para os singles "Ninguém, Ninguém" e "Canção Proibída".

Em 1984, e apenas numa semana, "Morena, Morenita" conquistou um disco de ouro, mais um na longa história de galardões que fazem de Marco Paulo um personagem único no panorama das vendas em Portugal.

Lusa, 22/07/1991

O single com os temas "Canção Proibida" e "Ninguém Ninguém", de 1978, foi o primeiro grande sucesso de Marco Paulo. No ano seguinte conseguiu novo disco de Ouro para o single "Mulher Sentimental".

O single "Eu Tenho Dois Amores" (1980) e a compilação "O Disco de Ouro" (1982) também ganharam vários discos de Ouro quando ainda não existia o galardão de platina. "Eu Tenho Dois Amores" recebeu 3 discos de Ouro - 150.000 exemplares.

[Foram lançados discos de outros artistas na série "Disco de Ouro"]

Os singles "Joana" (1988) e "Taras e Manias" (1991) receberam 4 e 5 platinas, respectivamente.

Em 1991 foi editado o álbum "Maravilhoso Coração" com 5 canções da era pré-discos de platina de Marco Paulo, 16 da era dourada que é de finais de 70 até à altura e 4 novas canções.

Em 1996 quando se encontrava a recuperar de uma segunda operação aos intestinos, disse à agência Lusa que, no final da conversa de hora e meia com o bispo, este ficou impressionado com as quatro paredes cheias de discos de ouro e de platina.

A EMI lançou em 2005 uma compilação com o nome "Ouro e Platina".

Nota: a atribuição de galardões foi sendo alterada ao longo do tempo conforme pode verificar neste blog.

Biografia de Marco Paulo / Zona Música (2003):

(...) o ano do seu salto definitivo seria 1978. É o ano da sua explosão graças ao single que agrupa "Ninguém Ninguém" e "Canção Proibida". É o seu primeiro nº1 do top de vendas e o seu primeiro Disco de Ouro.

Até 1981 Marco Paulo [alcança] mais cinco Disco de Ouro; ou seja, seis discos de ouro consecutivos correspondentes a um total de cerca de 300 mil discos vendidos: em 1979 com "Mulher Sentimental", em 1980 "Eu tenho Dois Amores" que, só por si, vende 175 mil discos (o que representa três discos de ouro) e, por fim, "Mais e Mais Amor", em 1981.

(...)

Em 1981 edita "Disco de Ouro", uma colectânea com os maiores êxitos dos seus primeiros quinze anos de carreira. Uma antologia que é premiada pelo público com quatro Discos de Ouro, por um total de 140 mil unidades vendidas.

Marco Paulo conseguia uma verdadeira proeza: dez discos de ouro em apenas quatro anos! Nesse mesmo ano edita ainda o single "Anita", tema inédito desta colectânea e aí alcançava mais um Disco de Ouro.

Em 1983 Marco Paulo edita "Flor Sem Nome" que chega apenas a Disco de Prata.
O ano seguinte fica assinalado por um ritmo verdadeiramente alucinante de edições: em Julho o single "Morena Morenita" (Disco de Ouro), em Setembro duas colectâneas ("Os Grandes Êxitos I e II") e em Dezembro "Romance", disco de ouro à saída. Este último incluía os sucessos "Deixa Viver" e "Nasci Para Cantar".

Depois de um ano de pausa, Marco Paulo regressa em 1986 com um novo álbum, "Sedução". A Prata voltaria a abrilhantar este seu trabalho. O seu sucessor "Marco Paulo" chega em 1988. A reacção do público ao single "Joana" seria imediata: duas semanas após a sua edição era Disco de Ouro! "De Todo o Coração" marca o regresso de Marco Paulo ao contacto com o seu público. Decorre o ano de 1990.

Em 1991 Marco Paulo edita "Maravilhoso Coração", uma colectânea de 25 super êxitos seus.

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Com mais de três milhões de discos vendidos, Marco Paulo é, a par de Amália Rodrigues, o campeão de vendas da história da indústria fonográfica portuguesa. É o detentor do maior número de discos de ouro e platina atribuídos a um só artista em Portugal. No total somam-se mais de 75 galardões

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Marco Paulo, sua banda e coros, som e luz, actuam em Portugal e nos mais variados países do mundo. Três milhões e meio de discos vendidos, 57 discos de ouro e platina. Novo álbum a editar em 1997. (AE, 1997)

Ninguém Ninguém/Canção Proibida - Disco de Ouro
Mulher Sentimental - Disco de Ouro
Eu Tenho Dois Amores - 3 discos de ouro - 175 000
Mais e Mais Amor - Disco de Ouro
O Disco de Ouro [LP] -  4 Discos de Ouro - 140 000
Anita - Disco de Ouro
Flor Sem Nome - Disco de Prata
Morena Morenita - Disco de Ouro
Romance [LP] - Disco de Ouro
Sedução [LP] - Disco de Prata
Joana - 4 Discos de Platina
Taras e Manias - 5 Discos de Platina


etc

A partir do final dos anos 1970 foram criados os galardões "Discos de Ouro" (para vendas superiores a 30.000 exemplares nos anos 1970 e a 50.000 exemplares e nos anos 1980). [António José] ganhou vários.


António José foi o responsável pela tradução de alguns dos maiores sucessos de Marco Paulo

Canção Proibida/Ninguém Ninguém" de 1978 foi o primeiro grande sucesso de Marco Paulo. No ano seguinte novo disco de Ouro para "Mulher Sentimental".

O single "Eu Tenho Dois Amores" (1980) e a compilação "O Disco de Ouro" (1982) também ganharam vários discos de Ouro quando ainda não existia o galardão de platina. "Eu Tenho Dois Amores" recebeu 3 discos de Ouro - 150.000 exemplares. Foram lançados discos de outros artistas na série "Disco de Ouro".

Algumas das canções de Marco Paulo que contaram com a colaboração de António José na adaptação das letras:

Canção Proibida + Ninguém, ninguém - P. Yellowstone
Mulher Sentimental + O Comboio da Meia Noite - R.Danova  + P. Yellowstone
Eu Tenho Dois Amores - G. Hadjinassios/Costa Cordalis
Flor Sem Nome + Joana - Roland Kaiser/NH-J.Heider
Mais e Mais Amor - S.Elson/B.Braudmaier
Morena Morenita  + Anita - Costa Cordalis/J.Frankfuert e muitas outras

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Rão Kyao




Blitz 16/04/1985

Em 1984, Rão Kyao foi o primeiro artista português a conseguir atingir o galardão de Platina para álbuns, por mais de 60.000 exemplares, com "Fado Bailado".

O álbum "Estrada Da Luz" também recebeu o disco de platina, em Abril de 1985.



Custojusto.pt

Em Abril de 1985 foi lançada uma edição especial numerada comemorativa da atribuição do disco de platina

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Delfins



«Acho que é impossível refazer aqueles números da segunda metade dos anos 90 que aconteceram connosco, mas também com o Pedro Abrunhosa, o Paulo Gonzo e os Silence 4, porque isso prende-se com a ocorrência de fenómenos. Naquela altura os Delfins foram um fenómeno, uma moda. Nós temos consciência de que em Portugal há um público para discos pop/rock que talvez ande entre os 40 000 e os 80 000 - os outros compram se for moda ou se uma canção se torna muito popular. Não estamos nada preocupados com isso, muito sinceramente achamos que temos um bom disco, e vamos acompanhá-lo com mais algumas iniciativas. Por exemplo, a digressão que estamos a preparar não terá muito a ver com o formato do espectáculo para grande palco e grande ecrã vai ser uma coisa mais fechada para que as coisas possam acontecer de outra maneira.»


Entrevista a Miguel Ângelo (Delfins), Expresso, 06/05/2000


Acho que ter 300 e tal mil pessoas por semana a ver um programa de música [Miguel Ângelo Ao Vivo] é muito bom. O disco mais vendido de sempre em Portugal, o da Daniela Mercury, não conseguiu vender isso.


Entrevista a Miguel Ângelo, Expresso, 15/05/1999



Nos anos 80 não houve predominância nenhuma. Os Delfins começaram a ter algum sucesso nos anos 90. A grande dificuldade do “pop” em Portugal até ao fim dos anos 80 foi que, além de haver algumas coisas interessantes, como, por exemplo, Rádio Macau, não havia vendas massivas de discos. O período de viragem é os Resistência, que pela primeira vez popularizam no grande público os Delfins. A área “pop” nos anos 80 não vendia. E muitos jornalistas que defendiam muito essa área, porque estavam compreensívelmente fartos da canção de intervenção, diziam que iria ser “the next big thing”, mas nunca o era. É, portanto, um fenómeno muito mais dos anos 90. Nos anos 80 temos o Rui Veloso, os Xutos & Pontapés e em grande parte o Trovante, sendo que a nossa década é muito
mais a de 80 do que a de 70. Nessa época, o que saía do “pop” não tinha grande impacto.



Entrevista a Manuel Faria (Trovante) por A. Martins



SABER GANHAR


Em 1996, 600 mil pessoas assistiram a 66 espectáculos dos Delfins em todo o País, no Brasil, Suíça, Inglaterra, Marrocos e África do Sul. Nesse ano receberam onze discos de platina correspondentes a mais de 440 mil discos vendidos. Eram os tempos de ‘Saber Amar’, de desbravar caminhos, de aprender a andar e a amar. As dúvidas eram então muitas e as certezas novas e por conferir. Depois de reconquistada a inocência perdida, o ano passado não tocaram no estrangeiro e, apesar de terem feito a digressão Lótus Rádio, não foram além de cerca de 20 concertos.


CM, 01/02/2004


- O primeiro galardão que os Delfins receberam foi com o seu 3º álbum "Desalinhados" de 1990.



- A União Lisboa e a BMG homenagearam o grupo, em 1997, com a atribuição de um "Golfinho de Ouro" por vendas superiores a 500.000 discos. "Caminho da Felicidade" e "Saber A Mar" são dois dos discos mais vendidos em Portugal.

domingo, 4 de abril de 2010

Iran Costa

E que, em matéria de música, a produção nacional deverá, neste ano, bater recordes vários. Em 1994, o LP «Número Um» da Sony, um conjunto de êxitos musicais por vários artistas, foi aparentemente o disco com maior sucesso entre nós. Pelo menos, foi o único a ser galardoado com cinco discos de platina, atribuídos por cada 40 mil unidades vendidas.

Mas, neste ano, há um espécie de novo nacional-cançonetismo que anda a causar furor: Iran Costa, com «O Álbum Dance», que inclui «O Bicho», e Emanuel, com «Pimba, Pimba» terão já garantido vários discos de platina. Só no que respeita ao mercado de cassetes áudio, Iran Costa conseguiu que a Vidisco editasse, desde Maio, 465 mil cópias.

Há já quem garanta que os dois serão os protagonistas dos maiores êxitos musicais dos últimos anos, muito à frente de Pedro Abrunhosa, Madredeus ou Vitorino, também eles galardoados em 1994 com a platina. Por bater continua o recorde estabelecido pelos Pink Floyd no ano passado: dois dias consecutivos de lotação esgotada no estádio de Alvalade ou seja, 120 mil espectadores no total.

Clara Viana / Público, 20/09/1995

Cadé o astral bonito de vocês?» Iran Costa, «o bicho» para os fãs, não se poupa a esforços em palco. E nem uma inconveniente falha do microfone, como aconteceu domingo no «show» de encerramento do comício do PP, no Porto, arrefece a garra do artista. Boné de pala puxada para trás, óculos escuros espelhados, calças de padrão camuflado e botas militares cobrem o ídolo do momento. Em palco, faz-se acompanhar de duas morenas «partners», de medidas generosas e genica para dar e vender. O protagonista do «hit» do momento é avesso a entrevistas, mas o empresário do artista, Pedro Augusto, tem uma explicação, também biológica, para o facto: «O Iran, sabe, ele dá dois `shows' por dia e transpira muito. Tem de descansar.» Enquanto o guerreiro descansa, o «povão» vai comprando discos que ajudam a engrossar a já longa lista de 160 mil cópias do «bicho» vendidas em Portugal, o que significa um quádruplo disco de platina e honras de destaque no também único Big Show SIC.

O empresário Pedro Augusto acompanha Iran Costa desde a primeira hora e nunca larga o artista. Esta espécie de sombra da vedeta é o primeiro a abandonar os lugares de espectáculo e o primeiro a chegar para conferir a operacionalidade dos «shows». Iran opta pelo «som directo» apenas para a voz, porque, como explica Pedro Augusto, «dance music não dá para carregar músico todos os dias». Aparentemente, é o país que dita as regras do espectáculo: «Ficaria muito caro trazer músicos de fora, especialmente de Itália, porque Portugal não suporta `cachets' assim.»Mesmo sem músicos, Iran está transformado em ídolo do cançonetismo partidário, e tem agendados oito espectáculos para esta campanha eleitoral. Mas sem preferências por este ou aquele. Se no domingo tocou para o PP no Porto, anteontem fê-lo para o PSD em Gondomar e ontem para os mesmos sociais-democratas em Gaia. Mais do que as ideias dos líderes, os militantes repetiam milimetricamente a letra da moda: «Aquele grito que era preso na garganta/ Se transformou e a nossa vibração é tanta/ Cante comigo prá todo o mundo que esse nosso amor/ É o bicho, é o bicho/ Vou te devorar, crocodilo eu sou/ É o bicho, é o bicho/ Vou te devorar, crocodilo eu sou!»

Alfredo Leite / Público, 20/09/1995

«O Bicho» em grande

A canção «O Bicho», do brasileiro Iran Costa, a «coqueluche» da campanha eleitoral, mantém-se há seis semanas consecutivas no primeiro lugar dos discos mais vendidos em Portugal. «O Bicho» tem sido utilizado como animação em diversas Acções de campanha do PSD e do CDS-PP, tendo a sua coreografia especial sido já ensaiada por líderes, dirigentes e militantes dos dois partidos. No entanto, têm sido os Populares que mais se renderam aos encantos da cantiga, tendo praticamente sido eleita como segundo hino do partido na campanha. O autor e intérprete, Iran Costa, participa activamente na campanha, como artista, a cantar em comícios dos partidos de Fernando Nogueira e Manuel Monteiro. Segundo a agência Lusa, «O Bicho», quádruplo disco de platina, vendeu até ao momento 470 mil mini-cassetes em feiras, 35 mil Cd's e oito mil cassetes top. «É o bicho, é o Bicho, vou-te devorar, crocodilo eu sou.»

Público, 21/09/1995

 "O Bicho", do brasileiro Iran Costa, foi este ano o disco mais vendido em Portugal, sendo presumivelmente o disco mais vendido de sempre no País. Uma fonte da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), entidade que controla as vendas da indústria discográfica, disse hoje à Agência Lusa que o álbum com o título "Album Dance", de Iran Costa, onde se inclui "O Bicho", vendeu mais de 200 mil cópias. Em mini-cassettes, "O Bicho", que teve honras de campanha eleitoral durante as  legislativas, especialmente no CDS-PP, terá vendido mais de meio milhão de exemplares. O segundo disco mais vendido este ano em Portugal, com 120 mil cópias, foi o álbum "Laura", da italiana Laura Pausini, datado ainda de 1994. Com mais de 80 mil exemplares vendidos situaram-se a seguir "Pimba Pimba", de Emanuel, "Made In Heaven", dos Queen, e a colectânea "Número Um", editada pela Sony no Verão passado. Além de Iran Costa, os discos mais vendidos de sempre em Portugal pertencem a Rui Veloso ("Mingos e os Samurais", 140 mil cópias), Pedro Abrunhosa ("Viagens", 120 mil), Bryan Adams ("Waking Up The Neighbourhood", 120 mil) e Guns And Roses ("Use Your Illusion II", 120 mil).

Lusa, 26/12/1995
 

"O Bicho", de Iran Costa, que foi uma das coqueluches da campanha eleitoral, permanece esta semana, pela oitava consecutiva, no primeiro lugar do top português de álbuns. "The Conquest", de Vangelis, que foi o hino vitorioso do PS, subiu esta semana do sexto para o terceiro lugar. "O Bicho", que é o disco mais vendido de sempre em Portugal, atingiu esta semana as 509.730 mini-cassetes e os 45.631 CD s e cassetes normais vendidas.

Lusa, 04/10/1995

"O Bicho" já vendeu 470 mil mini-cassetes

"O Bicho", de Iran Costa, a +coqueluche+ da campanha eleitoral, mantém-se há seis semanas consecutivas no primeiro lugar dos discos mais vendidos em Portugal.

"O Bicho" tem sido utilizado como animação em diversas acções de campanha tanto do CDS-PP como do PSD, tendo a sua coreografia especial sido já ensaiada por líderes, dirigentes e militantes dos dois partidos.

O autor e intérprete, Iran Costa, participa também activamente na campanha, como artista, a cantar em comícios dos partidos de Fernando Nogueira e Manuel Monteiro.

Segundo apurou a Agência Lusa, "O Bicho", quádruplo disco de platina, vendeu até ao momento 470 mil mini-cassetes (em feiras), 35 mil CD s e oito mil cassetes top.

Lusa, 20/09/1995

domingo, 28 de março de 2010

Electronic Pop


Foi há precisamente 30 anos. Na verdade, as primeiras movimentações já vinham de finais de 70, sobretudo com sede no Blitz, o clube em Londres cujas "Bowie Nights" chamavam a atenção de uma nova geração de noctívagos, que se vestiam a rigor para sair e dançar. Steve Strange (a voz e rosto dos Visage) era o porteiro. Boy George trabalhava no bengaleiro. Rusty Egan (também dos Visage) era o DJ... O novo culto, que tinha por banda sonora, além de Bowie, discos dos Roxy Music, Kraftwerk ou Gary Numan, ganhava aos poucos adeptos fora de Londres. Em Birmingham, o Rum Runner acolhia noites semelhantes, com Nick Rhodes (Duran Duran) como DJ de serviço... Em finais de 1980, alguns dos habitués destas noites tinham formado bandas e os seus primeiros singles geravam fenómenos de sucesso. A atenta revista The Face chamou-lhes o "culto sem nome"... Mas não foi preciso esperar muito para que uma expressão fosse encontrada para descrever tão vistosa nova geração de bandas. Chamaram-lhes neo-românticos (entre nós depois igualmente descritos como "futuristas"), o "movimento" acabando por se revelar como berço para nomes tão distintos como os Visage, Spandau Ballet, Duran Duran, Classix Nouveaux e, numa primeira etapa, até mesmo os Depeche Mode.

"Foi uma tendência nova, que tinha a ver com a música, mas também com um lado visual", recorda Tozé Brito que na altura trabalhava na PolyGram, que então editava os Visage, banda-paradigma do movimento e em cuja linguagem se cruzavam heranças musicais directas de Bowie sob uma imagem sofisticada. "Para nós foi mesmo uma lufada de ar fresco e foi muito importante para captar um público novo que não se identificava nem com o rock mais mainstream nem o hard rock", acrescenta o editor. David Ferreira, então na Valentim de Carvalho, reforça esta visão, realçando o entusiasmo com que os media, sobretudo a rádio e televisão, então acolheram o movimento: "Havia abertura. E não foi o facto de haver disponibilidade para os grupos estrangeiros que fechou as portas aos portugueses. Era bom, era novo... As portas estavam abertas", recorda.

Júlio Isidro foi um dos divulgadores que mais abertura revelou para com as bandas emergentes, tendo levado algumas a programas seus como «O Passeio dos Alegres» na RTP e «A Febre de Sábado de Manhã», na Rádio Comercial. "Era uma música muito acessível, tinha uma carga de cançãozinha, não havia temas de grande profundidade", descreve. Realça o "aspecto visual dos artistas", recordando, por exemplo, como "os Spandau Ballet tinham um ar medieval" e os Classix Nouveaux um visual "mais a preto e branco".

Do impacte local do movimento, David Ferreira destaca sobretudo o "fenómeno Duran Duran", retratando-o como "fortíssimo". De facto, «Planet Earth» atingiu em Portugal o número 1 [top do programa "Rock em Stock"], quando no Reino Unido o single não fora acima do número 12...  "Por mais de uma vez ouvi dizer em conferências [da editora EMI] que o sucesso dos Duran Duran em Portugal permitiu ver que não eram um fenómeno apenas inglês", lembra. Editado já em 1981, o álbum de estreia do grupo vende 70 mil exemplares. "E só não vendeu mais porque não conseguimos stock", revela. Júlio Isidro relata que começou a passar os primeiros discos do grupo na rádio "com uma adesão extraordinária". De resto, mais tarde, foi ele mesmo quem entregou aos Duran Duran o seu primeiro disco de ouro por vendas em Portugal. O entusiasmo dos fãs era grande... E "foi a primeira vez que houve vidros partidos", numa carrinha estacionada perto do Teatro Aberto, onde decorria o programa. "Só tivemos azar nos concertos", acrescenta David Ferreira, porque "nunca ninguém previra que [os Duran Duran] tinham um público tão novo que não os podia ir ver a Cascais".

Os Classix Nouveaux tiveram também Portugal como um dos territórios onde conquistaram um estatuto de maior êxito. "O «Never Again» foi um sucesso brutal", confirma David Ferreira. Já os Spandau Ballet, apesar de tudo, "nunca se compararam em Portugal aos Duran Duran", acrescenta.

O teledisco, que começara a fazer parte dos hábitos televisivos em finais de 70, foi ferramenta importante para explicar a adesão dos jovens portugueses de inícios de 80 ao movimento. "Foi mesmo fundamental", concorda Tozé Brito. "Vendiam-se canções através da imagem dos telediscos", sublinha.

Com auge entre 1980 e 81, o movimento perde embalagem em 1982, com os grupos a seguir outros caminhos. "Foi uma onda que passou rápida", explica Júlio Isidro. "Durou o mesmo que dura uma moda", conclui.

Neo-românticos regresso ao futuro - NUNO GALOPIM /DN, 23 Janeiro de 2010

Imagem: artigo da Revista Billboard (1982)

segunda-feira, 15 de março de 2010

Bryan Adams

Simplicidade à flor da pele

Campeão de vendas e repetente em termos de concertos, o «kid» canadiano volta a invadir os nossos estádios para mais uma dose de «rock'n'roll» simples e bem disposto. Muito provavelmente, milhares dos nossos adolescentes voltarão a reafirmar com ele que «kids wanna rock».

É um verdadeiro fenómeno de popularidade em Portugal. O seu disco de 1991, «Waking Up The Neighbours», vendeu mais de 120 mil unidades, tornando-se no segundo álbum mais vendido de sempre no nosso país. No ano passado, editou o «Best of» «So far, so good», que não chegou ao mesmo estatuto mas que, ainda assim, se tornou noutro sucesso (previsível) de vendas. Ainda por cima, vem tocar a terras lusas pela quarta vez, depois de já cá ter estado em 1988 -- num pequeno concerto na Damaia e no Festival Rock do Benfica -- e de ter regressado em grande, em Dezembro de 1991, para dois espectáculos que, em conjunto, levaram ao rubro cerca de 55 mil pessoas na Exponor, em Matosinhos, e no estádio de Alvalade, em Lisboa. Vai regressar agora ao «local do crime» já no próximo domingo, dia 10, para muito provavelmente repetir o feito.

O seu sucesso no nosso país, bem como noutros, não é, afinal, de estranhar. Adams promove, através da sua música, um tipo de imaginário de simples apreensão e que exalta os factores mais imediatamente gratos das relações humanas. Dedica-se, pois, a retratar uma «adolescência eterna», descomplexada de problemas existenciais que possam ir além da perda de uma namorada ou de uma momentânea e inconsequente rebeldia suburbana (suburbana pelos padrões norte-americanos, entenda-se). No fundo é música branca, juvenil, de classe média, despreocupada e destinada a fazer sentir bem quem a ouve -- e daí a sua popularidade.

Canções como «Summer of 69», «Straight from the heart», «Run to you», «Heaven», «Cuts like a knife», «Somebody», «Kids wanna rock» ou o invevitável «(Everything I do) I do it for you» -- que Adams e a sua banda não deixarão de tocar, visto estarem em «tournée» de promoção da compilação de êxitos «So far so good» -- são, pois, construídas dessa argamassa de melodia, sentimentos simples e irreverência juvenil, pronta a agradar a qualquer admirador de «rock'n'roll» na sua vertente mais imediatista.

Evidententemente que será, pois, inútil procurar nele quaisquer outras características que passem por soluções musicais inovadoras ou arriscadas, ou por abordagens mais complexas das atitudes e comportamentos, pessoais ou generalizados. O pacto é, portanto, claro e fácil de aceitar ou recusar, dependendo da vontade de cada um: exige-se boa disposição, simplicidade e emoção à flor da pele; recebem-se litros de suor, rock ultraclássico e melodias para todos cantarem à primeira.

Uma coisa é certa: ao contrário de muitos dos seus pares, e precisamente por não embarcar em demasiadas pomposidades ou ambições, Bryan Adams é um praticante convincente -- possivelmente, o mais -- do género musical que escolheu.

Jorge Dias / Público, 05/07/1994