Discos mais vendidos - 1991
1 - MCMXC a.D. - Enigma
2 - Out Of Time - R.E.M.
3 - Waking Up The Neighbours - Bryan Adams
4 - Twin Peaks - Banda Sonora
5 - Bachata Rosa - Juan Luis Guerra
6 - The Very Best Of - Supertramp
7 - The Beach Boys Collection - The Beach Boys
8 - Innuendo - Queen
9 - Mingos & Os Samurais - Rui Veloso
10 - Tieta - Banda Sonora
Fonte: AFP
Álbuns em destaque:
Canções de Amor - Carlos Guilherme (1#1)
Mingos & Os Samurais - Rui Veloso (6#1)
É de Caras - Ministars - #4
In Concert - José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti (1#1)
Tieta - Banda Sonora - #3
The Soul Cages - Sting - #2
Innuendo - Queen (3#1)
MCMXC a.D. - Enigma (13#1)
Twin Peaks - Banda Sonora - #2
To The Extreme - Vanilla Ice - #3
The Very Best Of - Supertramp (1#1)
Flashpoint - The Rolling Stones - #3
Real Life - Simple Minds - #3
Time, Love and Tenderness - Michael Bolton - #3
The Beach Boys Collection - The Beach Boys (5#1)
Out Of Time - R.E.M. (6#1)
Férias Grandes - Onda Choc - #3
Best Of - Santana - #2
Maravilhoso Coração - Marco Paulo - #3
Bachata Rosa - Juan Luis Guerra (4#1)
Summerslows - Vários (Sony) - #2
On Every Street - Dire Straits (1#1)
Use Your Illusion I - Guns N' Roses - #2
Waking Up The Neighbours - Bryan Adams (7#1)
Simply The Best - Tina Turner (1#1)
The Very Best Of - Bee Gees - #2
Achtung Baby - U2 - #3
Greatest Hits II - Queen (1#1)
Auto da Pimenta - Rui Veloso - #3
Use Your Illusion II - Guns N' Roses - #0
Nº1 - Vários (Sony) - #0
++
Singles em destaque:
A Paixão - Rui Veloso (3#1)
Não Há Estrelas No Céu - Rui Veloso (6#1)
We Love To Love - PM Samson - #3
It Take Two - Rod Stewart + Tina Turner - #3
I'm Your Baby Tonight - Whitney Houston (1#1)
I Can't Stand It - Twenty 4 Seven - #2
Blue Velvet - Bobby Vinton (3#1)
Innuendo - Queen (3#1)
What Is Sadeness - Device (1#1)
Sadness - Enigma (2#1)
Mea Culpa - Enigma - #3
I Can See Clearly Now - Johnny Nash (2#1)
So Sad - Gregorian (1#1)
Hello Africa - Dr. Alban - #2
Joyride - Roxette (1#1)
Shoop Shoop Song - Cher - #3
Hotel California - Gipsy Kings (5#1)
Megamix - Snap (1#1)
The Simple Truth - Chris de Burgh - #2
Logo Que Passe A Moção - Rui Veloso (1#1)
You Could Be Mine - Guns N Roses - #3
Everything I Do - Bryan Adams (13#1)
Taras e Manias - Marco Paulo (5#1)
No More Boleros - Gerard Joling - #4
Gipsy Woman - Crystal Waters - #2
Calling Elvis - Dire Straits - #2
Maravilhoso Coração - Marco Paulo - #2
Burbujas de Amor - Juan Luis Guerra (1#1)
No Son Of Mine - Genesis - #2
More Than Words - Extreme - #3
The Fly - U2 (1#1)
+
(...) o primeiro semestre deste ano, denotam quebra geral do vinil, mais flagrante no capítulo dos singles do que no dos LPs, visto os 45 rotações descerem quase 70 por cento, enquanto a queda em álbuns não chegou aos 13 por cento.
Hoje à tarde a editora de Adams, a Polygram, vai entregar-lhe o quádruplo disco de platina -- 80 mil cópias vendidas -- referentes ao duplo álbum "Waking Up the Neighbours", editado em Setembro.
Bryan Adams um quádruplo de platina, correspondente a vendas de 160 mil discos, só que ele não vendeu 160 mil unidades de "Waking Up The Neighbours", mas metade, uma vez que o disco é duplo e para efeitos de tal contabilidade vale a dobrar.
Assim, neste primeiro "Nº1" [colectânea conjunta de várias editoras] há três temas que são propriedade da Edisom, quatro da Warner, cinco da Sony e cinco da BMG, mais sete da EMI-VC, o que, pode ser coincidência, corresponde quase a rigor às parcelas de mercado nacional de que são detentoras.
Público, 1991
Mas, em 1991, só dois títulos foram prata, três ouro e dois platina, curiosamente todos eles atribuídos a canções de Marco Paulo, exceptuando "I Can See clearly now" de Johnny Nash.
Rui Veloso com "Mingos & os Samurais" e Bryan Adams com "Waking up the Neighbours" rebentaram a escala dos galardões para álbuns da AFP, em 1991. É o trabalho de um artista local e nenhum disco estrangeiro, nem sequer o novo de Bryan Adams, alcançou os mesmos índices de vendas -- "Waking up the Neighbours" ficou-se pela quinta platina.
92-544373-Por isso, não é de estranhar que o disco mais premiado ao fim de 1991 tenha sido o de Rui Veloso, um álbum editado em 1990, ano em que já tinha sido assegurado quádrupla platina.
92-A mesma sorte tiveram discos que alcançaram dupla platina em 1991, lançados também no último trimestre de 1990, como foram os casos de "In Concert" de Carreras, Domingo e Pavarotti, de "The Very Best of Elton John" e de "Serious Hits"...
92-Lançado em Setembro, On "Every Street" dos Dire Straits já estagnou na platina, mas é bastante provável que redesperte quando os autores actuarem entre nós. Por seu turno, álbuns como "Dangerous", de Michael Jackson, ou a colectânea "Número Um", que saíram pouco mais de um mês antes do ano acabar, já chegaram a dupla platina e continuam a vender tanto ou mais em 1992.
Assim, a EMI-VC cresceu nos três sectores, enquanto a Polygram desceu no local e no clássico, e só subiu no internacional. Os números da EMI-Valentim de Carvalho em 1991 são um paradoxo para o leigo, sobretudo se comparados com os da Polygram, sua concorrente tradicional na liderança do mercado nacional.
Quer isto dizer que quem teve um mau ano não foi a EMI-VC, mas a música portuguesa, que cobria quase 24 por cento em 1990, tendo descido para quinze por cento em 1991.
[As Editoras] São, na sua maior parte, sucursais de multinacionais (Polygram, Sony, Warner e BMG), uma é de capital misto (EMI-VC) e outra ainda é portuguesa, mas com o exclusivo de edição de um catálogo inglês (Edisom).
92-404-Em termos de unidades vendidas, se se venderam cerca de 145 mil LP de preço máximo, em CD, na mesma escala de preço, venderam-se quase 405 mil -- uma discrepância que se acentua na facturação (176 mil contos em LP de preço top contra cerca de 817 mil contos em CD também de top) , devido ao segundo formato ser vendido sensivelmente pelo dobro do primeiro.
92-404-É o caso por excelência de "Waking Up The Neighbours", de Bryan Adams, que agora chegou a sextuplo de platina (cada disco de platina equivale à venda de 40 mil unidades). As colectâneas de êxitos dos Bee Gees, Queen e Tina Turner também recolheram mais um galardão de platina. O álbum de estreia dos Resistência também já é disco de platina, mas ainda não consta nas contas do trimestre, porque só o alcançou em Abril.
92-683442-(...) e "Auto da Pimenta", Marco Paulo, os GNR e os Trovante tiveram certificados de platina; os novos Carlos Guilherme e Onda Choc apenas atingiram ouro, e os Ministars e Pinto Basto ficaram-se pela prata. Nisso, o reportório português reflectiu uma tendência constante nos últimos anos nas edições de música internacional: muito dos discos que chegaram a platina entre nós no ano transacto eram colecções de êxitos, como os de Tina Turner, dos Beach Boys ou dos já citados Queen e Elton John.
92-918514-De qualquer modo, neste campeonato dos galardões, todas as editoras gozaram um ano de autêntica chuva de prémios, o que leva a perguntar se não será já altura de subir as fasquias, ou se não será pouco vender dez mil exemplares para obter prata, o dobro de prata para ter ouro, ou o dobro de ouro para platina.
92-918514-Assim, de um total de 48, em 1990, a EMI-VC subiu para 53; a Polygram que tinha 20 passou para 35; a Sony cresceu de 21 para 26; a BMG de apenas sete para 21; enquanto a Warner teve 12, em vez dos 10 do ano anterior; e a Edisom também acrescentou dois aos nove que merecera antes. Outro indicador do que foi o ano passado para as editoras da AFP: estas cifras confirmam a nova desenvoltura da BMG, de todas as companhias a que mais subiu no número de prémios, sendo agora quarta neste top, onde antes era sexta; enquanto a Sony Music desceu de segunda para a terceira posição, cedendo o lugar à Polygram.
92-1069203-As multinacionais que operam entre nós juntam-se de seis em seis meses para editar uma compilação conjunta de êxitos chamada "Nº1", mas a Polygram ficou de fora e continua a lançar no Natal o seu próprio "Hit Parade".
Público, 1992
1991
Em termos de unidades vendidas, se se venderam cerca de 145 mil LP de preço máximo, em CD, na mesma escala de preço, venderam-se quase 405 mil -- uma discrepância que se acentua na facturação (176 mil contos em LP de preço «top» contra cerca de 817 mil contos em CD também de «top»), devido ao segundo formato ser vendido sensivelmente pelo dobro do primeiro. A cassete do mesmo escalão continua a não ir muito bem. Vendendo menos que o vinil: pouco mais de 103 mil, o que corresponde a uma facturação de cerca de 124 mil contos.
Os discos mais vendidos são os que chegaram ao fim do ano passado já com maior número de galardões. É o caso por excelência de «Waking Up The Neighbours», de Bryan Adams, que agora chegou a sextuplo de platina (cada disco de platina equivale à venda de 40 mil unidades).
As colectâneas de êxitos dos Bee Gees, Queen e Tina Turner também recolheram mais um galardão de platina. O único grupo português que alcançou este estatuto foram os Onda Choc com «Ela Só Quer, Só Pensa Em Namorar».
O álbum de estreia dos Resistência também já é disco de platina, mas ainda não consta nas contas do trimestre, porque só o alcançou em Abril.
CD cresceu em unidades vendidas e em factura��o em 1991, ao contr�rio da maioria dos outros formatos. Isso pode querer dizer que se est�o a vender menos discos, mas mais caros, e n�o deve ser por acaso que o �lbum que atingiu um galard�o mais alto no ano passado foi �Mingos & Os Samurais�, que sa�ra em 1990. Mas a descida de vendas em LP foram suaves, as cassetes mais caras ainda se venderam bem e os editores juram que n�o h� crise alguma. � este, pelo menos, o ponto da situa��o para as companhias reunidas na Associa��o Fonogr�fica Portuguesa, que s�o, na maior parte, filiais de multinacionais.
Antes, havia a Associação Fonográfica Portuguesa, reunindo meia dúzia de editoras. Quatro filiais locais de multinacionais -- BMG, Polygram, Sony Music e Warner Music --, uma empresa de capital misto português e estrangeiro (EMI-Valentim de Carvalho) e uma independente que também representa uma "mayor" (Edisom). Exceptuando a Warner, todas estas companhias têm catálogo nacional, mas a música portuguesa editada em disco está longe de se reduzir aos artistas por elas assinadas.
uma cotação em função da procura, se não classifica discos, classifica o público comprador - A Mosca, 03/05/1969
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Marco Paulo
João Simão da Silva assinala os seus 25 anos de carreira de cantor na próxima quinta-feira num espectáculo no Pateo Alfacinha, em Lisboa. O facto poderia passar despercebido se João Simão da Silva não fosse o nome de nascimento de Marco Paulo, recordista absoluto nas vendas de discos em Portugal e um dos canconetistas mais populares e polémicos do meio artistico. "Piroso" e "popularucho" são adjectivos utilizados pelos seus críticos, mas o mesmo não deverão pensar os milhares de pessoas que enchem as dezenas de espectáculo que o artista dá todos os anos em cidades, vilas, aldeias e lugares da "província". Orgulha-se de dizer que "um milhão e quinhentas mil pessoas já ouviram a minha voz", o número aproximado de discos que já vendeu e é um dos artistas portugueses que mais discos de prata, ouro e platina recebeu nas últimas décadas.
Só o single "Eu Tenho Dois Amores" vendeu mais de 180 mil cópias e a sua editora dificilmente consegue contabilizar quantos discos de prata, ouro e platina já recebeu.
Vinte e cinco anos depois de ter cantado na televisão num programa de Cidália Meireles, o interprete de "Eu Tenho Dois Amores" ou "Morena, Morenita" promete continuar a pisar os palcos das muitas festas e romarias em todo o país a actuar para as comunidades portuguesas espalhadas pelo Mundo.
E para assinalar o ano 25 da sua carreira, vai ser lançada uma colectânea dos seus grandes êxitos, "Maravilhoso Coração", e que inclui quatro temas originais, outros previsiveis "êxitos" que habitualmente povoam os "tops" portugueses.
O seu primeiro disco foi "Eu Não Sei", uma versão de Alain Barriere, mas só em 1978 receberia o primeiro dos muitos discos de ouro da sua carreira, para os singles "Ninguém, Ninguém" e "Canção Proibída".
Em 1984, e apenas numa semana, "Morena, Morenita" conquistou um disco de ouro, mais um na longa história de galardões que fazem de Marco Paulo um personagem único no panorama das vendas em Portugal.
Lusa, 22/07/1991
O single com os temas "Canção Proibida" e "Ninguém Ninguém", de 1978, foi o primeiro grande sucesso de Marco Paulo. No ano seguinte conseguiu novo disco de Ouro para o single "Mulher Sentimental".
O single "Eu Tenho Dois Amores" (1980) e a compilação "O Disco de Ouro" (1982) também ganharam vários discos de Ouro quando ainda não existia o galardão de platina. "Eu Tenho Dois Amores" recebeu 3 discos de Ouro - 150.000 exemplares.[Foram lançados discos de outros artistas na série "Disco de Ouro"]
Os singles "Joana" (1988) e "Taras e Manias" (1991) receberam 4 e 5 platinas, respectivamente.
Em 1991 foi editado o álbum "Maravilhoso Coração" com 5 canções da era pré-discos de platina de Marco Paulo, 16 da era dourada que é de finais de 70 até à altura e 4 novas canções.
Em 1996 quando se encontrava a recuperar de uma segunda operação aos intestinos, disse à agência Lusa que, no final da conversa de hora e meia com o bispo, este ficou impressionado com as quatro paredes cheias de discos de ouro e de platina.
A EMI lançou em 2005 uma compilação com o nome "Ouro e Platina".
Nota: a atribuição de galardões foi sendo alterada ao longo do tempo conforme pode verificar neste blog.
Biografia de Marco Paulo / Zona Música (2003):
(...) o ano do seu salto definitivo seria 1978. É o ano da sua explosão graças ao single que agrupa "Ninguém Ninguém" e "Canção Proibida". É o seu primeiro nº1 do top de vendas e o seu primeiro Disco de Ouro.
Até 1981 Marco Paulo [alcança] mais cinco Disco de Ouro; ou seja, seis discos de ouro consecutivos correspondentes a um total de cerca de 300 mil discos vendidos: em 1979 com "Mulher Sentimental", em 1980 "Eu tenho Dois Amores" que, só por si, vende 175 mil discos (o que representa três discos de ouro) e, por fim, "Mais e Mais Amor", em 1981.
(...)
Em 1981 edita "Disco de Ouro", uma colectânea com os maiores êxitos dos seus primeiros quinze anos de carreira. Uma antologia que é premiada pelo público com quatro Discos de Ouro, por um total de 140 mil unidades vendidas.
Marco Paulo conseguia uma verdadeira proeza: dez discos de ouro em apenas quatro anos! Nesse mesmo ano edita ainda o single "Anita", tema inédito desta colectânea e aí alcançava mais um Disco de Ouro.
Em 1983 Marco Paulo edita "Flor Sem Nome" que chega apenas a Disco de Prata.
O ano seguinte fica assinalado por um ritmo verdadeiramente alucinante de edições: em Julho o single "Morena Morenita" (Disco de Ouro), em Setembro duas colectâneas ("Os Grandes Êxitos I e II") e em Dezembro "Romance", disco de ouro à saída. Este último incluía os sucessos "Deixa Viver" e "Nasci Para Cantar".
Depois de um ano de pausa, Marco Paulo regressa em 1986 com um novo álbum, "Sedução". A Prata voltaria a abrilhantar este seu trabalho. O seu sucessor "Marco Paulo" chega em 1988. A reacção do público ao single "Joana" seria imediata: duas semanas após a sua edição era Disco de Ouro! "De Todo o Coração" marca o regresso de Marco Paulo ao contacto com o seu público. Decorre o ano de 1990.
Em 1991 Marco Paulo edita "Maravilhoso Coração", uma colectânea de 25 super êxitos seus.
---
Com mais de três milhões de discos vendidos, Marco Paulo é, a par de Amália Rodrigues, o campeão de vendas da história da indústria fonográfica portuguesa. É o detentor do maior número de discos de ouro e platina atribuídos a um só artista em Portugal. No total somam-se mais de 75 galardões
---
Marco Paulo, sua banda e coros, som e luz, actuam em Portugal e nos mais variados países do mundo. Três milhões e meio de discos vendidos, 57 discos de ouro e platina. Novo álbum a editar em 1997. (AE, 1997)
Ninguém Ninguém/Canção Proibida - Disco de Ouro
Mulher Sentimental - Disco de Ouro
Eu Tenho Dois Amores - 3 discos de ouro - 175 000
Mais e Mais Amor - Disco de Ouro
O Disco de Ouro [LP] - 4 Discos de Ouro - 140 000
Anita - Disco de Ouro
Flor Sem Nome - Disco de Prata
Morena Morenita - Disco de Ouro
Romance [LP] - Disco de Ouro
Sedução [LP] - Disco de Prata
Joana - 4 Discos de Platina
Taras e Manias - 5 Discos de Platina
etc
A partir do final dos anos 1970 foram criados os galardões "Discos de Ouro" (para vendas superiores a 30.000 exemplares nos anos 1970 e a 50.000 exemplares e nos anos 1980). [António José] ganhou vários.
António José foi o responsável pela tradução de alguns dos maiores sucessos de Marco Paulo
Canção Proibida/Ninguém Ninguém" de 1978 foi o primeiro grande sucesso de Marco Paulo. No ano seguinte novo disco de Ouro para "Mulher Sentimental".
O single "Eu Tenho Dois Amores" (1980) e a compilação "O Disco de Ouro" (1982) também ganharam vários discos de Ouro quando ainda não existia o galardão de platina. "Eu Tenho Dois Amores" recebeu 3 discos de Ouro - 150.000 exemplares. Foram lançados discos de outros artistas na série "Disco de Ouro".
Algumas das canções de Marco Paulo que contaram com a colaboração de António José na adaptação das letras:
Canção Proibida + Ninguém, ninguém - P. Yellowstone
Mulher Sentimental + O Comboio da Meia Noite - R.Danova + P. Yellowstone
Eu Tenho Dois Amores - G. Hadjinassios/Costa Cordalis
Flor Sem Nome + Joana - Roland Kaiser/NH-J.Heider
Mais e Mais Amor - S.Elson/B.Braudmaier
Morena Morenita + Anita - Costa Cordalis/J.Frankfuert e muitas outras
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Vendas de discos 1980
Alguns Singles em destaque no ano de 1980
Anúncio de Jornal - Julia Graciela
Amanha de Manhã - Doce
I Was Made For Loving You - Kiss - #1 [1]
Video Killed The Radio Star - The Buggles - #2
Another Brick In The Wall - Pink Floyd - #1 [3]
Message In A Bottle - The Police - #2
Crazy Little Thing Called Love - Queen - #3
Doce - Doce - #2
Um Grande Grande Amor - José Cid - #2
Laugh And Walk Away - The Shirts - #3
What´s Another Year - Johnny Logan - #1 [1]
She's In Love With You - Suzi Quatro - #1 [2]
Plastic Plastic - Buggles - #3
Echo Beach - Martha & The Muffins - #3
Canção do Beijinho - Herman José - #2
Eu Tenho Dois Amores - Marco Paulo - #1 [2] [3 discos de ouro, 150.000]
Weekend - Earth & Fire - #1 [4]
Call Me - Blondie - #2
Funkytown - Lipps Inc - #3
Chico Fininho - Rui Veloso - #2
The Winner Takes It All - Abba - #2
++
Anúncio de Jornal - Julia Graciela
Amanha de Manhã - Doce
I Was Made For Loving You - Kiss - #1 [1]
Video Killed The Radio Star - The Buggles - #2
Another Brick In The Wall - Pink Floyd - #1 [3]
Message In A Bottle - The Police - #2
Crazy Little Thing Called Love - Queen - #3
Doce - Doce - #2
Um Grande Grande Amor - José Cid - #2
Laugh And Walk Away - The Shirts - #3
What´s Another Year - Johnny Logan - #1 [1]
She's In Love With You - Suzi Quatro - #1 [2]
Plastic Plastic - Buggles - #3
Echo Beach - Martha & The Muffins - #3
Canção do Beijinho - Herman José - #2
Eu Tenho Dois Amores - Marco Paulo - #1 [2] [3 discos de ouro, 150.000]
Weekend - Earth & Fire - #1 [4]
Call Me - Blondie - #2
Funkytown - Lipps Inc - #3
Chico Fininho - Rui Veloso - #2
The Winner Takes It All - Abba - #2
++
+
Alguns Álbuns em destaque no ano de 1980
The Wall - Pink Floyd - #1 [5]
Regatta de Blanc - The Police - #2
At Budokan - Cheap Trick - #3
One Step Beyond - Madness - #3
20 Diamond Hits - Neil Diamond - #2
Dream Police - Cheap Trick - #3
Flex - Lene Lovich - #2
End Of The Century - Ramones - #3
Duke - Genesis - #3
Hot Stars - Vários (Polystar) - #1 [2]
Emotional Rescue - Rolling Stones - #2
Off The Wall - Michael Jackson - #2
Os Grandes Grandes Êxitos - José Cid - #1 [1]
Peter Gabriel 3 - Peter Gabriel - #2
Ar de Rock - Rui Veloso - #1 [3]
The Game - Queen - #4
Highway To Hell - AC/DC - #3
Os Super 20 - Vários (Polystar) - #1 [2]
Zenyatta Mondatta - The Police - #2
Eu Gostava de Ser Quem Era - Amália Rodrigues - #3
++
+
Alguns Álbuns em destaque no ano de 1980
The Wall - Pink Floyd - #1 [5]
Regatta de Blanc - The Police - #2
At Budokan - Cheap Trick - #3
One Step Beyond - Madness - #3
20 Diamond Hits - Neil Diamond - #2
Dream Police - Cheap Trick - #3
Flex - Lene Lovich - #2
End Of The Century - Ramones - #3
Duke - Genesis - #3
Hot Stars - Vários (Polystar) - #1 [2]
Emotional Rescue - Rolling Stones - #2
Off The Wall - Michael Jackson - #2
Os Grandes Grandes Êxitos - José Cid - #1 [1]
Peter Gabriel 3 - Peter Gabriel - #2
Ar de Rock - Rui Veloso - #1 [3]
The Game - Queen - #4
Highway To Hell - AC/DC - #3
Os Super 20 - Vários (Polystar) - #1 [2]
Zenyatta Mondatta - The Police - #2
Eu Gostava de Ser Quem Era - Amália Rodrigues - #3
++
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dados recolhidos por consulta de algumas revistas Música & Som e Billboard
Outras fontes:
Em 1980, com 26 anos, a sua "Canção do Beijinho" [de Herman José] tinha já vendido 40 mil discos, no mês de Agosto. Em Setembro lança o LP "Surpresa". Um ano depois ganha o seu segundo disco de ouro, com a "Canção do Beijinho". - Herman José / CITI
Outras fontes:
Em 1980, com 26 anos, a sua "Canção do Beijinho" [de Herman José] tinha já vendido 40 mil discos, no mês de Agosto. Em Setembro lança o LP "Surpresa". Um ano depois ganha o seu segundo disco de ouro, com a "Canção do Beijinho". - Herman José / CITI
terça-feira, 4 de maio de 2010
Portugal Não Escapa à Crise da Indústria Discográfica
Mais uma apreensão, na sexta-feira passada, de discos piratas, desta vez em Lisboa, veio sublinhar a situação crítica que a indústria discográfica atravessa actualmente. Os seus principais responsáveis estão preocupados com este recrudescimento da pirataria, mas não escondem que o verdadeiro problema reside na chegada ao fim do ciclo de vida do CD. Entretanto, no segundo trimestre deste ano, as editoras portuguesas venderam menos 150 mil fonogramas relativamente a idêntico período do ano passado. No dia em que se assinala o Dia Mundial da Música, o PÚBLICO passa em revista os principais sintomas da crise da indústria discográfica em Portugal.
Depois de vários anos a crescer a um ritmo muito acima da média europeia, a indústria discográfica portuguesa começa a manifestar os primeiros sinais sérios de crise. Distribuidores, retalhistas e produtores fonográficos atravessam hoje uma situação sem precedentes, depois de, na década de noventa, o mercado português ter crescido a uma taxa média de dois dígitos.
A conjugação de vários acontecimentos terá levado a uma situação muito crítica, sobretudo para um mercado pequeno e frágil como o português, bem afastado dos centros onde se tomam as decisões verdadeiramente relevantes para a indústria fonográfica. O surgimento dos suportes digitais (CD, MiniDisc, MP3...) terá alterado significativamente os dados do problema, ao permitir cópias (quase) iguais aos originais. Cerca de 16 anos depois da introdução do disco compacto, qualquer agente da indústria discográfica gostaria, nos dias que correm, de ver resolvida a premente questão do suporte que irá suceder ao disco compacto.
A CRISE
Os dados recentemente publicados pela Associação Fonográfica Portuguesa dão sinais óbvios de que a crise se instalou também em Portugal
Se, nos mercados mais desenvolvidos, os efeitos de alguma massificação do MP3, mas sobretudo dos CD graváveis, já tinham deixado marcas, só este ano o mercado português começou a sentir seriamente os efeitos de uma nova pirataria, e os dados recentemente publicados pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) dão sinais óbvios de que a crise se instalou também em Portugal. No segundo trimestre deste ano, as editoras portuguesas venderam menos 150 mil fonogramas relativamente a idêntico período do ano passado - valores que, ainda assim, se encontram sobrestimados, escondendo a verdadeira dimensão da recessão que se instalou na indústria discográfica.
Daniel de Sousa, principal responsável da multinacional Warner Music em Portugal, salienta existirem dois acontecimentos essenciais para compreender os valores recentemente publicados: "O grupo de empresas Modelo/Continente representa quase 50 por cento das nossas vendas e todos os anos promove uma Feira da Música, para a qual compra uma quantidade apreciável de discos. Este ano, a Feira da Música do Modelo/Continente aconteceu no primeiro semestre, pelo que, se retirássemos essas vendas das estatísticas, a redução de vendas seria bem maior". Por outro lado, acrescenta Daniel de Sousa, "este ano os lançamentos foram muito fortes, o que fez com que pareça que o mercado cresceu. A realidade é que o mercado está a encolher. Já sabemos um pouco mais sobre as vendas dos últimos meses e a verdade é que o mercado andou para trás em Julho e Agosto. E vai continuar a andar para trás até ao fim do ano."
A NOVA PIRATARIA
Ao contrário do que acontecia com as cassetes, a difusão dos CD piratas é tão grande que é impossível às autoridades competentes controlá-la.
As causas desta inversão no crescimento dos mercados discográficos estão bem identificadas. O advento do digital permitiu, antes de mais nada, que a qualidade das cópias as aproximasse bastante dos originais, pelo que a pirataria conhece desde há três anos para cá um novo surto, só comparável ao dos anos de ouro da cassete pirata. Apesar de formatos digitais como os ficheiros MP3 serem bastante mediatizados, a preocupação dos responsáveis da indústria discográfica centra-se sobretudo nos CD-R - discos compactos virgens que permitem a gravação de discos pré-gravados.
Eduardo Simões, secretário-geral da AFP, confirma que a nova pirataria já está instalada e a operar em Portugal. Apesar de não existirem estatísticas que permitam tirar conclusões sobre a venda de CD virgens em Portugal - ou sequer sobre a penetração de gravadores de CD -, os seus efeitos na facturação das editoras portuguesas são notórios e estão, de alguma forma, localizados: "Estão a florescer inúmeros pequenos negócios ao nível dos pátios das escolas, onde se vendem CD a 500 escudos ou a mil escudos. Há também indícios de uma outra pirataria, bastante mais organizada, inclusivamente por etnias, que vende CD piratas. Sabemos que há grupos de ciganos que estão metidos na pirataria, tal como antes existiu um grupo de emigrantes oriundos do Bangladesh envolvido nesse tipo de acção, o que não deixa de ser preocupante, no sentido de existirem negócios organizados no ramo da propriedade intelectual." Estas contrafacções, adianta o responsável "têm um nível de profissionalização ainda embrionário, mas também já vi livretos completos impressos em papel 'couché'. Porém, o que aparece mais são cópias de fraquíssima qualidade gráfica. Em termos de som, também há disparidades que diminuem a qualidade do audio."
Ao contrário do que acontecia com as cassetes piratas, a disseminação e pulverização dos "fabricantes" de CD piratas é tão grande que se torna praticamente impossível às autoridades competentes controlar a difusão desta forma de pirataria. As apreensões efectuadas são sempre uma gota num imenso oceano, mesmo que não esteja a ser contabilizada a chamada "cópia privada".
UM NOVO SUPORTE
Ainda não há o sucessor para o CD que a indústria precisa. O futuro é a assinatura por cabo?
Uma perspectiva mais geral permitirá, todavia, perceber que a indústria fonográfica se encontra perante um dilema. Depois do advento do digital, uma autêntica caixa de Pandora que permitiu vender as mesmas obras em suporte CD, os seus responsáveis vêem-se agora perante surtos de pirataria que ameaçam colocar um ponto final no ciclo de vida do CD.
O mais grave para a indústria fonográfica é ainda não ter encontrado uma forma legítima e eficaz que suceda ao disco compacto, apesar das maiores editoras do mundo estarem a preparar serviços de distribuição digital de música como os já anunciados "Musicnet" e "Pressplay". Se, de início, a introdução do CD levou a que os melómanos "traduzissem" as suas discotecas de vinilo para CD - fazendo com que a indústria vendesse as mesmas obras e crescesse seriamente -, nos últimos anos tem sido muito evidente uma recessão que ameaça alastrar.
Os primeiros sintomas foram detectados nos mercados mais maduros, em que a penetração de leitores de discos compactos é maior, como os Estados Unidos da América. No ano passado, as vendas de fonogramas decresceram 1,7 por cento em valor e caíram 4,7 por cento em quantidade no país de Madonna e Bruce Springsteen. Como se constata pela análise dos dados fornecidos pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a queda na facturação só não foi maior devido a uma subida do preço médio a que são vendidos os fonogramas. A indústria encontra-se então diante de um pau de dois bicos: se aumenta o preço dos CD, cresce a pirataria; se baixa o preço dos CD, perde irremediavelmente em facturação.
A solução mais óbvia, mas que ainda assim não se prevê concretizável num futuro imediato, seria a opção pela distribuição digital. Porém, os dois serviços que as cinco multinacionais do disco estão a tentar levar por diante, o "Musicnet" e o "Pressplay", estão a encontrar vários obstáculos que impedem a sua massificação. Uma das maiores barreiras à implementação desses serviços será mesmo a pouca vontade dos consumidores para pagar música distribuída digitalmente, numa altura em que ainda subsistem, apesar da compra do serviço Napster por parte da multinacional BMG, uma miríade de sítios na Internet que disponibilizam música à borla, contornando os direitos devidos pela propriedade intelectual.
O RETALHO
As cadeias de lojas portuguesas com alguma dimensão, como a Valentim de Carvalho, a Strauss ou a Loja da Música, estão a atravessar uma fase muito complicada
Outro dos ramos do negócio do disco seriamente afectado pela difusão dos CD graváveis foi o retalho. Depois de, nos últimos anos, se ter assistido à abertura de várias megalojas em Lisboa e no Porto e a uma expansão generalizada das principais cadeias de lojas portuguesas, a situação inverteu-se dramaticamente. Da euforia à depressão foi um pequeno passo, sobretudo quando o retalho especializado português se deparou com a concorrência dos hipermercados e de grandes cadeias como a Fnac.
Se a experiência da Virgin foi mal sucedida - como prova o encerramento da sua megaloja nos Restauradores, em Lisboa -, a francesa Fnac conseguiu implantar-se no mercado português, superando as melhores expectativas dos seus responsáveis. As cadeias de lojas portuguesas com alguma dimensão, como a Valentim de Carvalho, a Strauss ou a Loja da Música, estão a atravessar neste momento uma fase difícil, devido à forte concorrência imposta pelos hipermercados, que seguem uma postura onde o disco é utilizado não para ganhar dinheiro, mas para atrair clientes. A loja que vive de vender discos não se pode dar a esse luxo: ou tem margem na venda dos discos ou morre. O retalho especializado, ao tentar aproximar os preços daqueles praticados nos hipermercados, começou a perder dinheiro. Algumas cadeias de lojas, segundo nos confirmou Daniel de Sousa, deixaram mesmo de pagar às editoras, pelo que esses fornecimentos foram simplesmente cortados.
A situação difícil por que passavam algumas lojas das cadeias Valentim de Carvalho e Discoteca Roma obrigou mesmo ao seu encerramento. No caso da Valentim de Carvalho, que também dispõe de uma marca de discos, a Norte Sul, tem-se assistido nos últimos tempos à debandada dos seus artistas e mesmo de alguns funcionários, pelo que a probabilidade de desactivação daquele selo parece ser eminente.
Ou seja, a crise está a levar a um redimensionamento do mercado retalhista que não espera uma reanimação nos próximos tempos. A própria Fnac, nas palavras de Rui Borges, gestor de produto, não irá continuar a sua política expansionista que, nos últimos três anos, a levou a uma bem sucedida implantação em Portugal: "A crise afecta toda a gente e o desaparecimento da concorrência também não nos ajuda a superar essa falta de mercado. As pessoas começam mesmo a desabituar-se de comprar discos. Nada disso ajuda ao crescimento e desenvolvimento do mercado. O conceito Fnac teve um grande êxito em Portugal, devido à maneira como a música e a cultura foram mostradas ao público. Porém, o nosso grande objectivo neste momento é consolidar as lojas que já existem. Queremos fazer mais e melhor, nomeadamente no que diz respeito ao atendimento. Queremos torná-lo o mais personalizado possível. Esta não é uma altura de expansão mas sim de consolidação, e só então poderemos encarar novos desafios".
UMA QUESTÃO ESTRATÉGICA
Portugal é um dos dez mercados do mundo que menos reportório nacional vende, o que aponta para uma cada vez maior dependência do estrangeiro. Algumas multinacionais podem vir a abandonar os seus escritórios em Lisboa
A crise que afecta o retalho especializado português preocupa, igualmente, as editoras instaladas em Portugal, mais que não seja por razões estratégicas. As empresas multinacionais ocupam cerca de 70 por cento do mercado, sendo a facturação relativa ao reportório nacional, no primeiro semestre deste ano, não mais do que 13 por cento. Este valor é o mais baixo de sempre, pelo que é muito claro o desinvestimento, principalmente das editoras multinacionais, nos artistas portugueses.
O risco e o custo de uma produção nacional não é compatível com a situação crítica do mercado, que assim prefere apostar em produções importadas. Se o mercado não absorve música portuguesa, a sua dependência face ao exterior é bastante maior. A época dos supercampeões de vendas como Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Delfins e Rui Veloso parece pertencer a um passado distante, sendo Portugal um dos dez mercados do mundo que menos reportório nacional vende, segundo estatísticas da revista especializada "MBI".
A responsabilidade por esta queda da popularidade da música portuguesa é, geralmente, atribuída aos media, muito especialmente à rádio, frequentemente acusada de desprezar a música nacional. O fenómeno recente das rádios formatadas e o não tão recente das "playlists" veio sublinhar essa situação que, de alguma forma, deixa de lado a música portuguesa. As editoras sentiram um risco enorme na aposta em música portuguesa e, simplesmente, desinvestiram.
A controvérsia entre editoras e estações de rádio não é portuguesa nem é de hoje. Mas não deixa de ser nítido o desinteresse das rádios portuguesas relativamente ao reportório nacional. Segundo a tabela de "airplay" produzida semanalmente pela Music Control, onde se encontram os 100 temas que mais vezes foram tocados pelas rádios portuguesas, na primeira semana de Setembro não há nenhuma canção portuguesa entre os dez temas mais cotados. O primeiro artista português a surgir na tabela são os Xutos & Pontapés, com a canção "Fim do Mês", em 15º lugar. Os portugueses que se seguem são os Anjos (34º lugar), Jorge Palma (54º), GNR (87º) e Quinta do Bill (89º), todos eles artistas com carreiras cimentadas ao longo de muitos anos. Ao desinteresse por artistas nacionais junta-se a não aposta em novos nomes, como é visível numa tabela cheia de artistas "consagrados" e liderada pelos U2.
A situação levou mesmo a alguma pressão por parte da AFP junto da Antena 3, estação de rádio pertencente à empresa pública Rádio Difusão Portuguesa (RDP), no sentido de ser alterado este estado de coisas. A Antena 3 irá apresentar uma nova grelha de programação durante o próximo mês de Outubro, onde estão consagradas várias alterações que vão de encontro aos desejos dos editores portugueses. Um situação que, no entanto, terá de ser confirmada pela nova direcção, uma vez que a nova grelha foi planeada por Jorge Alexandre Lopes, recentemente substituído por Luís Montez.
MIGUEL FRANCISCO CADETE, Público, 01/10/2001
Crise! Quanta Crise!
Os sinais de crise começaram a ser óbvios nos últimos tempos quando, nos Estados Unidos - que representam 38 por cento da venda de discos a nível mundial -, os resultados da venda de discos compactos se mostraram confrangedores
A crise da indústria fonográfica começou a fazer-se sentir nos mercados mais desenvolvidos quando, há cerca de dois anos, o crescimento do número de fonogramas vendidos se aproximou perigosamente do zero. Nos Estados Unidos da América, no ano 2000, venderam-se menos 5 por cento de cópias do que no ano anterior, enquanto na Alemanha e França as perdas ainda não ultrapassam 1,2 por cento, segundo os mais recentes dados fornecidos pelo Federação Internacional da Indústria Fonográfica.
Em Portugal, a situação foi diversa até há bem pouco tempo. Não só porque o CD chegou cá com o atraso habitual, mas também porque uma certa euforia do mercado, patente, por exemplo, na abertura de megalojas, fez com que nos anos 90 as taxas de crescimento fossem habitualmente superiores a 10 por cento. Nos últimos cinco anos da década passada, o mercado fonográfico português dobrou a sua facturação.
Porém, os sinais de crise começaram a ser óbvios nos últimos tempos quando, nos Estados Unidos - que representam 38 por cento da venda de discos a nível mundial -, os resultados da venda de discos compactos se mostraram confrangedores. O ciclo de vida do disco compacto, tudo o indica, aproxima-se do fim, como aliás o surto de nova pirataria em CD-R assinala gritantemente. Contudo, o mais preocupante é ainda não terem sido encontradas soluções que venham fazer face ao desaparecimento do CD - ainda o formato preferencial da venda de discos -, de modo a que a indústria fonográfica possa voltar a investir em novos artistas. Se a distribuição digital e, de uma forma geral, a nova economia pareciam ser a panaceia para esses problemas, as quedas sucessivas do indíce Nasdaq desde o final do ano passado vieram esmorecer a indústria, agora órfã de um suporte que lhe permita relançar a sua actividade.
O caso português, ou da indústria fonográfica portuguesa, não é obviamente para aqui chamado. A pequenez e a dependência do mercado face ao exterior impede qualquer veleidade na definição daquilo que irão ser os novos suportes para a música. No entanto, não deixa de ser preocupante que, a par da queda da facturação total, comecem também a derrapar os índices de venda de reportório nacional, que certamente implicam uma ainda maior dependência do exterior.
O desinvestimento em música portuguesa é notório em algumas editoras multinacionais como a BMG que, no primeiro semestre deste ano, viu a sua quota de reportório nacional descer até 0,91 por cento. A ameaça de abandono dos artistas locais por parte das multinacionais parece voltar a pairar, sabendo-se também que a Warner Music fechou o seu catálogo nacional logo depois de uma experiência frustrada com o grupo Ritual Tejo. E, no caso das multinacionais só dependerem de catálogos estrangeiros, serão poucas as razões que justifiquem a permanência dos seus escritórios em Lisboa. A não serem políticas. União Europeia oblige.
MIGUEL FRANCISCO CADETE, Público, 01/10/2001
Depois de vários anos a crescer a um ritmo muito acima da média europeia, a indústria discográfica portuguesa começa a manifestar os primeiros sinais sérios de crise. Distribuidores, retalhistas e produtores fonográficos atravessam hoje uma situação sem precedentes, depois de, na década de noventa, o mercado português ter crescido a uma taxa média de dois dígitos.
A conjugação de vários acontecimentos terá levado a uma situação muito crítica, sobretudo para um mercado pequeno e frágil como o português, bem afastado dos centros onde se tomam as decisões verdadeiramente relevantes para a indústria fonográfica. O surgimento dos suportes digitais (CD, MiniDisc, MP3...) terá alterado significativamente os dados do problema, ao permitir cópias (quase) iguais aos originais. Cerca de 16 anos depois da introdução do disco compacto, qualquer agente da indústria discográfica gostaria, nos dias que correm, de ver resolvida a premente questão do suporte que irá suceder ao disco compacto.
A CRISE
Os dados recentemente publicados pela Associação Fonográfica Portuguesa dão sinais óbvios de que a crise se instalou também em Portugal
Se, nos mercados mais desenvolvidos, os efeitos de alguma massificação do MP3, mas sobretudo dos CD graváveis, já tinham deixado marcas, só este ano o mercado português começou a sentir seriamente os efeitos de uma nova pirataria, e os dados recentemente publicados pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) dão sinais óbvios de que a crise se instalou também em Portugal. No segundo trimestre deste ano, as editoras portuguesas venderam menos 150 mil fonogramas relativamente a idêntico período do ano passado - valores que, ainda assim, se encontram sobrestimados, escondendo a verdadeira dimensão da recessão que se instalou na indústria discográfica.
Daniel de Sousa, principal responsável da multinacional Warner Music em Portugal, salienta existirem dois acontecimentos essenciais para compreender os valores recentemente publicados: "O grupo de empresas Modelo/Continente representa quase 50 por cento das nossas vendas e todos os anos promove uma Feira da Música, para a qual compra uma quantidade apreciável de discos. Este ano, a Feira da Música do Modelo/Continente aconteceu no primeiro semestre, pelo que, se retirássemos essas vendas das estatísticas, a redução de vendas seria bem maior". Por outro lado, acrescenta Daniel de Sousa, "este ano os lançamentos foram muito fortes, o que fez com que pareça que o mercado cresceu. A realidade é que o mercado está a encolher. Já sabemos um pouco mais sobre as vendas dos últimos meses e a verdade é que o mercado andou para trás em Julho e Agosto. E vai continuar a andar para trás até ao fim do ano."
A NOVA PIRATARIA
Ao contrário do que acontecia com as cassetes, a difusão dos CD piratas é tão grande que é impossível às autoridades competentes controlá-la.
As causas desta inversão no crescimento dos mercados discográficos estão bem identificadas. O advento do digital permitiu, antes de mais nada, que a qualidade das cópias as aproximasse bastante dos originais, pelo que a pirataria conhece desde há três anos para cá um novo surto, só comparável ao dos anos de ouro da cassete pirata. Apesar de formatos digitais como os ficheiros MP3 serem bastante mediatizados, a preocupação dos responsáveis da indústria discográfica centra-se sobretudo nos CD-R - discos compactos virgens que permitem a gravação de discos pré-gravados.
Eduardo Simões, secretário-geral da AFP, confirma que a nova pirataria já está instalada e a operar em Portugal. Apesar de não existirem estatísticas que permitam tirar conclusões sobre a venda de CD virgens em Portugal - ou sequer sobre a penetração de gravadores de CD -, os seus efeitos na facturação das editoras portuguesas são notórios e estão, de alguma forma, localizados: "Estão a florescer inúmeros pequenos negócios ao nível dos pátios das escolas, onde se vendem CD a 500 escudos ou a mil escudos. Há também indícios de uma outra pirataria, bastante mais organizada, inclusivamente por etnias, que vende CD piratas. Sabemos que há grupos de ciganos que estão metidos na pirataria, tal como antes existiu um grupo de emigrantes oriundos do Bangladesh envolvido nesse tipo de acção, o que não deixa de ser preocupante, no sentido de existirem negócios organizados no ramo da propriedade intelectual." Estas contrafacções, adianta o responsável "têm um nível de profissionalização ainda embrionário, mas também já vi livretos completos impressos em papel 'couché'. Porém, o que aparece mais são cópias de fraquíssima qualidade gráfica. Em termos de som, também há disparidades que diminuem a qualidade do audio."
Ao contrário do que acontecia com as cassetes piratas, a disseminação e pulverização dos "fabricantes" de CD piratas é tão grande que se torna praticamente impossível às autoridades competentes controlar a difusão desta forma de pirataria. As apreensões efectuadas são sempre uma gota num imenso oceano, mesmo que não esteja a ser contabilizada a chamada "cópia privada".
UM NOVO SUPORTE
Ainda não há o sucessor para o CD que a indústria precisa. O futuro é a assinatura por cabo?
Uma perspectiva mais geral permitirá, todavia, perceber que a indústria fonográfica se encontra perante um dilema. Depois do advento do digital, uma autêntica caixa de Pandora que permitiu vender as mesmas obras em suporte CD, os seus responsáveis vêem-se agora perante surtos de pirataria que ameaçam colocar um ponto final no ciclo de vida do CD.
O mais grave para a indústria fonográfica é ainda não ter encontrado uma forma legítima e eficaz que suceda ao disco compacto, apesar das maiores editoras do mundo estarem a preparar serviços de distribuição digital de música como os já anunciados "Musicnet" e "Pressplay". Se, de início, a introdução do CD levou a que os melómanos "traduzissem" as suas discotecas de vinilo para CD - fazendo com que a indústria vendesse as mesmas obras e crescesse seriamente -, nos últimos anos tem sido muito evidente uma recessão que ameaça alastrar.
Os primeiros sintomas foram detectados nos mercados mais maduros, em que a penetração de leitores de discos compactos é maior, como os Estados Unidos da América. No ano passado, as vendas de fonogramas decresceram 1,7 por cento em valor e caíram 4,7 por cento em quantidade no país de Madonna e Bruce Springsteen. Como se constata pela análise dos dados fornecidos pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI), a queda na facturação só não foi maior devido a uma subida do preço médio a que são vendidos os fonogramas. A indústria encontra-se então diante de um pau de dois bicos: se aumenta o preço dos CD, cresce a pirataria; se baixa o preço dos CD, perde irremediavelmente em facturação.
A solução mais óbvia, mas que ainda assim não se prevê concretizável num futuro imediato, seria a opção pela distribuição digital. Porém, os dois serviços que as cinco multinacionais do disco estão a tentar levar por diante, o "Musicnet" e o "Pressplay", estão a encontrar vários obstáculos que impedem a sua massificação. Uma das maiores barreiras à implementação desses serviços será mesmo a pouca vontade dos consumidores para pagar música distribuída digitalmente, numa altura em que ainda subsistem, apesar da compra do serviço Napster por parte da multinacional BMG, uma miríade de sítios na Internet que disponibilizam música à borla, contornando os direitos devidos pela propriedade intelectual.
O RETALHO
As cadeias de lojas portuguesas com alguma dimensão, como a Valentim de Carvalho, a Strauss ou a Loja da Música, estão a atravessar uma fase muito complicada
Outro dos ramos do negócio do disco seriamente afectado pela difusão dos CD graváveis foi o retalho. Depois de, nos últimos anos, se ter assistido à abertura de várias megalojas em Lisboa e no Porto e a uma expansão generalizada das principais cadeias de lojas portuguesas, a situação inverteu-se dramaticamente. Da euforia à depressão foi um pequeno passo, sobretudo quando o retalho especializado português se deparou com a concorrência dos hipermercados e de grandes cadeias como a Fnac.
Se a experiência da Virgin foi mal sucedida - como prova o encerramento da sua megaloja nos Restauradores, em Lisboa -, a francesa Fnac conseguiu implantar-se no mercado português, superando as melhores expectativas dos seus responsáveis. As cadeias de lojas portuguesas com alguma dimensão, como a Valentim de Carvalho, a Strauss ou a Loja da Música, estão a atravessar neste momento uma fase difícil, devido à forte concorrência imposta pelos hipermercados, que seguem uma postura onde o disco é utilizado não para ganhar dinheiro, mas para atrair clientes. A loja que vive de vender discos não se pode dar a esse luxo: ou tem margem na venda dos discos ou morre. O retalho especializado, ao tentar aproximar os preços daqueles praticados nos hipermercados, começou a perder dinheiro. Algumas cadeias de lojas, segundo nos confirmou Daniel de Sousa, deixaram mesmo de pagar às editoras, pelo que esses fornecimentos foram simplesmente cortados.
A situação difícil por que passavam algumas lojas das cadeias Valentim de Carvalho e Discoteca Roma obrigou mesmo ao seu encerramento. No caso da Valentim de Carvalho, que também dispõe de uma marca de discos, a Norte Sul, tem-se assistido nos últimos tempos à debandada dos seus artistas e mesmo de alguns funcionários, pelo que a probabilidade de desactivação daquele selo parece ser eminente.
Ou seja, a crise está a levar a um redimensionamento do mercado retalhista que não espera uma reanimação nos próximos tempos. A própria Fnac, nas palavras de Rui Borges, gestor de produto, não irá continuar a sua política expansionista que, nos últimos três anos, a levou a uma bem sucedida implantação em Portugal: "A crise afecta toda a gente e o desaparecimento da concorrência também não nos ajuda a superar essa falta de mercado. As pessoas começam mesmo a desabituar-se de comprar discos. Nada disso ajuda ao crescimento e desenvolvimento do mercado. O conceito Fnac teve um grande êxito em Portugal, devido à maneira como a música e a cultura foram mostradas ao público. Porém, o nosso grande objectivo neste momento é consolidar as lojas que já existem. Queremos fazer mais e melhor, nomeadamente no que diz respeito ao atendimento. Queremos torná-lo o mais personalizado possível. Esta não é uma altura de expansão mas sim de consolidação, e só então poderemos encarar novos desafios".
UMA QUESTÃO ESTRATÉGICA
Portugal é um dos dez mercados do mundo que menos reportório nacional vende, o que aponta para uma cada vez maior dependência do estrangeiro. Algumas multinacionais podem vir a abandonar os seus escritórios em Lisboa
A crise que afecta o retalho especializado português preocupa, igualmente, as editoras instaladas em Portugal, mais que não seja por razões estratégicas. As empresas multinacionais ocupam cerca de 70 por cento do mercado, sendo a facturação relativa ao reportório nacional, no primeiro semestre deste ano, não mais do que 13 por cento. Este valor é o mais baixo de sempre, pelo que é muito claro o desinvestimento, principalmente das editoras multinacionais, nos artistas portugueses.
O risco e o custo de uma produção nacional não é compatível com a situação crítica do mercado, que assim prefere apostar em produções importadas. Se o mercado não absorve música portuguesa, a sua dependência face ao exterior é bastante maior. A época dos supercampeões de vendas como Paulo Gonzo, Pedro Abrunhosa, Delfins e Rui Veloso parece pertencer a um passado distante, sendo Portugal um dos dez mercados do mundo que menos reportório nacional vende, segundo estatísticas da revista especializada "MBI".
A responsabilidade por esta queda da popularidade da música portuguesa é, geralmente, atribuída aos media, muito especialmente à rádio, frequentemente acusada de desprezar a música nacional. O fenómeno recente das rádios formatadas e o não tão recente das "playlists" veio sublinhar essa situação que, de alguma forma, deixa de lado a música portuguesa. As editoras sentiram um risco enorme na aposta em música portuguesa e, simplesmente, desinvestiram.
A controvérsia entre editoras e estações de rádio não é portuguesa nem é de hoje. Mas não deixa de ser nítido o desinteresse das rádios portuguesas relativamente ao reportório nacional. Segundo a tabela de "airplay" produzida semanalmente pela Music Control, onde se encontram os 100 temas que mais vezes foram tocados pelas rádios portuguesas, na primeira semana de Setembro não há nenhuma canção portuguesa entre os dez temas mais cotados. O primeiro artista português a surgir na tabela são os Xutos & Pontapés, com a canção "Fim do Mês", em 15º lugar. Os portugueses que se seguem são os Anjos (34º lugar), Jorge Palma (54º), GNR (87º) e Quinta do Bill (89º), todos eles artistas com carreiras cimentadas ao longo de muitos anos. Ao desinteresse por artistas nacionais junta-se a não aposta em novos nomes, como é visível numa tabela cheia de artistas "consagrados" e liderada pelos U2.
A situação levou mesmo a alguma pressão por parte da AFP junto da Antena 3, estação de rádio pertencente à empresa pública Rádio Difusão Portuguesa (RDP), no sentido de ser alterado este estado de coisas. A Antena 3 irá apresentar uma nova grelha de programação durante o próximo mês de Outubro, onde estão consagradas várias alterações que vão de encontro aos desejos dos editores portugueses. Um situação que, no entanto, terá de ser confirmada pela nova direcção, uma vez que a nova grelha foi planeada por Jorge Alexandre Lopes, recentemente substituído por Luís Montez.
MIGUEL FRANCISCO CADETE, Público, 01/10/2001
Crise! Quanta Crise!
Os sinais de crise começaram a ser óbvios nos últimos tempos quando, nos Estados Unidos - que representam 38 por cento da venda de discos a nível mundial -, os resultados da venda de discos compactos se mostraram confrangedores
A crise da indústria fonográfica começou a fazer-se sentir nos mercados mais desenvolvidos quando, há cerca de dois anos, o crescimento do número de fonogramas vendidos se aproximou perigosamente do zero. Nos Estados Unidos da América, no ano 2000, venderam-se menos 5 por cento de cópias do que no ano anterior, enquanto na Alemanha e França as perdas ainda não ultrapassam 1,2 por cento, segundo os mais recentes dados fornecidos pelo Federação Internacional da Indústria Fonográfica.
Em Portugal, a situação foi diversa até há bem pouco tempo. Não só porque o CD chegou cá com o atraso habitual, mas também porque uma certa euforia do mercado, patente, por exemplo, na abertura de megalojas, fez com que nos anos 90 as taxas de crescimento fossem habitualmente superiores a 10 por cento. Nos últimos cinco anos da década passada, o mercado fonográfico português dobrou a sua facturação.
Porém, os sinais de crise começaram a ser óbvios nos últimos tempos quando, nos Estados Unidos - que representam 38 por cento da venda de discos a nível mundial -, os resultados da venda de discos compactos se mostraram confrangedores. O ciclo de vida do disco compacto, tudo o indica, aproxima-se do fim, como aliás o surto de nova pirataria em CD-R assinala gritantemente. Contudo, o mais preocupante é ainda não terem sido encontradas soluções que venham fazer face ao desaparecimento do CD - ainda o formato preferencial da venda de discos -, de modo a que a indústria fonográfica possa voltar a investir em novos artistas. Se a distribuição digital e, de uma forma geral, a nova economia pareciam ser a panaceia para esses problemas, as quedas sucessivas do indíce Nasdaq desde o final do ano passado vieram esmorecer a indústria, agora órfã de um suporte que lhe permita relançar a sua actividade.
O caso português, ou da indústria fonográfica portuguesa, não é obviamente para aqui chamado. A pequenez e a dependência do mercado face ao exterior impede qualquer veleidade na definição daquilo que irão ser os novos suportes para a música. No entanto, não deixa de ser preocupante que, a par da queda da facturação total, comecem também a derrapar os índices de venda de reportório nacional, que certamente implicam uma ainda maior dependência do exterior.
O desinvestimento em música portuguesa é notório em algumas editoras multinacionais como a BMG que, no primeiro semestre deste ano, viu a sua quota de reportório nacional descer até 0,91 por cento. A ameaça de abandono dos artistas locais por parte das multinacionais parece voltar a pairar, sabendo-se também que a Warner Music fechou o seu catálogo nacional logo depois de uma experiência frustrada com o grupo Ritual Tejo. E, no caso das multinacionais só dependerem de catálogos estrangeiros, serão poucas as razões que justifiquem a permanência dos seus escritórios em Lisboa. A não serem políticas. União Europeia oblige.
MIGUEL FRANCISCO CADETE, Público, 01/10/2001
segunda-feira, 3 de maio de 2010
Vendas de discos 1998
Discos mais vendidos - 1998
1 - Silence Becomes It - Silence 4
2 - Ao Vivo! - Netinho
3 - Titanic - Banda Sonora
4 - Era - Era
5 - Eu Sou Aquele - Excesso
6 - Ao Vivo - Banda Eva
7 - Feijão Com Arroz - Daniela Mercury
8 - Vuelve - Ricky Martin
9 - The Best Of 1980/1990 - U2
10 - Pássaro Sonhador - Fafá de Belém
Fonte: AFP
Álbuns em destaque:
Feijão Com Arroz - Daniela Mercury (3#1)
Eu Sou Aquele - Excesso (4#1)
34 Canções - Demis Roussos - #3
Urban Hymns - The Verve - #4/
Titanic - Banda Sonora (9#1)
Left Of The Middle - Natalie Imbruglia - #3
Yield - Pearl Jam - #2
Pássaro Sonhador - Fafá de Belém - #2
Greatest Hits - Richard Marx - #5/
The Best Of The Shadows Sweet Sixities - The Shadows - #3
Vuelve - Ricky Martin (2#1)
Mosquito - GNR - #4/
Aria The Opera Album - Andrea Bocelli - #2
Ameno (Era) - Era (6#1)
Eu Sei Tu És - Santamaria -
Más - Alejandro Sanz - #2
Mezzanine - Massive Attack - #3
Savage Garden - Savage Garden - #3
Só Para Contrariar 97 - Só Para Contrariar - #4/
The Best Of James - James - #3
Ao Vivo! - Netinho (10#1)
Adore - Smashing Pumpkins (2#1)
Back For Good - Modern Talking - #3
Silence Becomes It - Silence 4 (10#1)
Ao Vivo - Banda Eva - #2
Vermelho 20 Grandes Êxitos - Fafá de Belém - #4
One Night Only - Bee Gees - #2
Mi Vida - Julio Iglésias - #2
Up - REM - #3/
Hits - Phil Collins - #4/
The Best Of 1980/1990 - U2 (6#1)
Sultans Of Swing - Dire Straits - #4/
Elétrica ao Vivo - Daniela Mercury - #2
++
(Discos que atingiram os primeiros lugares entre Janeiro e Dezembro de 1998)
98-479606-Só no biénio de 1996/97 conquistaram onze discos de platina, feito único e raro num mercado com as dimensões do português.
98-1154070-O duplo disco platina -- 80 mil unidades -- que [os Silence 4] receberam das mãos de Nuno Faria, o A & R nacional da Polygram, nem sequer corresponde à verdadeira dimensão dos números.
98-1171030-Além disso, 15 álbuns ultrapassaram a fasquia dos 100 mil exemplares vendidos.
Jornal Público
---Mercado
L'année 1998 a été une année trés favorable, avec des valeurs et un volume de vente en expansion. Le marché portugais a augmenté de 16% cette année. Cette croissance est due à un niveau record des ventes de CDs, accompagné d'une légère augmentation des ventes de K7 et par une multiplication par 2 des ventes de single. Selon l'IFPI, en 1998 se sont vendus 600.000 singles (une augmentation de 100% par rapport à 1997), 3.800.000 K7s (une augmentation de 12%) e 15.300.000 CDs (une augmentation de 42%), avec une augmentation de la valeur des ventes au détail de 13%. Depuis 1992 le marché a augmenté de 21%.
Les singles représentent 11% des ventes du marché tandis que les CDs représentent 80% des ventes d'albums. D'un autre coté, les supports full price représentent 50% des ventes en 1998 (contre 56% en 1997), les mid price représentent 13% (9% en 1997) et les budget price représentent 37% du marché (35% en 1997).
Avec l'augmentation des lecteurs de CD (44% en 1998) on peut espérer une augmentation des ventes de CD dans les prochaines années, surtout si l'on tient compte du fait que le Portugal (...)
Au Portugal le répertoire national représentait 24% du marché d'albums en 1998 (ce qui représente une augmentation: 21% en 1997 et 16% en 1991), un des pourcentages les plus faibles d'Europe (seuls l'Autriche avec 15%, la Norvége avec 19% et la Belgique avec 20% se trouvent derrière). Mais si on ajoute au répertoire local, le répertoire régional chanté en portugais, alors, la musique lusophone représente à peu prés 30% du marché d'albums - ce qui rejoint l'analyse de l'European Music Observatory sur les ventes européennes, qui considère que 33% des albums inclus dans les listes d'albums les plus vendus au Portugal sont des albums portugais.
La musique internationale/régionale représente 68% du marché d'albums tandis que la musique classique représente 8% du même marché.
Selon les valeurs du marché, le répertoire local représente au Portugal 31% en 1998 (21% en 1997), tandis que le répertoire régional représente 24%, le classique 4% et l'international 41%.
En tête du Top 5 des albums les plus vendus en 1998 au Portugal se trouvait “The Best of” (...)
---Les Majors
Les majors conjointement ont obtenu en 1998 83% du marché (79,5% en 1997). C'est EMI qui dominait le marché en 1997 mais la fusion de Polygram avec Universal, combinée avec un manque de hits européens, a fait régresser EMI en 3ème position en 1998. Universal a dominé le marché en 1998 avec 31% (23,5% en 1997), suivi par Sony avec 17,5% (16,5% en 1997) et par EMI avec 17% (21,5% en 1997). BMG et Warner ont eu 9% (12% en 1997) et 8,5% (6% en 1997), respectivement.
Dans le répertoire local, Universal détient 30,7% du marché, EMI 27,8%, BMG 11,2% et Sony 5,2%. Le répertoire international a été dominé par Universal (32,5%), suivi par Sony (20,2%) et par EMI (15,5%). Quant au répertoire régional, c'est Sony qui domine (38,1%) suivie par Universal (27,8%), ce qui correspond par ailleurs à la position de ces compagnies sur le marché brésilien.
Les grands succés d'Universal en 1998 ont été U2, les Portugais Silence 4 et Excesso et les Brésiliens Netinho et Banda Eva (année où 7 des 10 disques les plus vendus étaient de l'Universal). Sony a fait des succès avec George Michael, Ricky Martin, Celine Dion et les Brésiliens Fáfá de Belém et Daniela Mercury. EMI s'est surtout manisfesté avec le répertoire (...)
---Les Independents
Les compagnies indépendantes ont représenté 17% du marché en 1998 (en 1995 elles ont représenté 24%). Mais elles détiennent 57,4% du marché des compilations, une particularité du marché portugais.
D'un autre côté, la compagnie indépendante Vidisco détient 15% du marché du répertoire local, plus que les majors BMG, Sony et Warner.
Les compagnies indépendantes avec le plus gros volume de ventes sont Vidisco (Santamaria est son artiste le plus vendu), la Valentim de Carvalho (João Pedro Pais est sa meilleure vente)
fonte: Les Cahiers de l’Export - Portugal
Combinados, e apenas em duas semanas, o «U2 - The Best of 1980-1990» já vendeu mais de 400 mil copias, nos Estados Unidos. Em Portugal, ao fim de três semanas, o «best of» dos U2 já atingiu a marca de quíntupla - platina, correspondente a 200 mil discos vendidos.
Blitz, 30 de Novembro de 1998
1 - Silence Becomes It - Silence 4
2 - Ao Vivo! - Netinho
3 - Titanic - Banda Sonora
4 - Era - Era
5 - Eu Sou Aquele - Excesso
6 - Ao Vivo - Banda Eva
7 - Feijão Com Arroz - Daniela Mercury
8 - Vuelve - Ricky Martin
9 - The Best Of 1980/1990 - U2
10 - Pássaro Sonhador - Fafá de Belém
Fonte: AFP
Álbuns em destaque:
Feijão Com Arroz - Daniela Mercury (3#1)
Eu Sou Aquele - Excesso (4#1)
34 Canções - Demis Roussos - #3
Urban Hymns - The Verve - #4/
Titanic - Banda Sonora (9#1)
Left Of The Middle - Natalie Imbruglia - #3
Yield - Pearl Jam - #2
Pássaro Sonhador - Fafá de Belém - #2
Greatest Hits - Richard Marx - #5/
The Best Of The Shadows Sweet Sixities - The Shadows - #3
Vuelve - Ricky Martin (2#1)
Mosquito - GNR - #4/
Aria The Opera Album - Andrea Bocelli - #2
Ameno (Era) - Era (6#1)
Eu Sei Tu És - Santamaria -
Más - Alejandro Sanz - #2
Mezzanine - Massive Attack - #3
Savage Garden - Savage Garden - #3
Só Para Contrariar 97 - Só Para Contrariar - #4/
The Best Of James - James - #3
Ao Vivo! - Netinho (10#1)
Adore - Smashing Pumpkins (2#1)
Back For Good - Modern Talking - #3
Silence Becomes It - Silence 4 (10#1)
Ao Vivo - Banda Eva - #2
Vermelho 20 Grandes Êxitos - Fafá de Belém - #4
One Night Only - Bee Gees - #2
Mi Vida - Julio Iglésias - #2
Up - REM - #3/
Hits - Phil Collins - #4/
The Best Of 1980/1990 - U2 (6#1)
Sultans Of Swing - Dire Straits - #4/
Elétrica ao Vivo - Daniela Mercury - #2
++
(Discos que atingiram os primeiros lugares entre Janeiro e Dezembro de 1998)
98-479606-Só no biénio de 1996/97 conquistaram onze discos de platina, feito único e raro num mercado com as dimensões do português.
98-1154070-O duplo disco platina -- 80 mil unidades -- que [os Silence 4] receberam das mãos de Nuno Faria, o A & R nacional da Polygram, nem sequer corresponde à verdadeira dimensão dos números.
98-1171030-Além disso, 15 álbuns ultrapassaram a fasquia dos 100 mil exemplares vendidos.
Jornal Público
---Mercado
L'année 1998 a été une année trés favorable, avec des valeurs et un volume de vente en expansion. Le marché portugais a augmenté de 16% cette année. Cette croissance est due à un niveau record des ventes de CDs, accompagné d'une légère augmentation des ventes de K7 et par une multiplication par 2 des ventes de single. Selon l'IFPI, en 1998 se sont vendus 600.000 singles (une augmentation de 100% par rapport à 1997), 3.800.000 K7s (une augmentation de 12%) e 15.300.000 CDs (une augmentation de 42%), avec une augmentation de la valeur des ventes au détail de 13%. Depuis 1992 le marché a augmenté de 21%.
Les singles représentent 11% des ventes du marché tandis que les CDs représentent 80% des ventes d'albums. D'un autre coté, les supports full price représentent 50% des ventes en 1998 (contre 56% en 1997), les mid price représentent 13% (9% en 1997) et les budget price représentent 37% du marché (35% en 1997).
Avec l'augmentation des lecteurs de CD (44% en 1998) on peut espérer une augmentation des ventes de CD dans les prochaines années, surtout si l'on tient compte du fait que le Portugal (...)
Au Portugal le répertoire national représentait 24% du marché d'albums en 1998 (ce qui représente une augmentation: 21% en 1997 et 16% en 1991), un des pourcentages les plus faibles d'Europe (seuls l'Autriche avec 15%, la Norvége avec 19% et la Belgique avec 20% se trouvent derrière). Mais si on ajoute au répertoire local, le répertoire régional chanté en portugais, alors, la musique lusophone représente à peu prés 30% du marché d'albums - ce qui rejoint l'analyse de l'European Music Observatory sur les ventes européennes, qui considère que 33% des albums inclus dans les listes d'albums les plus vendus au Portugal sont des albums portugais.
La musique internationale/régionale représente 68% du marché d'albums tandis que la musique classique représente 8% du même marché.
Selon les valeurs du marché, le répertoire local représente au Portugal 31% en 1998 (21% en 1997), tandis que le répertoire régional représente 24%, le classique 4% et l'international 41%.
En tête du Top 5 des albums les plus vendus en 1998 au Portugal se trouvait “The Best of” (...)
---Les Majors
Les majors conjointement ont obtenu en 1998 83% du marché (79,5% en 1997). C'est EMI qui dominait le marché en 1997 mais la fusion de Polygram avec Universal, combinée avec un manque de hits européens, a fait régresser EMI en 3ème position en 1998. Universal a dominé le marché en 1998 avec 31% (23,5% en 1997), suivi par Sony avec 17,5% (16,5% en 1997) et par EMI avec 17% (21,5% en 1997). BMG et Warner ont eu 9% (12% en 1997) et 8,5% (6% en 1997), respectivement.
Dans le répertoire local, Universal détient 30,7% du marché, EMI 27,8%, BMG 11,2% et Sony 5,2%. Le répertoire international a été dominé par Universal (32,5%), suivi par Sony (20,2%) et par EMI (15,5%). Quant au répertoire régional, c'est Sony qui domine (38,1%) suivie par Universal (27,8%), ce qui correspond par ailleurs à la position de ces compagnies sur le marché brésilien.
Les grands succés d'Universal en 1998 ont été U2, les Portugais Silence 4 et Excesso et les Brésiliens Netinho et Banda Eva (année où 7 des 10 disques les plus vendus étaient de l'Universal). Sony a fait des succès avec George Michael, Ricky Martin, Celine Dion et les Brésiliens Fáfá de Belém et Daniela Mercury. EMI s'est surtout manisfesté avec le répertoire (...)
---Les Independents
Les compagnies indépendantes ont représenté 17% du marché en 1998 (en 1995 elles ont représenté 24%). Mais elles détiennent 57,4% du marché des compilations, une particularité du marché portugais.
D'un autre côté, la compagnie indépendante Vidisco détient 15% du marché du répertoire local, plus que les majors BMG, Sony et Warner.
Les compagnies indépendantes avec le plus gros volume de ventes sont Vidisco (Santamaria est son artiste le plus vendu), la Valentim de Carvalho (João Pedro Pais est sa meilleure vente)
fonte: Les Cahiers de l’Export - Portugal
Combinados, e apenas em duas semanas, o «U2 - The Best of 1980-1990» já vendeu mais de 400 mil copias, nos Estados Unidos. Em Portugal, ao fim de três semanas, o «best of» dos U2 já atingiu a marca de quíntupla - platina, correspondente a 200 mil discos vendidos.
Blitz, 30 de Novembro de 1998
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