segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Top português recheado de discos de ouro (1995)

Laura Pausini com o disco de Platina (alguns meses depois)
Em Janeiro de 1995!

Mais de 80 por cento do top português de discos desta semana é preenchido com álbuns premiados com discos de prata, ouro e platina, reflectindo deste modo as vendas de Natal.

Na lista dos 30 álbuns classificados, 25 foram galardoados com os prémios pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), entidade que superintende às atribuições.

Com mais de 10 mil discos vendidos (disco de prata) estão classificados "Laura Pausini", de Laura Pausini (primeiro lugar), "No Need To Argue", Cranberries, (14º lugar), "Monster", REM (23º lugar), "Quando A Gente Ama", Roberto Carlos, (29º lugar) e "Preciso Do Teu Amor", Vannutti, (30º lugar).

Discos de ouro (mais de 20 mil cópias vendidas) foram atribuídos a "Unplugged In New York", Nirvana, (quarto lugar), "Vitalogy", Pearl Jam, (oitavo lugar), "Fields Of Gold", Sting, (10º lugar), "Forrest Gump", banda sonora, (11º lugar), "Big Ones", Aerosmith, (13º lugar), "Sombras de Amor", Nelo Silva, (15º lugar), "The Best Of", Sade, (17º lugar), "A Bela Portuguesa", Agrupamento Diapasão, (18º lugar), "Miracles", Kenny G., (19º lugar), "Rapaziada Vamos Dançar", Emanuel, (25º lugar) e "Sábado Á Noite", Starkids, (26º lugar).

Com discos de platina ou duplos discos de platina (mais de 40 mil exemplares vendidos), encontram-se classificados no top "The Best Of", Bon Jovi, (segundo lugar), "Supermix 9", colectânea, (terceiro lugar), "Top Star 94/95", colectânea, (quinto lugar), "O Espírito da Paz", Madredeus, (sexto lugar), "Viagens", Pedro Abrunhosa, (sétimo lugar), "Biografia do Fado", colectânea, (nono lugar), "Music Box", Mariah Carey, (12º lugar), "Nº 1", colectânea, (16º lugar) e "Dance Power", colectânea" (22º lugar).

Os únicos cinco discos classificados no top que não possuem qualquer galardão são "Fogo Na Kanjica", Bonga (20º lugar), "O Rei Leão", banda sonora (21º lugar), "Sucessos", Fafá de Belém (24º lugar), "Dummy", Portishead (27º lugar) e "Hit Parade", colectânea (28º lugar).

Lusa, 19 de Janeiro de 1995

imagem lpp

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

António Manuel Ribeiro

Ao longo dos anos assisti a justificações atrás de justificações sobre o mercado português do disco. Uma das primeiras a que torci o nariz teve a ver com a redução das cifras para atribuição de discos metalizados: em 1980 “Cavalos de Corrida” foi o primeiro Single de prata do rock português com mais de 30.000 exemplares vendidos; hoje a prata atinge-se à passagem das 10.000 unidades.

Por ventura o tempo deu-me razão. A quantidade de discos de platina que um disco cada vez menos ganha não foi como não é sintoma da saúde do nosso mercado. Tratou-se de uma opção, da qual sempre discordei.

Não escrevi aqui um texto contra a AFP: o que eu quero é ver essa nossa Associação forte e fortalecida. Aliás, sem ser fã da teoria da conspiração, julgo que a AFP limita-se a publicar e chancelar as tabelas que lhe são fornecidas.

Mas gostaria de ver a AFP a lutar politicamente na Assembleia da República – que grande lição a FNAC nos tem dado – por causa de uma estúpida tabela de IVA sobre o disco e o DVD de 19%: caricatamente, o poema “Rua do Carmo” e outros que gravei, são taxados a 5% de IVA no meu primeiro livro e a 19% nos discos editados.

Ganha o Estado com isto? Claro que não. Ganham os piratas e as feiras de pirataria. Catorze por cento a menos num disco de 15/16 Euros ajudava os mais jovens e menos endinheirados a procurar as obras originais – a cultura fomenta-se assim.

Foi esta a minha luta durante os oito anos em que estive na SPA como director para a música ligeira. Procuraram-se conjugar esforços (GDA, AFP e AFI) mas não se passou daí.

Já gosto de muito pouca coisa que os E.U.A. exportam, tal a confusão em que mergulham o planeta regularmente. Fico-me pela cultura: os livros, a música (sempre) e alguns filmes.

É uma delícia abrir a revista Billboard e verificar o cuidado que a indústria local (também a passar por uma recessão sem fim à vista) coloca na exposição do seu mercado e do TOP de vendas que corresponde a cada estilo musical. Vale a pena darem uma olhada na NET e perceberão porquê.

Era assim que gostava de viver a minha profissão, num país onde a música tivesse indicadores fiáveis: ganhava a indústria e os seus vários intervenientes.

Dou um exemplo: o nosso CD de 2003 "La Pop End Rock", vendeu na primeira quinzena cerca de 3.500 exemplares. Como é um disco duplo, a contagem para efeitos de Top multiplicava por dois. Apesar do número ser muito bom nos tempos que correm – estamos a falar de quase 7.000 unidades – nunca entrou para o Top. Porquê?

Os 'statements' recebidos pelo grupo confirmam essas vendas.

Não quero com isto dizer que fomos traumaticamente excluídos, mas apenas anotar que o Top nacional de vendas devia reflectir o que todos os postos de venda efectivamente vendem e não apenas alguns.

A terminar: o 'by out' é uma técnica de vendas como outra qualquer. Arrisca quem pode e quem quer. Não me parece que seja uma forma sólida de encarar o mercado e as suas crises neste país em crise, e só.

António Manuel Ribeiro (UHF), Blog Canal Maldito, 18/01/2005

No meu próximo livro abordo a questão da seriedade do Top e de como as associadas na AFP o foram reformulando ao longo dos anos: um Top, se reflecte a verdade das vendas e não o calendário dos interesses à vez, não precisa de ser mexido. Contudo, lamento que a AFP não esteja exposta num programa de TV como acontecia desde há dezenas de anos - diminuir é retirar visibilidade.

AMR, Facebook, 10/11/2014

(...) só entra no Top de vendas da AFP quem está a ser distribuído por uma editora/distribuidora associada. Por exemplo, as vendas do merchandising não contam, nem das lojas virtuais ou de venda postal. E ainda bem, senão apareceriam por aí fenómenos a vender 500 mil na estrada. Ou seja, de momento vendem os sucessos imediatos e quem congregou fãs. A música mudou.

AMR, Facebook, 10/11/2014

Com a afirmação 'quem gosta de música faz pirataria e depois vai comprar o original' não vamos lá. Não é um processo justo ou legal, e a legalidade para ser efectiva não pode ter quintais de excepção, porque depois somamos as excepções de cada um e temos uma regra. É a arbitrariedade contra o direito; sou pelo direito, em tudo, e tudo edifica uma sociedade séria ou uma sociedade defeituosa. Neste tempo digital, se uma pessoa quer conhecer um disco e avaliá-lo pode sempre ouvir o MP3 via Amazon (por exemplo) e depois decidir se compra. A grande pergunta é esta: que interesses movem os sites de pirataria? Quem lucra? Que trabalho realizam para assumir direitos alheios? Assim, matamos a fonte.

AMR, Facebook, 10/11/2014


António Manuel Ribeiro nasceu em Almada no dia 2 de Agosto de 1954. Fez o liceu por lá  quase  sempre  com  distinção. 

Estagia  então  no  trissemanário  Record  e por  lá  fica  até  1980.

Os UHF, formados em 1978, partem para a corrida da música pop/rock deste país com os  seus “Cavalos”,  e  não  mais  vão  parar. Envolvidos no esforço diário de ser e teimar tocar, ignoram que estão a fundar o mais importante movimento de renovação da música portuguesa pós Abril de ‘74: nada ficará como dantes, erguendo-se uma indústria, porque o rock vingou e se tornou português.

Ao  longo  dos  anos  manteve  a  escrita  de crónicas para jornais e rádios. Ajudou a fundar duas piratas onde assumiu programas de autor – a rádio é uma paixão.

É autor de textos, que vão da música ao futebol, dispersos por vários livros.


http://www.chiadoeditora.com/autores/antonio-manuel-ribeiro 

Tendo agora 35 anos de carreira muito mudou no mercado da música.

Os UHF passaram por editoras como a Valentim de Carvalho, Rádio Triunfo, Edisom, Metro-Som e BMG. Depois criaram a independente Am.ra Discos que pontualmente se associou à Vidisco/Road Records, Emi ou Sony.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Pink Floyd batem recordes em Portugal

Vendas extraordinárias do último álbum levam a acreditar num "crescimento consolidado do mercado" da música, defende o diretor da BLITZ num texto publicado no Expresso Diário.

The Endless River , o álbum que os Pink Floyd publicaram no dia 10 de novembro, atingiu vendas incríveis na primeira semana em que esteve nos escaparates portugueses. O disco chegou de surpresa, vinte anos depois do seu derradeiro álbum, The Division Bell , mas fez valer o peso do grupo de David Gilmour e Nick Mason no mercado nacional. De acordo com o boletim de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa, na semana 46 do ano de 2014, venderam-se 5114 unidades de The Endless River.

O número é extraordinário quando comparado com os valores obtidos pelos discos que nos últimos meses têm frequentado o primeiro lugar da tabela de vendas e que se quedam por algumas centenas de exemplares. Mesmo nesta semana, quando se aproxima a quadra natalícia e o mercado aquece por tradição, o segundo lugar do top é ocupado por Canto , de Carminho, a larga distância, somando entre vendas físicas e digitais, apenas 806 cópias vendidas.

A façanha dos Pink Floyd, para Rui Chen, coordenador de Marketing Estratégico da Warner Music Portugal, explica-se por duas razões: "o artista - e a sua qualidade - que não gravava há vinte anos" e, por outro lado, "o target: o consumidor deste grupo, o fã, pertence a um público mais adulto, que aprecia o objeto CD e que gosta de comprar". No caso de The Endless River, não só as vendas em CD foram espectaculares - 4508 cópias - como as vendas digitais também se revelaram "notáveis". No caso do catálogo da Warner, só os Coldplay superaram, com Ghost Stories , as vendas digitais de The Endless River numa semana. O primeiro ultrapassou os 800 downloads, enquanto o álbum dos Pink Floyd chegou às 606 unidades na semana passada.

Por estes dias, já se sabe, o CD tem morte anunciada. Os jornais estão cheios de notícias sobre o definhamento desse suporte lançado em meados dos anos 80 e sublinham o surgimento de novas formas de consumir música, como as plataformas de streaming (Spotify, Beats da Apple ou Music Key da Google). Porém, essas notícias parecem, de acordo com o que sucedeu na semana passada nas lojas de discos portuguesas, manifestamente exageradas.

Do lado da editora, Rui Chen entende estes resultados "por se dirigirem a um público mais maduro, com poder de compra e com gosto pelo CD", o que é tudo menos a imagem estereotipada do consumidor de música jovem, apostado no download ilegal e em busca de novas tendências. Esse público "maduro e que gosta de comprar", justifica certamente este êxito dos Pink Floyd. Da mesma maneira que, sabe o Expresso, é muito provável que o primeiro lugar do top desta semana, a ser revelado na próxima quarta-feira,  seja ocupado por Four , o mais recente disco dos One Direction. Ou seja, a confirmar-se, trata-se da situação diametralmente oposta, em que os discos são comprados, também por uma clientela madura mas, neste caso, a pedido de um público juvenil.

No meio, ou seja, entre os pais que compram Pink Floyd e os filhos que querem os One Direction, ainda há um imenso vazio. E é exatamente esse vazio que tem justificado a crise que a indústria fonográfica tem sentido nos últimos 15 anos, mercê do advento digital e da chegada do download ilegal como umas das formas preferidas de consumo de música. Esse é o mantra que ouvimos há mais de uma década. Contudo, os últimos dados conhecidos para Portugal contrariam decididamente essa imagem.

Segundo Miguel Carretas, da Associação Fonográfica Portuguesa, "há um crescimento consolidado do mercado nos últimos seis meses".  Talvez ainda mais surpreendentemente, o mercado português, em setembro deste ano, cresceu 30% face ao período homólogo de 2013. Mas há mais valores capaz de deixar perplexo o mais cético dos observadores: as vendas deste ano ("year to date") estão no verde e há fortes indícios de que o mercado português de música gravada irá crescer em 2014. A confirmarem-se estas suspeitas,  seria a primeira vez que nos últimos 12 anos tal aconteceria.

A explicação para este inusitado surto da venda de música podem encontrar-se, muito simplesmente, na reorganização de duas das principais editoras portuguesas, a Sony Music Portugal e, sobretudo, a Warner Music Portugal, que em 2013 passaram por períodos de séria instabilidade. Por outro lado, não deixa de ser crível que a conquista de terreno por parte das plataformas de streaming, que além do modelo de publicidade para o consumo gratuito estão a fazer vingar modelos de assinatura, comece a funcionar como o mais bem sucedido ataque ao download ilegal. Vale a pena recordar que o mercado português valia, em 2002, 105 milhões de euros e que no ano passado encolheu para 16,5 milhões de euros.

A outra explicação para este ressurgimento encontra-se, obviamente, nos artistas e no poder da sua música. É natural que o mercado aqueça quando os grandes nomes, com enorme historial, editam discos. É o caso dos Pink Floyd. Em Portugal, é necessário recuar até 2012 para encontrar um disco que vendeu mais na estreia do que The Endless River . Nas duas últimas semanas desse ano, o álbum Essencial de Tony Carreira, chegou a valores, de acordo com informação prestada pela AFP, ainda superiores aos do último álbum dos Pink Floyd. Mas esse disco de Tony Carreira, o recordista de concertos no Pavilhão Atlântico , hoje MEO Arena, com, nada mais nada menos do que quinze datas, pode, à semelhança do álbum dos Pink Floyd considerar-se uma exceção.

É preciso recuar a 2009 para encontrar um artista estrangeiro que tenha vendido mais unidades numa semana: No Line on the Horizon , dos U2, esclareceu a AFP, faz do disco dos Pink Floyd o campeão de vendas dos últimos cinco anos. Mas The Endless River não conquistou apenas o primeiro lugar em Portugal. Também chegou ao lugar cimeiro no Reino Unido, Alemanha, França, Canadá, Holanda, Bélgica, Hungria, Aústria, Suíça, Dinamarca, Noruega, Nova Zelândia, Croácia e Eslovénia. Os valores de que a AFP dispõe "apontam para o álbum dos Pink Floyd, na mesma semana, ter vendido mais exemplares em Portugal que no muito maior mercado espanhol. Isto em termos de número absoluto de unidades."

A razão prática do bom sucesso do lançamento de The Endless River deve-se, para Rui Chen, ao facto de "tudo ter sido feito muito atempadamente, desde julho. Este foi um projeto assente numa estratégia bem definida e clara para nós", referindo-se então às instruções recebidas da Parlophone, a etiqueta dos Pink Floyd representada em Portugal pela Warner.

Nas semanas que antecederam a chegada às lojas de The Endless River , os Pink Floyd beneficiaram de capas na revista Blitz e no caderno Atual do Expresso. Quanto à rádio, a M80 foi o parceiro privilegiado para esta ação, tendo também decorrido campanhas na TSF. A Warner Music Portugal, divulgou na sua newsletter, capaz de chegar a cerca de 150 mil utilizadores, a edição do disco, que teve como parceiro quase natural a Fnac com a sua rede de lojas e espaço online, possibilitando a sua pré-vendas com vários dias de antecedência. Um dos conteúdos fundamentais disponibilizados pela editora para a promoção deste disco foi a entrevista a David Gilmour e Nick Mason, os dois sobreviventes, que aqui deixamos na íntegra.

Texto: Miguel Cadete, Expresso Diário, 21/11/2014

Ler mais: http://blitz.sapo.pt/pink-floyd-batem-recordes-em-portugal-por-miguel-cadete=f94495#ixzz3KAPkMfi3

ED - http://expresso.sapo.pt


Tabela disponiblizada nas redes sociais em 08/11/2014. 

TOP DE VENDAS PORTUGUÊS
SEMANA 44/2014

Posição - Grupo: Álbum - Unidades vendidas (vendas físicas + vendas digitais)

1 - U2: SONGS OF INNOCENCE - 575
2 - PAULA FERNANDES: ENCONTROS PELO CAMINHO - 492
3 - TAYLOR SWIFT: 1989 - 377
4 - ENRIQUE IGLESIAS: SEX AND LOVE - 342
5 - ANSELMO RALPH: A DOR DO CUPIDO - 340
6 - VIOLETTA: A MÚSICA É O MEU MUNDO - 287
7 - MARIZA: BEST OF - 267
8 - RODRIGO LEÃO: O ESPÍRITO DE UM PAÍS - 237
9 - LED ZEPPELIN: LED ZEPPELIN IV - 212
10 - D.A.M.A: UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIO - 197
11 - PAULO GONZO: DUETOS - 166
12 - LED ZEPPELIN: HOUSES OF THE HOLY - 159
13 - LEONARD COHEN: POPULAR PROBLEMS - 158
14 - D8: PREFÁCIO - 150
15 - ANA MOURA: DESFADO - 149
16 - COLDPLAY: GHOST STORIES - 139
17 - LEANDRO: SOU UM HOMEM FELIZ - 137
18 - PANDA E OS CARICAS: PANDA E OS CARICAS 2 - 132
19 - SLIPKNOT: 5: THE GRAY CHAPTER - 130
20 - SAM SMITH: IN THE LONELY HOUR - 126

Tabela disponiblizada nas redes sociais em 08/11/2014.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

TOP' 76

A revista Música & Som começou a ser publicada em Fevereiro de 1977. No nº1 era publicada a lista dos discos mais vendidos em 1976 de acordo com os dados recolhidos por Ivan H. Hancock na TOP 20.


FONTE: Recortes & Retalhos

vendas de 1976

http://topdisco.blogspot.pt/search/label/m1976

TOP 20

http://topdisco.blogspot.pt/2012/10/top-20.html

Revista Música & Som

http://topdisco.blogspot.pt/2010/03/musica-som.html

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Tops - 1981

Chegar ao TOP pelas traseiras

Referir os TOP é o mesmo que tocar numa das questões mais sensíveis à maquineta comercial de venda de discos. Com maior ou menor influência sobre as pessoas, os TOP não deixam, isso não, de ter um papel importante na promoção de bandas que sem suportes desse tipo provavelmente nunca passariam da obscuridade.

Damos o exemplo de um TOP de uma revista, predominantemente musical, editada em Portugal, que colocou em primeiro lugar um grupo português por um processo curiosíssimo que descrevemos cronologicamente: o disco do grupo é lançado a uma quinta-feira; a sondagem para o TOP é feita sexta-feira nas discotecas estando sábado a esmagadora maioria das casas de venda de discos encerradas; segunda-feira a referida publicação entra na tipografia; terça-feira, porém, o grupo de que nos dispensamos de dizer o nome aparece em primeiríssimo lugar na classificação!

A pergunta é tão simples como isto: como é que um disco se pode ter vendido num espaço de meia dúzia de horas em quantidade suficiente para ascender meteoricamente, e logo, à escala de um distinto primeiro lugar?

Mas, tope-se o contraste: o «disco de ouro» dos UHF, «À Flor da Pele», esteve apenas uma única vez em primeiro lugar no TOP. Mais flagrante ainda: há discos que à saída da fábrica trazem já colado um selo correspondente ao primeiro lugar no «TOP Rock em Stock».

Aqui vamos mesmo aos nomes: independentemente do seu valor, o facto é que quer os discos dos Go Gral Blues Band e dos Roxigénio têm sido aquilo que se pode classificar frontalmente como um falhanço comercial. No entanto, nem por isso deixaram de se eternizar nas primeiríssimas posíções dos TOP.

Eduardo Miragaia,
Diário de Lisboa, 02/01/1982

O Top Rock em Stock era apenas de preferências. Nesta altura não havia top oficial de vendas mas havia várias publicações que publicavam tabelas com os discos mais vendidos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vendas nas décadas de 1960 e 1970

A seguir transcrevemos alguns dados encontrados na internet. Muitas vezes ocorrem alguns exageros quando se fala em quantidade de discos vendidos.

1962 - RAUL SOLNADO

(...) o disco que reunia A História da Minha Ida à Guerra de 1908 e A História da Minha Vida, que bateu todos os recordes de vendas de discos até então, vendendo até mais do que Amália!

(...) as gravações dos monólogos que criou em revistas nos anos sessenta bateram recordes de vendas na altura - mas Solnado chegou igualmente a gravar canções, tornando-se Malmequer um enorme êxito em 1972 (Biografia Macua)

Nesses tempos 5.000 era uma edição muito especial e 10.000 seriam raríssimos os que o atingiram.

Em Portugal uma venda, não confundir com prensagem, de mais de 10.000 exemplares nos finais de 60 e princípios de 70 foi raríssimo (Solnado com a Ida à Guerra, por exemplo), o cálculo dos direitos de autor feito com base nos exemplares facturados pela editora aos revendedores e não com base nas cópias prensadas.

No caso de exemplares facturados, podiam ainda ser descontados os que fossem devolvidos, quando as revendedoras tivessem direito ao chamado "retorno", o que nem sempre sucedia.

O cálculo dos direitos de autor e de artista, quando aplicável, era feito com base no valor de revenda do exemplar, não incluindo é claro os impostos devidos

Manuel Pinto Jorge, 06/03/2012

1966 - ANTÓNIO MOURÃO (Oh Tempo Volta P´ra Trás)

É impossível referir os anos 60 sem mencionar o enorme êxito do fadista António Mourão e o seu EP "Oh Tempo Volta P'ra Tràs", que se dizia ter vendido mais de 200.000 exemplares até ao final da década. (comentário de A. Guedes)

Outra curiosidade tem a ver com as vendas deste EP, que no ano da sua edição, 1966, proporcionou a António Mourão o Disco de Prata pelas suas 30.000 unidades vendidas. Em meados da década de 70, com este número, António Mourão teria recebido um Disco de Ouro, mas ao contrário da canção, o tempo não voltou atrás e distinguiu o fadista com o almejado galardão. Em boa verdade isso deveria ter acontecido, pois ao longo dos anos foi um dos EP's com mais reedições no mercado discográfico, ultrapassando mesmo a fasquia dos 100 mil exemplares. http://ocovildovinil.pt/oh-tempo-volta-para-tras.html
Em 1966 saia o Disco com o Famoso Tema da Revista,vendeu 30.000 exemplerares, caso raro num Artista em Portugal, foi nesse ano o Artista que mais discos vendeu.

Foto 1-António Mourão Recebe o disco de Ouro ladeado pelos autores Manuel Paião e Eduardo Damas

https://www.facebook.com/pages/Enciclop%C3%A9dia-Virtual-Artistas-do-Teatro-de-RevistaCinemaCan%C3%A7%C3%A3o-e-Fado/403659276367710

Composto por Eduardos Damas e Manuel Paião o single atinge em poucos anos um recorde de vendas perto dos 100 mil discos vendidos. (CDGo.com)

1967 - AMÁLIA RODRIGUES (A Júlia Florista)

"Júlia Florista", bateu todos os recordes de vendas de discos em Portugal, proporcionando-lhe a conquista do troféu "Disco de Ouro", foi esta, aliás, a primeira vez que Joaquim Pimentel conquistou prémios. - Revista de Portugal - Volume 2, Edições 13-23, 1967

"Joaquim Pimentel, compositor português radicado há muitos anos no Brasil, será homenageado sexta-feira, no Lisboa À Noite. Motivo: seu fado, "Júlia Florista" recebeu o disco de ouro de 1967, outorgado pela imprensa lisboeta. - Correio da Manhã (brasil), 11/01/1968


1968 - AMÁLIA RODRIGUES (Vou Dar De Beber À Dor)

Foi distinguida pelo Grémio Literário, em 1973, com um Disco de Ouro devido à venda de 250.000 exemplares do seu disco "Vou dar de beber à dor".

Amália Rodrigues recebeu três Prémios Midem (Disco de Ouro) para a artista portuguesa que mais vendeu.

1969/1970 - TONICHA (Vira dos Malmequeres / Resineiro)

A ideia de Tonicha gravar folclore português partiu do seu marido, o etnólogo João Viegas. Ao "Vira dos Malmequeres", canção recolhida na zona de Santarém, seguiu-se "Resineiro" um tema gravado por indicação de José Afonso que o tinha gravado anteriormente. Estes dois discos, editados pela RCA Victor/Telectra, venderam mais de 80.000 cópias.

*Modas do Ribatejo [RCA TP-473, 1969)] [Vira dos Malmequeres/Moda das Carreirinhas/Erva Cidreira/Vira da Rapioca]

*Foclore de Portugal [RCA TP-515] [Senhora do Almortão/Pesinho Do Pico/Resineiro/Lirio Branco]

1970 - FRANCISCO GOUVEIA (Canção de um Soldado)

Mais tarde, por volta dos anos de 1970, escrevi uma canção com o titulo "Canção de um Soldado", dedicada aos nossos gloriosos soldados que se batiam em Angola, nesse tempo. Esta canção obteve o maior sucesso do nosso conjunto, gravada pela etiqueta Alvorada cujo numero atingiu mais de 300 mil exemplares, por ser uma canção muito chocante no coração dos soldados e dos seus familiares. Mais tarde foi proibida a edição deste disco pelo regime anterior, pelo motivo de ser muito chocante, creio que os nossos leitores e ouvintes do nosso tempo se devem recordar desta canção. Mais tarde o governo autorizou novamente a reedição deste disco, pelos pedidos do público serem muitos, isto em 1970. FG

1973 - GREEN WINDOWS (Vinte Anos)

Todo o entusiasmo vivido com base na ideia de um possível êxito a nível internacional, acabou, no entanto, por não passar de um sonho, uma vez que os únicos sucessos conseguidos pelo colectivo foram vividos em território nacional, sempre cantados em português. No entanto, em Dezembro de 1972, o grupo foi para Inglaterra onde gravou quatro temas, em inglês e português, um das quais, intitulado "20 Anos", que foi editado em single, no ano seguinte, através da Decca. O registo rapidamente ultrapassou a fasquia dos 100 mil exemplares, tendo o grupo regressado a Inglaterra para gravar duas novas versões do temas, uma em espanhol e outra em francês.

1973 - FLORÊNCIA

Atribuição do Disco de Ouro pelas vendas relativas ao EP Moda da Amora Negra. Recebe outro disco de Ouro pelas vendas relativas ao LP Florência Sings The Best Of Amália.

1974 - ERMELINDA DUARTE (Somos Livres)

1976 - ABBA (Fernando)

O single vendeu 80.000 exemplares. (Billboard)

1977 - JOSÉ CID, JOSÉ AFONSO e CONJUNTO MARIA ALBERTINA

Atribuição dos primeiros Discos de Ouro (50.000) pela editora Arnaldo Trindade.

1977 - PAULO ALEXANDRE (Verde Vinho)

O single "Verde Vinho" de Paulo Alexandre recebeu vários discos de ouro correspondentes a vendas de 200.000 discos.


1978 - VICTOR ESPADINHA (Recordar é Viver)

P: Como entrou no mundo da música?

Com um número em que fazia de palhaço, em 1977. Depois o Raul Solnado convidou-me para ir à televisão, a Polygram viu e propôs-me gravar um disco. "O Palhaço" não vendeu nada e o segundo disco é o "Recordar é Viver". Vendeu pouco: um milhão [risos].

P: A Polygram não acreditava no "Recordar é viver"?

Nada. Um tipo chamado Carlos Pinto, que era administrador, disse à minha frente: "Vamos lá fazer esta merda deste disco para acabar com o contrato, que a gente enganou-se e essa merda do Palhaço não vendeu nada."

Entrevista de Nuno Castro e Vanda Marques, Jornal I, 11/07/2009

Em 1979 escreveu "Recordar é viver", tema que vendeu mais de 500 mil exemplares, "incluindo as cassetes", referiu Francisco Mendes o apresentador do espectáculo [de homenagem a Tozé Brito]. Este tema foi recordado na baía por Victor Espadinha, músico que o interpretou na altura.

http://www.hardmusica.pt/noticia_detalhe.php?cd_noticia=9791

1979 - JOSÉ MALHOA (Cara de Cigana)

Um dia arranjaram-me uma cassete de Espanha do Juan Sebastian. Gostei muita da música e fiz uma versão da música dele que foi um sucesso, a "Cara de Cigana". Isto saiu há 35 anos. Depois de fazer a versão fui à Orfeu no Porto. Entreguei a música ao Fernando Pereira e ele disse-me: "Venha cá receber a resposta dentro de oito dias." Andei seis meses a correr até ao quarto andar e nada de resposta. Um belo dia cheguei lá zangado e ele diz-me: "Chegou em boa altura. Arranje-me outra faixa que vamos ter êxito." Desci o quarto andar a saltar de cinco em cinco degraus. (...) Aquela canção vendeu 600 mil cópias. Foi o que me deu abertura para todas as editoras.

[Nessa altura aparece a Discossete, e é lá que gravo as "24 Rosas". A senhora da editora dizia que tinha uma piscina olímpica forrada com o dinheiro que ganhou.]


Entrevista de Vanda Marques, Jornal I, 03/08/2011

A versão de José Malhoa atingiu o disco de prata enquanto a do original (Daniel Magal) recebeu o disco de Ouro. Mesmo somadas as vendas das duas versões não poderiam ter vendido tanto. Há uma outra confusão pois Joan Sebastian é o autor de "24 Rosas".

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