sexta-feira, 7 de julho de 2017

IMIC 1983

Though the Portuguese group of IFPI has been in existence only since 1977, it has had considerable success in support of the national record industry, said Jorge Arbreu, secretary-general, welcoming IMIC delegates to the Algarve.


But the country's political instability and slow-moving bureacracy had hamstrung the implementation of the full powers of the 1980 revised copyright law, with its strong antipiracy ramifications.


He said: 'The law has been drafted and redrafted several times. Piracy. levels dropped in 1981 but by the end of last year were back to what they were in 1975 and 1976, those unstable years after the political revolution, when pirates had 80% of the prerecorded cassette marketplace."


Now new challenges of technological advances were revealed at every international meeting he said. But Portugal's political upheavals meant an overall lack of authority so that piracy remained the record industry's main concern.


Luiz Francisco Rebello, president of the Sociedade Portuguesa de Autores, national copyright society, in a message read to delegates, stressed: "Producers and authors are partners in the same adventure, that common aim of making life easier to live through music. We're on the same side of the river, no matter what our problems."


New technological developments needed firm measures "so that we're not overcome by them. But those measures must harmonise with the interests of authors, not be taken against them."


Revista Billboard - Artigos sobre O IMIC - Internacional Music Industry Conference que em Maio de 1983 se realizou no Algarve

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Vendas de discos 1970


Mundo da canção nº 3 de Fevereiro de 1970


Ainda de notar o "Top mc" com os discos mais vendidos nas discotecas do Porto, nos LP estava "Suzie Q" dos Creedence Clearwater Revival (estranho! seria uma colectânea que nos passou ao lado?) e nos Singles "Baby, I Coudn't See" dos The Foundations.


Lojas Porto

Arnaldo Trindade, Discos Rapsódia, Discoteca Santo António, Discovisão, Electrovisão, Foto-Eléctrica e Vadeca

Singles e EP's

1 - Baby I Couldn't See - Foundations
2 - Lady Mary - David Alexander Winter
3 - Petit Bonheur - Adamo
4 - Pedra Filosofal - Manuel Freire
5 - Day Dream - Wallace Collection

LP

1 - Suzie Q - Creedence Clearwater Revival
2 - Contos Velhos, Rumos Novos - José Afonso

terça-feira, 20 de junho de 2017

1999 - À espera do sonho pop





AS GRANDES editoras de música em Portugal não disfarçam o pesadelo do batalhão de novas ameaças à indústria discográfica mas relativizam a sua importância, mesmo para justificar a expectativa de um decréscimo de vendas este ano. Essas ameaças vêm pela Internet (onde navegam programas gratuitos para descarregar ficheiros MP3, formato que permite armazenar som num computador à custa de muito pouco espaço e sem perder qualidade ou onde habitam empresas como a StarGig.com, que se propõe difundir gratuitamente música); essas ameaças espreitam nas lojas na forma de CDR, um CD que custa à volta de 300 escudos, ideal para fazer cópias; insinuam-se discretamente (devido ao custo, cerca de 50 mil escudos) em aparelhos semelhantes a um «walkman» capaz de armazenar 60 minutos de música em formato MP3 (caso do Rio, lançado pela empresa Diamond Multimédia ou do Yepp, da Samsung).
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Por que havemos de comprar um CD por três mil escudos quando ele pode ser ouvido sem custo e armazenado apenas com algum investimento inicial? É verdade que muitos dos «sites» do ciberespaço praticam a pirataria ao permitir acesso integral a obras protegidas por direito de autor, facto a que as grandes multinacionais responderam com uma iniciativa (Secure Digital Music Iniciative), para evitar que a duplicação se faça sem o pagamento dos direitos. Mas o que é obstáculo para a indústria, constitui um admirável mundo para o consumidor: possuir sem pagar. Pode discutir-se até que ponto isso é viável, justo ou mesmo um chamariz temporariamente incontrolável, mas a incomodidade que tais obstáculos possam produzir conduzem a outro efeito: ao penalizar as grandes companhias, obrigam ao seu reposicionamento e questionam o que elas andam realmente a fazer pela música. A aposta na capacidade das empresas em termos de promoção e «marketing» de artistas para fazer face a essas ameaças é um traço comum dos depoimentos recolhidos pelo EXPRESSO junto de algumas das «majors» em Portugal. «É legítimo que artistas queiram colocar o seu disco na Internet, ser conhecidos. Mas não têm máquina de promoção para o primeiro trabalho. E há uma regra de ouro nunca quebrada neste negócio: em cada 100 discos postos à venda, só 20 são rentáveis», diz Carlos Pinto, administrador da Sony Music.

Esta ideia é retomada pelo responsável da BMG, Marcos Jucá, para realçar a importância do mercado local: «É um facto que a comercialização da música vai mudar. As empresas que não desenvolverem a música dos países onde estão implantadas vão simplesmente desaparecer.» Para a BMG, isso significa, no entanto, ter menos artistas mas mais bem trabalhados. «A comunicação está dispersa, tem de se tornar mais planeada. Queremos representar um máximo de 12 artistas nacionais.» Eles vão ter à disposição uma máquina de «marketing» oleada, que é a diferença substancial de lançarem os seus trabalhos directamente na Internet, juntamente com milhares de outros concorrentes: «O trabalho de imagem faz a diferença e não é toda a gente que o consegue fazer», afirma Marcos Jucá. Coloca-se a questão de saber que artistas vão ser beneficiados com a prospecção do mercado, até porque o director da BMG não esconde as prioridades da multinacional, igual à de todas as multinacionais: «Vai para os artistas internacionais, que originam grandes investimentos e têm de ter retorno dos gastos. Temos um repertório de música anglo-saxónica bastante desenvolvido em Portugal. É por isso que o mercado nacional pode crescer.» Rommel Marques, director de «marketing» da BMG, que ocupou um cargo directivo nesta «major» no Brasil, diz que Portugal lhe «lembra o que se passava no Brasil há 15 anos, em que o repertório internacional era 75% e o nacional representava 25%».

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Carlos Pinto analisa com apreensão novos desafios para as editoras. «Há dados assustadores sobre o CDR. Em França, aponta-se para a venda de 80 milhões de CDR num mercado de 100 milhões de CD. Os discos saem e são copiados em série. Em Portugal, existe uma mentalidade de aldrabice superior ao nível europeu. Os piratas estão a reciclar-se para as novas tecnologias.» Quanto ao MP3, uma das duas palavras mais usadas na Internet (a outra é sexo) refere que «é algo que a indústria não pode ignorar», sobretudo se tivermos em conta que haverá 327 milhões de utilizadores da Internet em 2000, um pouco mais do dobro do que em 98. Obviamente, as multinacionais não estão distraídas: a Sony e a Warner tinham já anunciado uma associação para vendas de discos «on-line» e a EMI tinha adquirido 50% de uma companhia que se dedica a fazer compilações personalizadas de CD para vender na Internet. «Vivemos um período de agitação e de confusão de conceitos, em que o oportunismo dará lugar à regulamentação do acesso aos bens», diz Carlos Pinto.

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Sobre a «crise» interna, é taxativo: «O mercado cresceu muito em relação ao de países europeus pelo que qualquer abrandamento se reflecte. Há razões para, em Portugal, isso se acentuar. Há uma pressão enorme sobre o consumidor em termos de crédito - nunca foi tão forte - incitando a comprar tudo. Há, também, razões de oportunidade. Este ano não apareceu um disco que motivasse a afluência às lojas. No ano passado, vários ultrapassaram os 100 mil exemplares vendidos, este ano todos vão ficar muito longe.»
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Francisco Vasconcelos, administrador da Valentim de Carvalho (que contará 25 lojas no país quando abrir a «megastore» do Chiado) prefere falar de uma «pequena turbulência sem fundamento estrutural». Segundo refere, o mercado caiu «um pouco no primeiro trimestre de 99, mas isso foi disfarçado com os 'stocks' de discos colocados numa feira organizada pela Sonae, no Continente. Como a feira correu abaixo das expectativas, a queda foi agravada no segundo trimestre, com a devolução de parte desses discos.» Vasconcelos acredita que este tipo de feiras «é uma ameaça» para a indústria e que esta representou um «rombo no mercado», mas não esquece o papel positivo dos hipermercados na venda de discos a consumidores ocasionais. Com uma condição: «Os primeiros 10 mil discos têm de ser vendidos nas lojas, permitem o lançamento de novos artistas. A partir daí, é sabido, a nossa quota de mercado desce, a dos hipermercados sobe. Eles nunca teriam comprado Diana Krall, se nós não tivéssemos vendido milhares de exemplares antes.»

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Este responsável destaca a existência de «uma crise mundial de repertório», muito por causa do processo de concentração em que se viram envolvidas as editoras Polygram, MCA e EMI, que juntas representam 44 por cento do mercado mundial. «Elas cresceram demais e não são criativas. Este é um período bom para as companhias independentes. Se tiverem oito a dez por cento do mercado será muito interessante: não terão a relação descartável das multinacionais e vão permitir que criativos voltem ao mercado.» Segundo referem os responsáveis da BMG - que detinha 8,8% do mercado nacional em 98 - é improvável o lançamento de mais do que um artista nacional por mês. Eles referem mesmo que há artistas a mais e mercado a menos. Uma dimensão de eventuais dificuldades de editoras pode ser dada pela declaração de que gostariam de ver «incentivos do Estado à promoção da música portuguesa, porque o mercado tem de ser apoiado para crescer» - podiam tomar a forma de benefícios fiscais, «como aconteceu no Brasil, onde o investimento em artistas locais era dedutível nos impostos até 70 por cento.» A direcção da BMG refere, ainda, a importância de programas de TV como «Roda dos Milhões» e «Herman 99», que têm «dois ou três momentos de pausas musicais arduamente disputados pelas editoras.»

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As intenções das multinacionais levantam dúvidas a Francisco Vasconcelos: «Em Portugal, o que lhes interessa é fomentar artistas como Madredeus. Mas ter os Cool Hipnoise já não faz sentido, a não ser para os transformar em Madredeus. Por acaso, as 'majors' andam no mercado à procura de artistas que vendem dois a três mil discos? Ser artista em Portugal não é muito agradável.»

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José Luís Miguel, gerente da Loja da Música, refere outras preocupações do comércio a retalho: «Estamos a vender CD mais baratos do que há cinco anos, e, neste período, as margens de lucro desceram imenso.» A Loja da Música possui sete lojas (um milhão de contos de facturação em 98) e vai abrir mais três em Outubro: «Temos de continuar a crescer porque isso significa poder negocial face às editoras. Mas, muitas vezes, trata-se de uma fuga para a frente.» Segundo refere, uma novidade custava mais 300 a 400 escudos há cinco anos e os preços do fundo de catálogo desceram. Esta quebra, cuja razão pode ser encontrada na abertura de sucessivos postos de venda, nada tem a ver com a descida de vendas das editoras. «Reflecte que as vendas não eram reais, mas impulsionadas por espaços que abrem constantemente e que necessitam de 'stocks'.» Segundo Francisco Vasconcelos, é ponto assente que retalho e editoras estão a ressentir-se da falta de grandes novidades no meio musical. «Está tudo à espera do sonho pop. Estou convencido que o negócio dos discos voltará aos bons tempos, um pouco à custa das 'majors'. Venham as empresas de média dimensão.»

ANTÓNIO HENRIQUES, Expresso, 17/09/1999

No primeiro trimestre de 99, a indústria facturou 4,5 milhões de contos, mas fala-se de crise

sábado, 22 de abril de 2017

Singles

A tabela de singles deixou de ser publicada no Natal de 1993. Regressou em Julho de 2000 mas voltou a ser interrompida em Março de 2004.

Singles que tiveram algum destaque no período entre 1994 e 2000:

F - Pedro Abrunhosa & Bandemónio [40.000 / Ouro e platina - 1995]
Candle In The Wind 97 - Elton John - 1997 [3*Platina]
Chegou o Noivo - Marco Paulo - 1997 [1*Platina]
Timor - Trovante - 1999 [50.000]

Unidades Vendidas - Singles:

1987-- 1.296.082
1988-----815.511
1989-----328.459
1990-----156.228
1991------24.600
1992------+/-47.000
1993------+/-3.735

(...)

2002-----303.205
2003-----151.204
2004---1.688.548 (*)
2005-----176.367
2006------17.834
2007------41.815
2008-----119.731
2009------42.605
2010------50.644

(*) vendas especiais

93-214193-Venderam-se pouco mais de 47 mil singles em 1992, o que há dez anos atrás seria um número modesto para um 45 rotações dos Táxi, por exemplo.

93-167795-Como é bem sabido, até a uma dada altura, eram os singles que faziam vender os álbuns, não só pela sua maior maleabilidade em termos de consumo, como pela questão do tempo de antena radiofónica -- que era e ainda continua a ser dado preferencialmente (sobretudo em AM) às canções.

93-167795-Ora se os singles praticamente deixaram de existir (tornado-se um objecto mais ou menos obsoleto para a indústria instituída) ou se simplesmente os álbuns deixaram de ter canções propícias para edição neste formato, torna-se mais difícil a rádio focalizar-se sobre uma nova edição, acabando por serem os artistas mal divulgados.

93-188007-O dado que falta, que sabemos mas não entra nas contas da IFPI, é que muitas das cassetes vendidas em Portugal são mini ou baratas e são elas que, de facto, estão a substituir os singles

(fonte: Público)

Vários Artistas Leopoldina e o Brinquedo Magico Platinum x12 480 000 2004

"Leopoldina e o Brinquedo Magico" - This is a solidarity project [(book + cd)- 2€] of the biggests portuguese supermarkets - "Continente". We can buy this project only in these supermarkets and only during the christmas time.

Every year is a new book+cd
2003: 120.000
2004: 500.000
2005: 640.000


(fonte:UKMIX)

Galardões

1989 - Discos de ouro - 20 mil

Quando as Nuvens Choraram - Carlos Paião
Sempre que Brilha o Sol - Marco Paulo
Sonhando - José Alberto Reis
Aconchego - Nuno da Câmara Pereira
(...)

1990 - 5 PR 3 O 4 PL

Um amor em cada porto - Marco Paulo - PR + O
Ai, ai, meu amor - Marco Paulo - O + PL
Joana - Marco Paulo (1988) - 3 PL
Lambada - Kaoma - PL
Não há estrelas no céu - Rui Veloso - O
Pump Up The Jam - Technotronic - PR
Insieme - Toto Cutugno - PR
Nothing Compares 2 U - Sinead O'Connor
Sacrifice - Elton John

1991 - 2 PR 3 O 2 PL

(Marco Paulo)
I Can See clearly now - Johnny Nash

(...)

Taras e Manias - Marco Paulo - 5 PL
A Paixão - Rui Veloso
Everything I Do - Bryan Adams
Don't Let The Sun Go Down On Me - George Michael / Elton John
Maubere - Rui Veloso

quinta-feira, 9 de março de 2017

Jorge Abreu - arquivo RTP

1979-02-02

Lisboa, entrevista com Jorge Abreu da Associação de Produtores Fonográficos Portugueses, sobre a necessidade de legislação para proteção eficaz dos direitos dos artistas, intérpretes e compositores, na problemática das gravações pirata de cassetes, discos e fitas magnéticas.

Nome do Programa: NOTICIÁRIO NACIONAL FEVEREIRO 1979
Entrevista intercalada com imagens de vendedores ambulantes de discos e cassetes pirata.



https://arquivos.rtp.pt/conteudos/entrevista-com-jorge-abreu/

O advogado Jorge de Abreu era o secretário geral do Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

António Duarte


"Na voz da juventude Mário Soares está no Top" / Participação de António Duarte na campanha de 1986

C. Doc. 25Abril

Anda um danado de um repórter com a ideia de que publicou histórias e reportagens importantes, ou de que tem um curriculum irrepreeensível (as reportagens da ETA foram publicadas na revista espanhola "Interviu", fui director dos canais português e chinês da Rádio Macau e correspondente da BBC World Radio, escrevi no maior jornal da Ásia, o "South China Morning Post"...), mas o facto é que está condenado a ser relembrado e discutido por um livro antigo que escreveu num mês, confortavelmente sentado à secretária, na segurança do home sweet home.

Não pode haver maior ironia na carreira de um repórter que se preze.

António Duarte em blog Guedelhudos (2008)

António Duarte foi o autor do livro "A Arte Eléctrica De Ser Português - 25 Anos de Rock'n Portugal". Tinha colaborado em várias publicações nacionais e em programas da Renascença. Foi o primeiro apresentador do programa "Top Disco". Com a preparação do programa sobre a história da música portuguesa acaba por ser substituído por Marcos André. Participou no concurso do RRV com o projecto D.W.ART. Depois esteve vários anos em Macau.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Novelas garantem sucesso da música portuguesa


Novelas garantem sucesso da música portuguesa
Lucros crescem com a TV


As estações televisivas, através da ficção nacional, substituem as rádios na divulgação da música portuguesa. O fenómeno é recente e agrada aos dois lados do negócio.

O que têm Paulo Gonzo, Olavo Bilac, João Pedro Pais e Miguel Ângelo em comum? Muito. Para além de todos serem músicos portugueses e cantarem em português, são autores de canções que deram nome a algumas novelas nos últimos anos. Mas será que essa projecção dada pela ficção é vantajosa para as suas carreiras enquanto músicos? A resposta é, definitivamente, sim.

Da mesma forma, os produtores das novelas aproveitam para criar novas bandas que, impulsionadas pelas grandes audiências, surgem do nada e, num ápice, vendem mais de 150 mil discos.
Com o tema ‘Jardins Proibidos’, na banda sonora da novela com o mesmo nome, Paulo Gonzo inaugurou o ‘intercâmbio’ entre a televisão e a música.

Estávamos em 2000. A canção, que já tinha alguns anos, revitalizou a carreira do músico, cuja voz, entretanto, tornou-se presença habitual na ficção televisiva.

Seguiram-se ‘Dei-te Quase Tudo’ e ‘Sei-te de Cor’, num processo que Paulo Gonzo garante ter-lhe trazido algumas vantagens. “Só tenho a agradecer às novelas, apesar da canção ‘Jardins Proibidos’ ter tido muito sucesso independentemente disso”, garantiu o músico.

Na verdade, o álbum, editado em 1997 vendeu 240 mil unidades (o que, feitas as contas ao preço de venda de CD, corresponde a um valor bruto de 3 600 mil euros), número que não sofreu alterações com a ficção da TVI.

O mesmo não se pode dizer do mais recente ‘Dei-te Quase Tudo’, cujas vendas duplicaram.

NOVELAS AJUDAM A VENDER DISCOS

Miguel Ângelo, vocalista dos Delfins, defende que o sucesso não é certo só porque se criou uma música que veio a dar nome a uma novela: “Depende dos casos.”

O músico, à semelhança de muitos outros, critica as rádios por não darem projecção às bandas nacionais: “Em Portugal a novela tornou-se uma ajuda preciosa para os músicos, especialmente para novos intérpretes que não encontram espaço de promoção nas rádios.”

Miguel Ângelo considera que “as novelas se tornaram num veículo de publicidade que ajuda a vender discos.” Recorde-se que os Delfins foram convidados, em 2003, a ceder a canção ‘Saber Amar’ para o genérico da novela homónima da TVI. “

’Saber Amar’ cativou um público novo que não conhecia a banda. Ainda agora nos concertos verifico que houve uma renovação do público desde então.

Vendemos perto de 300 mil discos [o que corresponde a um volume de vendas no valor de 4,5 milhões de euros].

Julgo que ainda é um recorde em Portugal, mas isso foi ainda antes do domínio da internet e do mp3”, explica.

UM PROCESSO INTERESSANTE

Na mesma linha de pensamento encontra-se Tiago Bettencourt, vocalista dos Toranja, banda que já teve canções como ‘Carta’ e ‘Laços’ inseridos em telenovelas e, mais recentemente, ‘Quebrámos os Dois’ (‘Morangos com Açúcar III’). “É uma forma de divulgação de música relativamente recente no nosso País, mas é muito eficaz.

Além disso, qualquer músico em Portugal tem dificuldade em chegar à televisão, devido à escassez de conteúdos musicais na programação. Daí continuarmos a usá-la com muito prazer”, disse o cantor/compositor.

Apesar de todas as vantagens, a decisão de ‘emprestar’ os temas à ficção nacional não é, porém, tomada de ânimo leve. “Antes de cedermos o tema, temos acesso ao enredo da novela, às situações em que vai ser usado e também dados sobre o grau de assiduidade com que será passado”, explica Tiago Bettencourt.

O resultado final acaba por ser um “processo interessante” até para os próprios músicos: “Ao serem transportadas para outro universo, as canções acabam por ganhar uma nova ‘história’, da mesma forma que acontece nos concertos.”

Satisfeito com a relação estabelecida com as novelas está também António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF: “É um fenómeno relativamente novo para nós mas está a trazer resultados muito positivos para a música portuguesa.

Tivemos a primeira experiência o ano passado com o tema ‘Matas-me Com o Teu Olhar’ [‘Ninguém Como Tu’], que atingiu índices de popularidade ao nível dos melhores da nossa carreira”, referiu o cantor, lamentando que “as rádios teimem em não passar música nacional.” “Há duas semanas estreou outra novela, ‘Fala-me de Amor’, com um tema nosso e logo no primeiro dia comecei a receber mensagens, o que é ilustrativo do poder de penetração que a televisão proporciona à música”, acrescentou.

MÚSICA E FICÇÃO

Pronunciando-se sobre a pertinência da vertente musical na ficção, Rui Vilhena, autor de ‘Ninguém
como Tu’ sublinha: “A música é tão importante como a actuação dos actores, os diálogos, a luz.
É a música que faz o clima todo da cena.” Maria João Mira, guionista e uma das autoras de ‘Fala-me de Amor’, em exibição na TVI, partilha desta opinião quando afirma que, “do ponto de vista do público, a música tem a maior importância”, porque não só “ajuda a vender a estória da novela” como “contribui para a divulgação da música portuguesa.”

Quando foi criada a primeira banda de ‘Morangos Com Açúcar”, o projecto, então experimental, tornou-se “um enorme sucesso”, explica Maria João Mira, na época coordenadora da Casa da Criação, na NBP.

Rui Vilhena acrescenta que o fenómeno já sucedera nos Estados Unidos e no Brasil. “Era natural que, anos depois, chegasse a Portugal”, afirma. Outro conhecido guionista, Manuel Arouca, diz-se “satisfeito com 80% das opções musicais” feitas para as suas novelas. E recorda ‘Filha do Mar’. “As músicas foram originais feitos para a estória. A Dina cantava o tema principal com letra de Ana Zanatti. E João Pedro Pais já cantava ‘Ninguém como Tu’.

O José Cid também tinha uma canção. ‘Filha do Mar’ tinha excelentes composições.” Mais tarde, noutra novela de Manuel Arouca, Paulo Gonzo interpretaria ‘Jardins Proibidos’ o tema principal que deu nome à ficção. “A canção já era um êxito e a novela aproveitou-o.

Este casamento foi bom para o intérprete e para a novela”, recorda o guionista.

FENÓMENO METEOROLÓGICO

Fenómeno recente são as bandas que ‘saem’ das novelas. Aí, os D’ZRT são o expoente máximo da conjugação entre um projecto musical e uma série juvenil de sucesso.

O resultado é a venda de centenas de milhares de discos e centenas de concertos com lotação esgotada. Nuno Carvalho, agente dos D’ZRT, costuma comparar o fenómeno dos D’ZRT a um “fenómeno meteorológico.” “Não é uma baixa pressão ou um vento forte que provoca um furacão. É uma conjugação de factores. Acho que foi fundamental para o sucesso da banda o cuidado de fazer corresponder à acção da novela o que estava a acontecer na vida real dos D’ZRT. Eles lançaram um disco e isso também aconteceu na novela. O mesmo se passava quando eles davam um concerto. No entanto, considero que a qualidade da produção musical e o empenho deles também foi fundamental para o arranque”, reitera Nuno Carvalho.

Numa altura em que uma nova banda está a ser preparada para surgir em ’Morangos Com Açúcar’, o empresário afirma que “os D’ZRT não morreram na telenovela”. “Há dois elementos que ainda se mantêm no elenco e a banda vai voltar de tempos a tempos. Neste momento estão a gravar um novo disco que deverá sair na Páscoa. Nessa altura devem voltar a aparecer em ‘Morangos Com Açúcar”, avança Nuno Carvalho.

VIVIANE (ENTRE ASPAS)

Viviane também participou nas gravações da novela ‘Mundo Meu’.

Para lá da participação em ‘Mundo Meu’, Viviane cedeu a música ‘Uma Flor’ para as promoções da nova novela da SIC, ‘Floribella’.

Apesar de nunca ter tido uma música no genérico de uma novela, reconhece a vantagem de ‘estar’ numa. “É óbvio que as novelas ajudam à promoção pois entram na casa das pessoas. Valem a pena para promover as músicas, uma vez que as rádios não o fazem”, defende.

SANTOS E PECADORES

‘Fala-me de Amor’ é um original dos Santos & Pecadores.
Olavo Bilac, a voz de ‘Fala-me de Amor’, resume a relação entre as partes de uma forma simples: “As músicas ajudam as novelas e as novelas ajudam as músicas.”

Sobre as vendas, o vocalista dos ‘Santos e Pecadores’ afirma que ainda não pode aferir resultados. “Por enquanto ainda é cedo para ver se a novela ajudou a vender discos. Começou há pouco tempo e o CD foi lançado há menos de um mês”, diz.

A BANDA DE 'FLORIBELLA'

Luciana Abreu é ‘Flor’, a vocalista da banda da nova telenovela da SIC.

Na nova novela juvenil da SIC, a estrear em breve, irá surgir também uma banda (que interpreta o tema do genérico). A produção defende que a existência da banda faz parte integrante do enredo e que o nome só será conhecido quando a novela já estiver no ar. Luciana Abreu, finalista do concurso ‘Ídolos’, e Rodrigo Saraiva, o ‘Rafa’ de ‘Morangos com Açúcar’, fazem parte do grupo.

"CONCORRÊNCIA DESLEAL"

 (Tozé Brito, Presidente da Associação Fonográfica Portuguesa, 53 anos)

- Pôr uma canção numa novela é garantia de sucesso?
- Em alguns casos sim, noutros nem por isso. As novelas potenciam as vendas quando as canções têm todos os ingredientes necessários para agradar ao público das novelas.

- Lembra-se de algum caso?
- O ‘Papel Principal’ da Adelaide Ferreira. Nos anos 80, quando a canção foi escrita, vendeu 20 mil exemplares. Quase 20 anos depois, foi recuperada com resultados extraordinários: vendeu mais dez mil discos.

- Há casos bem diferentes, nomeadamente as bandas que ‘nascem’ nas novelas...
- O caso dos D’ZRT é mesmo muito diferente, porque as pessoas têm a oportunidade, através da telenovela, de acompanhar todo o processo: eles ensaiam no ecrã, tocam e até anunciam os concertos dentro do contexto da ficção. É uma operação de marketing muito bem montada mas, com todo o respeito pelos D’ZRT, nem sempre me parece uma concorrência leal. Isto porque estamos a falar de um grupo como a Media Capital, que tem uma série de rádios e uma televisão na mão...

OS RECORDISTAS DE VENDAS

D’ZRT - ‘MORANGOS COM AÇÚCAR'

Para além do primeiro álbum, os D’ZRT venderam ainda 50 mil unidades do disco ao vivo e deram 100 concertos. Sempre com lotação esgotada.

- Share médio: 35,2%
- Discos vendidos: 130 mil discos

PAULO GONZO - 'DEI-TE QUASE TUDO'

Em 1997, ‘Dei-te Quase Tudo’ conseguiu a proeza de ser sextupla platina. Em 2005, o tema foi regravado de propósito para a novela em exibição na TVI.

- Share: 40,9% (no dia da estreia)
- Discos vendidos: 240 mil discos

DELFINS - ‘SABER AMAR’

‘Saber Amar’ é um tema da banda liderada por Miguel Ângelo e deu nome a uma novela. Versão de um original dos ‘Paralamas do Sucesso’, foi gravado no Rio de Janeiro em 1996 e editado no mesmo ano. A telenovela da TVI só surgiu em 2003, mas ainda ajudou a banda de Cascais a atingir um recorde de discos vendidos que se mantém imbatível a nível nacional.

- Share médio: 40,9%
- Discos vendidos: 300 mil discos

Vanessa Fidalgo, João C. Rodrigues, Eugénia Ribeiro , Correio da Manhã, 17/03/2006

As vendas dos discos dos Delfins e Paulo Gonzo aconteceram aquando do seu lançamento, em 1996 e 1997.

Vendas Discos 2020

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