VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Vendas de Discos 2016

DISCOS EM DESTAQUE ATÉ À SEMANA 33/2016







25 - Adele - 2#1 [+ 5 em 2015]   
★ [Blackstar] - David Bowie - 6#1   
Nothing Has Changed. The Very Best Of Bowie - David Bowie - #5   
Dois Amigos, Um Século de Música - Caetano Veloso e Gilberto Gil - #4   
The Astonishing - Dream Theater - #3   
Outras Histórias - Deolinda - 4#1   
King Ckwa - C4 Pedro - #3   
Restart - Aurea - 1#1   
Mind Of Mine - Zayn - 1#1   
Sirumba  - Linda Martini - 1#1    
Four - Nelson Freitas - #4   
Hoje É Assim, Amanhã Não Sei - Ricardo Ribeiro - #5   
Moura - Ana Moura - 2#1   
Sean Riley & Slowriders - Sean Riley & Slowriders - #4   
Capitão Fausto Têm Os Dias Contados - Capitão Fausto - 1#1   
Ensemble - Rui Massena - 1#1   
Lemonade - Beyoncé - 1#1   
Raquel - Raquel Tavares - #5   
Panda E Os Amigos - Panda E Os Amigos - 2#1   
Dangerous Woman - Ariana Grande - #4   
Soy Luna - Banda Sonora - #3   
Leva-me A Sério - Agir - 3#1   
At Least For Now - Benjamin Clementine - #4
3 - David Carreira - 5#1 [+ 1 em 2015]   
A Moon Shaped Pool - Radiohead - 1#1
The Getaway - Red Hot Chilli Peppers - #2
Palavra Cantada - Palavra Cantada - #3
Panda e os Caricas 3 - Panda e os Caricas - 2#1





ARQUIVO DAS TABELAS PORTUGUESAS - AFP (DESDE 2003)



http://portuguesecharts.com/weekchart.asp?cat=a





LISTA DE DISCOS EM Nº1 DURANTE 2016



https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_number-one_albums_of_2016_(Portugal)



Galardões  2016
   
Dá-Me Um Segundo - D.A.M.A. * - Platina
X - Ed Sheeran * - Platina
Blackstar - David Bowie - Ouro   
Leva-me A Sério - Agir * - Ouro
Now 30 - Vários - Ouro   
Espelho - Diago Piçarra * - Ouro - 11/03/2016   
Os Fabuloso Tais Quais - Tais Quais - Ouro   
Riû - Cuca Roseta * - Platina - 25/05/2016   
Diário - Marco Paulo * - Ouro   
3 - David Carreira * - Platina - 21/06/2016   
Moura - Ana Moura - 2xPlatina - 04/08/2016
Leva-me A Sério - Agir * - Platina (?)





* com vendas em anos anteriores

sábado, 21 de maio de 2016

Lista de músicos recordistas de vendas em Portugal - uma boa ideia mal executada

"A lista de músicos recordistas de vendas em Portugal é organizada em ordem de cópias vendidas. A fadista Amália Rodrigues é a artista portuguesa que mais vendeu discos na história, seguida pelo cantor popular Roberto Leal."

Origem: Wikipédia

A ideia era interessante se baseada em dados concretos e verdadeiros. Afinal foi feita uma lista de nomes sem grandes critérios. Houve o cuidado de incluir uma referência ao local da internet onde se foi buscar a informação mas esses links raramente contém esses dados.

Depois colocam-se vendas estimadas que em nada são razoáveis! Coloca-se vários milhões ou até 500.000 como se fosse um número de vendas fácil de atingir em Portugal. Por vezes até  consideram as vendas hipotéticas no estrangeiro e até consideram do lado dos artistas nacionais alguns nomes que não deveriam constar.

Mesmo a lista dos artistas mais vendidos por ano contém graves erros. Por exemplo os discos da série "Violetta" receberam no início de 2015 um galardão pela venda de 60.000 discos de todos os discos. Na lista colocam 60.000 para cada um dois primeiros discos e ainda por cima nos anos de 2014 e 2015. Há casos em que é considerado o disco no ano anterior ao maior sucesso (Delfins, Shakira, etc)

Aparece por exemplo o disco "Tudo Bem 2" dos Axê Bahia como tendo alcançado os 180.000 quando nem deve ter sido editado em Portugal. E o projecto (conhecido pelo menos por quem incluiu a informação) ainda aparece como tendo vendido 500.0000 discos em Portugal e como um dos temas de maior airplay em 2003. 

Aparece uma referência a disco de diamante (400.000 discos?) para discos de Amália e Dulce Pontes (que gravou para a Movieplay, editora fora da AFP) que desconhecemos totalmente e que parece inventado como muitos dos dados.

Poderão estar alguns dados correctos mas a credibilidade transmitida não é muita e a maioria da informação está mesmo errada.

Artistas nacionais

Amália Rodrigues - 30 milhões
Nelly Furtado - 40 milhões
Daniela Mercury - 20 milhões
Roberto Leal - 17 milhões
Fafá de Belém - 9 milhões
Linda de Suza - 8 milhões
Jorge Ferreira - 6 milhões[
Marco Paulo - 5 milhões
Carlos do Carmo - 5 milhões
Tony Carreira - 4 milhões
Dulce Pontes - 3,5 milhões
Delfins - 3 milhões
José Malhoa - 3 milhões
Paulo Gonzo - 1,5 milhão
Rui Veloso - 1,2 milhão
Ministars - 1 milhão
Onda Choc - 1 milhão
Mariza - 1 milhão
Santamaria - 1 milhão
Pedro Abrunhosa - 800 mil
António Mourão - 750 mil
Ana Malhoa - 630 mil
Tonicha - 600 mil
D'ZRT - 500 mil
Nuno da Câmara Pereira - 500 mil
Francisco Gouveia - 500 mil

Artistas internacionais

Julio Iglesias - 5 milhões
Roberto Carlos - 1,5 milhão
Roberta Miranda - 1,2 milhão
ABBA - 650 mil
Pink Floyd - 650 mil
The Beatles - 600 mil
Madonna - 600 mil
U2 - 600 mil
Las Ketchup - 550 mil
Caetano Veloso - 550 mil
Axé Bahia - 500 mil
Ivete Sangalo - 500 mil
Shakira - 500 mil
Laura Pausini - 500 mil
Andrea Bocelli - 500 mil
Alejandro Sanz - 500 mil
Ney Matogrosso - 500 mil
Michael Jackson - 500 mil
Maria Bethânia - 500 mil

Álbuns nacionais mais vendidos por ano

2015 - Uma Questão de Princípio - D.A.M.A (2P) - 30000
2014 - Tony Carreira 25 Anos - Tony Carreira (4P) - 60000
2013 - Essencial - Tony Carreira (4P) - 60000
2012 - Desfado - Ana Moura (5P) - 75000
2011 - O Mesmo de Sempre - Tony Carreira (4P) - 80000
2010 - Vive O Teu Talento - Morangos com Açúcar (3P) - 60000
2009 - Amália Hoje - Hoje (6P) - 120000
2008 - O Homem Que Sou - Tony Carreira (5P) - 100000
2007 - A Vida Que Eu Escolhi - Tony Carreira (7P) - 140000
2006 - Flor - Floribella (11P) - 220000
2005 - D'ZRT - D'ZRT (13P) - 260000
2004 - Re-Definições - Da Weasel (4P) - 80000
2003 - Fado Curvo - Mariza (6P) - 120000
2002 - Fado em Mim - Mariza (6P) - 120000
2001 - O Melhor de Rui Veloso - 20 anos depois - Rui Veloso (5P) - 100000
2000 - Voar - Santamaria (6P) - 120000
1999 - O Melhor de Amália - Amália Rodrigues (D*) - 400000
1998 - Silence Becomes It - Silence 4 (5P) - 200000
1997 - Saber Amar - Delfins (6P) - 240000
1996 - Feijão com Arroz - Daniela Mercury (7P) - 280000
1995 - O Caminho da Felicidade - Delfins (7P) - 280000
1994 - Viagens - Pedro Abrunhosa (6P) - 240000
1993 - Lágrimas - Dulce Pontes (D*) - 400000
1992 - Lusitana - Dulce Pontes (7P) - 280000
1991 - Mingos & Os Samurais - Rui Veloso (7P) - 280000
1990 - Obsessão - Amália Rodrigues (7P) - 280000


 
Álbuns internacionais mais vendidos por ano

2015 - Violetta em Concerto - Violetta (4P) - 60000
2014 - Violetta: A Música É O Meu Mundo - Violetta (4P) - 60000
2013 - Midnight Memories - One Direction (2P) - 30000
2012 - En Acústico - Pablo Alborán (6P) - 90000
2011 - Paula Fernandes: Ao Vivo - Paula Fernandes (4P) - 60000
2010 - The Fame Monster - Lady Gaga (P) - 20000
2009 - No Line on the Horizon - U2 (2P) - 40000
2008 - Back to Black - Amy Winehouse (2P) - 40000
2007 - Siempre - Il Divo (2P) - 40000
2006 - Ancora - Il Divo (2P) - 40000
2005 - Fijación Oral, Vol. 1 - Shakira (5P) - 100000
2004 - DiscO-Zone - O-Zone (4P) - 80000
2003 - Tudo Bem 2 - Axé Bahia (9P) - 180000
2002 - Hijas del Tomate - Las Ketchup (15P) - 300000
2001 - Laundry Service - Shakira (9P) - 180000
2000 - Supernatural - Carlos Santana (7P) - 140000
1999 - Sogno - Andrea Bocelli (5P) - 200000
1998 - Titanic - Banda Sonora (6P) - 240000
1997 - Spice - Spice Girls (4P) - 160000
1996 - Canta em Português - Enrique Iglesias (7P) - 280000
1995 - Laura Pausini - Laura Pausini (5P) - 200000
1994 - Music Box - Mariah Carey (4P) - 160000
1993 - The Bodyguard: Original Soundtrack Album - Whitney Houston (5P) - 200000
1992 - Greatest Hits II - Queen (3P) - 120000
1991 - MCMXC a.D. - Enigma (6P) - 240000
1990 - ...But Seriously - Phil Collins (5P) - 200000


https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_m%C3%BAsicos_recordistas_de_vendas_em_Portugal

2015 1-DAMA / 2014 3-Tc25 / 2013 1-Essencial-2-Desfado / 2012 1-Essencial-7-Desfado / 2011 1-O Mesmo 2-Aurea / 2010 1-O Mesmo 2-Morangos VTT / 2009 1-Hoje / 2008 1-TC / 2007 1-TC 2-José Afonso / 2006 1-Floribella / 2005 1-Dzart / 2004 3-DW / 2003 3-Acústico RV / 2002 1-Divinus / 2001 4-O Melhor de RV/ 2000 2-S4 / 1999 7-Voar - S&P / 1998 1-S4 / 1997 1-Quase Tudo / 1996 1-Delfins / 1995 ? / 1994 1-Viagens / 1993 ? / 1992 1-Resistência-2-GNR / 1991 9-Mingos / 1990 2-Mingos

2015 2-Adele / 2014 1-Violetta / 2013 4-Midnight / 2012 1-Pablo A / 2011 4-Paula F./ 2010 4-Viver a Vida - 5-Fame / 2009 4-U2 / 2008 3-Mamma 5-Amy / 2007 5-Paginas da V-11-Loose-12-Siempre / 2006 6-Ancora / 2005 6-Partimpim / 2004 1-O-Zone / 2003 1-Tribalistas / 2002 1-Shakira / 2001 1-Lara F / 2000 1-Santana / 1999 1-Sogno / 1998 2-Netinho 3-Titanic / 1997 3-Spice / 1996 2-Mamonas / 1995 1-Vangelis 2-Laura / 1994 2-M.Carey / 1993 1-Bodyguard / 1992 3-Nirvana / 1991 1-Enigma / 1990 1-But Seriously

sábado, 30 de abril de 2016

Vendas de discos 2015


Discos em destaque

Sem Olhar Para Trás - Mickael Carreira *  [Warner] - #3
Violetta: Hoy Somos Más - Banda Sonora * [Universal] - #3
Sempre - Tony Carreira [Farol] * - 5#1 (+ 2 semanas em  nº 1 em 2015)
Wallflower - Diana  Krall [Universal] - 2#1
Violetta En Concerto - Violetta [Universal] - 1#1
Duetos II - Roberto Carlos [Sony] - #3
Uma Questão de Principio - D.A.M.A. * [Sony] - 15#1
Physical Graffiti - Led Zeppelin [Warner] - #5
Extinct   - Moonspell - 1#1
Rebel Heart - Madonna - 1#1
Serviço Ocasional - Os Azeitonas [Warner] - 1#1
Tracker - Mark Knopfler [Universal] - #2
Espelho - Diogo Piçarra [Universal] - 1#1
Cumplicidades - António Chainho [Sony] - #2
Caixa Negra - GNR [Sony] - #5
Leva-me A Sério - Agir [EVC] - #2
Solo - Rui Massena [Universal] - #2
Romance (s) - Aldina Duarte [Sony] - #3
The Magic Whip - Blur [Warner] - #5
Infinito Presente - Camané [Warner] - 1#1
In The 876 - Richie Campbell [Sony] - #2
Wilder Mind - Mumford & Sons [Universal] #3
Roberto Carlos  Em Las Vegas - Roberto Carlos [Sony] - 2#1
Riû - Cuca Roseta [Universal] - #2 
Sol Invictus - Faith No More [Altafonte] - #5
How Big, How Blue, How Beautiful - Florence + The Machine - #5
Violetta En Gira - Violetta [Universal] - 1#1
Drones - Muse [Warner] - 1#1
Luto - Tara Perdida [Sony] - #4
Currents - Tame Impala [Universal] - #4
Panda E Os Caricas 3 - Panda E Os Caricas [Universal] - #2
The Book Of Souls - Iron Maiden [Warner] - 1#1
Sometime Last Night - R5 [Universal] - #2
Repentless - Slayer [Compact] - #4
Rattle That Lock - David Gilmour [Sony] - 3#1
Honeymoon - Lana Del Rey [Universal] - #2
King Ckwa - C4 Pedro [Sony] - #4
Mundo - Mariza [Warner] - 1#1
Revival - Selena Gomez [Universal] - #2
Futuro Eu - David Fonseca [Universal] - 1#1
No Meu Canto O Melhor de - Rita Guerra [Farol] - #4
Dá-me Um Segundo - D.A.M.A. [Sony] - 3#1
Sounds Good Feels Good - 5 Seconds Of Summer [Universal] - #2
O Retiro - Rodrigo Leão [Universal] - #2
Primeira Fila - Roberto Carlos [Sony] - #4
1 - The Beatles [Universal] - #4
Made In The A.M. - One Direction [Sony] - 1#1
Purpose - Justin Bieber [Universal] - #2
25 - Adele [Popstock] - 5#1
20 - The Gift [Sony] - #4
Moura - Ana Moura [Universal] - #2
A Head Full Of Dreams - Coldplay [Warner] - #3
3 - David Carreira [Sony] - 1#1

ARQUIVO DAS TABELAS PORTUGUESAS - AFP (DESDE 2003)

http://portuguesecharts.com/weekchart.asp?cat=a

LISTA DE DISCOS EM Nº1 DURANTE 2015

https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_number-one_albums_of_2015_(Portugal)


GALARDÕES 2015

[Platina - 15.000 unidades; Ouro - 7.500 unidades]

Sem Olhar Para Trás - Mickael Carreira * - Platina - 10/01/2015
Sempre - Tony Carreira * - 2xPlatina
Violetta - 60.000 - 
Gisela João - Gisela João * - Platina - 04/02/2015
X - Ed Sheeran * -  Ouro
Mundo Pequenino - Deolinda * - Platina
Uma Questão de Princípio - D.A.M.A.* - Platina
Tenho Fé Em Deus - Maria Lisboa  - Ouro
Oceano Pacifico Só Grandes Músicas * - Ouro
Best Of - Mariza * - 2xPlatina - 26/08/2015
Rua da Emenda - António Zambujo * - Platina
Desfado - Ana Moura * - 5xPlatina - 07/10/2015
Canto - Carminho * - Platina
Mundo - Mariza - Platina
25 - Adele - Platina
Moura - Ana Moura - Platina
Dá-Me Um Segundo - D.A.M.A. - Ouro
3 - David Carreira [Sony] - Ouro
A Head Full Of Dreams - Coldplay - Ouro
Made In The A.M. - One Direction - Ouro
Purpose - Justin Bieber - Ouro

* já tinham vendas em 2014

ÁLBUNS MAIS VENDIDOS EM 2015

 1 -- UMA QUESTÃO DE PRINCÍPIO - D.A.M.A.
2 -- 25 - ADELE
3 -- SEMPRE - TONY CARREIRA
4 -- MUNDO - MARIZA
5 -- O MELHOR DE - ANSELMO RALPH
6 -- MOURA - ANA MOURA
7 -- RUA DA EMENDA - ANTÓNIO ZAMBUJO
8 -- DÁ-ME UM SEGUNDO - D.A.M.A.
9 -- BEST OF - MARIZA
10 - DESFADO - ANA MOURA
11 - WALLFLOWER - DIANA KRALL
12 - X - ED SHEERAN
13 - MADE IN THE A.M. - ONE DIRECTION
14 - PANDA E OS CARICAS - PANDA E OS CARICAS
15 - 3 - DAVID CARREIRA
16 - LEVA-ME A SÉRIO - AGIR
17 - VIOLETTA EM CONCERTO - VIOLETTA
18 - A HEAD FULL OF DREAMS - COLDPLAY
19 - CANTO - CARMINHO
20 - PURPOSE - JUSTIN BIEBER
21 - SEM OLHAR PARA TRÁS - MICKAEL CARREIRA
22 - ESPELHO - DIOGO PIÇARRA
23 - NEVERMIND - NIRVANA
24 - FIFTY SHADES OF GREY - BANDA SONORA
25 - PANDA E OS CARICAS 3 - PANDA E OS CARICAS
26 - OS FABULOSOS TAIS QUAIS - TAIS QUAIS
27 - IN THE LONELY HOUR - SAM SMITH
28 - SOLO - RUI MASSENA
29 - FROZEN - BANDA SONORA
30 - GUIA - ANTÓNIO ZAMBUJO
31 - THE ENDLESS RIVER - PINK FLOYD
32 - ROBERTO CARLOS EM LAS VEGAS - ROBERTO CARLOS
33 - DUETOS II - ROBERTO CARLOS
34 - DRONES - MUSE
35 - RATTLE THAT LOCK - DAVID GILMOUR
36 - OUTRO SENTIDO - ANTÓNIO ZAMBUJO
37 - INFINITO PRESENTE - CAMANÉ
38 - O RETIRO - RODRIGO LEÃO
39 - CRÓNICAS DA CIDADE GRANDE - MIGUEL ARAÚJO
40 - EN GIRA - VIOLETTA
41 - RIÛ - CUCA ROSETA
42 - VIOLETTA: HOY SOMOS MÁS - BANDA SONORA
43 - 20 - THE GIFT
44 - BORN TO DIE - LANA DEL REY
45 - SERVIÇO OCASIONAL - OS AZEITONAS
46 - QUINTO - ANTÓNIO ZAMBUJO
47 - 35 - XUTOS & PONTAPÉS
48 - FADO - CARMINHO
49 - O MELHOR DE RUI VELOSO - RUI VELOSO
50 - ENCONTROS PELO CAMINHO - PAULA FERNANDES

FONTE: AFP

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Entrevista de vida a David Ferreira

David Ferreira e música são sinónimos. Depois de uma carreira de 29 anos na edição fonográfica – primeiro na Valentim de Carvalho, empresa fundada por um tio-avô, depois como rosto da EMI – apaixonou-se pela rádio, onde assina dois programas de autor – A contar e A cena do ódio – na Antena 1. O que começou por ser um projeto para uma dúzia de programas já vai na 233ª edição. Música portuguesa e cantores esquecidos, acompanhados sempre por histórias, a lembrar os dias da rádio.
Em pequeno, contava-lhe a mãe, sabia distinguir Ravel de Bartok aos primeiros acordes. Adolescente, sonhava-se o empresário dos Beatles responsável por um regresso lendário da banda; aos 20, vendia discos na loja da Valentim de Carvalho, na Avenida de Roma, em Lisboa, trocando o curso de História pelo prazer de apresentar obras-primas a clientes que ainda hoje o recordam. Filho de David Mourão-Ferreira, houve um tempo, breve, em que quis ser poeta e escritor, mas temeu a comparação a que não conseguiria escapar. E a política, que a dada altura pensou seguir, redundaria uma enorme desilusão. Venceu a música. Ao longo de quase três décadas na edição fonográfica, lidou com artistas maiores e menores e decidiu sobre carreiras – teve muitas na mão. No fim, saiu com a amargura duma batalha perdida contra o download ilegal e em confronto com os poderes absolutos que foram tomando conta das editoras. Na rádio, onde é livre, consome a semana a preparar os programas que assina. Começou por aí esta entrevista. Foi no Hotel da Estrela em Campo de Ourique, o bairro onde vive, lisboeta nascido no Hospital dos Empregados do Comércio, ao Caldas, há 60 anos.


(...) O radialista de hoje é sobretudo conhecido por ter dirigido, de 1983 a março de 2007 a EMI-Valentim de Carvalho e depois a EMI Portugal. O percurso e a história começam em 1978, quando assume com o primo Francisco Vasconcelos a parte editorial da empresa fundada por Valentim de Carvalho, tio avô-materno de ambos.

- Que episódios recorda desses primeiros tempos?

Tantos. Nesses anos, havia na Valentim a ideia de que a rádio não gostava de nós. Ou por embirração dos locutores ou porque tinham relações preferenciais com outras editoras. Lembro-me de que quando levei à rádio o primeiro single da Kate Bush, um disco de que eu gostava muito, o comentário de Jorge Pego, que eu não conhecia, foi este: «os ingleses gostam de cada merda!». Saí, é claro, de orelha murcha e a pensar que o melhor seria desistir daquele trabalho. De volta ao escritório, dizem-me que o Jorge tinha passado o disco várias vezes em menos de 2 horas.
Moral da história?  Um bom disco faz milagres – e até amizades que ainda hoje duram.

- Aos 24 anos, passou a lidar com alguns artistas que admirava e a quem, presumo, gostaria sobretudo de pedir um autógrafo. Lembra-se de algum caso?

Éramos realmente uns miúdos, eu e o meu primo Francisco. A quem, em ’79, o tio e patrão mandou tentar contratar, imagine-se, o Sérgio Godinho. Mais, de mãos a abanar, sem uma proposta que se visse. Mas, caramba, que alegria e vaidade almoçar com o Sérgio! Que, como esperado, recusou-se simpaticamente a assinar. Durante os anos que gravou para a Polygram não perdi um concerto dele no Coliseu. Em ‘89, finalmente, consegui contratá-lo e fui o seu editor até sair da EMI, em 2007. Sérgio Godinho é dos melhores escritores de canções do mundo.

- Miúdos que rapidamente passam a ter nas mãos as aspirações de muitos. Como lidou com esse poder?

 Poder é bom. Poder fazer o que achamos interessante. Poder transformar o sonho em projeto e poder passar do projeto à realidade. O verbo poder, quero eu dizer, é bom. O substantivo nem sempre. Se quem o exerce o entende como um fim, é uma lástima para os outros. E, mesmo a quem o detém o poder, impõe – ou quase impõe – rotinas chatas e muito tempo mal gasto.

- Em 1981, três anos depois, conquistam uma quota de mercado invejável.

Em 1981, temos Rui Veloso, UHF, Trovante, Lena d’Água, GNR. Lembro-me que no Natal desse ano tudo nos corria muito bem. Por exemplo: Patchouly, do Grupo de Baile. Sabendo que a letra não passaria na rádio – não era habitual um disco a falar em «pentelhos» – lembrei-me de fazer uma versão «censurada» com «pi» que acabaria por fazer esgotar a versão sem «censura». Depois, apareceu também nessa altura uma cantora nova chamada Manuela Moura Guedes que vendeu 30 mil discos. A isto somavam-se êxitos dos Police e dos Duran Duran. Estávamos mesmo em alta e naquela época fazer um bom Natal significava praticamente fazer um bom ano. Mas não acabou aqui: completamente fora das previsões, a Maria Armanda vence o concurso Sequim d’Ouro (Zecchino d’Oro). Como não estávamos preparados e uma fita podia ficar meses na alfândega, o nosso diretor comercial, Pedro Moreira, lembrou-se de comprar uma cassete pirata para copiar. Fomos portanto piratas dos piratas e vendemos 100 mil discos da Maria Armanda.

- Sobre os Police, um parêntesis: como foi viajar com a banda de autocarro, em ’80, até ao estádio do Restelo?

Andy Summers era o mais conversador, Stu Copeland estava calado e constipado e Sting, todo contente, brincava com uma navalha de ponta e mola que tinha conseguido comprar na Baixa; em Inglaterra seria impossível fazê-lo. O espetáculo, depois, foi inesquecível. Mas o melhor de tudo foi ver como Rui Veloso & a Banda Sonora fizeram uma primeira parte que o público adorou, sem aquela atitude de «p’ra português não é mau» mas com genuíno prazer. Muitos preconceitos morreram nessa noite.

- Os primeiros concertos de bandas portuguesas foram feitos a medo?

Confesso que em vários espectáculos entrei com medo de a sala não esgotar. Mas depois correu tudo bem: por exemplo, Trovante e GNR, primeiro na Aula Magna e depois no Coliseu, a via sacra nos anos ’80, deram espetáculos emocionantes; e muitas oportunidades para quem veio depois.

- Que lugar tem a Valentim de Carvalho na história da música portuguesa?

Miguel Esteves Cardoso, que foi nosso consultor depois de deixar a crítica de discos (em meados dos anos 1980) fez um dia um slogan sobre a Valentim que diz quase tudo: «a casa portuguesa da música». De facto, se olharmos para o último século, a Valentim deu abrigo a talentos e alimentou carreiras. E esse continua a ser o seu pedigree. O Chico (Francisco Vasconcelos), à beira dos 60 anos, continua a descobrir artistas novos – veja-se os casos recentes da Gisela João e do Salvador Sobral. A partir de certa altura, eu concentrei-me nas relações longas.

- Relações longas obrigam a paciência e a diplomacia?

Muita diplomacia. Uns mais fáceis do que outros, em todas as áreas. Adorava ouvir as críticas do Alexandre Soares, dos GNR, e do João Nobre, dos Da Weasel. De vez em quando, o (Rui) Reininho batia-me nos jornais. Mas nunca me apeteceu responder. Se o meu trabalho era fazer com que gostassem deles, como podia fazê-lo? E ainda por cima era fã.

- Fale-nos dos mais difíceis.

Os Madredeus, muitas vezes. O Pedro Ayres Magalhães é brilhante mas é também das pessoas mais teimosas que há e estávamos numa época de verdadeira luta pelo poder: editoras de um lado; artistas e empresários, do outro. Foi um processo muito duro, mas no final fizemos bem o nosso trabalho, eles e nós. Um dia, num momento mais duro, pensei escrever as minhas memórias de editor e chamar-lhes O Sino: alto está, alto mora, todos o veem, ninguém o adora.

- Nessas possíveis memórias, que constará sobre os Madredeus?

Um dia, uma colega que andava doente atrasou-se a processar os pagamentos aos Madredeus, os mais complexos, porque as receitas vinham de todo o mundo. Protestaram e quando percebi o que se passava desfiz-me em desculpas. O Pedro Ayres, visionário de trato muitas vezes áspero, tranquilizou-me: «estávamos preocupados, mas o problema não era contigo, sabemos que és dos nossos». A palmada nas costas soube bem.

- Contratos. Os artistas, quase todos, se queixam do mesmo: sempre foram mal pagos.

Vejo uma editora como um carrocel e, por vezes, quando um artista se lamenta do pouco que ganha não está a contar a história completa. Porque também é verdade que, antes de chegarem lá acima, quase todos fizeram perder dinheiro. Sempre disse que gastei com o Rui Veloso o que ganhei com o Marco Paulo, com os Madredeus o que ganhei com o Rui, com os Da Weasel o que ganhei com os Madredeus. E uma boa carreira discográfica aumenta muitas outras receitas em que a editora não era parte interessada, espetáculos em particular.

- O que define um bom editor?

Não é aquele que acerta sempre, mas o que tem um saldo interessante entre sucessos e falhanços. E, sobretudo, aquele que presta, continuadamente e sem sobressaltos de maior, o melhor serviço aos artistas.

- Enganou-se muitas vezes?

Com os Delfins, por exemplo. Nunca pensei que fossem tão longe e pudessem ser, durante dois anos, a banda que mais «vendeu» em Portugal. Gravaram connosco (EMI), mas quando chegou a altura nada fiz para os manter. Tenho, contudo, a sensação de que não saberia fazer aquele sucesso com eles. A Mísia é outro exemplo: contratei-a para fazer o primeiro disco, mas escolhi mal o colega que trabalharia com ela; nunca se entenderam, não culpo nenhum, foi um erro meu de casting.

- Antes do nosso tempo (meu e do Francisco), a Valentim não agarrou um artista genial que por lá passou para gravar umas poucas canções: o José Afonso. Nesses casos, resta a virtude de aprender com os erros. Tenho pena de não o ter conhecido. A ele e ao Adriano (Correia de Oliveira).

- Mais penas?

Pena de nunca ter trabalhado com o Fausto, com o Max e com a Hermínia (Silva), por exemplo.

- Rock português – que etiqueta chegou lá primeiro?

Não tendo sido os primeiros a gravar rock português (foi a Metro-som) fomos os primeiros a apostar a sério no rock português e em 1980 tínhamos dois grandes sucessos: Ar de Rock, de Rui Veloso, no verão, e o single Cavalos de Corrida, dos UHF, já no outono. Esse é um dos meus orgulhos. E mais: não só chegámos primeiro como ficámos. Em 82/85, durante a crise, fomos apanhar os Heróis do Mar, despedidos pela Polygram. Sorte: ficando com os Heróis do Mar, do Pedro Ayres Magalhães, ganhámos os Madredeus.

- Tem uma banda de rock favorita, portuguesa?

GNR, sem dúvida nenhuma. E no fado também não hesito: Amália e Camané.

- Qual é o lugar de António Variações?

Único: pelo talento e pela inovação. Julgo ter sido eu quem sugeriu o nome Variações a seguir a António, depois de ele me mostrar um cartão em que aparecia o nome do grupo, Variações, que de vez em quando o acompanhava. Ouvi o disco Estou Além/Povo que lavas no rio, na sala da alta fidelidade. Enviei-o logo ao Rock em Stock, na altura feito pela Ana Bola, que gostou muito. Passou-o na hora e foi um sucesso imediato. Fosse hoje e teríamos de marcar uma reunião com alguém que se julga muito importante e que poderia marcar ou não essa reunião. E ter medo de passar o que é diferente.

- Uma batalha sua, antiga: as playlists.

Há responsáveis por playlists que se consultam entre si, em vez de fazerem concorrência uns aos outros. Não arriscam porque têm medo de ser despedidos por quebras de audiência. Naquele tempo, a rádio passava o que era bom. O Variações é um caso espantoso de adesão, que foi do Rock em Stock ao António Sala.

- Contudo, esteve cinco anos na Valentim de Carvalho sem sair um disco.

Não tendo lidado com isso diretamente, sei que por vezes há que deixar as coisas amadurecer. O António precisou da geração seguinte, de ir para estúdio com o Ricardo Camacho, com os GNR ou com os Heróis do Mar. A propósito do António gostava de dizer algumas coisas.

- O que quiser.

Demorei muito tempo a perceber a gravidade do estado de saúde do António; depois, afogado em trabalho, adiei o dia em que o iria visitar; nunca o vi no hospital e ainda sinto o remorso. Disso e dos telefonemas que ficaram sem resposta do Carlos Paião – um escritor de canções muito dotado e uma pessoa muito generosa – e do Tony de Matos, um intérprete fantástico; ambos me ligaram dias antes de morrerem inesperadamente. Por último, tenho muita vergonha de, no Festival em que venceu Sobe Sobe Balão Sobe, ter pateado o Nóbrega e Sousa, o autor da música. Um compositor daqueles – Sol de Inverno, por exemplo – deve ser celebrado pelas grandes melodias que faz.

- O que lhe agrada em Tony de Matos?

 Levo-o a sério. Cantava bem as palavras, era musical, não imitava ninguém e não dava voltinhas inúteis que nos distraiam. Por isso levo-o a sério.

- Voltando às memórias de editor, que outras histórias lá caberiam?

A certa altura descobrimos um erro no contrato do Rui Veloso. Telefonei ao João Nabais, o seu advogado, que confirmou o erro e pediu que nós mesmos colocássemos um «não» no sítio relevante. O Rui assinou de imediato. Sucede que naquela altura, 1991, o Rui representava 5 por cento do valor total do mercado e o erro não corrigido teria valido, naquele tempo, uns dez mil contos a seu favor. Os meus colegas americanos disseram-me que na terra deles uma história dessas seria impossível.

- Como é que «sacam» o Camané?

Contratei o Camané a pedido – discreto que ela não precisava de mais – da Amália. «Aquele rapaz está no caminho certo», disse-me; e bastou. Fui contratá-lo com o João Teixeira (hoje diretor da Warner Music) ao Café Concerto da Comuna. Assustou-nos dizendo que havia um problema: «Eu só canto isto». «Chega, não precisamos de mais!», dissemos aliviados. De facto, o Camané queria explicar-nos que não era dado a malabarismos, a exibições gratuitas de capacidades vocais. E esse é «o caminho certo».

- Profissionalmente, conseguia uma abordagem racional ou tinha de gostar do trabalho dos artistas (e até dos próprios)?

Quis muitas vezes ser um profissional frio. Nunca consegui. Não me é fácil fazer um trabalho bem feito se não houver coração à mistura. Tenho a ilusão de que cabeça e coração são igualmente necessários e possíveis.
(...)

- A música chegou-lhe pelo pai ou pela mãe?

A minha mãe, que trabalhava na Valentim de Carvalho, levava-me muitas vezes para o trabalho. E eu ficava na loja da Rua Nova do Almada a ouvir discos. Contava ela que um dia, era ainda muito pequeno, pedi a uma empregada o Bolero de Ravel. Sem me prestar atenção, a senhora terá posto o primeiro disco de música clássica que encontrou ao que eu terei contraposto: «Isso não é Ravel, é Bela Bartok». Histórias de mãe! Foi a minha quem cedo me encheu a casa de discos – eu quis sempre ouvi-los a todos. Ou quase.

- Nunca tentou ser músico?

Tentei mas desisti depressa. Tinha 17 anos. Uma senhora que me ensinava piano disse-me a rir: «Nunca encontrei ninguém com tanta falta de jeito».

- Nesse idade ouvia seguramente Beatles.

Aos 17 anos o meu herói era Elton John. E Beatles, claro. Gostava tanto que a separação deles era assunto que me preocupava todos os dias. Sonhava com isso. Num dos sonhos, eu era o empresário que os reunia de novo. No fim do liceu, descobri Brel e Amália; aos 20 anos, Sinatra. Hoje, oiço coisas muito diversas. Mas não gosto de ouvir o que é postiço.

- Qual é a melhor canção dos Beatles?

 Não sei escolher. Gosto tanto das canções curtas, felizes e directas do primeiro filme, Hard Day’s Night, como do pesadelo elaborado do I Am the Walrus.

- Que vozes o comovem?

Brel é um dos meus heróis. Choro a ouvir Brel. Graças ao Luís Cília, conheci Léo Ferré, entrevistei-o um ou dois dias depois dum espetáculo no Coliseu, onde tive muitas vezes os olhos húmidos. Perguntei-lhe por que mudara a letra duma canção no espetáculo. Fez um ar zangado. Disse-me que não mudara nada. Insisti, assustado com a reação dele: «No disco ouve-se ”revolução” e no espetáculo cantou “insurreição”. Talvez agradecido por ter um fã tão atento, respondeu-me com o sorriso mais simpático que vi num artista: “A revolução não serve para nada, dá-se uma volta inteira e volta-se ao ponto de partida. A insurreição é o que é preciso!”»

(...)

- Começa por trabalhar numa loja de discos da Valentim.

Vou trabalhar aos 18 para o balcão da loja da Avenida de Roma, onde fui muito feliz. Para quem, como eu, tem uma enorme necessidade de empatia, o balcão é um sítio bestial. Era uma loja muito eficiente e divertida, aprendi imenso. Apresentei muitos músicos a muitos clientes e o contrário também aconteceu.

- Sai da EMI em 2007. Porquê e com que amarguras?

Saí da edição fonográfica com a amargura duma batalha perdida contra o download ilegal; do resultado da guerra tratarão outros e torço sempre pelos autores, artistas e editores. E não me choca, em teoria, uma sociedade onde a propriedade não exista; agora os discos e os o livros e os jornais e os filmes serem de todos, enquanto tudo o resto – incluindo a educação e os transportes e a saúde – é dos bancos e de meia dúzia de empresas, custa a aceitar.

- Diz em várias entrevistas que o incomoda – e combate – o poder absoluto. Na EMI, trabalhou com ingleses e americanos. Encontrou esse tipo de poder?

Na EMI, durante muito tempo, conheci uma tradição inglesa de poderes limitados e que nos ensinava a respeitar artistas, clientes e empregados. Mas lidei também com empresas americanas antipáticas (a Disney, por exemplo), com tiques imperiais. E, a partir de 2001, vi na própria sede da EMI instalar-se um estalinismo grosseiro: o CEO deslocava-se num Roll’s Royce com a matrícula EMI 1, dá para acreditar?!

- Quis ser editor independente. Não conseguiu.

Tentei durante uns três anos, mas burro velho não aprendeu essa língua, azar o meu; aprendi, sim, a confrontar-me com a arrogância duma certa distribuição, que se afirma cultural; encontrei portas fechadas e sumidades que sabem usar a crise a seu proveito; cheguei a sentir-me um «has been» e paguei a fatura de teimosamente desalinhar.

- Quem lhe restou, nesses dias?

Numa entrevista de rádio tive um elogio muito generoso do José Nuno Martins; o Rui Pego e o Luís Marinho foram conversando comigo nos tempos difíceis; e o Rui convidou-me para fazer um programa na Antena 1. Hoje faço três.

- Afirmou há uns anos que não sabia se a música era profissão ou vício. Sabe agora?

Ainda não. Talvez seja as duas coisas. Um dos melhores chefes que eu tive na EMI dizia que a maioria das pessoas tem trabalhos chatos para ganhar a vida e poder comprar os brinquedos de que gosta, sejam relógios, carros, roupa cara. Enquanto que alguns de nós, eu por exemplo, trabalhavam com os próprios brinquedos.

Por: Alexandra Tavares-Teles  24/04/2016 - 09:22 • Fotografia Sara Matos/Global Imagens

Leia mais: Entrevista de vida a David Ferreira - Notícias Magazine http://www.noticiasmagazine.pt/2016/entrevista-de-vida-a-david-ferreira/#ixzz47JElSWNT

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Cronologias do Portugal Contemporâneo

Cronologias do Portugal Contemporâneo, 1960-2015 representa o contributo da Fundação Francisco Manuel dos Santos para, no domínio da identificação de datas e factos relevantes das últimas décadas, colmatar esta lacuna. A obra, que cobre um arco temporal que vai da década de 1960 à actualidade, encontra-se organizada por décadas, em sequência cronológica, e, em cada ano, por áreas temáticas: Política, Economia, Sociedade, Cultura e Internacional. Procurou-se, desta forma, cobrir um amplo espectro da realidade, fornecendo informação factual e objectiva sobre os factos que marcaram o Portugal contemporâneo.


http://cronologias.ffms.pt/#



1967 (jan)


Em Cannes, Amália Rodrigues recebe o Prémio do MIDEM (1965-1966), que assinala o recorde de vendas no mercado discográfico português. Amália Rodrigues receberá o prémio nos dois anos seguintes.


27/01/1968


Em Cannes, Amália Rodrigues recebe o Prémio do MIDEM (1966-1967), que assinala o recorde de vendas no mercado discográfico português.


18/03/1973


Segundo o Diário de Lisboa, o vencedor do Festival da Canção de 1973, Fernando Tordo, vendeu dez mil discos na primeira semana de comercialização. O Festival da Canção suscitou um enorme interesse entre o público português e animou vendas e carreiras artísticas.


20/05/1976


Art Sullivan actua no Pavilhão dos Desportos. Em três meses, o cantor belga vendeu 120 mil discos em Portugal.


08/09/1977


A Interpol emite uma recomendação contra a pirataria de cassetes de vídeo e outro material audiovisual, que ainda hoje é citada nos avisos de abertura dos DVDs. A pirataria e a violação de direitos de autor tornar-se-ão crimes altamente rentáveis.


1981


A indústria discográfica portuguesa declara que o ano de 1981 conheceu um boom de vendas, com sete milhões de singles, LPs e cassetes, sendo predominantes o rock anglo-saxónico e o português.


21/07/1981


A Lei n.º 12/81 aprova mecanismos de protecção da música portuguesa na sua difusão pela rádio e pela televisão, impondo quotas mínimas para a música portuguesa de 15% para a música erudita e de 50% para a música ligeira, as quais nunca chegaram a ser cumpridas.


01/10/1984


O Decreto-Lei n.º 316/84 estabelece medidas relativas à efectiva execução da Lei n.º 12/81 de 12 de
Julho (protecção da música portuguesa na sua difusão pela rádio e pela televisão). As coimas e a nova
regulamentação não conseguiram fazer com que as percentagens minímas de música portuguesa fossem cumpridas.


1986 (dez)


ARTISTAS EM CD


O ano é assinalado pelo aumento substancial da venda de discos compactos e dos respectivos equipamentos de leitura. Os discos compactos foram lançados em 1982 pela Philips e pela Sony. Amália Rodrigues, Maria João Pires e Carlos do Carmo foram dos primeiros artistas portugueses a terem trabalhos em CD disponíveis em catálogos internacionais.