segunda-feira, 16 de maio de 2011

Música Portuguesa em destaque

No dia 14 de Maio a SIC transmitiu uma peça relacionada com a tabela de vendas  nacional. A Música portuguesa domina cada vez cada mais o top de vendas. Esta semana, 9 dos 10 primeiros lugares são ocupados por artistas nacionais.

Nos últimos anos, a presença de artistas portugueses nas tabelas de vendas triplicou. A este facto não é de estranhar a introdução de quotas na Lei da  Rádio. Desde 2006 que 25% da programação radiofónica é dedicada à produção nacional.

Mas os números aparentemente optimistas escondem outra realidade. Hoje um primeiro lugar ronda as 700/800 cópias vendidas. Há sete anos ultrapassava as 2000.

O primeiro lugar da tabela é ocupado pelo disco de estreia dos Amor Electro. O numero 1 dos Amor Electro corresponde a 700 discos vendidos. Em Maio de 2004 Diana Krall chegou ao topo da tabela com mais de 2000 discos vendidos. Hoje um primeiro lugar ronda as 800 cópias por semana.

Eduardo Simões da AFP considera que este é um mercado em agonia onde houve 18 meses de total passividade do Governo perante o problema da pirataria na internet. A Associação Fonográfica Portuguesa diz que é preciso alterar a lei para travar os downloads ilegais.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Abba

Os galardões referentes a «disco de prata», «disco de ouro» e «disco de platina» só há poucos anos começaram a ser entregues em Portugal, existindo discos do grupo sueco Abba que não os receberam porque as suas vendas são anteriores a criação de tais prémios. Todavia, deixamos a indicação dos discos dos Abba que alcançaram vendas de exemplares em número suficiente para receber os referidos galardões: Discos de platina — os LPs «The Visitors», «Supertrouper» e «Voulez-Vous». Discos de Ouro — os LPs «The Singles» e «Greatest Hits Vol. 2.» Discos de Prata — os singles «The Winner Takes lt All» e «Supertrouper».

Pedro Pyrrait / TV GUIA; música em questão - Julho/1984

O disco «Abba Gold - Greatest Hits» alcançou o duplo disco de platina em 1993.

O single «Fernando» de 1976 vendeu cerca de 80.000 exemplares.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Disco de Platina x2

O livro "Os Profissionais do Disco - Um Estudo da Indústria Fonográfica em Portugal" (1999) inclui um apêndice com a relação dos álbuns que atingiram pelo menos 2 discos de platina, entre 1983 e 1997.

álbuns que atingiram pelo menos 2 discos de platina [1983/1997]

1983 - 2; 1984 - 6; 1985 - 7; 1986 - 5; 1987 - 14; 1988 11; 1989 - 12; 1990 - 18; 1991 - 40; 1992 - 27; 1993 - 35; 1994 - 43; 1995 - 51; 1996 - 54; 1997 - 63;

Concert In Central Park - Simon & Garfunkel (1983) - 2 platinas [disco duplo]
O Amor É A Moda - Roberto Carlos (1983) - 2 platinas

[o número de cópias necessárias para Disco de Platina passou de 60.000 para 40.000 em 1987]

Mar Português - Nuno da Câmara Pereira (1987) - 2 platinas [2PL-1987] - primeiro disco português a receber dupla platina

Collection - Nat King Cole (1987) - 2 platinas [2PL-1987]
Delicate Sound of Thunder - Pink Floyd (1988) - 4 platinas [2PL-1988 3-1989 E 4-1990]
Lambada - Vários (1989) - 3 platinas
But Seriously - Phil Collins (1990) - 2 platinas
In Vivo - GNR (1990) - 2 platinas [2PL-1992]
In Concert - José Carreras, Plácido Domingo e Luciano Pavarotti (1990) - 2 platinas [2PL-1991]
Serious Hits - Phil Collins (1990) - 2 platinas [2PL-1991]
The Very Best of - Elton John (1990) - 2 platinas [2PL-1991]
Mingos & Os Samurais - Rui Veloso (1991) - 7 platinas [7PL-1997]
Waking Up The Neighbours - Bryan Adams (1991) - 6 platinas [6PL-1991]
Simply The Best - Tina Turner (1991) - 2 platinas [2PL-1991]
Use Your Illusion II - Guns N' Roses (1991) - 3 platinas [3PL-1992]
Auto da Pimenta - Rui Veloso (1991) - 2 platinas [2PL-1991]
Dangerous - Michael Jackson (1991) - 2 platinas [2PL-1992]
Nº1 - Vários (1991) - 2 platinas [2PL-1991]
The Very Best Of - Supertramp (1991) - 2 platinas [2PL-1993]
Palavras Ao Vento - Resistência (1992) - 2 platinas [2PL-1992]
Greatest Hits II - Queen (1992) - 4 platinas [2PL-1991 4PL-1992]
ABBA Gold - ABBA (1992) - 2 platinas [2PL-1992]
Rock In Rio Douro - GNR (1992) - 2 platinas [2PL-1993]
Nº1 - Vários (1992) - 3 platinas
Live At Wembley 86 - Queen (1992) - 2 platinas [2PL-1992]
Nº1 - Vários (1993) - 5 platinas
Sol da Minha vida - Roberta Miranda (1993) - 2 platinas [2PL-1993]
Temporal de Amor - Leandro e Leonardo (1993) - 2 platinas [2PL-1993]
Nº1 - Vários (EMI) (1993) - 2 platinas [2PL-1993]
Nº1 - Vários (Sony) (1993) - 3 platinas [3PL-1993]
Nº1 - Vários (1994) - 5 platinas
Electricidade - Vários (Vidisco) (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Dance Mania 94 - Vários (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Music Box - Mariah Carey (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
O Espírito da Paz - Madredeus (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Viagens - Pedro Abrunhosa (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Cross Road - Bon Jovi (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Unplugged In New York - Nirvana (1994) - 2 platinas [2PL-1996]
Supermix 9 - Vários (Vidisco) (1994) - 2 platinas [2PL-1994]
Dance Mania 95 - Vários (1995) - 2 platinas [2PL-1995]
Pulse - Pink Floyd (1995) - 2 platinas [2PL-1995]
Nº1 - Vários (Sony) (1995) - 3 platinas [3PL-1995]
Álbum Dance - Iran Costa (1995) - 5 platinas [5PL-1995]
Made In Heaven - Queen (1995) - 2 platinas [2PL-1995]
O Caminho da Felicidade - Delfins (1996) - 5 platinas [5PL-1996]
Mellon Collie And The... - Smashing Pumpkins (1996) - 2 platinas [2PL-1996]
Mamonas Assassinas - Mamonas Assassinas (1996) - 2 platinas [2PL-1996]
Tudo O Que Você Queria - GNR (1996) - 2 platinas [2PL-1997]
Jagged Little Pill - Alanis Morissette (1996) - 2 platinas [2PL-1997]
Nocturnos de Chopin - Maria João Pires (1996) - 2 platinas [2PL-1997]
Tempo - Pedro Abrunhosa (1996) - 2 platinas [2PL-1996]
Um Abraço de Natal - Vários (1996) - 2 platinas [2PL-1996]
Kadoc - Vários (Vidisco) (1996) - 3 platinas [3PL-1996]
Nº1 - Vários (1996) - 2 platinas [2PL-1996]
Ao Vivo - Luis Represas (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Saber A Mar - Delfins (1997) - 5 platinas [5PL-1997]
Best Of - Vaya Con Dios (1997) - 3 platinas [3PL-1997]
Rio Grande - Rio Grande (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Spice - Spice Girls (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Quase Tudo - Paulo Gonzo (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Almost Heaven - Kelly Familly (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Feijão Com Arroz - Daniela Mercury (1997) - 4 platinas [4PL-1997]
Romanza - Andrea Bocelli (1997) - 4 platinas [4PL-1997]
Bacalhau Pimba - Quinzinho Portugal (1997) - 4 platinas [4PL-1997]
Dance Power - Vários (Vidisco) (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
Romantic Rock - Vários (1997) - 2 platinas [2PL-1997]
O Melhor de Amália 2 - Amália Rodrigues (1997) - 2 platinas [2PL-1997]

Notas:

- O disco de platina só começou a ser atribuído em 1982/1983.

- São atribuidos maior número de galardões no caso de serem discos duplos (2CD ou 2LP) ou triplos (3CD ou 3 LP).

- O número de unidades necessárias para atribuição de discos de Platina foi diminuindo ao longo dos anos: 1983 - 60.000; 1987 - 40.000; [2005 - 20.000, ...]

.- A atribuição de galardões não representa vendas de discos.

domingo, 8 de maio de 2011

Vendas de discos 1969

BOLSA DO DISCO

vendas de discos no mercado de Lisboa - 1969

Contrariamente ao que acontece nas grandes capitais os números das vendas do disco não chegam ao grande público. Ficam no segredo das contabilidades.

«A Mosca» (suplemento do Diário de Lisboa) pretende penetrar nessa terra proibida e dá a conhecer os êxitos que nesta semana tiveram mais procura de público (Cotações obtidas nos Estabelecimentos Melodia, Discoteca Universal e Valentim de Carvalho).

João Paulo Guerra (A Mosca), 12/04/1969

uma cotação em função da procura, se não classifica discos, classifica o público comprador

A Mosca, 03/05/1969

São evidentemente anglo-americanos todos os grandes êxitos internacionais de vendas de discos no mercado de Lisboa, durante o ano que está a findar. Com as reservas devidas ao facto de os editores se fecharem no que respeita à divulgação de números concretos de vendas. «A Mosca» que publicou desde 12 de Abril o único «Hit-Parade» nacional, baseado num sistema de cotações que dá uma visão aproximada da realidade, estabelece a seguinte tabela para o período compreendido entre 12-04-1969 e 27-12-1969.

A Mosca 27/12/1969

Top Singles e EP's:

1-Get Back - Beatles
2-Atlantis - Donovan
3-Daydream - Wallace Collection
4-The Ballad Of John And Yoko - Beatles
5-Dizzy - Tommy Roe
6-Je T'Aime... Moi Non Plus - Jane Birkin e Serge Gainsbourg
7-Aquarius / Let The Sun Shine In (The Flesh Failures) - Fifth Dimension
8-Goodbye - Mary Hopkin
9-Lay Lady Lay - Bob Dylan
10-Tomorrow Tomorrow - Bee Gees
11-Give Peace A Chance - John Lennon & The Plastic Ono Band
12-In The Ghetto - Elvis Presley
13-É Meu, É Meu, É Meu - Roberto Carlos
14-Oh Lady Mary - David Alexander Winter
15-Make Me An Island - Joe Dolan

Portugueses

1-Desfolhada Portuguesa - Simone
2-Cantilena - Francisco Fanhais
3-Flor de Laranjeira - Filarmónica Fraude
4-Óculos de Sol - Natércia Barreto

Top Álbuns / LPs:

Cantares do Andarilho - José Afonso (vendeu cerca de 9000 exemplares)
Baladas - Adriano Correia de Oliveira (vendeu cerca de 6500 exemplares)

Singles e Ep´s em destaque:

Atlantis - Donovan [#1]
Ob-La-Di, Ob-La-Da - The Marmalade [#2]
First Of May - Bee Gees [#3]
Desfolhada Portuguesa - Simone [#2]
Ob-La-Di, Ob-La-Da - The Beatles [#3]
Boom Bang-A-Bang - Lulu [#2]
Sorry Suzanne - Hollies [#3]
Goodbye - Mary Hopkin [#1]
People - Barbra [#3]
Get Back - Beatles [#1]
Dizzy - Tommy Roe [#1]
Never Comes The Day - Moody Blues [#1]
Aquarius / Let The Sun Shine In (The Flesh Failures) - Fifth Dimension [#1]
É Meu, É Meu, É Meu - Roberto Carlos [#4]
The Ballad Of John And Yoko - Beatles [#1]
The Boxer - Simon & Garfunkel [#2]
Oh Happy Day - Edwin Hawkins Singers [#2]
Where Are You - Cat Stevens [#3]
Proud Mary - Salomon Burke [#3]
In The Ghetto - Elvis Presley [#1]
In The Year 2525 - Zager & Evans [#3]
Cantilena - Francisco Fanhais [#4]
Tomorrow Tomorrow - Bee Gees [#1]
Honky Tonk Women - Rolling Stones [#2]
Give Peace A Chance - John Lennon & The Plastic Ono Band [#1]
Make Me An Island - Joe Dolan [#2]
Je T'Aime... Moi Non Plus - Jane Birkin e Serge Gainsbourg [#3]
Lay Lady Lay - Bob Dylan [#1]
Spinning Wheel - Blood Sweat e Tears [#2]
Daydream - Wallace Collection [#1]
Don't Forget To Remember - Bee Gees [#3]
Come Together - The Beatles [#1]
Oh Lady Mary - David Alexander Winter [#3]

Portugueses Destaques

Desfolhada Portuguesa - Simone
Ai Chico Chico - Amália
Flor de Laranjeira - Filarmónica Fraude
Maria Rita - Ouro Negro
Formiga Bossa Nova - Amália
The Windmills Of Your Mind - Fernando Tordo
A Desfolhada da Hermínia - Herminía Silva
Animais de Estimação - Filarmónica Fraude
Cantilena - Francisco Fanhais
Óculos de Sol - Natércia Barreto
Epopeia - Filarmónica Fraude
Alentejo - Tonicha

Álbuns em destaque:

Funny Girl - Banda Sonora [#1]
The Beatles - The Beatles
Oliver
Cantares Do andarilho - José Afonso [#1]
O Inimitável - Roberto Carlos
Hair
Chitty Chitty Bang Bang
World Star Festival
Odessa - Bee Gees
On The Threshold Of A Dream - Moody Blues
Joan Manuel Serrat e as suas canções
Abbey Road - The Beatles [#1]
Contos Velhos, Rumos Novos
O Canto E As Armas - Adriano Correia de Oliveira

Sobre a edição de Álbuns

Não há duvida de que isto por cá vai de vento em popa. Entusiasmados talvez pelo êxito de "Cantares do Andarilho" [de José Afonso], os editores lançam-se na aventura dos 33 rpm. Aguardam-se Lps de Adriano Correia de Oliveira, do Padre Fanhais, da Filarmónica Fraude, de Luiz Goes, Fernando Tordo, etc Entretanto apareceram no mercado 2 - Lps - de Maria Pereira.

Conhecida que é a prudência das casas editoriais em se sujeitarem a um investimento que não ofereça as mínimas garantias, é pelo menos essa a desculpa que se dá para as concessões comerciais que se fossem, é-me levado a perguntar o que terá feito duas firmas (!) como a Casa Valentim de carvalho e a Movieplay lançarem simultâneamente álbuns com a voz e o repertório de Maria Pereira. Será uma concessão comercial, atendendo aos milhares de admiradores da colorida música de Maria Pereira que vão comprar os discos? Será que, mesmo garantindo o flop, a qualidade justifica as edições? Será uma questão de prestígio publicar a voz da fadista de fundo da nossa praça? Ou será que Maria Pereira faz a festa, deita os foguetes e corre atrás das canas, isto é, encomenda, grava e compra os discos?

Mosca, 22/11/1969

quinta-feira, 5 de maio de 2011

1999 - Cenário de descida

Entrevista com Eduardo Simões  (AFP) 

O MERCADO discográfico nacional pode estar a entrar num ciclo negativo, depois de anos consecutivos de crescimento. Quando se fizerem as contas a 1999, Eduardo Simões, director geral da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), admite uma descida na facturação entre 10 e 20 por cento. A quebra de receitas segue uma tendência geral e tem causas específicas: diversificação da oferta cultural, mediatização do fenómeno musical e a chamada «nova pirataria» são destacadas nesta entrevista, a primeira de uma série com agentes do sector. Eduardo Simões tem 41 anos e ligou-se à música como vendedor, nas lojas Valentim de Carvalho.

No início dos anos 80 passou pelo departamento de promoção da Polygram. Licenciado em Direito, foi consultor de empresas e de artistas e esteve ligado à produção de espectáculos. Dirige a AFP há 10 anos, associação que representa, entre outras, as grandes editoras internacionais radicadas em Portugal. Os 18 sócios da AFP facturaram, em 1998, mais de 20 milhões de contos.

EXPRESSO - A indústria discográfica está a entrar em crise?

EDUARDO SIMÕES - Não estamos em crise. Este ano podemos estar a entrar num ciclo de descida, de acordo com o que se passa no resto do mundo, depois de o mercado ter crescido quase sempre na última década. No primeiro trimestre de 99, por comparação com igual período do ano anterior, a facturação cresceu 5, 6%. É um indicador de um ano mau, o valor devia ser duas ou três vezes superior. Mas é preciso não esquecer que estamos a falar da única indústria cultural, que praticamente não recebe subvenções. Só se se mantiver uma lógica de descida haverá quebra de investimentos.

EXP. - A que se deve esta possível passagem de um ciclo positivo para outro negativo?

E.S. - Posso falar de tendências. Há uma oferta cultural enorme. Há 20 anos, a juventude gastava o dinheiro em discos, hoje tem numerosos interesses. O mercado está muito competitivo: mais lojas - houve uma revolução no conceito de loja - muito mais referências musicais disponíveis (uma revolução na oferta de retalho desde há três, quatro anos), mais concertos. Criou-se um mercado de actuação ao vivo, há 20 anos os artistas só tinham concertos no Verão. Tudo está mais mediatizado. Há muito que a MTV (canal temático dedicado à passagem de «videoclips») deixou de ser uma referência longínqua. Mas a nossa grande preocupação vai para as redes digitais.

EXP. - A circulação de cópias digitais é determinante para a eventual baixa de vendas?

E.S. - O «download», possibilidade de descarregar para um PC ou para um CD, em ambiente digital, o conteúdo integral de faixas musicais, não é o principal problema. Penso que o digital e as redes de informação são uma fonte de oportunidades, há mais oferta, mais exposição do fenómeno musical. Mas torna-se necessário clarificar o quadro legal, que não é suficientemente dissuasor para a pirataria. As coimas são baixas e têm uma aplicação muito dilatada no tempo. A verdade é que a pirataria ganha dinheiro para pagar as coimas e fazer lucro. Um CD pirata custa 300 escudos e vende-se por dois mil. No que respeita aos direitos de autor, está a ser discutida a directiva comunitária «Direito de Autor na Sociedade de Informação». O que está em causa? A protecção de gravações em ambiente digital terá, do nosso ponto de vista, de ser feita com dispositivos técnicos de modo a que só seja possível fazer uma cópia, tornando inviável que se obtenha uma segunda cópia do original. Do ponto de vista estritamente técnico, isso é possível. É evidente que a introdução de tal mecanismo depende de um acordo entre a indústria discográfica e os fabricante de equipamentos.

EXP. - Essa é uma forte restrição à cópia privada.

E.S. - A cópia privada esteve de férias durante alguns anos e regressou em força. É nos produtos consumidos pelos jovens que isso mais se reflecte, ou seja, são os artistas preferidos pelas faixas etárias jovens os mais prejudicados. Até meados dos anos 80, a cópia privada vivia no mundo das cassetes. Neste contexto, a taxa de pirataria rondava os 90%: em cada dez cassetes, nove eram pirateadas. Quando aparece o CD gravável começam as cópias domésticas, e esta é a primeira causa conjuntural para uma descida de vendas. É a «nova pirataria». Voltámos a encontrar CD e cassetes-pirata nas feiras e em estabelecimentos de venda.

EXP. - Qual é o peso da música portuguesa no total das vendas?

E.S. - A música nacional representa 17 por cento do total da facturação. Em Espanha e França, países proteccionistas da língua e em que a música nacional tem grande pujança, está acima dos 40 por cento. As editoras correm mais riscos quando apostam nos músicos nacionais, porque acompanham os artistas do início e efectuam a totalidade do investimento da produção. Se tivermos um cenário de descida de vendas durante vários anos, o primeiro sector a ressentir-se será a música portuguesa. Também é verdade que, nos últimos 10 anos, todas as empresas que lideraram o mercado o devem a artistas nacionais.

ANTÓNIO HENRIQUES / Expresso, 17/07/1999


Entrevista com David Ferreira (EMI)

A EMI, líder do mercado durante oito anos consecutivos em Portugal, perdeu esse estatuto em 1998 (16,7% da facturação total contra 25,7% da Polygram), ano de grande agitação no que respeita à chefia do grupo internacional britânico e em que uma crise de falta de repertório acentuou uma tendência de queda. Um pesadelo de que procura agora recuperar.

EXPRESSO - O que aconteceu de determinante para a queda da EMI em 98?

DAVID FERREIRA - Houve vários factores. Destacaria, a nível interno, a mudança de gestão numa das três grandes editoras em Portugal (Polygram, integrada agora na Universal), num mercado em que há mais de uma década isso não acontecia e que apresentava um ritmo fantástico de crescimento; uma mudança em lugares-chaves, mais significativa em quatro meses do que nos quatro anos anteriores, com a morte do nosso director de «marketing» (Rui Ferreira); e alterações de carácter técnico, nomeadamente do sistema informático. A nível externo, a crise de repertório internacional, uma vez que a associação EMI–Virgin teve o pior ano de que eu me lembro.

EXP. - A concorrência obrigou a maiores investimentos...

D.F. - A Universal investiu muito no ano passado. Em 98 e 99, aumentámos o investimento publicitário, mas não de forma alarmante. Ele cresceu 2% nos últimos dois anos. Foi nesse período de tempo que a pressão das rádios para investir em publicidade se tornou maior do que nunca. Comparativamente com outros países da Europa, ainda existem relações muito saudáveis entre editoras e rádios aqui. Existem ameaças a esta relação, um risco de as coisas se deteriorarem: operadores com capacidade para intervir no mercado podem ceder à tentação de se considerarem como um fim e não como um meio, assumindo atitudes que podem distorcer a relação entre música e consumidores. Mas quem voltar as costas ao gosto das pessoas está condenado.

EXP. - Há preferências típicas que sirvam para caracterizar um mercado?

D.F. - Em relação aos consumidores, há um sexto sentido de aposta em nomes que vêm a revelar-se estrelas, uma quantidade simpática de pessoas que é capaz de ver mais longe primeiro. Nos anos 70, os Supertramp e Kate Bush explodiram aqui inicialmente. Isso era mais visível quando o mercado era mais elitista. As editoras fazem sentido se conseguirem fazer o caminho mais rápido entre a música e o público e penso que, nesse aspecto, a EMI, como uma vez me disse um cantor, é uma multinacional com coração de independente. Numa editora há coisas que não vêm na lista da nossa obrigação: a capacidade de perder o sono, criar empatia com um artista para que o seu sucesso não seja só os meus números. O tipo de pressões que se vive pode tornar mais duro esse coração, mas permite um contacto com algo interessante para além da música, que são as ideias para a vender.

EXP. - Que parte desse «coração» está destinado aos trabalhos dos artistas?

D.F. - O nosso orçamento previsto para gravações, até Março de 2000, é de 160 mil contos, o dobro do ano anterior, e penso que, de longe, o maior das editoras em Portugal. Parte destina-se a artistas novos, muitos dos quais já estão sob contrato há dois e três anos, a preparar os primeiros discos.

ANTÓNIO HENRIQUES / Expresso, 28/08/1999

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vendas de discos 1972


O suplemento DL Show do Diário de Lisboa foi publicando, ao longo do ano de 1972, uma lista com os discos em maior destaque nas lojas de discos de Lisboa. As listas englobavam tanto singles como Lp's mas não foram publicadas em todas as semanas do ano.

Maggie May - Rod Stewart [#1]
Vamos Cantar de Pé - Paco Bandeira [3]
A Festa da Vida - Carlos Mendes [#1]
Shaft - Isaac Hayes [3] LP
Vamos Cantar de Pé - Paulo de Carvalho [#1]
Fireball - Deep Purple [3] LP
Bangla Desh - George Harrison [2]
American Pie - Don McLean [3]
Imagine - John Lennon [4]
How Do You Do - Tek and John [#1]
Paul Simon - Paul Simon [2] LP
Aprés Toi - Vicky Leandros [#1]
Harvest - Neil Young [3] LP
Beg, Steel Or Borrow - The New Seekers [#1]
Mother And Child Reunion - Paul Simon [3]
Without You - Nillsson [#1]
How Do You Do - Cat and Sullivan [#1]
I Giorno Dell'Arcobaleno - Nicola di Bari [3]
Duke Of Burlington - Flash [2]
Cigano do Amor - Francisco Petrónio [#1]
How Do You Do - Mouth And McLean [2]
Trinitá - Annibale [#1]
Medle - Pink Floyd [3]
+
Taca-Taca - Donald [#1]
Popcorn - The Popcorn Makers [#1]
Vincent - Don McLean [2]
Alone Again (Naturally) - Gilbert O'Sullivan [3]
Canto À Galicia - Julio Iglésias [3]
Because I Love You - Majority One [#1]
Amarillo - Tony Christie [2]
Conquistador - Procol Harum [3]
Song Sung Blue - Neil Diamond [5]
Popcorn - Rod Hunter [#1]
Melody - Bee Gees [3]
Desiderata - Ruy de Carvalho / Desiderata - Les Crane[4]
Trilogy - Emerson Lake And Palmer [3]
My Reason - Demis Roussos [#1]

Godfather (O Padrinho) - Andy Williams [#1]
Um Violino No Telhado [#1]
Fado Fadinho - Raul Solnado [2]

++

Portugueses

Vamos Cantar de Pé - Paco Bandeira [3]
Vem O Caminheiro - Manuel Vargas [5]
A Festa da Vida - Carlos Mendes [#1]
Vamos Cantar de Pé (versão) - Paulo de Carvalho [#1]
São Horas Meninos - Família Pituxa [9]
Discursos de Salazar [8] LP
Tango dos Pequenos Burgueses - José Jorge Letria [8]
Desiderata - Ruy de Carvalho [4]
Fado Fadinho - Raul Solnado [2]
Gloria Gloria Aleluia - Tonicha [6]

++

Outras Fontes:

Suzi Quatro's first single "Rolling Stone" was successful only in Portugal, where it reached number one on 1972.

Vendas Discos 2019

DISCOS EM DESTAQUE ATÉ À SEMANA 40/2019 AS CANÇÕES DAS NOSSAS VIDAS - ACÚSTICO - 30 ANOS - TONY CARREIRA - 1#1  [3 EM 2018] DO AVESSO ...

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