terça-feira, 13 de março de 2012

Disco de Ouro para os Green Windows

Vi hoje num jornal da época que "Vinte Anos" (Green Windows) vendeu, pelo menos, 100 mil cópias; ou melhor, 100 mil cópias saíram da fábrica. O "disco de ouro" foi entregue por Paulo Gil, da VC, a José Cid. Estas coisas dos discos de ouro valem o que valem! O que acho curioso é o facto de ter sido a própria VC a outorgar o "prémio" (03JAN74), ou seja, uma entidade bem independente...

Luis Pinheiro de Almeida, 09/03/2012

terça-feira, 6 de março de 2012

AFP - Entrevista a Eduardo Simões (2004)

Esse currículo [licenciamento em direito / passagem por lojas de discos e editoras] acaba por ser decisivo para a sua entrada, por concurso, na Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), estrutura colegial representando grande parte das discográficas portuguesas, multinacionais e independentes, que surge na sucessão, primeiro, do Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas (GPPFV), e depois da União dos Editores de Video e Audio (UNEVA). «A AFP faz a sua escritura ainda em 1988 e eu começo lá a trabalhar em 1989, a partir do início».

Publicamente, a parte mais visível do trabalho da AFP é a elaboração dos tops semanais de venda, o combate à pirataria discográfica e a contabilização regular dos números do mercado discográfico. «Não é só isso. A característica mais interessante do meu trabalho é a diversidade — os contactos quotidianos com o estrangeiro sobre variadíssimos temas, desde estatística e legislação a temas gerais da indústria discográfica, constantes saídas à rua pelos mais diversos assuntos. fenómenos de cultura geral que me interessam e que têm a ver com a profunda transformação que sofreu o retalho em Portugal... E há muitas outras coisas que nos ocupam, nomeadamente — é uma parte menos pública — a sensibização do poder político e do poder legislativo para as questões que preocupam esta indústria e da propriedade intelectual em geral. É um trabalho de lobby muito interessante, mesmo quando a escassez de resultados na nossa opinião é, por vezes, um factor gritante».

Com 25 anos de meio, Eduardo Simões atravessou praticamente todas as fases da evolução do mercado discográfico português. «Esta indústria transformou-se nem sempre a tempo — numas coisas foi prematura, noutras atrasada —. mas sempre acompanhou o desenvolvimento da indústria discográfica internacional. Com as suas particularidades: ser um mercado pequeno, conservador, paradoxalmente muito permeável a influências doutros mercados. Nunca senti a típica situação em que Portugal está sempre dez anos atrás do que se faz lá fora. Desde o primeiro momento achei que era uma indústria muito competitiva em termos internacionais, tinha uma boa performance e mantém-na, com mais ou menos dificuldades. Aliás, é isso que também a torna apaixonante: é uma indústria que está em permanente contra-ciclo, de ideologia ou económico. Não obstante, ciclicamente, tem crises — já nem gosto de lhes chamar crises porque o fenómeno se repete de forma recorrente e faz parte do edifício... É uma indústria que, por ter uma propriedade que não é tangível, se ressente imediatamente em qualquer período onde, seja por que razão for, haja mais roubo. Embora venda a sua propriedade em forma de um produto físico, o que ela tem é um bem imaterial, que são as gravações. E, na defesa dos direitos, o que se defendem são os direitos e não os produtos por eles gerados...

Vem a caso dizer que, em Portugal, a situação de protecção à propriedade intelectual tem tido um acompanhamento legislativo que nunca pecou por excessivo. O facto de haver uma criminalização do acesso ilegal às obras é um factor fundamental para um país latino, com a nossa tradição, fazer respeitar os direitos de autor de uma forma geral. Essa opção e esse historial que Portugal tem nessa matéria é absolutamente moderno e é absolutamente necessário».

A indústria não foi a única coisa que mudou durante estes anos. Nos anos 70 o LP era o formato dominante, actualmente o CD começa a ser ameaçado pelos downloads digitais — para o secretário-geral da AFP, «a questão da substituição de formatos é uma constante desde que conheço a indústria discográfica.

Enquanto os problemas da coexistência da cassete com o LP tinham uma base limitada, com a massificação das tecnologias digitais os problemas colocam-se de outra maneira, e já é uma actuação em que está definitivamente posta de lado a possibilidade de obter resultados sem auxílios das tecnologias e em termos legislativos». Muitos consumidores criticam a postura inflexível da indústria face à proliferação de sistemas de download não remunerados — Simões contrapõe que «muitas das críticas negativas são feitas com um desconhecimento muito grande da forma como as coisas funcionam — e não se podem confinar estas questões só à indústria discográfica, Como é que funcionam os direitos dos artistas, os direitos dos autores, os direitos de toda uma comunidade criativa?»

Falta ainda abordar a questão da defesa da música portuguesa que tanta tinta tem feito correr: «É incontestável que a música portuguesa é fundamental. O público esgotou salas para ver artistas portugueses como cabeça de cartaz, esgotou edições discográficas... Isto é uma vantagem - válida para Portugal mas não para muitos outros países - que nunca foi devidamente compreendida. em termos de quem toma as decisões, e também é uma realidade que nunca foi bem percebida por muitos dos principais operadores da rádio. Não posso generalizar, mas há um desfasamento enorme entre aquilo que se vende e aquilo que é tocado na rádio que não tem justificação, nem sequer paralelos, em países da União Europeia. O efeito é completamente ao arrepio daquilo que vemos noutros países: assiste-se a uma nostalgização que é absolutamente adversa ao desenvolvimento cultural... Não quero menorizar o papel muitíssimo importante de editoras não afiliadas, mas. no cômputo, aquilo que as editoras que têm estado ao longo destes anos na AFP publicam em termos de música portuguesa é capaz de ser a quase totalidade do nosso acervo e da nossa memória musical dos últimos 20 anos. Portanto temos toda a legitimidade e todo o direito de reívindicar aquilo que pensamos melhor para a música portuguesa e para a música em geral. Agora, o que sabemos é que a música local, quando é bem sucedida, tem um efeito fantástico enquanto factor multiplicador do investimento».

Investimento que — e Eduardo Simões é o primeiro a admiti-lo — pode estar em risco, em grande parte devido às convulsões recentes da indústria que viram várias multinacionais perderem a sua capacidade decisória local. «Vejo essa situação com preocupação, pois essas empresas tinham uma capacidade de investimento que não está ao alcance de pequenos produtores. Mas, ao mesmo tempo, para determinado tipo de projectos, acho que haverá oportunidades em editoras independentes. Não é por aí que eu vejo que o negócio possa passar pior, embora me preocupe a questão, que tem contornos de facto complicados. Vão mudar muitas coisas e Portugal é mais vulnerável».

Apesar de tudo. Eduardo Simões está longe de achar que o cenário está irremediavelmente negro: «Há algum tempo três artistas portugueses ganharam na mesma semana prémios internacionais. Isto é claramente uma vitória de quem acredita na música portuguesa e na renovação do mercado discográfico. Seguimos as causas em que acreditamos. E as causas são a longo prazo, não a curto prazo...»

Jorge Mourinha / Blitz, 24/08/2004

domingo, 4 de março de 2012

Vendas de discos 1968

O nº 2 da Cine-Disco trazia um inquérito nas discotecas, como dantes se chamavam as lojas de venda de discos, a empregados da Valentim de Carvalho, Melodia, Solidó e Roma, a propósito da música que mais vendia: mais de 75% estrangeira e pop. Entre a nacional, os êxitos de vendas ficavam por Amália, com "Caracóis"; o Quarteto 1111 e as canções "Perspectiva" e "Dona Vitória"; Carlos Paredes e "Romance nº 2" e ainda António Calvário com "Olhos de Veludo", finalizando com Tonicha e "Esperei".

Lá por fora, a música que se vendia por cá, era de Mary Hopkin (Those Were The Days), Beatles (Hey Jude), José Feliciano (Light My Fire), Roberto Carlos (Eu Te Amo) e os Mammas and Papas com "Dream A Little Dream Of Me".

Em Janeiro de 1969, o nº 3 da revista continuou a apresentar o hit parade das vendas de música.

Rapsódias do Mundo Moderno

11.2.07

Temas em destaque em algumas edições da Revista Flama - mercado de Lisboa

Hey Jude - Beatles - #1
Help Yourself - Tom Jones - #3
Vou Dar de Beber À Dor - Amália Rodrigues - #1
Caracóis - Amália Rodrigues - #3
I Say A Little Prayer - Aretha Franklin - #4
Voices In The Sky - Moody Blues - #5

Revista Flama Out/68 e Nov/68:

"Vou Dar de Beber À Dor" foi um dos maiores êxitos de Amália vendendo mais de 100 mil exemplares.

Vendas Discos 2019

DISCOS EM DESTAQUE ATÉ À SEMANA 40/2019 AS CANÇÕES DAS NOSSAS VIDAS - ACÚSTICO - 30 ANOS - TONY CARREIRA - 1#1  [3 EM 2018] DO AVESSO ...

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