Publicitar edições discográficas na televisão é cada vez mais corrente. Mas enquanto uns pensam que já há demasiada publicidade, outros continuam a acreditar ser compensador.
«A avózinha sente-se segura» é uma das frases do anúncio do álbum «És Muita Linda», dos Ena Pá 2000, um dos muitos que este Natal têm direito a tempo de antena. De facto, nunca como agora o «éter» esteve tão inundado de publicidade a novas edições discográficas, um fenómeno que, se não é novo, foi este ano pelo menos alargado aos mais variados estilos de música e alvos potenciais.
Por isso mesmo, vale a pena tentar saber porque estão as editoras a dedicar as suas campanhas à televisão. Diz Xana, «label manager» da Warner Music, que tem estado a anunciar Madonna, Leandro e Leonardo, os Três Tenores e a a compilação «Rock Ballads»: «Este ano vejo tanta coisa que não quero nada. Mas ao mesmo tempo olho para o top nacional e só lá vejo o que tem campanha de televisão.» A Warner é o exemplo de uma das grandes multinacionais que tem vindo a apostar neste método de divulgação. Avançam com uma campanha deste género «quando vale a pena», porque «há discos que não é pela televisão que se vai».
Tiago Faden, «artists marketing director» da Sony, que tem estado a apostar nos novos lançamentos da Onda Choc, Fausto, Mariah Carey, a compilação do melhor de Sade, e a banda sonora de «Forrest Gump», por exemplo, acha que uma campanha «faz-se quando há um disco que o justifica ou que dela necessita», disco esse que se dirige a um consumidor que só decide comprar «quando o vê publicitado na televisão». Para Tiago Faden este é um tipo de consumidor («target») que «não está informado, não lê críticas e ouve pouca rádio».
As principais épocas de consumo musical são o Verão e o sobretudo o Natal; é então nessas épocas que a maior parte dos lançamentos das editoras, sobretudo das multinacionais, se concentram. Daí que seja mais provável encontrar um anúncio na televisão nessas alturas que noutras. Mas também há o tipo de discos cuja campanha de televisão não adianta nada. Segundo Tiago Faden, «são os discos com um `target' que está altamente informado».
Anunciar e os seus efeitos
Mas se as multinacionais, pela sua natureza mais viradas para edições de produtos de origem estrangeira, começaram a utilizar estes métodos publicitários há alguns anos, quem deu início à sua exploração foram precisamente as editoras nacionais independentes. Carlos Sousa, director da Vidisco, considera que a sua empresa é até pioneira no assunto: «Hoje todas as editoras grandes e pequenas fazem campanhas de televisão. Até as multinacionais, o que dantes não se via. Devem ter percebido que estávamos no caminho certo e devem ter adoptado o mesmo esquema.» Para Carlos Sousa, «tudo o que a Vidisco edita é porque aposta»; daí que façam campanhas de televisão para quase todos os seus discos. Considera «evidente existirem dois picos grandes -- o Verão, por causa dos imigrantes, e o Natal, a época onde tradicionalmente se vende mais».
Na opinião do director da Vidisco, vale a pena anunciar na televisão e a prova é que continuam a fazê-lo, mas não deixa de considerar que «o disco é um mercado difícil»: «Há aquelas coisas que se pensam que vão ser um sucesso e depois não são e vice-versa.» Contudo, um disco anunciado na televisão «geralmente tem vendas muito superiores». Toma como exemplo algumas das suas edições -- caso das compilações «Electricidade», «Top Star», «Dancemania» ou «Super Mix», que são sempre dupla, tripla e mesmo quádrupla platina.
Luís Serra, proprietário da Discossete, outra independente que regularmente anuncia na televisão (Quim Barreiros, Ena Pá 2000, por exemplo), observa: «O que se passa é que, quando um disco tem capacidades para vender, quando há uma apetência do público, a televisão vai fomentar as vendas, vai catalisar essas vendas. Mas, quando o disco não funciona, não funciona de maneira nenhuma, com ou sem televisão.» No entanto, afirma que,«para além das vendas em si, as campanhas representam uma certa afirmação da editora, em termos de `media', em termos de público, e isso também é importante»: «É uma imagem que também interessa vender; não é só o artista, é tudo o resto, a editora e os outros artistas que vêm a seguir.»
Já Filomena Cardinalli, promotora de outra independente, a Movieplay (que, nos últimos tempos, anunciou Dulce Pontes, Paulo de Carvalho, Paco Bandeira, Frei Hermano da Câmara ou Fernando Tordo), justifica o facto de fazerem campanha para a maior parte das suas edições não só porque em geral significa um aumento das vendas, mas também porque, como a Movieplay faz produções bastante caras, «acaba por compensar, se depois é preciso gastar mais alguns milhares de contos na campanha».
«Estupidamente caro»
Pedro Oliveira, «label manager» da BMG («Número 1», «França Romântica», Kenny G, Aerosmith), pensa «valer a pena» fazer campanhas mas «que cada vez mais tem de se ser selectivo». «É que -- considera --, apesar de existirem mais canais, não há mais espectadores, e tem de se dividir a campanha por mais canais.» A propósito da sua experiência na matéria, diz: «Quase todos os discos com que fazemos televisão são pelo menos discos de ouro, e isso é uma maneira de medir o sucesso; portanto, numa visão financeira, resulta.» Entende que o problema com as campanhas de televisão em Portugal é que é «estupidamente caro relativamente ao mercado» existente. E dá o exemplo de campanhas da MTV, que afirma serem «comparativamente muito mais baratas». «É cada vez menos acessível, mesmo com os descontos -- sem descontos então era impossível.»
Os descontos também existem noutros países, e Pedro Oliveira justifica-os para a campanha de um disco que «tem de se vender em dois meses», ao passo que qualquer outro produto «vende a longo prazo». Na RTC (para os canais públicos RTP e TV2) os descontos praticados são de 90 por cento relativamente a produtos portugueses e 30 por cento no caso de serem estrangeiros. Na SIC são de 50 por cento em todos os casos, por os discos constituírem um produto cultural, enquanto na TVI se dá um desconto de 70 por cento para as edições nacionais.
Considerando a diferença de taxas de desconto e de audiências, quais são os canais preferidos das editoras? A BMG escolhe «em função do disco e daquilo que julga que é a audiência-tipo de um determinado canal.» Por isso mesmo já fizeram «campanhas em todos os canais». Por seu lado, a Sony prefere -- relativamente aos discos portugueses -- o grande desconto que é possível encontrar no contrato exclusivo com os canais públicos (RTC). Relativamente à música internacional, tudo tem a «ver com o `target'». Se «o investimento por unidade vendida é viabilizado» no caso da música portuguesa, na música internacional não: «Está a atingir um valor que nos leva a pensar muitas vezes sobre uma campanha.»
Já a Warner, que não edita música portuguesa, e portanto não aufere descontos por essa via, selecciona os programas e os canais em função da audiência e do seu potencial interesse pelo disco em causa. Xana dá um exemplo: «Perguntámos a algumas pessoas quais os programas que os jovens viam mais e era tudo SIC e TVI; por isso, pusemos o `Rock Ballads' nos programas com audiências mais jovens».
Estratégia idêntica é a adoptada pela Vidisco, que lança campanhas em função da programação e do tipo de música, exemplificando com a edição recente de um disco do Papa João Paulo II, anunciado na TVI. Quem dá preferência ao Canal 1 -- e à RTP Internacional -- é a Movieplay, que diz optar pelos «horários nobres». Um caso semelhante ao da Discossete, que «tenta fazer os melhores negócios que pode»; daí que anuncie apenas na RTP porque, «dando o exclusivo», têm «compensações a nível de preços».
Jorge Dias / Público, 20/12/1994
- As ligações da Som Livre (mais tarde Iplay) com a SIC potenciaram o número de campanhas de publicidade no canal de Carnaxide. Com etiquetas como a Mega, Som Livre e Global discos verificou-se o aumento de vendas de discos anunciados na televisão.
- A editora Espacial não fazia parte da AFP. Alguns dos primeiros discos de Tony Carreira a entrar no top de vendas nacional ainda eram distribuidos pela Som Livre.
- A Farol era uma pequena editora ligada à Regiespectáculos. Depois de comprada pela Media Capital aumentou de dimensão e aproveitou as sinergias com a TVI inclusive com bandas saídas da série juvenil "Morangos Com Açucar".
uma cotação em função da procura, se não classifica discos, classifica o público comprador - A Mosca, 03/05/1969
domingo, 10 de abril de 2011
sexta-feira, 11 de março de 2011
Vendas de discos 2010
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| O Mesmo de Sempre - Tony Carreira |
1 - O Mesmo de Sempre - Tony Carreira
2 - Morangos Com Açúcar (Vive O Teu Talento) - Banda Sonora (Farol)
3 - Dois Selos E Um Carimbo - Deolinda
4 - Viver A Vida (Internacional) - Banda Sonora (Vidisco)
5 - The Fame - Lady Gaga
6 - The E.N.D. - Black Eyed Peas
7 - Anual Mix Summer 2010 - Vários (Vidisco)
8 - Anual Mix 2010 (Mixed By DJ Fernando) - Vários (Vidisco)
9 - Longe - Pedro Abrunhosa & Comite Caviar
10 - Crazy Love - Michael Bublé
11 - Canção Ao Lado - Deolinda
12 - The Resistance - Muse
13 - Viver A Vida - Banda Sonora (Vidisco)
14 - Leva-Me Aos Fados - Ana Moura
15 - Morangos Com Açúcar (Escola de Talentos) - Banda Sonora (Farol)
16 - My World - Justin Bieber
17 - Toda A Escolinha de Música - Escolinha de Música
18 - Now 22 - Vários (EMI/Sony/Universal)
19 - O Melhor de Beto - Beto
20 - Morangos Com Açúcar (Escola de Talentos 3) - Banda Sonora (Farol)
21 - Greatest Hits - Bon Jovi
22 - Sale El Sol - Shakira
23 - Project - D'ZRT
24 - The Element Of Freedom - Alicia Keys
25 - Fado Tradicional - Mariza
26 - Morangos Com Açúcar Vol. 12 - Banda Sonora (Farol)
27 - O Coliseu - João Pedro Pais
28 - Now 21 - Vários (Universal/Sony/EMI)
29 - Anos 80 - Vários (Vidisco)
30 - Também Eu - Leandro
31 - Ao Vivo No Coliseu de Lisboa - Mickael Carreira
32 - Rua da Saudade - Rua da Saudade
33 - Terra - Mariza
34 - O Homem Que Sou - Tony Carreira
35 - Perfil - Paulo Gonzo
36 - Amália Hoje - Hoje
37 - Ministry Of Sound The Annual 2010 - Vários (Vidisco/Farol)
38 - Amália Hoje Ao Vivo No Coliseu - Hoje
39 - Orbital Mix 6 Mixed By DJ Fernando - Vários (Vidisco)
40 - Now 23 - Vários (Sony/EMI/Universal)
41 - Pai da Criança - Chave D'Ouro
42 - Lua Vermelha - Banda Sonora (Iplay)
43 - Caribe Mix 2010 - Vários (Vidisco)
44 - Can't Be Tamed - Miley Cyrus
45 - Três Cantos Ao Vivo - José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto
46 - Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti - Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti
47 - I Am Sasha Fierce - Beyoncé
48 - One Love - David Guetta
49 - Luar - Rita Guerra
50 - Best Of Dance Beats You… - Vários (Vidisco)
Discos que ocuparam os primeiros lugares ao longo do ano de 2010
3--Project - DZRT [3#1]
4--The E.N.D. - Black Eyed Peas [4#1]
I AM Sasha Fierce - Beyoncé [#2]
Perfil - Paulo Gonzo [#3]
1--Soldier Of Love - Sade [1#1]
4--Luar - Rita Guerra [4#1]
Vinicius de Moraes - Vinicius de Moraes [#3]
1--Façam O Favor de Ser Felizes - Raul Solnado [1#1]
1--Em Fuga - Tiago Bettencourt & Mantha [1#1]
2--Sticky & Sweet - Madonna [2#1]
My World - Justin Bieber [#2]
2--Longe - Pedro Abrunhosa [2#1]
4--Dois Selos e Um Carimbo - Deolinda [4#1]
Toda a Escolinha de Música - Escolinha de Música [#2]
Pesadelo Em Peluche - Mão Morta [#3]
1--Amália Hoje Ao Vivo - Hoje [1#1]
Duetos - Ivete Sangalo [#3]
3--Ao Vivo No Coliseu de Lisboa - Mikael Carreira [3#1]
Lights & Darks - Rita Redshoes [#2]
4--Can't Be Tamed - Miley Cyrus [4#1]
2--Symphonicities - Sting [2#1]
Resistance - The Muse [#2]
1--The Suburbs - Arcade Fire [1#1]
1--Pai da Criança - Chave d'Ouro [1#1]
1--The Final Frontier - Iron Maiden [1#1]
4--O Melhor de Beto - Beto [4#1]
The Fame - Lady GaGa [#3]
1--A Thousand Suns - Linkin Park [1#1]
Songs From The Road - Leonard Cohen [#4]
2--Do Amor e dos Dias - Camané [2#1]
1--O Coliseu - João Pedro Pais [1#1]
Guitar Heaven - Santana [#3]
2--Sale El Sol - Shakira [2#1]
Come Around Sundown - Kings Of Leon [#3]
In And Out Of … - Robin Williams [#4]
3--Greatest Hits - Bon Jovi [3#1]
Crazy Love - Michael Bublé [#5]
Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti - Carlos do Carmo & Bernardo Sassetti [#2]
Ao Vivo No Coliseu de Lisboa - Leandro [#4]
5--O Mesmo de Sempre - Tony Carreira [5#1]
Fado Tradicional - Mariza [#2]
Galardões
- Três Platinas
O Mesmo de Sempre - Tony Carreira
- 2 Platinas
Morangos Com Açúcar Vive O Teu Talento - Banda Sonora (Farol)
- Platina
The E.N.D. - Black Eye Peas
Viver A Vida Internacional - Banda Sonora (Som Livre/Vidisco)
Pai da Criança - Chave d'Ouro
O Melhor de Beto - Beto
The Fame - Lady GaGa
Crazy Love - Michael Bublé
Dois Selos e Um Carimbo - Deolinda
Fado Tradicional - Mariza
--
Editado pela Farol, "O Mesmo de Sempre" de Tony Carreira obteve já três discos de platina e um de ouro, equivalente a 70 mil exemplares vendidos. Tony Carreira que foi o artista que mais vendeu em 2008, volta a liderar as vendas, depois de em 2009 ter sido destronado pelo grupo Hoje.
O trio da frente da tabela anual de vendas divulgada hoje pela AFP inclui ainda "Dois Selos e um Carimbo", dos Deolinda, editado pela EMI, em terceiro lugar.
O quarto lugar é ocupado pela banda sonora "Viver a Vida – Internacional", da Vidisco, e no quinto lugar surge Lady Gaga com "The Fame", da editora discográfica Universal Music.
No sexto lugar colocou-se o álbum "The E.N.D. (The Energy Never Dies)", dos Black Eyed Peas, da Universal Music.
Em sétimo está o álbum "Anual Mix Summer 2010", logo seguido por "Anual Mix 2010 – Mixed by DJ Fernando", ambos da Vidisco.
"Longe", de Pedro Abrunhosa & Comité Caviar, com a chancela da Universal Music, é o nono classificado, e "Crazy Love", do canadiano Michael Bublé, editado pela Warner Music, é o décimo.
Nos 50 álbuns, cerca de metade são de artistas nacionais com Tony Carreira, Mariza, os Hoje e os Deolinda a bisarem a presença.
O líder da tabela, Tony Carreira, marca também presença no 34.º lugar com "O Homem Que Sou". Quanto os outros "repetentes" da tabela, Mariza ocupa o 25.º lugar com "Fado Tradicional", editado no final do ano, e o 33.º com "Terra".
Além de "Dois Selos e Um Carimbo", no 3.º posto, os Deolinda com "Canção ao Lado" ocupam também o 11.º.
Os Hoje ocupam o 36.º e o 38.º lugares, respetivamente com "Amália Hoje" (o disco que foi o mais vendido em 2009) e "Amália Hoje – Ao Vivo no Coliseus dos Recreios".
Numa tabela em que estão ausentes artistas de outros países de Língua Portuguesa, como Brasil, Angola e Cabo Verde, entre os portugueses refira-se a presença de Beto, falecido a 23 de maio do ano passado, com o álbum "O melhor de Beto" no 19.º lugar.
Tony Carreira é também o campeão em discos de platina alcançados, com o álbum "O Homem Que Sou", editado pela Farol distinguido com sete platinas.
Em termos de galardões, o intérprete é seguido de perto por Mariza, com os reeditados álbuns "Fado em Mim" (2002) e "Fado Curvo" (2003), com seis platinas cada.
Destak/Lusa, 07/01/2011
Venda de música em Portugal volta a cair
As vendas de música em Portugal revelaram uma nova descida de facturação de 18 por cento no ano passado, menos dois milhões de euros, comparando com 2009, segundo dados da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), escreve a agência Lusa.
De acordo com o levantamento de mercado que a AFP realiza anualmente, as editoras discográficas facturaram no ano passado 30,4 milhões de euros com a venda de música em formato físico e digital, através vendas de CD, vinis e descarregamentos pagos pela Internet.
Em 2009 esta facturação tinha atingido os 32,8 milhões de euros, contra 39,9 milhões de euros em 2008 e 44,5 milhões de euros em 2007. Estes números revelam uma perda consecutiva nos últimos anos.
Do total facturado em 2010, 25,4 milhões de euros são relativos à venda de álbuns, correspondente a pouco mais de 5 milhões de exemplares (menos 571 mil do que em 2010).
O segmento que registou uma ligeira subida foi o do vinil, mais 3.991 unidades vendidas que no ano passado, em que duplicaram as vendas relativamente a 2009. Em 2010 foram comprados 14.127 vinis contra 10.136 em 2009.
No que toca ao mercado digital, que entre 2008 e 2009 registou uma quebra de 26 por cento - a única registada no mercado comunitário europeu e mercado associado - voltou a descer 11,3 por cento em 2010, segundo os dados da AFP.
Relativamente a repertórios, a venda dos artistas nacionais é ligeiramente superior aos internacionais, respectivamente, 35,5 por cento e 34,6 por cento do total vendido. Em terceiro lugar surgem as compilações (27,3 por cento) e em quarto o repertório clássico (2,44 por cento).
A Universal Music volta a ser a editora que mais facturou com as vendas de música, com uma quota de 24,2 por cento do mercado nacional.
À Universal segue-se a Farol (16,3 por cento) e em terceiro a Sony Music (15,9 por cento), seguida de muito perto pela EMI Music (15,2 por cento).
Vidisco (11,8 por cento), Espacial (8,1 por cento), iPlay (6,0 por cento), Warner Music (1,3 por cento) e Ovação (0,8 por cento) dividem o restante mercado.
TVI24/Lusa, 11/03/2011
'Panda vai à escola' lidera as vendas de 2010
“Panda Vai à Escola – Volume 2” lidera a tabela, logo seguido pelo DVD “U2 360 at The Rose Bowl”, dos U2, e em terceiro “Panda Vai à escola – Volume 3”, todos editados pela Universal Music.
No quarto posto ficou “Panda vai à Escola” e no quinto “Estádio do Restelo 2009”, dos Xutos & Pontapés, ambos com a chancela da Universal Music.
Nos 50 mais discos vendidos entre DVD em nome próprio e de vários intérpretes, 28 são portugueses, e entre estes a maioria é de músicas infantis.
Além dos 1.º, 3.º e 4º lugares, a série “Panda Vai Escola” ocupa ainda o 6.º com “O Espetáculo ao vivo” (Festival Panda) e o 43.º posto com “Festival Panda – O Espetáculo ao vivo”. A tabela integra também vários volumes das séries “Carochinha”, “Músicas Infantis”, “Caixinha de Sonhos”, “Jardim de Infância” e o DVD “Bebé Lilly”, no 8.º e Serafim e Companhia com “Brincar a Vida Inteira” no 13.º lugar.
O DVD “Ruca uma aventura no Campo” colocou-se em 16.º, logo seguido por “Músicas Infantis”, do Coral Infantil de Setúbal (17.º lugar), e “Vem Brincar com o Gombby” no 38.º.
Entre os infantis registe-se ainda "A todos um Bom Natal”, de vários artistas, no 12.º posto, Os Pintainhos com o DVD “Há Festa na Quinta”, em 33.º lugar, e “Escolinha da Música 2”, no 34.º posto.
O violinista francês André Rieu é o único que ocupa três posições na tabela: no 14.º posto com “A Midsummer Night’s Dream – Live in Maastricht”, no 26.º com “Live in Mastricht 3” e no 44.º com “I Lost My Heart in Heidelberg”, segundo a AFP.
Entre os 50 DVD, alguns artistas bisam presença, caso de Mariza com “Terra em Concerto” (10º) e “Concerto em Lisboa” (25.º) e da brasileira Ivete Sangalo com “Duetos” (28.º) e “Ao vivo no Madison Square Garden” (45.º).
Além de Ivete, a outra presença brasileira é de Alexandre Pires no 41.º posto com “Em Casa ao Vivo”.
Entre os portugueses, Tony Carreira que foi o artista que mais CD vendeu em 2010 com o álbum “O mesmo de sempre”, surge em 49.º na tabela de DVD com “Tony Carreira ao Vivo no Pavilhão Atlântico”.
Outros portugueses que marcam presença entre os 50 DVD mais vendidos são José Cid com “Ao vivo no Campo Pequeno” (20.º), as Just Girls com “Ao Vivo no Campo Pequeno” (30.º), e André Sardet em 46.º com “Mundo de Cartão ao Vivo”.
Madonna com “Celebration – The Vídeo Collection” fecha os primeiros 50 mais vendidos no ano passado, uma tabela que entre os artistas estrangeiros integra ainda Tokio Hotel no 48.º com “Humanoid City Live”, Nirvana no 47.º com “Live at Reading”, Pink Floyd com “P.U.L.S.E.” (42.º), e o DVD “Tour of The Universe? Barcelona 20/21.1” dos Depeche Mode no 40.º posto.
“Live in Bucarest” de Michael Jackson ficou no 35.º lugar, “Greastest Hits” dos Bon Jovi em 29.º e os Dire Straits em 9.º com “Alchemy Live”.
Destak/Lusa, 07/11/2011
terça-feira, 8 de março de 2011
Os novos piratas da música
As vendas oficiais de discos começam a cair. Editores e autores recorrem à lei para neutralizar as cópias e os downloads ilegais, mas os marketers podem ser uma chave fundamental nesta batalha. Promover singles torna-se imperativo
Porque é que nunca mais houve um Stevie Wonder a liderar os tops durante mais de um ano? Porque é que grandes fenómenos como os Anjos não vendem metade do que venderam os Silence 4? Porque é que de repente reapareceu uma tabela de singles?
As cópias ilegais de CDs e os downloads da internet respondem a estas questões. Até ao ano passado, quando aparecia um sucesso na música, as editoras enchiam os cofres durante largas semanas. Agora, é apenas na primeira semana que tudo se joga, principalmente se, os maiores fãs são jovens. A partir daí, as cópias ilegais multiplicam-se. O consumidor continua a adquirir esses sucessos mas as editoras já não entram no jogo.
Portugal ainda não dispõe de números oficias sobre as gravações de CDs mas os dados disponíveis apontam para vendas de CDRs (Compact Disc Recordable) na ordem dos 5 milhões por ano, dos quais 2,5 milhões se destinam a gravações ilícitas. Este fenómeno, em conjunto com as cópias ilegais via internet, levou a que as vendas de discos em Portugal caíssem 1,64%, de 1998 para 1999.
De acordo com dados da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) esta foi a primeira vez, desde os últimos 10 anos, que o sector registou uma quebra. Pelo contrário, o mercado registava até aqui crescimentos na ordem dos 15% ao ano. De acordo com Eduardo Simões, director geral desta associação, a quebra face a 1998 tende a manter-se também este ano e representa muito mais do que aparenta. O responsável explica que este decréscimo significa uma perda de ritmo de crescimento, pelo que «no fundo, os 1,64% representam uma quebra de 11 a 13%».
O regresso dos singles
Para fazer face a esta situação, surgem diversas soluções nas quais o marketing assume um papel de relevo, ao lado da legislação e da tecnologia. Embora possa parecer paradoxal, as editoras esforçam-se por promover a distribuição discográfica (legal) na internet. Para tal, celebram acordos com sites de música, entram nos capitais dessas empresas e unem-se para definir leis e regras que reequilibrem o mercado. A promoção do comércio de singles é também uma boa aposta para abrir o caminho da internet às editoras. Esta é uma ferramenta duplamente importante no desenvolvimento do sector. Por um lado, abre caminho para a entrada das editoras no comércio electrónico, que segundo os protagonistas, vive muito da venda faixa a faixa. Por outro, poderá desincentivar a prática dos downloads ilegais (aqueles em que não há quaisquer pagamentos aos autores ou aos proprietários dos direitos). Como comprova um recente estudo do site britânico especializado em música, www.dotmusic.com, há quem opte por tirar da internet apenas uma ou duas músicas de um álbum inteiro porque apenas são essas que o atraem. Havendo uma razoável oferta de singles, o download ilegal poderá diminuir consideravelmente, até porque é mais prático comprar um CD numa discoteca do que esperar longos minutos pela transferência da música para o computador.
Não alheio a esta realidade, o mercado nacional recuperou no mês passado a tabela de singles, após seis anos de ausência. Como explica o director geral da AFP, «este é um factor importantíssimo para relançar este mercado» e espera-se que dentro de alguns anos o mercado dos singles esteja dinamizado, o que não acontece desde 1993.
O director de marketing da EMI-Valentim de Carvalho, João Teixeira, defende que a batalha contra a pirataria «é demasiado grande para que as empresas ajam individualmente». Nesta perspectiva, o responsável justifica que não é com maiores investimentos publicitários por parte de cada empresa que se consegue vencer. No caso da EMI-VC, esta editora tem-se unido a inúmeros sites, como o liquidaudio.com e o musicmaker.com, entre outros, tendo disponibilizado para venda no passado mês de Julho cerca de 200 singles e de 100 álbuns.
Para ajudar a resolver este problema, o Ministério da Cultura está a preparar uma campanha de publicidade que deverá ser lançada no início do ano lectivo e que visa sensibilizar, para além dos ‘piratas’ em geral, os responsáveis dos departamentos audiovisuais dos estabelecimentos de ensino. É que as escolas, bem como algumas empresas que dispõem de gravadores de CDs estão-se a tornar verdadeiros centros de reprodução de CDs ilegais. Mesmo assim, o grande problema não está nas gravações domésticas mas na proliferação de verdadeiros piratas. Até à data havia meia dúzia destes indivíduos. Agora, dados os baixos custos de reprodução e a acessibilidade ao negócio, os focos multiplicaram-se e torna-se cada vez mais difícil a sua identificação. A fiscalização em locais de grande tráfego, como as feiras, vai no entanto sendo cada vez mais apertadas, aumentando as probabilidades de maiores apreensões.
Quadro legal caótico
Nos Estados Unidos, um dos sites mais fustigado pelas autoridades tem sido o mp3.com que recentemente, após uma sentença que o obrigava ao pagamento de indemnizações na ordem dos 20 milhões de dólares, chegou a acordo com a Warner Music e a BMG no sentido de lhes pagar uma percentagem por música distribuída online. Por cá, a AFP já começou a enveredar pelo mesmo caminho. De acordo com Eduardo Simões, já foram apresentadas queixas-crime contra dois sites portugueses, ao abrigo do código dos direitos de autor. O que se pretende é o encerramento de todos os sites que distribuam música ilegalmente e que estes avancem com as respectivas indemnizações.
Todavia, esta é sempre uma questão difícil porque como o próprio classifica, ao nível de cópias por internet «o quadro legal está o caos». Já no caso dos CDRs existe uma legislação completa. Relativamente aos acordos entre editoras e sites deste género, o responsável mostrou-se reticente. «O sistema norte-americano é diferente do europeu e há que realçar que os donos dos reportórios são as editoras e não os reprodutores por isso são elas que têm de decidir sobre o momento dos lançamentos e sobre os seus objectivos», salienta.
Outro tipo de solução, de ordem tecnológica, passa pelo SDMI (Secure Digital Music Interactive), um consórcio de editoras e empresas de tecnologia que tem como objectivo desenvolver meios de proteger a música contra a pirataria. Numa primeira fase irá intervir ao nível das gravações e dos aparelhos MP3 portáteis e mais tarde ao nível dos próprios discos que passarão a ter dispositivos anti-gravação.
No que diz respeito a legislação sobre internet, aguarda-se neste momento que os países da União Europeia – onde as quebras de vendas atingem uma média de 3% – ratifiquem os tratados da OMPI (Organização Mundial para a Propriedade Intelectual). Apesar do avanço deste processo não depender neste momento do governo português, a AFP acusa o executivo da «neutralidade» com que agiu enquanto esteve na presidência europeia. «Não ajudou em nada, o que só favorece os interesses dos grandes operadores de telecomunicações que também beneficiam com a utilização da internet», reclama Eduardo Simões. Perante este cenário, o porta voz da indústria discográfica nacional confessa que «estamos obviamente preocupados mas não em pânico. Temos confiança nos meios de que dispomos». Agora, há que dar largas à imaginação e, contra os piratas, lutar, lutar.
Marisa Moura / Marketing & Publicidade, Setembro de 2000
Porque é que nunca mais houve um Stevie Wonder a liderar os tops durante mais de um ano? Porque é que grandes fenómenos como os Anjos não vendem metade do que venderam os Silence 4? Porque é que de repente reapareceu uma tabela de singles?
As cópias ilegais de CDs e os downloads da internet respondem a estas questões. Até ao ano passado, quando aparecia um sucesso na música, as editoras enchiam os cofres durante largas semanas. Agora, é apenas na primeira semana que tudo se joga, principalmente se, os maiores fãs são jovens. A partir daí, as cópias ilegais multiplicam-se. O consumidor continua a adquirir esses sucessos mas as editoras já não entram no jogo.
Portugal ainda não dispõe de números oficias sobre as gravações de CDs mas os dados disponíveis apontam para vendas de CDRs (Compact Disc Recordable) na ordem dos 5 milhões por ano, dos quais 2,5 milhões se destinam a gravações ilícitas. Este fenómeno, em conjunto com as cópias ilegais via internet, levou a que as vendas de discos em Portugal caíssem 1,64%, de 1998 para 1999.
De acordo com dados da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) esta foi a primeira vez, desde os últimos 10 anos, que o sector registou uma quebra. Pelo contrário, o mercado registava até aqui crescimentos na ordem dos 15% ao ano. De acordo com Eduardo Simões, director geral desta associação, a quebra face a 1998 tende a manter-se também este ano e representa muito mais do que aparenta. O responsável explica que este decréscimo significa uma perda de ritmo de crescimento, pelo que «no fundo, os 1,64% representam uma quebra de 11 a 13%».
O regresso dos singles
Para fazer face a esta situação, surgem diversas soluções nas quais o marketing assume um papel de relevo, ao lado da legislação e da tecnologia. Embora possa parecer paradoxal, as editoras esforçam-se por promover a distribuição discográfica (legal) na internet. Para tal, celebram acordos com sites de música, entram nos capitais dessas empresas e unem-se para definir leis e regras que reequilibrem o mercado. A promoção do comércio de singles é também uma boa aposta para abrir o caminho da internet às editoras. Esta é uma ferramenta duplamente importante no desenvolvimento do sector. Por um lado, abre caminho para a entrada das editoras no comércio electrónico, que segundo os protagonistas, vive muito da venda faixa a faixa. Por outro, poderá desincentivar a prática dos downloads ilegais (aqueles em que não há quaisquer pagamentos aos autores ou aos proprietários dos direitos). Como comprova um recente estudo do site britânico especializado em música, www.dotmusic.com, há quem opte por tirar da internet apenas uma ou duas músicas de um álbum inteiro porque apenas são essas que o atraem. Havendo uma razoável oferta de singles, o download ilegal poderá diminuir consideravelmente, até porque é mais prático comprar um CD numa discoteca do que esperar longos minutos pela transferência da música para o computador.
Não alheio a esta realidade, o mercado nacional recuperou no mês passado a tabela de singles, após seis anos de ausência. Como explica o director geral da AFP, «este é um factor importantíssimo para relançar este mercado» e espera-se que dentro de alguns anos o mercado dos singles esteja dinamizado, o que não acontece desde 1993.
O director de marketing da EMI-Valentim de Carvalho, João Teixeira, defende que a batalha contra a pirataria «é demasiado grande para que as empresas ajam individualmente». Nesta perspectiva, o responsável justifica que não é com maiores investimentos publicitários por parte de cada empresa que se consegue vencer. No caso da EMI-VC, esta editora tem-se unido a inúmeros sites, como o liquidaudio.com e o musicmaker.com, entre outros, tendo disponibilizado para venda no passado mês de Julho cerca de 200 singles e de 100 álbuns.
Para ajudar a resolver este problema, o Ministério da Cultura está a preparar uma campanha de publicidade que deverá ser lançada no início do ano lectivo e que visa sensibilizar, para além dos ‘piratas’ em geral, os responsáveis dos departamentos audiovisuais dos estabelecimentos de ensino. É que as escolas, bem como algumas empresas que dispõem de gravadores de CDs estão-se a tornar verdadeiros centros de reprodução de CDs ilegais. Mesmo assim, o grande problema não está nas gravações domésticas mas na proliferação de verdadeiros piratas. Até à data havia meia dúzia destes indivíduos. Agora, dados os baixos custos de reprodução e a acessibilidade ao negócio, os focos multiplicaram-se e torna-se cada vez mais difícil a sua identificação. A fiscalização em locais de grande tráfego, como as feiras, vai no entanto sendo cada vez mais apertadas, aumentando as probabilidades de maiores apreensões.
Quadro legal caótico
Nos Estados Unidos, um dos sites mais fustigado pelas autoridades tem sido o mp3.com que recentemente, após uma sentença que o obrigava ao pagamento de indemnizações na ordem dos 20 milhões de dólares, chegou a acordo com a Warner Music e a BMG no sentido de lhes pagar uma percentagem por música distribuída online. Por cá, a AFP já começou a enveredar pelo mesmo caminho. De acordo com Eduardo Simões, já foram apresentadas queixas-crime contra dois sites portugueses, ao abrigo do código dos direitos de autor. O que se pretende é o encerramento de todos os sites que distribuam música ilegalmente e que estes avancem com as respectivas indemnizações.
Todavia, esta é sempre uma questão difícil porque como o próprio classifica, ao nível de cópias por internet «o quadro legal está o caos». Já no caso dos CDRs existe uma legislação completa. Relativamente aos acordos entre editoras e sites deste género, o responsável mostrou-se reticente. «O sistema norte-americano é diferente do europeu e há que realçar que os donos dos reportórios são as editoras e não os reprodutores por isso são elas que têm de decidir sobre o momento dos lançamentos e sobre os seus objectivos», salienta.
Outro tipo de solução, de ordem tecnológica, passa pelo SDMI (Secure Digital Music Interactive), um consórcio de editoras e empresas de tecnologia que tem como objectivo desenvolver meios de proteger a música contra a pirataria. Numa primeira fase irá intervir ao nível das gravações e dos aparelhos MP3 portáteis e mais tarde ao nível dos próprios discos que passarão a ter dispositivos anti-gravação.
No que diz respeito a legislação sobre internet, aguarda-se neste momento que os países da União Europeia – onde as quebras de vendas atingem uma média de 3% – ratifiquem os tratados da OMPI (Organização Mundial para a Propriedade Intelectual). Apesar do avanço deste processo não depender neste momento do governo português, a AFP acusa o executivo da «neutralidade» com que agiu enquanto esteve na presidência europeia. «Não ajudou em nada, o que só favorece os interesses dos grandes operadores de telecomunicações que também beneficiam com a utilização da internet», reclama Eduardo Simões. Perante este cenário, o porta voz da indústria discográfica nacional confessa que «estamos obviamente preocupados mas não em pânico. Temos confiança nos meios de que dispomos». Agora, há que dar largas à imaginação e, contra os piratas, lutar, lutar.
Marisa Moura / Marketing & Publicidade, Setembro de 2000
sexta-feira, 4 de março de 2011
O ano de 1969
1969 foi marcado pela investigação que as Actividades Económicas conduziram contra o Mercado Discográfico, acusado de manter os preços artificialmente altos.
Texto de David Ferreira sobre Com Que Voz de Amália
No site sobre Arnaldo Trindade estão disponíveis dois recortes de 1969: revista Record Retailer de 13/12/1969 e revista Billboard de de 20/12/1969. O motivo foi a primeira convenção realizada pela empresa que incluiu a presença de artistas da editora Pye (Foundations, Consortium e Long John Baldry) e os portugueses Tonicha, Adriano Correia de Oliveira e Maria da Fé.
É referido que a indústria discográfica ainda era muito incipiente. Lisboa representava 60% das vendas e Porto seguia-se com 25%. Em Lisboa estava centralizada sobretudo na Rua do Carmo com 4 lojas de discos pertencentes ou ligadas às editoras. A maior era a Discoteca Universal de que Arnaldo Trindade possuía uma quota de 65%.
Vendiam-se apenas 2 milhões de discos mas tratava-se de um acréscimo de 12% relativamente ao ano anterior. O formato preferido era o EP sendo raros os álbuns comercializados (1). Os LPs tinham de ser importados e havia monopólio das duas fábricas de vinil existentes. Era ainda prometida a abertura de uma nova fábrica de vinil por parte da Arnaldo Trindade.
No artigo da revista Record Retailer é focado que não existem tabelas de vendas nem uma publicação especializada. Arnaldo Trindade revelou que seria importante a existência de tabelas e que iriam pedir aos produtores para divulgar semanalmente os discos vendidos. Um dos problemas apontados era o facto das editoras estarem ligadas directamente às lojas de discos.
A Arnaldo Trindade foi a percursora no lançamento de álbuns sendo de destacar os discos de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Pop Five Music Incorporated.
(1) Em breve publicaremos o resumo da Bolsa do Disco promovida pelo suplemento "A Mosca" do Diário de Lisboa com os discos mais vendidos em Lisboa no ano de 1969. No final do ano eram dois lançados dois álbuns de Maria Pereira e a mesma publicação revelava a edição de álbuns por nomes como Filarmónica Fraude, Fernando Tordo, entre outros. Um dos motivos apontados era o sucesso obtido por "Cantares de Andarilho" de José Afonso (Orfeu).
Texto de David Ferreira sobre Com Que Voz de Amália
No site sobre Arnaldo Trindade estão disponíveis dois recortes de 1969: revista Record Retailer de 13/12/1969 e revista Billboard de de 20/12/1969. O motivo foi a primeira convenção realizada pela empresa que incluiu a presença de artistas da editora Pye (Foundations, Consortium e Long John Baldry) e os portugueses Tonicha, Adriano Correia de Oliveira e Maria da Fé.
É referido que a indústria discográfica ainda era muito incipiente. Lisboa representava 60% das vendas e Porto seguia-se com 25%. Em Lisboa estava centralizada sobretudo na Rua do Carmo com 4 lojas de discos pertencentes ou ligadas às editoras. A maior era a Discoteca Universal de que Arnaldo Trindade possuía uma quota de 65%.
Vendiam-se apenas 2 milhões de discos mas tratava-se de um acréscimo de 12% relativamente ao ano anterior. O formato preferido era o EP sendo raros os álbuns comercializados (1). Os LPs tinham de ser importados e havia monopólio das duas fábricas de vinil existentes. Era ainda prometida a abertura de uma nova fábrica de vinil por parte da Arnaldo Trindade.
No artigo da revista Record Retailer é focado que não existem tabelas de vendas nem uma publicação especializada. Arnaldo Trindade revelou que seria importante a existência de tabelas e que iriam pedir aos produtores para divulgar semanalmente os discos vendidos. Um dos problemas apontados era o facto das editoras estarem ligadas directamente às lojas de discos.
A Arnaldo Trindade foi a percursora no lançamento de álbuns sendo de destacar os discos de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Pop Five Music Incorporated.
(1) Em breve publicaremos o resumo da Bolsa do Disco promovida pelo suplemento "A Mosca" do Diário de Lisboa com os discos mais vendidos em Lisboa no ano de 1969. No final do ano eram dois lançados dois álbuns de Maria Pereira e a mesma publicação revelava a edição de álbuns por nomes como Filarmónica Fraude, Fernando Tordo, entre outros. Um dos motivos apontados era o sucesso obtido por "Cantares de Andarilho" de José Afonso (Orfeu).
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Acontecimento
Em 1977 comemorou-se os 100 anos de gravações sonoras. Houve muitos discos a incluirem o selo alusivo. A revista Música & Som também falou do assunto na revista de Março de 1977. Curiosamente os 125 anos (em 2002) não tiveram direito a comemorações.
Lourenço da Silva lançou um livro sobre o assunto:
Silva, J. A. T. Lourenço da
A Grande Aventura da Gravação
100 anos de gravação sonora 1877 - 1977
Rádio Triunfo
Porto, 1977
O livro "A Grande Aventura da Gravação" foi elaborado a propósito da comemoração dos 100 anos de Gravação Sonora e realizado por uma equipa de trabalho da Rádio Triunfo, Lda. sob a coordenação de J. A. T. Lourenço da Silva e editado pela referida empresa, em Julho de 1977. Composto e impresso nas oficinas de Gráficos Reunidos, Lda. (Fados da Alvorada)

Foto: Blog Guedelhudos
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Discos de Ouro e Prata
Em 1982 foi lançado um LP com o nome "Discos de Ouro e Prata" que fazia parte da caixa "Música Para Toda A Família"
12 temas galardoados com discos de ouro ou de prata, reunidos num único LP. 12 temas consagrados pelo público português. (edição da Polygram / Verbo Postal)
Lado A:
1 - ABBA: Supertrouper (1981);
2 - Aneka: Japanese Boy (1981);
3 - Doce: Amanhã de Manhã (1980);
4 - Lipp's Inc.: Funky Town (1980);
5 - Herman José: Canção do Beijinho (1980);
6 - Victor Espadinha: Recordar É Viver (1978).
Lado B:
1 - Táxi: Chiclete (1981);
2 - Kiss: I Was Made For Loving You (1979/1980);
3 - Gemini: Pensando Em Ti (1977);
4 - Dire Straits: Sultans Of Swing (1978);
5 - Dino Meira: Zum-Zum-Zum (1981);
6 - Júlia Graciela: Anúncio de Jornal (1980).
Miau
sábado, 8 de janeiro de 2011
Os Nossos Êxitos
No site de leilões Leiloes.net está à venda o LP com a referência GPPFV 1001. Trata-se de um lançamento promovido pelo GPPFV - Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas criado em Janeiro de 1977.
Aparecem artistas de várias editoras. O alinhamento é o seguinte (interprete / canção):
* Amália - Fadinho da Ti Maria Benta
* Paco Bandeira - É Por Isso Que Eu Vivo
* Tonicha - Um Dia Uma Flor
* Bric-Á-Brac - Bric-Á-Brac
* Zélia Lopes - Bate Bate Lavadeira
* Trio Boreal - Criança Pobre
* Gemini - O Circo E A Cidade
* Simone - Sete Letras
* José de Sousa - Minha Terra De Sol
* Ada de Castro - Mulher Povo
* Florência - O Luar É Traiçoeiro
* Tino Costa - Olá Amigos, Olá Lisboa
Editoras: Valentim de Carvalho, Polygram, Alvorada, Edisco (Discos Rapsódia, Lda), Arnaldo Trindade e Vadeca
Realizou-se um espectáculo comemorativo por ocasião das comemorações dos 100 anos de gravação sonora (1877-1977)
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