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domingo, 28 de março de 2010

Electronic Pop


Foi há precisamente 30 anos. Na verdade, as primeiras movimentações já vinham de finais de 70, sobretudo com sede no Blitz, o clube em Londres cujas "Bowie Nights" chamavam a atenção de uma nova geração de noctívagos, que se vestiam a rigor para sair e dançar. Steve Strange (a voz e rosto dos Visage) era o porteiro. Boy George trabalhava no bengaleiro. Rusty Egan (também dos Visage) era o DJ... O novo culto, que tinha por banda sonora, além de Bowie, discos dos Roxy Music, Kraftwerk ou Gary Numan, ganhava aos poucos adeptos fora de Londres. Em Birmingham, o Rum Runner acolhia noites semelhantes, com Nick Rhodes (Duran Duran) como DJ de serviço... Em finais de 1980, alguns dos habitués destas noites tinham formado bandas e os seus primeiros singles geravam fenómenos de sucesso. A atenta revista The Face chamou-lhes o "culto sem nome"... Mas não foi preciso esperar muito para que uma expressão fosse encontrada para descrever tão vistosa nova geração de bandas. Chamaram-lhes neo-românticos (entre nós depois igualmente descritos como "futuristas"), o "movimento" acabando por se revelar como berço para nomes tão distintos como os Visage, Spandau Ballet, Duran Duran, Classix Nouveaux e, numa primeira etapa, até mesmo os Depeche Mode.

"Foi uma tendência nova, que tinha a ver com a música, mas também com um lado visual", recorda Tozé Brito que na altura trabalhava na PolyGram, que então editava os Visage, banda-paradigma do movimento e em cuja linguagem se cruzavam heranças musicais directas de Bowie sob uma imagem sofisticada. "Para nós foi mesmo uma lufada de ar fresco e foi muito importante para captar um público novo que não se identificava nem com o rock mais mainstream nem o hard rock", acrescenta o editor. David Ferreira, então na Valentim de Carvalho, reforça esta visão, realçando o entusiasmo com que os media, sobretudo a rádio e televisão, então acolheram o movimento: "Havia abertura. E não foi o facto de haver disponibilidade para os grupos estrangeiros que fechou as portas aos portugueses. Era bom, era novo... As portas estavam abertas", recorda.

Júlio Isidro foi um dos divulgadores que mais abertura revelou para com as bandas emergentes, tendo levado algumas a programas seus como «O Passeio dos Alegres» na RTP e «A Febre de Sábado de Manhã», na Rádio Comercial. "Era uma música muito acessível, tinha uma carga de cançãozinha, não havia temas de grande profundidade", descreve. Realça o "aspecto visual dos artistas", recordando, por exemplo, como "os Spandau Ballet tinham um ar medieval" e os Classix Nouveaux um visual "mais a preto e branco".

Do impacte local do movimento, David Ferreira destaca sobretudo o "fenómeno Duran Duran", retratando-o como "fortíssimo". De facto, «Planet Earth» atingiu em Portugal o número 1 [top do programa "Rock em Stock"], quando no Reino Unido o single não fora acima do número 12...  "Por mais de uma vez ouvi dizer em conferências [da editora EMI] que o sucesso dos Duran Duran em Portugal permitiu ver que não eram um fenómeno apenas inglês", lembra. Editado já em 1981, o álbum de estreia do grupo vende 70 mil exemplares. "E só não vendeu mais porque não conseguimos stock", revela. Júlio Isidro relata que começou a passar os primeiros discos do grupo na rádio "com uma adesão extraordinária". De resto, mais tarde, foi ele mesmo quem entregou aos Duran Duran o seu primeiro disco de ouro por vendas em Portugal. O entusiasmo dos fãs era grande... E "foi a primeira vez que houve vidros partidos", numa carrinha estacionada perto do Teatro Aberto, onde decorria o programa. "Só tivemos azar nos concertos", acrescenta David Ferreira, porque "nunca ninguém previra que [os Duran Duran] tinham um público tão novo que não os podia ir ver a Cascais".

Os Classix Nouveaux tiveram também Portugal como um dos territórios onde conquistaram um estatuto de maior êxito. "O «Never Again» foi um sucesso brutal", confirma David Ferreira. Já os Spandau Ballet, apesar de tudo, "nunca se compararam em Portugal aos Duran Duran", acrescenta.

O teledisco, que começara a fazer parte dos hábitos televisivos em finais de 70, foi ferramenta importante para explicar a adesão dos jovens portugueses de inícios de 80 ao movimento. "Foi mesmo fundamental", concorda Tozé Brito. "Vendiam-se canções através da imagem dos telediscos", sublinha.

Com auge entre 1980 e 81, o movimento perde embalagem em 1982, com os grupos a seguir outros caminhos. "Foi uma onda que passou rápida", explica Júlio Isidro. "Durou o mesmo que dura uma moda", conclui.

Neo-românticos regresso ao futuro - NUNO GALOPIM /DN, 23 Janeiro de 2010

Imagem: artigo da Revista Billboard (1982)

1 comentário:

positive-noise disse...

hi, interesting article! can you help me please with the Portugese chart info for some bands, please? Of course if you have it :o)

I'm interested in to following bands: Clasiix Nouveaux, Visage, Ultravox, Spandau Ballet. If youhave an information about their records (albums and singles) and their peak positions on Portugese charts please post it here, I'll be very grateful!

Vlad