VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vendas de discos 1981


Álbuns mais vendidos - Música &Som

1 - Super Trouper - Abba
2 - Taxi - Taxi
3 - Duran Duran - Duran Duran [ver também 1982]
4 - Double Fantasy - John Lennon
5 - Top Stars - Vários (Polystar)
6 - Tattoo You - Rolling Stones
7 - Back In Black - AC/DC
8 - Mistaken Identity - Kim Carnes
9 - Super Polystar - Vários (Polystar)
10 - À Flor da Pele - UHF

Portugueses:Taxi, UHF, Carlos do Carmo

Singles mais vendidos - Música &Som

1 - Bette Davies Eyes - Kim Carnes
2 - Enola Gay - Orchestral Manoeuvres In The Dark (OMD)
3 - Marliese - Fischer-Z
4 - Body Talk - Imagination
5 - Woman - John Lennon
6 - (Just Like) Starting Over - John Lennon
7 - Robot - Salada de Frutas
8 - Eu Vi Um Sapo - Maria Armanda
9 - Cavalos de Corrida - UHF
10 - No Me Hables - Juan Pardo
11 - Psycho Chicken - The Fools
12 - Rua do Carmo - UHF
13 - Ali Babá - Doce
14 - O Baile dos Passarinhos - Minhocas*
15 - One Day In Your Life - Michael Jackson
16 - Chiclete - Taxi
17 - Quem Vier Por Bem/Mais e Mais Amor - Marco Paulo
18 - Start Me Up - Rolling Stones
19 - Super Trouper - Abba
20 - Play-Back - Carlos Paião

Álbuns em destaque ao longo do ano:

Super Trouper - Abba (9#1)
Back In Black - AC/DC - #2
Hotter Than July - Stevie Wonder - #3
Organization - Orchestral Manoeuvres In The Dark - #4
Take My Time - Sheena Easton - #3
Ao Vivo No Olympia - Carlos do Carmo (1#1)
Double Fantasy - John Lennon (2#1)
20 Super Êxitos - Vários (RT) (2#1)
Taxi - Taxi (4#1)
Red Skies Over Paradise - Fischer-Z - #3
Á Flor da Pele - UHF - #2
Top Stars - Vários (Polystar) (9#1)
Canto da Boca - Sergio Godinho - #4
Duran Duran - Duran Duran - #2 [atingiu o nº1 em 1982]
Os Grandes Grandes Êxitos 2 - José Cid - #3
Mistaken Identity - Kim Carnes (4#1)
Stars On 45 - Stars On 45 - #3
Kim Wilde - Kim Wilde - #4
Eurovision Gala - Vários (Red Cross) (3#1)
Tattoo You - Rolling Stones (2#1)
Abacab - Genesis - #2
Música Para Sonhar - Vários (Polystar) (3#1)
Long Distance Voyage - Moody Blues - #3
Super Polystar - Vários (Polystar) (4#1)
Disco do Ano - Vários (RT) - #2
Jackpot - Vários (EMI) (1#1)

Singles em destaque ao longo do ano:

Eu Vi Um Sapo - Maria Armanda* (3#1)
Dreamin' - Cliff Richard - #2
Don't Stand So Close To Me - Police - #2
Cavalos de Corrida - UHF (4#1)
(Just Like) Starting Over - John Lennon - #3
Master Blaster - Stevie Wonder - #2
9 To 5 - Sheena Easton - #4
Ali Babá - Doce (1#1)
Formiga Formiguinha - Tó Maria Vinhas - #2
Super Trouper - Abba (1#1)
Amar Despues de Amar (No Me Hables) - Juan Pardo - #3
Play-Back - Carlos Paião (3#1)
Yo Solo Tu - Bachelli - #4
Making Your Mind Up - Bucks Fizz (1#1)
Enola Gay - Orchestral Manoeuvres In The Dark (5#1)
Robot - Salada de Frutas (4#1)
Portugal Na CEE - GNR - #4
Woman - John Lennon (3#1)
Marliese - Fischer-Z (1#1)
Rua do Carmo - UHF - #3
Chiclete - Taxi (1#1)
Bette Davies Eyes - Kim Carnes (12#1)
Psycho Chicken - The Fools - #3
Quem Vier Por Bem/Mais e Mais Amor - Marco Paulo - #2
One Day In Your Life - Michael Jackson - #2
For Your Eyes Only - Sheena Easton - #3
El Baile de los Pajaritos - Karisma - #4
Start Me Up - Rolling Stones (1#1)
Body Talk - Imagination (4#1)
All I Have To Do Is Dream - Andy Gibb/Victoria Principal - #2
O Baile dos Passarinhos - Minhocas - #2 [nº1 na tabela mensal da M&S de Jan/1982]
Patchouly - Grupo de Baile - #2
Angel Of The Morning - Juice Newton - #4
Japanese Boy - Aneka (1#1)
Girls On Film - Duran Duran (2#1)

Discos de Ouro:

Taxi - Taxi,
À Flor da Pele - UHF
Ar de Rock - Rui Veloso
Carlos do Carmo (3)

- Ao Vivo No Olympia - Carlos do Carmo (Ouro em 21.06.1981)
- Um Homem Na Cidade - Carlos do Carmo (Ouro em 14.05.1981)
- 10 Fados Vividos - Carlos do Carmo (Ouro em 14.05.1981)

outros destaques:

Salada de Frutas, Adelaide Ferreira, GNR, Sérgio Godinho, Doce, Maria Armanda, Tó Maria Vinhas, Marco Paulo, José Cid

Kim Carnes, Abba, AC/DC, Duran Duran, Orchestral Manoeuvres In The Dark (OMD), Fischer-Z, John Lennon, Rolling Stones

citados na revista Billboard de 13/03/1982


"Boom" dos discos portugueses

Com sete milhoes de discos vendidos, entre singles, LP's e cassetes, a indústria discográfica portuguesa termina o ano de 1981 praticamente sem conhecer qualquer crise.

O número exacto de discos produzidos, somente títulos estrangeiros, e quase impossível de saber, mas uma coisa é certa: dos sete milhões de discos, cassetes e LP's vendidos (quase um disco para cada português), a predominância do comprador foi para o «rock», seja ele de língua anglo-saxónica ou para o chamado «rock» português.

Durante o ano que passou foram lançados mais de cinco mil títulos de músicas, entre os singles, triplicando para o caso dos LP's chegando quase aos 20 mil títulos de canções.

A indústria discográfica atravessou o ano cheia de optimismo, com as principais fábricas a trabalharem a 100 por cento, mesmo aos fins de semana. Os resultados são satisfatórios: um disco LP chega ao comprador por menos de 400 escudos, tornando-se assim um dos poucos produtos de consumo que praticamente não aumentou em 1981. Além disso, um disco fabricado em Portugal é o mais barato da Europa.

Devido a isso, muitos discos portugueses foram colocados fora do mercado nacional, dirigindo-se, fundamentalmente para a Inglaterra. O resultado foi imediato: as potentes editoras inglesas protestaram contra as suas representantes portuguesas, reflectindo, assim, um sintoma da crise discográfica no resto da Europa.

A Stiff – editora britânica, virada para a «New-wave» e o «reggae» – retira a representação em Portugal; a Virgin, outra etiqueta inglesa, troca o seu representante em Portugal; a Sire, norte-americana, poderá passar para a Warner Brothers; cria-se uma editora independente, a Cliché, que passa a representar pequenas editoras inglesas e norte-americanas.

Como se não bastasse, a multinacional CBS ainda não definiu em que moldes se irá instalar em Portugal, embora tenha adquirido um prédio em Benfica e prometer «estoirar» entre Fevereiro e Março de 82 com novidades.

Mas com a instalação de CBS, a etiqueta norte-americana A&M também muda de mãos, deixando a Valentim de Carvalho, casa que foi representante durante vários anos daquela que foi considerada uma das primeiras etiquetas independentes do mundo, mas hoje a casa de grupos como Police, Supertramp, Sraqueeze, Joan Armatranding, entre outros.

Enquanto a indústria discográfica termina o ano em alta, o mesmo não se pode dizer dos concertos ao vivo. Estranho movimento este: em 1980 Portugal surge para os grupos de «rock» de várias partes do mundo como «um Pais a conquistar», obrigando as editoras a correrem e acompanharem os lançamentos das bandas que se apresentavam em Lisboa. As etiquetas foram obrigadas ainda a mudarem todo o seu esquema, inclusive, a deixarem os artistas que vinham a Lisboa com seu «play-back» para cantarem na televisão.

Mas em 1981 os concertos foram poucos e as editoras voltaram a chamar os artistas para virem a Lisboa, em promoção, como foram os casos dos Spandau Ballet, Lorenzo Santa Maria, Pedro Marin, Johnny Warman, Sheena Easton, Chris de Burgh, Fischer-z, Duran Duran, Classix Nouveaux, Kim Wilde e Rick Wakeman.

Os concertos ao vivo, ao contrário de 1980, concentraram-se principalmente em Lisboa e depois Porto: em Lisboa estiveram os Blues Band, Magna Carta, Telephone, Camel, Tubes, Clash, Iggy Pop, Wilko Johnson, Dexy's Midnight Runners, lan Dury, Girwchooes e Tom Robinson.

1981 traz também, com sucesso, os brasileiros Caetano Veloso, Paulinho da Viola, Ivan Lins, Joyce, Tania Maria, Gilberto Gil e muitos prometem vir em 82, como Maria Bethania, Ney Matogrosso, Rita Lee e Milton Nascimento, mostrando uma nova tendência do público para este tipo de «shows», cujos bilhetes foram bem mais caros que os concertos de «rock».

Em 1980 os concertos de «rock» levaram aos diversos pavilhões portugueses mais de 300 mil pessoas. Em 1981, este número desceu para 100 mil espectadores, facto este que se deve às más organizações destes concertos, como os Camel em Março, quando um «show» em Cascais, acabou por não se realizar e os dos Tubes, em Maio, no Pavilhão de Alvalade, onde havia mais público que a capacidade do recinto. Por coincidência, o organizador dos concertos foi o mesmo.

O que acontecerá em 1982? Além da vinda de vários brasileiros, pouco se sabe quanto aos grupos de «rock». As diversas organizações preferem o silêncio e só revelam seus espectáculos quando eles estiverem minimamente garantidos.

Porque noites em Cascais com as dos Clash, dos Dexy's, de lan Dury ou de Gilberto Gil no Coliseu dos Recreios, provaram que em 1981 a música em Portugal ainda é um mar a conquistar. Resta saber se depois de conquistar o mar musical português, tal mar, por uma dessas insólitas catástrofes ecológicas a que os tempos modernos nos habituaram, não se volverá em pântano, e as pessoas – sempre musicalmente falando – em rãs, ou pior, em sapos.

Diário de Lisboa, 24/12/1981

1 comentário:

de disse...

Cliff Richard - Dreamin' #1