VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



terça-feira, 11 de maio de 2010

Silence 4


(imagem: Revista Billboard, 21/11/1998)

Concorremos a um concurso, o Festival Termómetro Unplugged, no Porto, foi o segundo concerto que demos. Ganhámos e recebemos quinhentos contos. Gastámos o dinheiro em maquetas, aliás só passado um ano é que recebemos o dinheiro, demos entrevistas e resolvemos tentar gravar um disco. Fomos a todas as editoras e todas diziam o mesmo: cantar em inglês, nem pensar. Houve algumas que até disseram que, se gravássemos em português, produziam o disco. Caprichos do mercado. Portanto, borrifei-me. Entretanto, o Luís Couradinho convidou-os para gravarmos uma música numa compilação contra o racismo, «Sons de todas as cores». Fizemos uma versão do «Respect» dos Erasure. Gravámos numa tarde, fizemos aquilo às três pancadas e, depois, fomos para casa.

Foi à Universal, na altura ainda Polygram, uma das que nos tinham recusado, eles lá se mostraram interessado, assinámos, mas avisaram: «Atenção, vocês são uma banda de risco, cantam em inglês, não vão vender nada, vamos só gravar e ver o que dá». Gravámos com um orçamento mínimo, cinco mil contos. Não é nada... Não receberíamos «royalties» até chegar aos dez mil discos. Como não perdíamos dinheiro, pensei: Bem eles estão malucos, mas embora lá. Achava impossível vender dez mil discos.

Dez, doze por cento. Numa grande editora é assim para todas as bandas. Fazer discos em Portugal não dá dinheiro a ninguém.

- São uma banda completamente desconhecida, lançam o «Silence Becomes It» e vendem 240 mil cópias.

É verdade, foi o maior negócio da Polygram nos últimos anos.

- Então, e não ganharam dinheiro nenhum com isso?

Ganhámos - doze por cento em cada disco a dividir pelos quatro. Deve dar a cada elemento da banda perto de trinta escudos por disco vendido. Não é lá muito! Eu achava muita piada quando alguém vinha ter comigo e dizia: «Comprei o teu CD, fui um dos que ajudaram a comprar o teu carro!». E eu dizia: «Se quiseres eu dou-te os trinta escudos e fico de consciência tranquila» (risos). As pessoas não têm a noção.

Foi em 1998. Nesse ano quantos concertos fizeram?

Fazíamos todo o tipo de concertos, em todo o lado. Por ninharias. Não ganhámos praticamente nada. Foi um investimento em nós. Fizemos noventa concertos em seis meses. Tocávamos pelo país inteiro. Passado um mês de ter sido lançado, «Silence Becomes It» é disco de ouro.

- Este segundo disco, «Only Pain Is Real», vendeu muito menos. Isso afectou-o?

Não. É-me indiferente. Mesmo assim, vendeu cento e tal mil exemplares. Vender um número de discos como vendemos o primeiro acontece uma vez na vida. Já sabia que ia acontecer. Se chegasse a uma platina era uma sorte do caraças. De qualquer modo, não é isto que quero fazer para o resto da minha vida.

(Expresso, 2000)

O duplo disco platina - 80 mil unidades - que receberam das mãos de Nuno Faria, o A&R nacional da Polygram, nem sequer corresponde à verdadeira dimensão dos números. À hora em que recebiam os galardões, os Silence 4 contavam já cerca de 97 mil unidades vendidas. E a par de Pedro Abrunhosa, dos Excesso e de Maria João Pires, passarão em breve, tudo indica, a constar dos anais da editora como quarta banda do seu catálogo nacional a ultrapassar a emblemática fasquia das 100 mil cópias vendidas. E se se atender ao facto de os dados corresponderem unicamente à realidade portuguesa, a exportação da banda, cujas negociações apontam como certa, parece garantir nova extrapolação dos números.

29/09/1998

Música: Silence 4 alcançam disco de platina

Os Silence 4 vão receber na próxima quinta-feira o disco de platina por vendas superiores a 40 mil cópias do novo álbum "Only Pain Is Real".

O galardão vai ser entregue no Clube de Natação da Amadora, onde treina o Grupo de Natação Sincronizada que "dançou" debaixo de água para as filmagens do vídeo de "To Give", o mais recente single do quarteto de Leiria.

A elaboração do top de vendas nacional pela Associação Fonográfica Portuguesa e a consequente atribuição dos galardões de prata, ouro ou platina refere-se, contudo, a vendas de CD das editoras para as lojas e discotecas. Não existe, por enquanto, em Portugal, um sistema que possibilite saber quais os números reais de vendas de discos ao público.
Os Silence 4 vão, entretanto, iniciar uma mini-digressão de 14 espectáculos pelo país, como noticia hoje a Lusa.

"Only Pain Is Real" é um disco com uma produção mais cuidada ao nível das orquestrações e arranjos do que o álbum de estreia, "Silence Becomes It". Destaque para o single "To give", uma canção que depressa ganhou força no "airplay" das rádios e para "Ceilings", a estreia de Sofia Lisboa na interpretação de metade de um tema sem ser acompanhada pelo vocalista, David Fonseca.

31/10/2000

1 comentário:

artur1 disse...

Os Silence 4 estreiam ao vivo quarta-feira em Leiria, terra natal da banda, o novo álbum cuja edição está marcada para o dia 26. «Only Pain Is Real» é o disco que sucede a «Silence Becomes It».

Com o rio Lis como pano de fundo, a banda portuguesa Silence 4 apresenta ao público, na próxima quarta-feira, o novo álbum intitulado «Only Pain Is Real».

O concerto, grátis, realiza-se num parque de estacionamento perto do rio Lis, Leiria como preito de homenagem à cidade que desde a primeira hoje apoiou os seus filhos mais ilustres na música pop/rock.

Gravado em Londres, durante dois meses, «Only Pain Is Real», com produção de Mário Barreiros, sucede a «Silence Becomes It», de 1998, que vendeu mais de 200 mil cópias, sendo um dos 10 discos mais vendidos de sempre em Portugal.

«Fizémos o álbum para nós e gostamos dele. Foi esse o nosso primeiro objectivo. Agora gostaríamos que as pessoas tivessem a oportunidade de o ouvir», disse David Fonseca, 27 anos, voz, guitarra e compositor da banda.

«Nunca pensamos nas coisas comercialmente, porque não é esse o nosso papel. Talvez seja o da editora. Não fixámos qualquer meta e quase nos recusamos a pensar nisso. Não é essa a razão pela qual estamos na música», adiantou à agência Lusa.

TSF 19/06/2000