VENDAS DE DISCOS EM PORTUGAL: GALARDÕES, DISCOS MAIS VENDIDOS, ETC...



quarta-feira, 28 de julho de 2010

Música Brasileira

A música brasileira tem conseguido aumentar seu público em Portugal às custas dos próprios músicos portugueses.

Com a triplicação do mercado fonográfico no país nos últimos nove anos, todos passaram a vender mais, mas os portugueses tiveram sua porcentagem de participação reduzida no período.

A pesquisa anual preparada pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) fornece a pista: em 1989, a música brasileira respondia por 9,9% dos discos mais vendidos no país - que ganharam prata, ouro ou platina.

Hoje, os brasileiros abocanham 17,5% desse mercado. Ou seja, nesses nove anos, a penetração da MPB em Portugal cresceu cerca de 75%.

Já os portugueses amargaram uma diminuição de cerca de 20% no mesmo período - sua participação passou de 31,8% do mercado para 25,2%.

Ao largo, fica a música produzida em outros países - predominantemente nos Estados Unidos - que praticamente manteve sua cota de dominação -57,3% em 89 para os 58,2% atuais.

"Nos últimos anos, a música brasileira tem correspondido entre 18% e 22% do faturamento em Portugal. Esse crescimento se deve, entre outras coisas, às novelas brasileiras e suas trilhas sonoras. E também aos shows. Não me surpreenderia se, em breve, os brasileiros passassem a vender mais que os portugueses", afirma o diretor-geral da AFP, Eduardo Simões.

A análise de Simões encontra respaldo em pesquisa realizada pelo Datafolha em Lisboa: 88% dos portugueses têm interesse grande ou médio pela música popular brasileira -e essa porcentagem sobe para 95% entre os de 16 a 24 anos.

"Com a entrada de Portugal na Comunidade Econômica Européia, muitas indústrias cresceram no país. A fonográfica foi apenas uma delas", afirma Simões, referindo-se ao crescimento do mercado nos últimos nove anos.

O curioso é que, considerados os discos mais vendidos, os artistas portugueses não tiveram suas vendas triplicadas na mesma proporção. E os brasileiros tiveram mais do que isso.

Basta ver que, em 1989, o Brasil emplacou apenas dois discos de platina entre os mais vendidos no país. Já no ano passado, os brasileiros assinaram 11 discos.

A platina, em Portugal, significa 40 mil cópias vendidas. No Brasil, que tem um mercado seis vezes maior, indica a venda de 100 mil.

Esses nove anos abrangidos pela pesquisa da AFP também revelam uma diferença básica entre os tipos de artistas brasileiros consumidos em Portugal.

Em 1989, os dois responsáveis pelas maiores vendas foram Roberto Carlos e Joanna. São artistas com décadas de carreira.

Por outro lado, em 1998, Fafá de Belém é a única dos cinco artistas que tem discos lançados em outra década que não essa.

Daniela Mercury, por exemplo, que varreu a península com sete discos de platina em apenas dois anos, teve seu primeiro álbum lançado no Brasil em 1991.

Por isso, não é nada estranho ver Daniela aparecer antes de Gal Costa, Chico Buarque e Maria Bethânia, no quesito "Qual a primeira pessoa famosa que lhe vem à cabeça quando se fala em Brasil?".

Entre os entrevistados de 16 a 24 anos, Daniela Mercury só perde para Ronaldinho. Foram 28% das citações para o jogador de futebol e 12% para a cantora baiana. Já Roberto Carlos e Chico Buarque, por exemplo, não alcançaram nem sequer 1% de lembranças nessa faixa etária.

Ivan Finotti  (Ritmos portugueses perdem espaço...), 1998 - Fórum Terravista 04/07/2004

Segundo pesquisa da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), em 1989, a música brasileira representava 9,9% dos discos de maior venda no país, enquanto que em 1998 essa porcentagem cresceu para 17,5% nesse mercado. (...)

Os ganhadores desses discos [de Platina] têm sido Daniela Mercury com 7 em apenas dois anos, graças às produções Feijão com arroz e Elétrica; Netinho com 3 pelo disco Ao vivo; Leandro e Leonardo com 4, pelas produções: Temporal de amor, Mexe Mexe e Você Ainda Vai Voltar, Roberta Miranda com 3, por Sol da Minha Vida e Tinha Que Acontecer; Banda Eva com 2, pelo Disco Ao Vivo. Outros cantores premiados foram: Só Para Contrariar, Fáfá de Belém, Roberta Carlos, Joanna e Mamonas Assassinas.

Adonay Ariza (Electronic Samba: a música brasileira no contexto das tendências), 2006

Se é um dos compradores do álbum "Tribalistas" - do trio brasileiro Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown - acredite que contribuiu para que o disco atingisse, no ano passado, em Portugal, a marca de tripla platina, equivalente a 120.000 exemplares vendidos.

O registo não está só e abandonado na conquista comercial. A compilação "Número 1 Brasil" atingiu também a platina, com, pelo menos, 40.000 cópias a escapar das prateleiras.

Note-se que a Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) estabelece como disco de prata os que alcançam vendas entre as 10.000 e 19.999 unidades, os de ouro oscilam entre as 20.000 e 39.999 e os de platina a partir de 40.000.

Segundo dados disponibilizados pelas editoras, Maria Rita e os Só Para Contrariar tiveram no álbum homónimo e em "Acústico", respectivamente, argumentos para ultrapassar a barreira do ouro.

Com a prata, contentaram-se Gabriel, o Pensador (com "Tás a ver?") e Djavan ("Perfil"), além das colectâneas "Brasil 40" e "Divas do Brasil". Ou seja, em conjunto - e tomando como referência o limite mínimo das três escalas -, as vendas dos oito discos supracitados ultrapassaram os 240.000 exemplares. A uma média individual de três dezenas de milhar.

Segundo a AFP, 2002 revelou-se, igualmente, um ano luminoso para o passeio da música brasileira pelos tops. Só à sua conta, Adriana Calcanhotto teve dois discos de platina ("Perfil" e "Público") e um de ouro - "Cantada".

Com o galardão mais alto, foram ainda contemplados Djavan ("Ao vivo") e a banda sonora da telenovela "Clone".

Dourados foram também o CD homónimo de Sandy Júnior; "Martinho definitivo", de Martinho da Vila; "Maricotinha ao vivo", de Maria Bethânia; "Kelly Key", de Kelly Key, e a compilação "Chill Brasil".
A prata coube em sorte (ou azar, dirão alguns) aos seguintes discos: "Reencontro", de Roberto Carlos; "Caminhos do amor", de Lucas e Mateus; "Sou de qualquer lugar", de Daniela Mercury, e aos sons da telenovela "Esperança".

Português dos tops não é só o de Portugal  / tabelas Sons do Brasil têm bons índices comerciais Em 2003, vendas ultrapassaram as 240.000 unidades  - Emanuel Carneiro / JN, 30/01/2004


Brasileiros contra-atacam

Após atravessar durante os anos 80 um período de certo marasmo, o mercado de música brasileira "reabriu em força", especialmente dentro de géneros como a música sertaneja, o pagode e o samba, os mais populares. A opinião é de Paulo Fernandes, da EMI-Valentim de Carvalho, e o primeiro fenómeno desta tendência é identificado na editora e distribuidora com o grupo Mamonas Assassinas, que vendeu desde 1996 100 mil unidades.

A banda pop parece ter reaberto as portas do mercado luso não só à música brasileira em geral, mas, muito especialmente, aos novos artistas. Ao lado dos já consagrados Bethânia, Caetano, Elis Regina ou o mítico Ney Matogrosso, surgiram nomes como Daniela Mercury, que é o mais impressionante caso de popularidade destes casos recentes.

Daniela conta com uma poderosissíma máquina promocional e com a frescura da fusão de influências anglófonas com os sons e referências tradicionais baianas. Atingiu com o seu álbum "Feijão com Arroz", que se mantém no top nacional há mais de um ano e já foi seis vezes disco de platina, as 240 mil unidades vendidas. Aliás, Marisa Monte e Fernanda Abreu, recentemente descobertas pelo público português, jogam sensivelmente com as mesmas coordenadas. E, ainda que as suas vendas sejam ainda relativamente baixas, merecem já bastante destaque pela parte dos "media".

Os meses de Verão parecem criar um clima ainda mais propício à divulgação deste tipo de música. As lojas Valentim de Carvalho, por exemplo, lançaram agora uma campanha ímpar: uma selecção de 400 títulos de autores brasileiros, a preços reduzidos, integrando alguns nomes que lideram as suas vendas. Assim, nos primeiros seis lugares do seu top 30 posicionam-se cinco nomes brasileiros: Nétinho, também número um no top nacional; seguido de Fido Brasil, uma colectânea em primeiro lugar no top dez das compilações; Banda Eva, no quarto lugar e terceiro no top nacional; na quinta posição Só P'ra Contrariar, quarto a nível nacional; e, em ambos os casos, em sexto lugar Daniela Mercury.

O PÚBLICO tentou apurar números exactos em relação a outros músicos e a outras editoras, mas estes dados são considerados confidenciais, quando os artistas não obtiveram galardões da Associação Fonográfica Portuguesa, como os discos de prata, ouro ou platina.

No actual top nacional da mesma associação o número de presenças brasileiras é também revelador desta redescoberta. Para além das presenças já mencionadas, na décima-primeira posição surgem os velhos Fevers com "As Mais Quentes dos Fevers", em décimo-quarto lugar Fafá de Belém, com "Pássaro Sonhador". Nétinho, a mais recente surpresa e que ocupa a primeira posição com o álbum "Ao Vivo", ressurge na trigésima, a última, com o disco "Me Leva".

Aproveitando a maré favorável criada por brasileiros que, pela maior complexidade dos seus trabalhos, ocupam um mercado alternativo como Chico César, Zeca Baleiro, Belô Veloso, Eleonor e Toninho Horta, por exemplo, há quem agarre a oportunidade para relançar nomes dos anos 80: bandas como Kid Abelha, Blitz e Legião Urbana, cujas vendas actuais têm sido consideráveis dado o tempo que passou desde o lançamento dos seus trabalhos. É o caso da loja Planeta Rock, situada em Lisboa.

Por entre tantas novas apostas - às quais se podem ainda acrescentar os Negritude Junior, Carlinhos Brown e Deborah Blando -, em algumas lojas as vendas dos nomes consagrados (para além dos já mencionados Bethânia, Caetano, Elis Regina e Ney Matogrosso) como Chico Buarque, Gilberto Gil, Tom Jobim e Gal Costa baixaram bastante; noutras, como a FNAC estas mantiveram-se, aumentando mesmo em alguns casos. De uma forma geral, no entanto, as lojas e editoras consideram que os nomes mais antigos, apesar de continuarem a levar multidões aos seus concertos, ocupam lugares pouco lisonjeiros nas listas ou deixaram mesmo de figurar nelas, relegados ou elevados, segundo a perspectiva, a uma elite de seguidores.


Vanessa Rato / Público, 13/08/1998

Música brasileira ainda vende mas já teve melhores dias em Portugal

Fomos ver se a música vinda do Brasil ainda atrai muita gente às lojas.

Naquela noite o Coliseu de Lisboa encheu-se até às galerias. No palco, Milton Nascimento fazia a sua estreia nacional e foi um sucesso absoluto. Muita gente já tinha discos dele mas ainda quase ninguém aqui o vira, de perto, a cantar "Caçador de mim" ou "Nos bailes da vida". E isso sucedeu a 7 de Julho de 1982. Não foi o primeiro concerto do género, mas foi o primeiro numa grande sala (Chico Buarque e Simone tinham actuado na Festa do Avante!, dois anos antes, perante milhares de pessoas). Claro que, depois, a moda pegou. E vieram Caetano, Ney Matogrosso, Maria Bethânia, Gal Costa. E o que era raro passou a ser habitual. De tal forma que, hoje, dezenas de músicos brasileiros passam inevitavelmente por Portugal quando lançam discos.

O que se passou, desde então? Mais concertos, muitos mais. E discos com nomes que os portugueses nunca tinham ouvido sequer pronunciar. Mas o apego à música brasileira vinha muito de trás, das décadas de 60 e 70. Vinicius estivera em casa de Amália, dias antes do Natal de 1968 (o encontro foi gravado em disco), Chico Buarque, Elis Regina e Bethânia tinham feito gravações para a televisão e nas casas de muitos portugueses há-de ainda haver um exército de discos de vinil a comprovar essa paixão antiga.

Mas o que os palcos iam fazendo as lojas tardavam a reflectir. Até que, em 1992, a Valentim de Carvalho tomou a iniciativa de importar centenas de discos brasileiros. Depois dela, outras lojas tomaram-lhe o gosto. Criou-se uma moda que garantia salas cheias para quase todos os espectáculos e que, seis anos depois, com a Expo'98, atingiu o auge. Num só ano, houve concertos de música do Brasil com muitas dezenas de nomes, dos mais célebres aos recém-chegados à ribalta.

Cansaço e crise

Dez anos depois, o que restou hoje dessa febre? Nos espectáculos, por norma, as salas continuam cheias. Ney Matogrosso esgota e Chico Buarque, após treze anos de ausência, superlotou os coliseus de Lisboa e Porto sete vezes em 2006. Mas nas maiores lojas de discos, agora quase restritas à cadeia da Fnac, as vendas vão mal.

Daniel de Sousa, da Warner, assinala uma "quebra grande nas vendas em relação às décadas de 80 e 90." Num mercado que, na sua opinião, "vale menos 50 por cento do que valia nessa altura", houve muitos músicos que baixaram o nível de vendas abaixo dos mil ou até mesmo 500 exemplares. Milton, Gil e Elis Regina ("que vai vendendo aos poucos") estão neste patamar. Outros mais novos, como os PLAP, os Titãs ou Paula Toller (dos Kid Abelha) nem sequer o atingem. Na última década, a Warner só teve um nome brasileiro com enorme relevo em vendas: Maria Rita, filha de Elis Regina. Mas tem diminuído. O disco de estreia, em 2003, foi um êxito, vendeu 50 mil, o segundo ficou-se pelos 20 mil e o terceiro pelos 6 mil. Daniel é de opinião que o excesso de música brasileira "cansou as pessoas".

Esse factor, o do cansaço, é também sublinhado por Pedro Trigueiro, da Universal. "A música brasileira era muito exótica, há uns tempos, mas com a presença em Portugal de muitos brasileiros banalizou-se." Além disso, as novelas, que são um forte veículo de promoção, "já não têm a força que tinham". Mesmo assim, a Universal tem nomes como Caetano Veloso, com um público mínimo garantido de 4 a 5 mil pessoas." Os seus discos vendem quase sempre entre os 10 e os 15 mil exemplares, com duas excepções antagónicas: "Prenda Minha", que vendeu quase 70 mil em 1999, e "Cê", com menos de 7 mil em 2006. E tem vendas mais altas, mas já com uma década: em 1997, um ano antes da Expo'98, o disco "Banda Eva ao Vivo" vendeu 97 mil e o cantor Paulo Ricardo quase 47 mil.

E os jovens? Daniel diz que eles "não ligam à música brasileira", enquanto Pedro garante que eles "ouvem, mas não estão habituados a ter discos". Um exemplo: DJ Dolores, distribuído em Portugal pela Megamúsica, só vendeu 200 discos. Quem o ouve? José Eduardo Santos, desta editora, diz que é um "público jovem, que gosta de música electrónica." Mas a fraca venda não o intimida. Em breve, a Megamúsica vai pôr no mercado outro disco dirigido a um nicho jovem, os Bossacucanova. Serão 500 CD e outros tantos DVD. "Para esgotar". A Megamúsica, que tem como "jóia da coroa" Bebel Gilberto (18 mil discos vendidos na estreia, em 2000), prefere "sempre lançar um nome brasileiro", desde que se aplique na sua promoção.

E há a rádio. Pedro Trigueiro diz que, "infelizmente, tende sempre a passar os clássicos, raramente arrisca." Mas, em contrapartida, "passa mais música portuguesa" (Ana Moura, por exemplo, já vendeu 50 mil exemplares do seu disco). Isso é também reconhecido por João Goulão, da IPlay. "Há um efeito de substituição pela música portuguesa", diz. E, como "não há tempo, nem dinheiro nem disponibilidade para descobrir caras novas", vendem mais os antigos. Alguns. Rita Lee foi aos 9 mil exemplares com "Balacobaco", mas Djavan ou Ivan Lins vendem "muito pouco". Tal como Fernanda Takai, Chico César, Roberta Sá ou Rodrigo Maranhão que, no entanto, "vão vendendo" e podem ser uma mais valia. Acima, esteve Ivete Sangalo: o seu "Perfil" vendeu 12 mil exemplares por altura da participação no Rock In Rio.

Sertanejos e literatura

"O mercado da música brasileira continua a ser extremamente apelativo para Portugal", diz Cátia Maurício, da Sony/BMG. Reconhece que o número de edições "desceu consideravelmente nos dois últimos anos", mas a qualidade e o potencial comercial compensarão a queda. Daniela Mercury, do seu catálogo, detém o recorde dos anos 90 ("Feijão com Arroz", 250 mil) e "é um exemplo extraordinário de vendas em Portugal", diz Nuno Robles, da Sony/BMG. Que dá outro exemplo: Vanessa da Mata já vai em 40 mil exemplares vendidos de "Sim", "muito 'por culpa' do dueto com Ben Harper". Adriana Calcanhotto, com o recente "Maré" (16 mil), já vai "a caminho da Platina".

A EMI, por sua vez, também "não tem sentido grande retracção", diz Paulo Fernandes. Mas reconhece que se anda "ao sabor do mercado". Maria Bethânia, do seu catálogo, "é muito regular", chegando a vender 20 mil. Mas em 2006, ano em que lançou dois discos de uma vez, um deles ("Mar de Sophia") vendeu 8 mil enquanto o outro ("Pirata") se ficou por metade. Já Seu Jorge tem vendido entre 3 a 4 mil e Ney Matogrosso (que, ao vivo, esgota muitas salas) ainda ronda os mil no CD e outros tantos no DVD de Inclassificáveis. Um fenómeno fora do normal foram os Tribalistas (Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown juntos): 180 mil exemplares vendidos em 2002.

Agora, algumas editoras estão a virar-se para a música sertaneja. Daniel de Sousa, da Warner, diz que se entrou numa "fase de venda de música caipira, aos brasileiros que cá estão". A colectânea "Coração Sertanejo nº1" vendeu 10 mil, a nº 2 já vai em 7 mil. Já a Sony/BMG vai apostando em Bruno & Marrone, Zezé di Camargo ou Victor & Leo.

A par da música, houve quem editasse livros a ela ligados. A extinta Palavra, por exemplo, apostou em duas biografias sólidas, "Carmen", de Ruy Castro (sobre Carmen Miranda, que nasceu faz hoje 100 anos), e "Cazuza", ambas com vendas abaixo dos 2 mil. Gonçalo Bulhosa culpa as lojas, porque as colocaram na prateleira da música e não na das biografias. Já a Quasi lançou vários títulos de músicos como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Adriana Calcanhotto ou Arnaldo Antunes. "Letra Só", de Caetano, vendeu 4 mil; e "Algumas Letras", de Adriana, 3 mil. Jorge Reis-Sá quer continuar a experiência, lançando primeiro em Portugal edições inéditas. "A ideia é continuar a trabalhar com o Brasil", diz ele. E mostra confiança.

Nuno Pacheco / Público, 09/02/2009

Segundo a Sony Music, a cantora vendeu 200 mil cópias em Portugal - o equivalente a cinco discos de platina - somente nos dois primeiros meses do ano. Daniela disse também que as músicas de "Feijão com Arroz" mais tocadas em Portugal são "À Primeira Vista" (de Chico César) e "Minas com Bahia" (do Skank).

Folha de S. Paulo, 2008



Notas:

Roberto Carlos deve ser o artista brasileiro mais consistente ao longo dos vários anos. No início da década de 1980, com a implantação da CBS em Portugal, teve vários discos nos primeiros lugares como "Emoções", "Amor É Moda" ou "Calhambeque". Depois os seus discos continuaram a vender mas sem o mesmo impacto dessa fase.

As bandas sonoras das novelas  "Roque Santeiro", "Sassaricando" e  "Tieta" foram discos que alcançaram os primeiros lugares das tabelas. O mesmo já tinha acontecido com "O Casarão" e "Gabriela" em 1977 e 1978.

Muitos artistas são conhecidos mas só alguns dos discos é que obtém sucesso. Gal Costa, Joanna, Simone e Maria Bethânia tiveram álbuns de grande sucesso na década de '80.

Daniela Mercury com "Feijão Com Arroz" e "Netinho Ao Vivo"  são mais dois discos com muito sucesso e o disco "Banda Eva ao Vivo" também vendeu bastante. Adriana Calcanhotto é outro nome com vários álbuns de sucesso salientando-se o nº 1 de "Adriana Partimpim". Fafá de Belém e Martinho da Vila obtiveram vários discos de sucesso.

Iran Costa, um brasileiro radicado em Portugal foi dos discos mais vendidos em 1995. Os Tribalistas também foram um enorme êxito, com cerca de 160.000 unidades vendidas, bem como os Mamonas Assassinas.

Imagem: Música & Som

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