As vendas oficiais de discos começam a cair. Editores e autores recorrem à lei para neutralizar as cópias e os downloads ilegais, mas os marketers podem ser uma chave fundamental nesta batalha. Promover singles torna-se imperativo
Porque é que nunca mais houve um Stevie Wonder a liderar os tops durante mais de um ano? Porque é que grandes fenómenos como os Anjos não vendem metade do que venderam os Silence 4? Porque é que de repente reapareceu uma tabela de singles?
As cópias ilegais de CDs e os downloads da internet respondem a estas questões. Até ao ano passado, quando aparecia um sucesso na música, as editoras enchiam os cofres durante largas semanas. Agora, é apenas na primeira semana que tudo se joga, principalmente se, os maiores fãs são jovens. A partir daí, as cópias ilegais multiplicam-se. O consumidor continua a adquirir esses sucessos mas as editoras já não entram no jogo.
Portugal ainda não dispõe de números oficias sobre as gravações de CDs mas os dados disponíveis apontam para vendas de CDRs (Compact Disc Recordable) na ordem dos 5 milhões por ano, dos quais 2,5 milhões se destinam a gravações ilícitas. Este fenómeno, em conjunto com as cópias ilegais via internet, levou a que as vendas de discos em Portugal caíssem 1,64%, de 1998 para 1999.
De acordo com dados da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) esta foi a primeira vez, desde os últimos 10 anos, que o sector registou uma quebra. Pelo contrário, o mercado registava até aqui crescimentos na ordem dos 15% ao ano. De acordo com Eduardo Simões, director geral desta associação, a quebra face a 1998 tende a manter-se também este ano e representa muito mais do que aparenta. O responsável explica que este decréscimo significa uma perda de ritmo de crescimento, pelo que «no fundo, os 1,64% representam uma quebra de 11 a 13%».
O regresso dos singles
Para fazer face a esta situação, surgem diversas soluções nas quais o marketing assume um papel de relevo, ao lado da legislação e da tecnologia. Embora possa parecer paradoxal, as editoras esforçam-se por promover a distribuição discográfica (legal) na internet. Para tal, celebram acordos com sites de música, entram nos capitais dessas empresas e unem-se para definir leis e regras que reequilibrem o mercado. A promoção do comércio de singles é também uma boa aposta para abrir o caminho da internet às editoras. Esta é uma ferramenta duplamente importante no desenvolvimento do sector. Por um lado, abre caminho para a entrada das editoras no comércio electrónico, que segundo os protagonistas, vive muito da venda faixa a faixa. Por outro, poderá desincentivar a prática dos downloads ilegais (aqueles em que não há quaisquer pagamentos aos autores ou aos proprietários dos direitos). Como comprova um recente estudo do site britânico especializado em música, www.dotmusic.com, há quem opte por tirar da internet apenas uma ou duas músicas de um álbum inteiro porque apenas são essas que o atraem. Havendo uma razoável oferta de singles, o download ilegal poderá diminuir consideravelmente, até porque é mais prático comprar um CD numa discoteca do que esperar longos minutos pela transferência da música para o computador.
Não alheio a esta realidade, o mercado nacional recuperou no mês passado a tabela de singles, após seis anos de ausência. Como explica o director geral da AFP, «este é um factor importantíssimo para relançar este mercado» e espera-se que dentro de alguns anos o mercado dos singles esteja dinamizado, o que não acontece desde 1993.
O director de marketing da EMI-Valentim de Carvalho, João Teixeira, defende que a batalha contra a pirataria «é demasiado grande para que as empresas ajam individualmente». Nesta perspectiva, o responsável justifica que não é com maiores investimentos publicitários por parte de cada empresa que se consegue vencer. No caso da EMI-VC, esta editora tem-se unido a inúmeros sites, como o liquidaudio.com e o musicmaker.com, entre outros, tendo disponibilizado para venda no passado mês de Julho cerca de 200 singles e de 100 álbuns.
Para ajudar a resolver este problema, o Ministério da Cultura está a preparar uma campanha de publicidade que deverá ser lançada no início do ano lectivo e que visa sensibilizar, para além dos ‘piratas’ em geral, os responsáveis dos departamentos audiovisuais dos estabelecimentos de ensino. É que as escolas, bem como algumas empresas que dispõem de gravadores de CDs estão-se a tornar verdadeiros centros de reprodução de CDs ilegais. Mesmo assim, o grande problema não está nas gravações domésticas mas na proliferação de verdadeiros piratas. Até à data havia meia dúzia destes indivíduos. Agora, dados os baixos custos de reprodução e a acessibilidade ao negócio, os focos multiplicaram-se e torna-se cada vez mais difícil a sua identificação. A fiscalização em locais de grande tráfego, como as feiras, vai no entanto sendo cada vez mais apertadas, aumentando as probabilidades de maiores apreensões.
Quadro legal caótico
Nos Estados Unidos, um dos sites mais fustigado pelas autoridades tem sido o mp3.com que recentemente, após uma sentença que o obrigava ao pagamento de indemnizações na ordem dos 20 milhões de dólares, chegou a acordo com a Warner Music e a BMG no sentido de lhes pagar uma percentagem por música distribuída online. Por cá, a AFP já começou a enveredar pelo mesmo caminho. De acordo com Eduardo Simões, já foram apresentadas queixas-crime contra dois sites portugueses, ao abrigo do código dos direitos de autor. O que se pretende é o encerramento de todos os sites que distribuam música ilegalmente e que estes avancem com as respectivas indemnizações.
Todavia, esta é sempre uma questão difícil porque como o próprio classifica, ao nível de cópias por internet «o quadro legal está o caos». Já no caso dos CDRs existe uma legislação completa. Relativamente aos acordos entre editoras e sites deste género, o responsável mostrou-se reticente. «O sistema norte-americano é diferente do europeu e há que realçar que os donos dos reportórios são as editoras e não os reprodutores por isso são elas que têm de decidir sobre o momento dos lançamentos e sobre os seus objectivos», salienta.
Outro tipo de solução, de ordem tecnológica, passa pelo SDMI (Secure Digital Music Interactive), um consórcio de editoras e empresas de tecnologia que tem como objectivo desenvolver meios de proteger a música contra a pirataria. Numa primeira fase irá intervir ao nível das gravações e dos aparelhos MP3 portáteis e mais tarde ao nível dos próprios discos que passarão a ter dispositivos anti-gravação.
No que diz respeito a legislação sobre internet, aguarda-se neste momento que os países da União Europeia – onde as quebras de vendas atingem uma média de 3% – ratifiquem os tratados da OMPI (Organização Mundial para a Propriedade Intelectual). Apesar do avanço deste processo não depender neste momento do governo português, a AFP acusa o executivo da «neutralidade» com que agiu enquanto esteve na presidência europeia. «Não ajudou em nada, o que só favorece os interesses dos grandes operadores de telecomunicações que também beneficiam com a utilização da internet», reclama Eduardo Simões. Perante este cenário, o porta voz da indústria discográfica nacional confessa que «estamos obviamente preocupados mas não em pânico. Temos confiança nos meios de que dispomos». Agora, há que dar largas à imaginação e, contra os piratas, lutar, lutar.
Marisa Moura / Marketing & Publicidade, Setembro de 2000
uma cotação em função da procura, se não classifica discos, classifica o público comprador - A Mosca, 03/05/1969
terça-feira, 8 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
O ano de 1969
1969 foi marcado pela investigação que as Actividades Económicas conduziram contra o Mercado Discográfico, acusado de manter os preços artificialmente altos.
Texto de David Ferreira sobre Com Que Voz de Amália
No site sobre Arnaldo Trindade estão disponíveis dois recortes de 1969: revista Record Retailer de 13/12/1969 e revista Billboard de de 20/12/1969. O motivo foi a primeira convenção realizada pela empresa que incluiu a presença de artistas da editora Pye (Foundations, Consortium e Long John Baldry) e os portugueses Tonicha, Adriano Correia de Oliveira e Maria da Fé.
É referido que a indústria discográfica ainda era muito incipiente. Lisboa representava 60% das vendas e Porto seguia-se com 25%. Em Lisboa estava centralizada sobretudo na Rua do Carmo com 4 lojas de discos pertencentes ou ligadas às editoras. A maior era a Discoteca Universal de que Arnaldo Trindade possuía uma quota de 65%.
Vendiam-se apenas 2 milhões de discos mas tratava-se de um acréscimo de 12% relativamente ao ano anterior. O formato preferido era o EP sendo raros os álbuns comercializados (1). Os LPs tinham de ser importados e havia monopólio das duas fábricas de vinil existentes. Era ainda prometida a abertura de uma nova fábrica de vinil por parte da Arnaldo Trindade.
No artigo da revista Record Retailer é focado que não existem tabelas de vendas nem uma publicação especializada. Arnaldo Trindade revelou que seria importante a existência de tabelas e que iriam pedir aos produtores para divulgar semanalmente os discos vendidos. Um dos problemas apontados era o facto das editoras estarem ligadas directamente às lojas de discos.
A Arnaldo Trindade foi a percursora no lançamento de álbuns sendo de destacar os discos de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Pop Five Music Incorporated.
(1) Em breve publicaremos o resumo da Bolsa do Disco promovida pelo suplemento "A Mosca" do Diário de Lisboa com os discos mais vendidos em Lisboa no ano de 1969. No final do ano eram dois lançados dois álbuns de Maria Pereira e a mesma publicação revelava a edição de álbuns por nomes como Filarmónica Fraude, Fernando Tordo, entre outros. Um dos motivos apontados era o sucesso obtido por "Cantares de Andarilho" de José Afonso (Orfeu).
Texto de David Ferreira sobre Com Que Voz de Amália
No site sobre Arnaldo Trindade estão disponíveis dois recortes de 1969: revista Record Retailer de 13/12/1969 e revista Billboard de de 20/12/1969. O motivo foi a primeira convenção realizada pela empresa que incluiu a presença de artistas da editora Pye (Foundations, Consortium e Long John Baldry) e os portugueses Tonicha, Adriano Correia de Oliveira e Maria da Fé.
É referido que a indústria discográfica ainda era muito incipiente. Lisboa representava 60% das vendas e Porto seguia-se com 25%. Em Lisboa estava centralizada sobretudo na Rua do Carmo com 4 lojas de discos pertencentes ou ligadas às editoras. A maior era a Discoteca Universal de que Arnaldo Trindade possuía uma quota de 65%.
Vendiam-se apenas 2 milhões de discos mas tratava-se de um acréscimo de 12% relativamente ao ano anterior. O formato preferido era o EP sendo raros os álbuns comercializados (1). Os LPs tinham de ser importados e havia monopólio das duas fábricas de vinil existentes. Era ainda prometida a abertura de uma nova fábrica de vinil por parte da Arnaldo Trindade.
No artigo da revista Record Retailer é focado que não existem tabelas de vendas nem uma publicação especializada. Arnaldo Trindade revelou que seria importante a existência de tabelas e que iriam pedir aos produtores para divulgar semanalmente os discos vendidos. Um dos problemas apontados era o facto das editoras estarem ligadas directamente às lojas de discos.
A Arnaldo Trindade foi a percursora no lançamento de álbuns sendo de destacar os discos de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira ou Pop Five Music Incorporated.
(1) Em breve publicaremos o resumo da Bolsa do Disco promovida pelo suplemento "A Mosca" do Diário de Lisboa com os discos mais vendidos em Lisboa no ano de 1969. No final do ano eram dois lançados dois álbuns de Maria Pereira e a mesma publicação revelava a edição de álbuns por nomes como Filarmónica Fraude, Fernando Tordo, entre outros. Um dos motivos apontados era o sucesso obtido por "Cantares de Andarilho" de José Afonso (Orfeu).
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Acontecimento
Em 1977 comemorou-se os 100 anos de gravações sonoras. Houve muitos discos a incluirem o selo alusivo. A revista Música & Som também falou do assunto na revista de Março de 1977. Curiosamente os 125 anos (em 2002) não tiveram direito a comemorações.
Lourenço da Silva lançou um livro sobre o assunto:
Silva, J. A. T. Lourenço da
A Grande Aventura da Gravação
100 anos de gravação sonora 1877 - 1977
Rádio Triunfo
Porto, 1977
O livro "A Grande Aventura da Gravação" foi elaborado a propósito da comemoração dos 100 anos de Gravação Sonora e realizado por uma equipa de trabalho da Rádio Triunfo, Lda. sob a coordenação de J. A. T. Lourenço da Silva e editado pela referida empresa, em Julho de 1977. Composto e impresso nas oficinas de Gráficos Reunidos, Lda. (Fados da Alvorada)

Foto: Blog Guedelhudos
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Discos de Ouro e Prata
Em 1982 foi lançado um LP com o nome "Discos de Ouro e Prata" que fazia parte da caixa "Música Para Toda A Família"
12 temas galardoados com discos de ouro ou de prata, reunidos num único LP. 12 temas consagrados pelo público português. (edição da Polygram / Verbo Postal)
Lado A:
1 - ABBA: Supertrouper (1981);
2 - Aneka: Japanese Boy (1981);
3 - Doce: Amanhã de Manhã (1980);
4 - Lipp's Inc.: Funky Town (1980);
5 - Herman José: Canção do Beijinho (1980);
6 - Victor Espadinha: Recordar É Viver (1978).
Lado B:
1 - Táxi: Chiclete (1981);
2 - Kiss: I Was Made For Loving You (1979/1980);
3 - Gemini: Pensando Em Ti (1977);
4 - Dire Straits: Sultans Of Swing (1978);
5 - Dino Meira: Zum-Zum-Zum (1981);
6 - Júlia Graciela: Anúncio de Jornal (1980).
Miau
sábado, 8 de janeiro de 2011
Os Nossos Êxitos
No site de leilões Leiloes.net está à venda o LP com a referência GPPFV 1001. Trata-se de um lançamento promovido pelo GPPFV - Grupo Português de Produtores de Fonogramas e Videogramas criado em Janeiro de 1977.
Aparecem artistas de várias editoras. O alinhamento é o seguinte (interprete / canção):
* Amália - Fadinho da Ti Maria Benta
* Paco Bandeira - É Por Isso Que Eu Vivo
* Tonicha - Um Dia Uma Flor
* Bric-Á-Brac - Bric-Á-Brac
* Zélia Lopes - Bate Bate Lavadeira
* Trio Boreal - Criança Pobre
* Gemini - O Circo E A Cidade
* Simone - Sete Letras
* José de Sousa - Minha Terra De Sol
* Ada de Castro - Mulher Povo
* Florência - O Luar É Traiçoeiro
* Tino Costa - Olá Amigos, Olá Lisboa
Editoras: Valentim de Carvalho, Polygram, Alvorada, Edisco (Discos Rapsódia, Lda), Arnaldo Trindade e Vadeca
Realizou-se um espectáculo comemorativo por ocasião das comemorações dos 100 anos de gravação sonora (1877-1977)
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Tese de Paula Abreu
Tese
A Música entre a Arte, a Indústria e o Mercado - Um Estudo sobre a Indústria Fonográfica Em Portugal
Tese de Paula Abreu (2010)
A parte 3 é dedicada ao "Campo Fonográfico Português". Inclui informação sobre várias editoras bem como a formação das associações fonográficas nacionais.
Outras Publicações
Abreu, Paula (2009), "A indústria fonográfica e o mercado da música gravada - histórias de um longo desentendimento", Revista Crítica de Ciências Sociais, 85, 105-129.
2004 “Músicas em movimento. Dos contextos, tempos e geografias da performance musical em Portugal.”, in Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 70, pp.159-181.
2004 ”Ouvir, comprar, participar… acerca da reciprocidade cumulativa das práticas musicais” in Públicos da Cultura. Actas do Encontro organizado pelo Observatório das Actividades Culturais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Lisboa 24 e 25 de Novembro). Lisboa, OAC, pp. 77-92.
A Música entre a Arte, a Indústria e o Mercado - Um Estudo sobre a Indústria Fonográfica Em Portugal
Tese de Paula Abreu (2010)
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| Parte 3 |
Outras Publicações
Abreu, Paula (2009), "A indústria fonográfica e o mercado da música gravada - histórias de um longo desentendimento", Revista Crítica de Ciências Sociais, 85, 105-129.
2004 “Músicas em movimento. Dos contextos, tempos e geografias da performance musical em Portugal.”, in Revista Crítica de Ciências Sociais, nº 70, pp.159-181.
2004 ”Ouvir, comprar, participar… acerca da reciprocidade cumulativa das práticas musicais” in Públicos da Cultura. Actas do Encontro organizado pelo Observatório das Actividades Culturais no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (Lisboa 24 e 25 de Novembro). Lisboa, OAC, pp. 77-92.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Música Pimba
ÁGATA
O sucesso de Ágata só chegou com ‘Perfume de Mulher’, aos 34 anos. Hoje conta com três duplas platinas – ‘Maldito Amor’, ‘Mãe Solteira’ e ‘Abandonada’. ‘Escrito no Céu’ chegou quase a ser tripla platina. A poucos dias do 47.º aniversário – nasceu a 11 de Novembro de 1959 – está a iniciar um romance, tem dois livros infantis e uma autobiografia quase prontos. Nas paredes do seu palacete, em Chaves, tem algumas das suas pinturas a óleo e acrílico. Todas com uma carga esotérica muito forte.
José Manuel Simões / Correio da Manha, 28/10/2006
EMANUEL
Sendo mais específico, o artista e campeão de vendas (mais de 150 mil cassetes e de 10 mil CD vendidos o ano passado, e mais de 100 mil cassetes já vendidas, desde fins de Junho, do seu êxito deste ano, o «Vem bailar o tic-tic») diz reconhecer a existência de três critérios para definir o que é pimba, musicalmente falando. «Para uns, é música ordinária, para outros, música de má qualidade, para outros, música ligeira e popular, ou a fusão das duas coisas», sustenta, no final de hora e meia de espectáculo e de mais de uma hora de autógrafos durante a qual os seus assistentes despacham, entre as fãs, com toda a facilidade cem contos de cassetes, «posters» e «t-shirts». «Ora bem, música ligeira e música popular não é um título, não é um nome que defina um género, à semelhança do jazz, do rock ou do blues. Portanto, se quiserem usar o pimba como um adjectivo para definir ligeira e popular, então pimba serve, como serviria Maria ou Manel ou outro rótulo qualquer...»
Fernando Gaspar / Expresso, 22/08/1998
No ano seguinte, torna-se num fenómeno de popularidade com “Pimba, Pimba” (510 mil cópias vendidas só nos primeiros seis meses).
Biografia de Emanuel / Facebook
Em princípio a pirataria não tem preferências musicais. Só a cor e o cheiro do dinheiro é que contam. E por isso mesmo esse tipo de crime acaba por afectar mais, não por razões artísticas ou de gosto, a chamada música popular - aquela que vende mais no nosso país. Emanuel, por exemplo, tem profundas razões de queixa e preocupação. Disse à "Autores":
"Objectivamente, 80% dos CD's de música popular, portuguesa ou estrangeira, são pirateados nas vendas directas ao público, em feiras e mercados. Sei disso por estar muito atento ao fenómeno, mas basta ver o que se passa comigo". E o que se passa com este artista e autor, é na verdade esclarecedor: o seu último trabalho vendeu 75 mil cassetes, podendo, no máximo e de acordo com previsões, atingir as 90 mil; em contrapartida, no que toca a CD's apenas vendeu 16 mil.
"Numa época em que quase não se vendem cassetes e os CD's são muitíssimo mais procurados, como é que se pode explicar isto?
Todos nós sabemos que, numa situação normal, qualquer artista que venda 80 mil cassetes vende também, no mínimo, 100 mil CD's. Por isso posso dizer que fui pirateado em mais de 100 mil CD's. E como eu, há muitos artistas que são pirateados. O espantoso é que se faça tão pouco na luta contra a pirataria, que prejudica a maioria dos artistas, os autores, a SPA, a indústria fonográfica, o Estado. Todos somos escandalosamente roubados. Façam contas: são muitos milhões que estão em jogo.
Só por isso - mas também por uma questão de princípio - o Estado tem obrigação de, por um lado, investir fortemente na fiscalização e na repressão; e por outro, na sensibilização e educação das pessoas para rejeitarem esta vergonha que prejudica tanta gente e beneficia de forma escabrosa meia dúzia de senhores"
Autores (SPA)/2004
O sucesso de Ágata só chegou com ‘Perfume de Mulher’, aos 34 anos. Hoje conta com três duplas platinas – ‘Maldito Amor’, ‘Mãe Solteira’ e ‘Abandonada’. ‘Escrito no Céu’ chegou quase a ser tripla platina. A poucos dias do 47.º aniversário – nasceu a 11 de Novembro de 1959 – está a iniciar um romance, tem dois livros infantis e uma autobiografia quase prontos. Nas paredes do seu palacete, em Chaves, tem algumas das suas pinturas a óleo e acrílico. Todas com uma carga esotérica muito forte.
José Manuel Simões / Correio da Manha, 28/10/2006
EMANUEL
Sendo mais específico, o artista e campeão de vendas (mais de 150 mil cassetes e de 10 mil CD vendidos o ano passado, e mais de 100 mil cassetes já vendidas, desde fins de Junho, do seu êxito deste ano, o «Vem bailar o tic-tic») diz reconhecer a existência de três critérios para definir o que é pimba, musicalmente falando. «Para uns, é música ordinária, para outros, música de má qualidade, para outros, música ligeira e popular, ou a fusão das duas coisas», sustenta, no final de hora e meia de espectáculo e de mais de uma hora de autógrafos durante a qual os seus assistentes despacham, entre as fãs, com toda a facilidade cem contos de cassetes, «posters» e «t-shirts». «Ora bem, música ligeira e música popular não é um título, não é um nome que defina um género, à semelhança do jazz, do rock ou do blues. Portanto, se quiserem usar o pimba como um adjectivo para definir ligeira e popular, então pimba serve, como serviria Maria ou Manel ou outro rótulo qualquer...»
Fernando Gaspar / Expresso, 22/08/1998
No ano seguinte, torna-se num fenómeno de popularidade com “Pimba, Pimba” (510 mil cópias vendidas só nos primeiros seis meses).
Biografia de Emanuel / Facebook
Em princípio a pirataria não tem preferências musicais. Só a cor e o cheiro do dinheiro é que contam. E por isso mesmo esse tipo de crime acaba por afectar mais, não por razões artísticas ou de gosto, a chamada música popular - aquela que vende mais no nosso país. Emanuel, por exemplo, tem profundas razões de queixa e preocupação. Disse à "Autores":
"Objectivamente, 80% dos CD's de música popular, portuguesa ou estrangeira, são pirateados nas vendas directas ao público, em feiras e mercados. Sei disso por estar muito atento ao fenómeno, mas basta ver o que se passa comigo". E o que se passa com este artista e autor, é na verdade esclarecedor: o seu último trabalho vendeu 75 mil cassetes, podendo, no máximo e de acordo com previsões, atingir as 90 mil; em contrapartida, no que toca a CD's apenas vendeu 16 mil.
"Numa época em que quase não se vendem cassetes e os CD's são muitíssimo mais procurados, como é que se pode explicar isto?
Todos nós sabemos que, numa situação normal, qualquer artista que venda 80 mil cassetes vende também, no mínimo, 100 mil CD's. Por isso posso dizer que fui pirateado em mais de 100 mil CD's. E como eu, há muitos artistas que são pirateados. O espantoso é que se faça tão pouco na luta contra a pirataria, que prejudica a maioria dos artistas, os autores, a SPA, a indústria fonográfica, o Estado. Todos somos escandalosamente roubados. Façam contas: são muitos milhões que estão em jogo.
Só por isso - mas também por uma questão de princípio - o Estado tem obrigação de, por um lado, investir fortemente na fiscalização e na repressão; e por outro, na sensibilização e educação das pessoas para rejeitarem esta vergonha que prejudica tanta gente e beneficia de forma escabrosa meia dúzia de senhores"
Autores (SPA)/2004
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