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quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Discos a Mais - Discos a Menos (1966)

DISCOS A MAIS - DISCOS A MENOS

Para demonstrar ao sr. Kinne Garcia que não tomamos partido por qualquer artista, tanto mais quando esse "partido", envolve questões comerciais, transcrevemos na íntegra e na língua original a carta que recebemos, Quanto às contas... já não é connosco:

«Vengo de ver una entrevista con una artista, Amália Rodrigues, y es por tal motivo que me dirijo a su persona.

Sobre el artista que vendio mas discos en el 66, artista Portugues, es Rui de Mascarenhas, que vendio la suma de un millon setecientos mil, en el Canada y America del Norte. Quero a su entera disposición para hacerle ver los recibos de cada trimestre, de la Royolti.

Si se trata de discos vendidos en Portugal, le pertenece a António Mourão. artista de RCA.

Pido haga una aclaraclón en su revista y trate de esclarecer el assunto ante la clientela de Flama y los admiradores de cada uno de estos tres artistas.

Tengo siempre mucho respecto por todos los artistas, pero en este caso creo que quitan el valor de unos para darselo a otros.

Creo que Amália, no es culpada, sino la Casa de Discos.

Dice la artista, que no sabe cuantos vendio? Me parece una disculpa un tanto... .

Cada uno de estos tres artistas, tiene los recibo<s trimestrales de la Casa Edictora...

Tengo la autorizacion del artista Rui de Mascarenhas, para que esta carta mia, sea publicada en su honorable Revista, Flama.

Su seguro servidor, desde New Work 2-4-69 - KINNE GARCIA - 142 West end Avenue, Apt. 24 r New York N.Y. 10023».

Flama, 21/04/1967


Amália Rodrigues recebeu, em janeiro de 1967, o Prémio MIDEM [relativo a vendas entre Junho de 1965 e Junho de 1966], em Cannes, das mãos de Anthony Quinn, para o artista português com mais discos vendidos.

* Oh Tempo Volta P'ra Tràs" de António Mourão

O disco "Oh Tempo Volta P'ra Tràs" de António Mourão foi lançado em 1966 e terá sido o disco mais vendido desse ano: Em 1966 saia o Disco com o Famoso Tema da Revista,vendeu 30.000 exemplares, caso raro num Artista em Portugal, foi nesse ano o Artista que mais discos vendeu.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Vendas de discos 1975

Alguns Álbuns em destaque


Coro dos Tribunais - José Afonso
À Queima Roupa - Sérgio Godinho
The Lamb Lies Down on Broadway
Supertramp
Rick Wakeman
++

Alguns Singles em destaque

Quadras Populares - Green Windows
O Facho - Paulo de Carvalho
Fado de Alcoentre - Fernando Tordo
O Que Faz Falta - José Afonso
Grândola Vila Morena - José Afonso
Perdoname - Demis Roussos
Quieres Ser Mi Amante? - Camilo Sesto
Recuerdos - Juan Pardo
Take My Heart - Jacky James
++

As listas dos discos mais vendidos refletiam a separação entre os consumidores de singles (vinil de 45 rotações, com uma canção de cada lado) e de álbuns (de 33 rotações, também chamados LP, muito mais caros). O elitista top 10 dos álbuns mais vendidos chegou a ser encabeçado por The Lamb Lies Down on Broadway, dos Genesis, que tinha sido apresentado ao vivo em Cascais em dois concertos memoráveis, a 5 e 6 de março daquele ano. «Nunca em Portugal se vira rock de tanta qualidade», segundo o crítico (e músico) Mário Contumélias, no Século Ilustrado. Ou sessões de «tortura voluntária», para o repórter do Diário de Notícias. A lista incluía ainda os Supertramp, Rick Wakeman, José Afonso ou Sérgio Godinho.

No mercado dos singles, esse sim representativo do gosto das «massas populares», as preferências ao longo dos meses de verão começaram por dividir-se entre Camilo Sesto, com Quieres Ser Mi Amante?, Jacky James, Take My Heart; Paulo de Carvalho, O Facho, e Zeca Afonso, Grândola Vila Morena.

Com o passar das semanas, a música nacional foi sendo varrida do hit parade. O público
consagrava Demis Roussos (Perdoname), Juan Pardo (Recuerdos) e Camilo Sesto. O crítico musical da revista Tele Semana, José Niza – autor de canções vencedoras de festivais da RTP e deputado à Assembleia Constituinte pelo PS –, atribuiu o facto à «rejeição provocada pelo autêntico massacre sonoro a que a rádio e a TV submeteram os ouvidos dos portugueses no pós-25 de Abril».

João Ferreira, Notícias Magazine, 27/07/2015


Artigo de opinião de José Niza na Tele Semana (1975):

Para os leitores da Tele Semana que costumam dar uma olhadela à página 68, onde se referem os discos e os livros mais vendidos em cada semana que passa, o que vou dizer não é novidade.

A ter em conta a fidelidade das informações sobre a procura do púbico em relação aos discos que vão sendo postos à venda, há praticamente dois meses e meio que, dentre os 10 mais procurados, NÃO SURGE UM ÚNICO QUE SEJA PORTUGUÊS!

Isto, sendo um drama, é também um sintoma. Voltemos, no entanto, um pouco atrás.

Nessa mesma secção da Tele Semana (Discos e Livros), que se não erro se iniciou em princípios de Julho passado, passaram alguns êxitos e alguns nomes conhecidos da nossa música.

Em Lp's os discos mais procurados do público foram, como seria de esperar, de José Afonso e de Sérgio Godinho. "Coro dos Tribunais" e "À queima Roupa",  respectivamente.

Em singles os nomes, mais frequentes no "top" da TS foram, por ordem decrescente, os "Green Windows", com "Quadras Populares"; Paulo de Carvalho, com "O Facho". Fernando Tordo, com "Fado de Alcoentre" e de novo José Afonso com "O que faz falta" e "Grândola".

Simplesmente, como vos disse, tudo isto acabou há perto de dois meses e meio.

E acabou PORQUÊ? Porque é que as canções portuguesas deixaram de ser procuradas pelo público, que deslocou as suas atenções para outro tipo de música, música essa que já se fazia antes do 25 de Abril e que se ouve nas vozes de um Demis Roussos, de um Camilo Sesto e de um Juan Pardo, todos eles produtos e exemplos comerciais do que pior se faz quer em Espanha, quer na Europa?

Tenho para mim que, se em canção também se pode dizer que há uma "esquerda" e uma "direita", a viragem que a mudança das preferências do público demonstra, corresponde a dois fenómenos:

1º. A rejeição provocada pelo autêntico massacre sonoro a que a rádio e a TV submeteu os ouvidos dos portugueses no post-25 do Abril, em que foi Cometido o erro de se julgar que a revolução, se decidiria através da música e em que se pensou mais em destruir os símbolos, do que em criar, algo de novo e verdadeiramente revolucionário, que os substituísse. Através de "Cantos Livres" que primaram pela desafinação, pelo improviso e pela desorganização, enfim, pela ausência Completa de qualquer estética revolucionária.

Através de uma destruição, em discotecas, de tudo o que não era "revolucionário". Através de decisões precipitadas e "revolucionárias", etc. etc. Isto é, através de uma enormidade de erros históricos de palmatória e  de um fenómeno de todos quererem ser mais "revolucionários" que o vizinho (exceptuam-se, logicamente, aqueles que não tinham culpas no cartório e não necessitavam, por isso, de se auto-recuperar). Através de tudo isto, conseguiu-se apenas o seguinte: a rejeição, em bloco, de tudo o que à música revolucionária ou não.

2º. A falta de imaginação-criadora dos verdadeiros autores e intérpretes revolucionários, os quais, talvez por mobilização para outras tarefas, saíram do seu campo habitual deixando um vazio que, rapidamente, o oportunismo ocupou. Este fenómeno, aliás verificou-se noutros domínios da criação artística, que não só na canção.

Perguntar-se-á: E agora?

Agora? Agora, o que há que fazer, é, para além da auto-critica que se impôe, da análise que se impôe, construir com senso e realismo aquilo que define (ou não) uma revolução nacionalista.

Agora o que se impõe — e urgentemente - é ter a lucidez e a coragem de reconhecer os enormes erros, cometidos E fazer finalmente, neste pais, uma revolução.

Porque é urgente.

Porque é necessário.

Por que a História, não se compadece com "revolucionários estúpidos"!

P.S. Para além do mais, quando os 10 discos mais vendidos são TODOS ESTRANGEIROS - e numa altura em que, mais do que nunca, há que reduzir a saída de divisas – quem pode dar-se ao luxo de ir comprar lá  fora o que pode fazer-se cá dentro, estando ao mesmo tempo a dar continuação à alienação marcelo-salazarista do povo e a colocar os músicos portugueses no desemprego?

José Niza, Tele Semana, Novembro de 1975

Ivan Henry Hancock foi um dos nomes que em 1975 trouxe o grupo Genesis a Cascais. Pouco tempo depois passou a ser o coordenador da tabela TOP 20 com a classificação dos discos mais vendidos em Portugal e que era feita em cooperação com  algumas das discotecas mais representativas de todo o país. Em 1977 passou a ser feita para a revista Música & Som.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

António Manuel Ribeiro

Ao longo dos anos assisti a justificações atrás de justificações sobre o mercado português do disco. Uma das primeiras a que torci o nariz teve a ver com a redução das cifras para atribuição de discos metalizados: em 1980 “Cavalos de Corrida” foi o primeiro Single de prata do rock português com mais de 30.000 exemplares vendidos; hoje a prata atinge-se à passagem das 10.000 unidades.

Por ventura o tempo deu-me razão. A quantidade de discos de platina que um disco cada vez menos ganha não foi como não é sintoma da saúde do nosso mercado. Tratou-se de uma opção, da qual sempre discordei.

Não escrevi aqui um texto contra a AFP: o que eu quero é ver essa nossa Associação forte e fortalecida. Aliás, sem ser fã da teoria da conspiração, julgo que a AFP limita-se a publicar e chancelar as tabelas que lhe são fornecidas.

Mas gostaria de ver a AFP a lutar politicamente na Assembleia da República – que grande lição a FNAC nos tem dado – por causa de uma estúpida tabela de IVA sobre o disco e o DVD de 19%: caricatamente, o poema “Rua do Carmo” e outros que gravei, são taxados a 5% de IVA no meu primeiro livro e a 19% nos discos editados.

Ganha o Estado com isto? Claro que não. Ganham os piratas e as feiras de pirataria. Catorze por cento a menos num disco de 15/16 Euros ajudava os mais jovens e menos endinheirados a procurar as obras originais – a cultura fomenta-se assim.

Foi esta a minha luta durante os oito anos em que estive na SPA como director para a música ligeira. Procuraram-se conjugar esforços (GDA, AFP e AFI) mas não se passou daí.

Já gosto de muito pouca coisa que os E.U.A. exportam, tal a confusão em que mergulham o planeta regularmente. Fico-me pela cultura: os livros, a música (sempre) e alguns filmes.

É uma delícia abrir a revista Billboard e verificar o cuidado que a indústria local (também a passar por uma recessão sem fim à vista) coloca na exposição do seu mercado e do TOP de vendas que corresponde a cada estilo musical. Vale a pena darem uma olhada na NET e perceberão porquê.

Era assim que gostava de viver a minha profissão, num país onde a música tivesse indicadores fiáveis: ganhava a indústria e os seus vários intervenientes.

Dou um exemplo: o nosso CD de 2003 "La Pop End Rock", vendeu na primeira quinzena cerca de 3.500 exemplares. Como é um disco duplo, a contagem para efeitos de Top multiplicava por dois. Apesar do número ser muito bom nos tempos que correm – estamos a falar de quase 7.000 unidades – nunca entrou para o Top. Porquê?

Os 'statements' recebidos pelo grupo confirmam essas vendas.

Não quero com isto dizer que fomos traumaticamente excluídos, mas apenas anotar que o Top nacional de vendas devia reflectir o que todos os postos de venda efectivamente vendem e não apenas alguns.

A terminar: o 'by out' é uma técnica de vendas como outra qualquer. Arrisca quem pode e quem quer. Não me parece que seja uma forma sólida de encarar o mercado e as suas crises neste país em crise, e só.

António Manuel Ribeiro (UHF), Blog Canal Maldito, 18/01/2005

No meu próximo livro abordo a questão da seriedade do Top e de como as associadas na AFP o foram reformulando ao longo dos anos: um Top, se reflecte a verdade das vendas e não o calendário dos interesses à vez, não precisa de ser mexido. Contudo, lamento que a AFP não esteja exposta num programa de TV como acontecia desde há dezenas de anos - diminuir é retirar visibilidade.

AMR, Facebook, 10/11/2014

(...) só entra no Top de vendas da AFP quem está a ser distribuído por uma editora/distribuidora associada. Por exemplo, as vendas do merchandising não contam, nem das lojas virtuais ou de venda postal. E ainda bem, senão apareceriam por aí fenómenos a vender 500 mil na estrada. Ou seja, de momento vendem os sucessos imediatos e quem congregou fãs. A música mudou.

AMR, Facebook, 10/11/2014

Com a afirmação 'quem gosta de música faz pirataria e depois vai comprar o original' não vamos lá. Não é um processo justo ou legal, e a legalidade para ser efectiva não pode ter quintais de excepção, porque depois somamos as excepções de cada um e temos uma regra. É a arbitrariedade contra o direito; sou pelo direito, em tudo, e tudo edifica uma sociedade séria ou uma sociedade defeituosa. Neste tempo digital, se uma pessoa quer conhecer um disco e avaliá-lo pode sempre ouvir o MP3 via Amazon (por exemplo) e depois decidir se compra. A grande pergunta é esta: que interesses movem os sites de pirataria? Quem lucra? Que trabalho realizam para assumir direitos alheios? Assim, matamos a fonte.

AMR, Facebook, 10/11/2014


António Manuel Ribeiro nasceu em Almada no dia 2 de Agosto de 1954. Fez o liceu por lá  quase  sempre  com  distinção. 

Estagia  então  no  trissemanário  Record  e por  lá  fica  até  1980.

Os UHF, formados em 1978, partem para a corrida da música pop/rock deste país com os  seus “Cavalos”,  e  não  mais  vão  parar. Envolvidos no esforço diário de ser e teimar tocar, ignoram que estão a fundar o mais importante movimento de renovação da música portuguesa pós Abril de ‘74: nada ficará como dantes, erguendo-se uma indústria, porque o rock vingou e se tornou português.

Ao  longo  dos  anos  manteve  a  escrita  de crónicas para jornais e rádios. Ajudou a fundar duas piratas onde assumiu programas de autor – a rádio é uma paixão.

É autor de textos, que vão da música ao futebol, dispersos por vários livros.


http://www.chiadoeditora.com/autores/antonio-manuel-ribeiro 

Tendo agora 35 anos de carreira muito mudou no mercado da música.

Os UHF passaram por editoras como a Valentim de Carvalho, Rádio Triunfo, Edisom, Metro-Som e BMG. Depois criaram a independente Am.ra Discos que pontualmente se associou à Vidisco/Road Records, Emi ou Sony.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Tops - 1981

Chegar ao TOP pelas traseiras

Referir os TOP é o mesmo que tocar numa das questões mais sensíveis à maquineta comercial de venda de discos. Com maior ou menor influência sobre as pessoas, os TOP não deixam, isso não, de ter um papel importante na promoção de bandas que sem suportes desse tipo provavelmente nunca passariam da obscuridade.

Damos o exemplo de um TOP de uma revista, predominantemente musical, editada em Portugal, que colocou em primeiro lugar um grupo português por um processo curiosíssimo que descrevemos cronologicamente: o disco do grupo é lançado a uma quinta-feira; a sondagem para o TOP é feita sexta-feira nas discotecas estando sábado a esmagadora maioria das casas de venda de discos encerradas; segunda-feira a referida publicação entra na tipografia; terça-feira, porém, o grupo de que nos dispensamos de dizer o nome aparece em primeiríssimo lugar na classificação!

A pergunta é tão simples como isto: como é que um disco se pode ter vendido num espaço de meia dúzia de horas em quantidade suficiente para ascender meteoricamente, e logo, à escala de um distinto primeiro lugar?

Mas, tope-se o contraste: o «disco de ouro» dos UHF, «À Flor da Pele», esteve apenas uma única vez em primeiro lugar no TOP. Mais flagrante ainda: há discos que à saída da fábrica trazem já colado um selo correspondente ao primeiro lugar no «TOP Rock em Stock».

Aqui vamos mesmo aos nomes: independentemente do seu valor, o facto é que quer os discos dos Go Gral Blues Band e dos Roxigénio têm sido aquilo que se pode classificar frontalmente como um falhanço comercial. No entanto, nem por isso deixaram de se eternizar nas primeiríssimas posíções dos TOP.

Eduardo Miragaia,
Diário de Lisboa, 02/01/1982

O Top Rock em Stock era apenas de preferências. Nesta altura não havia top oficial de vendas mas havia várias publicações que publicavam tabelas com os discos mais vendidos.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Vendas de discos 1994

Discos mais vendidos - 1994

1 - Viagens - Pedro Abrunhosa
2 - Music Box - Mariah Carey
3 - Dance Power - Vários (Vidisco)
4 - Cross Road - Bon Jovi
5 - O Espírito da Paz - Madredeus
6 - Electricidade - Vários (Vidisco)
7 - Tutte Storie - Eros Ramazzotti
8 - Happy Nation - Ace Of Base
9 - The One Thing - Michael Bolton
10 - The Cross Of Changes - Enigma

Fonte: AFP

Álbuns em destaque:

Nº1 - Vários (Sony) (5#1)
Top Star 93/94 - Vários (Vidisco) - #2
Get A Grip - Aerosmith - #2
The One Thing - Michael Bolton (2#1)
Variações As Canções de António Variações - Vários - #2
The Cross Of Changes - Enigma - #2
Electricidade - Vários (Vidisco) (6#1)
Canto Gregoriano - Coro de Monjes de Silos - #2
The Division Bell - Pink Floyd (4#1)
Happy Nation - Ace Of Base (4#1)
Filhos da Madrugada - Vários (BMG) - #2
Crash!Boom!Bang! - Roxette - #3
Dance Mania 94 - Vários (Vidisco) (2#1)
Music Box - Mariah Carey (3#1)
Soul Classics - Vários - #3
Sob Escuta - GNR - #2
O Espírito da Paz - Madredeus (2#1)
Dance Power - Vários (Vidisco) (5#1)
Tutte Storie - Eros Ramazzotti - #2 [Nº 1 em 1993]
Nº1 - Vários (EMI) - #3
Maxi Power - Vários (Polystar) - #3
Viagens - Pedro Abrunhosa (4#1)
The 3 Tenors In Concert - Pavarotti/Carreras/Domingo - #3
16 Top World Charts 94 - Vários (Vidisco) (2#1)
Monster - R.E.M. - #3
Cross Road - Bon Jovi (6#1)
Gabriel O Pensador - Gabriel O Pensador - #3
Bedtime Stories - Madonna - #2
Youthanasia - Megadeth - #3
Unplugged In New York - Nirvana (3#1)
Los Picapiedra Mix - Vários (Vidisco) - #2
Vitalogy - Pearl Jam - #4
Supermix 9 - Vários (Vidisco) (2#1)
Biografia do Fado - Vários (EMI) - #3

++
Toda a ocasião é boa para Pedro Abrunhosa e os seus Bandemónio fazerem a farra e promoverem-se um pouco mais, sobretudo se for para receber troféus da indústria fonográfica. Assim, três dias depois do álbum «Viagens» ter dado origem a festa molhada na Praia Grande, por ter atingido o galardão de prata, o grupo foi informado que o disco em causa chegara às 20 mil unidades vendidas, dando assim origem à entrega de novo prémio, desta feita em ouro. Vai daí volta tudo à praia, desta feita à da Luz, no Porto, no próximo dia 21. Não lhe dizemos a hora, para o obrigar a

Publico, 1994

Associação Fonográfica Portuguesa divulga números do mercado da música

Ganhou-se mais, vendeu-se menos?

Quase dez mil e quinhentos contos de facturação total é a cifra avançada para 1994 pelas companhias discográficas reunidas na Associação Fonográfica Portuguesa (AFP). Deste total pouco menos de um quarto (2.251.593 contos) foram fonogramas de reportório nacional). Mas se em termos de facturação total a quota do mercado português representado pela AFP não cresceu mais de 15 por cento, em relação a 1993, já a parte do reportório português subiu na ordem dos 80 por cento.

Em 1994 vendeu-se, por consequência, mais música portuguesa em Portugal, embora a produção nacional continue a desempenhar um lugar secundário nos gostos locais se comparada com a produção estrangeira. Estas ilações devem, porém, ser relativizadas. A AFP reúne companhias que tanto produzem música portuguesa como licenciam e representam catálogos estrangeiros, sendo as multinacionais que estão em maioria nessa associação. Deve então dizer-se que as multinacionais conseguiram vender mais música portuguesa, mas não o bastante para fazer sombra às super-estrelas internacionais.

A questão da facturação total, por outro lado, tem de ser considerada em função da entrada recente das independentes Vidisco, Strauss, MVM e reentrada na Edisom no «clube» AFP. O bolo global cresceu na ordem dos 15 por cento. Ora só a Vidisco aparece com quase 14 por cento da facturação global, e se lhe adicionarmos as parcelas das outras pequenas companhias supracitadas, o total sobe quase aos 2O por cento. O que leva a pensar que, ao contrário do que os números à primeira vista indicam, não se vendeu mais música em 1994, provavelmente até se vendeu menos no espectro de mercado constituído pelas multinacionais.

Outra leitura é que se vendeu de facto mais em termos de facturação global, só que esse crescimento foi quase exclusivamente para a Vidisco -- o que é admissível quando esta companhia lança «europop», a grande moda do momento --, ao ponto de determinar quedas de vendas vertiginosas em algumas das suas congéneres multinacionais. É neste sentido que, de resto, aponta a lista de atribuição de galardões por editora, onde entre prata, ouro e platina a Vidisco arrecadou 49 troféus, mais uma dezena que a EMI-Valentim de Carvalho. Compilações de «megamixes» de música de dança europeia como «Electricidade» e «Dance Mania 94» vingaram nos «top» da AFP em 1994, tendo como único concorrente de força as colectâneas das multinacionais intituladas «Nº1».

Mas, seja qual for a companhia que mais facturou, foi sobretudo no formato CD que se vendeu música. O disco compacto subiu de uma percentagem de 52.50 no mercado português em 1993 para 59.10 em 1994. Este crescimento da implantação do CD fez-se à custa de todos os outros formatos, e mesmo a tradicional cassete tende a perder popularidade de ano para ano: tinha mais de 46 por cento em 1992, enquanto em 1994 se ficou pelos 40. 30. Estes dados vêm baralhar ainda mais a evolução dos suportes musicais no nosso país, uma vez que os CD são em geral mais caros do que as cassetes. Portanto, a facturação cresceu sem que necessariamente se vendessem mais unidades.

Luís Maio / Público, 07/02/1995

Lemos com espanto o artigo que o sr. Luís Maio fez publicar no passado dia 7 sob o título «Associação Fonográfica Portuguesa divulga números do mercado da música -- Ganhou-se mais, vendeu-se menos?»

Não se deve tal espanto ao facto de serem inéditos da parte do sr. Maio quer as inexactidões quer os sinais de antipatia em relação à EMI-Valentim de Carvalho. O que nunca imaginámos foi que este comportamento o pudesse levar tão longe. E muito menos num jornal com a categoria do PÚBLICO.

Aceitamos que o início do artigo se deverá a uma gralha tipográfica. De facto, venderam-se quase dez milhões e quinhentos mil contos no mercado e não «dez mil e quinhentos contos», como aí se escreve. O problema grave reside nos disparates e omissões que se seguem e, pior ainda, na forma como aqueles são ordenados, criando uma visão distorcida da realidade.

Comecemos pelos disparates:

-- Diz o sr. Maio que «a questão da facturação (...) tem de ser considerada em função da entrada recente das independentes Vidisco, Strauss, MVM e reentrada (da) Edisom no `clube' AFP». (A referência a «clube» não comentamos: mas já ouvimos isto em qualquer lado.) Concluirá o leitor que as referidas editoras foram consideradas em 1994 e não no ano anterior. Nada mais falso: a Vidisco e a MVM constam da informação de mercado da AFP de 1993; e a Strauss e a Edisom perfazem, no seu conjunto, 1,37 por cento do mercado total em 94, sendo que a Edisom já tinha contribuído para 1,35 por cento do mercado em 93. Ou seja: em lugar de se considerarem «quase (...) 20 por cento» para eventualmente deduzir aos números de 94, seria necessário deduzir 0,02 por cento. O que é bastante diferente.

-- Decorrendo do disparate anterior e agravado pela pouca disponibilidade para fazer contas, diz-nos o sr. Maio que «não se vendeu mais música, em 1994, provavelmente até se vendeu menos no espectro de mercado constituído pelas multinacionais». A revelação é assombrosa: a facturação total das chamadas «multinacionais» foi de 8 milhões, 432 mil contos em 1994, quando tinha sido de 7 milhões, 315 mil contos em 93. É isto menos?! Ou será um aumento de 15,8 por cento?!

-- Não ficamos por aqui: o sr. Maio descobriu que o «crescimento foi quase exclusivamente para a Vidisco (...), ao ponto de determinar quedas de vendas vertiginosas em algumas das suas congéneres multinacionais». Acontece que, na informação da AFP, todas as tais «multinacionais» cresceram: no mínimo, 7,9 por cento; no máximo, 21,9 por cento -- e foi este o caso da EMI-Valentim de Carvalho. Serão «piratas» os «Números de Mercado» que o sr. Maio recebeu?

-- Último disparate que detectei (mas, como o artigo é pródigo na matéria, não juro que me não tenha escapado algum): «A facturação cresceu, sem que necessariamente se vendessem mais unidades.» A realidade é que, mesmo em unidades, o mercado cresceu 12,9 por cento, o que é notável para um ano como 1994 e demonstra a vitalidade duma indústria que o sr. Maio pinta em cores tão sombrias.

Vamos agora às omissões:

-- Por espantoso que isto possa parecer, o sr. Maio não publica o «ranking» das editoras, nem no mercado total, nem na música portuguesa, nem na música clássica, embora tivesse acesso a toda a informação relativa a esta matéria. Porquê? Que se pretende esconder? Que a EMI-Valentim de Carvalho é líder há cinco anos ininterruptos? Que a EMI-Valentim de Carvalho lidera, sempre destacada, o mercado de música portuguesa? Que a Polygram lidera, como sempre, a música clássica e regista na música portuguesa um aumento de facturação de 184,1 por cento? Que a EMI-Valentim de Carvalho consegue na música clássica um aumento de facturação de 243,9 por cento?

É que o argumento de que o sr. Maio se possa não interessar por «rankings» não convenceria ninguém, uma vez que o artigo em apreço não deixa de revelar que, no campo dos Discos de Prata, Ouro e Platina, «a Vidisco arrecadou 49 troféus, mais uma dezena que a EMI-Valentim de Carvalho».

Esta informação, aliás, é -- para variar -- correcta e o dinamismo da Vidisco assim como o seu notável crescimento só podem merecer o nosso aplauso.

Simplesmente, os referidos «troféus» são como os golos num desporto qualquer e ninguém imagina que o balanço dum campeonato se fique pela menção do ataque mais realizador, omitindo o nome do campeão e dos que se lhe seguem.

Qual a visão que se cria da realidade, nesta sequência de disparates, omissões e umas poucas verdades isoladas do contexto? Que o mercado estagnou. Que houve multinacionais que desceram vertiginosamente. E que a EMI-Valentim de Carvalho só deu nas vistas com um modesto segundo lugar nos Discos de Platina, Ouro e Prata.

A verdade é outra; o mercado cresceu muito (19,2 por cento), encontrámos concorrentes competentes e aguerridos e mesmo assim crescemos mais do que o mercado e reforçámos a nossa liderança. Não será, pois, difícil entender a nossa indignação. Liderar um mercado em expansão é uma tarefa difícil, que tem exigido de todos nós uma dedicação permanente aos nossos artistas e clientes -- um trabalho bastante mais duro, aliás, do que aquele que teria bastado ao senhor Maio para não escrever semelhante chorrilho de asneiras! E até achamos que o mínimo que mereceríamos era o reconhecimento dos frutos do nosso esforço ou, pelo menos, que se não publicassem tão grosseiras distorções da realidade demonstrada pelos documentos a que o sr. Maio se reporta.

E se isto é pedir de mais, então desafiamos desde já a secção de desporto do PÚBLICO: que tal passar a alterar ou omitir os resultados dos jogos e os nomes dos vencedores sempre que estes não forem da simpatia do jornalista?

David Ferreira (Administrador da EMI-Valentim de Carvalho), 17/02/1995

Resposta a David Ferreira

Por falta de espaço e para não tornar o artigo demasiado técnico, não por antipatia para com a EMI-Valentim de Carvalho, dispensei-me de comentar a sua quota de 21,3 por cento na facturação registada em 1994 pela AFP. David Ferreira faz muito luxo nisso, eu penso que era melhor estar calado. Passo a explicar:

(i) Omissão. No primeiro semestre de 1991, a EMI-VC tinha 24 por cento da facturação total. Em 93, essa fatia desceu para os 20,82 por cento, registando no ano passado um subida que classifico de insignificante, pois ascende a meio ponto percentual. Mais significante é que continua muito abaixo da quota de 91.

(ii) Omissão. A queda verificada em 93, de que ainda não recuperou, coincidiu com a perda de quotas de mercado das multinacionais em favor da Vidisco, que entrou em jogo com 11,26 por cento. Em 94, esse número subiu para 13,86, ou seja, foi um crescimento muito maior que o da EMI-VC.

(iii) Mentira. Confesso-me um curioso nesta matéria, admito dizer disparates. Mas David é um perito, portanto mente quando declara que todas as multinacionais aumentaram as suas quotas no mercado português em 1994. A Sony desceu de 15,36% em 93 para 14,97% em 94, enquanto a Polygram caiu de 20,41% para 18,48%, e a Warner de 11,57% para 10,65%.

(iv) Mentira ou omissão? David diz que a EMI-VC lidera o mercado da música portuguesa. Mas não relativiza essa liderança à AFP. A verdade é que, para mal dos nossos pecados, o top de música portuguesa reunindo todas as editoras em 1994 foi liderado pela Discossete, nomeadamente com Quim Barreiros, e pela Movieplay com Dulce Pontes e Frei Hermano da Câmara.

(v) Omissão. A EMI-VC atingiu 21,3% da facturação em 1994. Mas será um número para se orgulhar, atendendo à compra da Virgin (antes Edisom) pela EMI? A Edisom em 91 tinha 10,10% do mercado português (cifra sobretudo alcançada pelo catálogo Virgin) e a EMI-VC tinha 24%. Calculando por alto o somatório das duas coisas, a EMI-VC deveria agora ter mais de 30% da facturação, mas a verdade é que tem pouco mais de 20%. Não será uma vitória com sabor a derrota?

Luís Maio, 17/02/1995

Na contra-resposta à carta de David Ferreira, administrador da EMI-VC, sobre os números do mercado da música em 1994, escreveu-se que parte das multinacionais instaladas em Portugal baixaram a sua quota de mercado nesse ano (PÚBLICO, 17/02/95). É verdade, mas David Ferreira argumentava que, apesar disso, a facturação de tais companhias aumentou nesse ano, o que é igualmente verdadeiro. Houve assim uma confusão entre quotas de mercado e facturação que torna injustificado que o tenhamos classificado de mentiroso. As nossas desculpas.

Luís Maio, 18/03/1995

[Colocamos aqui esta troca de palavras, já de 1995, entre o jornalista Luís Maio e David Ferreira da EMI apenas para se tentar perceber o ponto de situação nessa altura e as diferentes interpretações que pode haver dos mesmos dados]

sábado, 10 de abril de 2010

Pechisbeque

Como os melhores homens de negócios, o londrino Christopher Pinchbeck (1670 - 1732), tinha um olho no lucro e outro naquilo que respondia às exigências do tempo. Havia gente que gostava de exibir joalharia vistosa mas não tinha dinheiro para comprar ouro? Era arriscado viajar pelas estradas da época, infestadas de salteadores, com as "family jewels" demasiado à vista? Pois bem, o senhor Pinchbeck oferecia a solução para o problema: uma liga de cobre e zinco — aquilo que, para toda a eternidade lusófona, em corruptela epónima do seu apelido, passaria a ser conhecido como "pechisbeque" — que, à vista desarmada dos não demasiado conhecedores, passava muito bem por ouro.

Pode ser pindérico mas, o que parece, é. Até ver. Imagino que não terá sido pelo facto de Christopher Pinchbeck se ter dedicado também à construção de "autómatos musicais" — ainda que não deixe de ser igualmente interessante... — que a Associação Fonográfica Portuguesa se tenha decidido a entrar na lógica do "pechisbeque".

Mas, numa época em que, depois do dinheiro fácil (demasiado e pacoviamente fácil), os tostões se contam um a um e os bandoleiros do "download" espreitam em cada esquina da Internet, a corporação da indústria discográfica nacional nem sequer pestanejou: o galardão de "disco de ouro" valia 20 mil cópias? Deixem-se de tretas... acaba-se com a "prata" (10 mil) e a "prata velha" passa a ser igual ao "ouro novo" (os mesmos 10 mil exemplares). A "platina" eram 40 mil? Corta-se isso por metade e 20 mil chegam e sobram.

Não nos lixem. Crise é crise. Pode ficar tudo igual mas salvam-se as aparências. É Portugal. E, que raio, o Pinchbeck até era inglês e não morreu pobre... Parece que, lá para Setembro, a "prata", em segundas núpcias, poderá ser ressuscitada para as miseráveis cinco mil cópias, a fim de "estimular os novos valores".

O que é preciso é não dar parte de fraco. A República Checa, a Áustria, a Bélgica, a Dinamarca, a Noruega, a Hungria, a Grécia ou a Irlanda também não podem cantar de galo. Toca a todos. Mas a malta safa-se... Quando "isto" acabar, logo se vê. É prata mas parece ouro. É ouro mas parece platina. O Pinchbeck é que sabia. Quando tivermos tempo, pensamos nisso a sério.

João Lisboa / Expresso, 2005

http://lishbuna.blogspot.com/2007_10_01_archive.html

Sucessos dos anos 80

Lista compilada por Marco Ferrari e publicada no site UKMIX versão de 30-11-2016 Singles released in 80s, which charted in Portuguese TOP10....

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